quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Pés de barro

António Horta Osório, supostamente, está a ter uma relação extra-conjugal com Wendy Piatt, uma antiga conselheira de Tony Blair. Ele era tão perfeitinho e, afinal, o cérebro dele também passa umas temporadas lá no sul. Mas o que eu queria mesmo era os escândalos da sociedade portuguesa; na inglesa isto é muito frouxo. Até o Principe Carlos aspirava a ser o tampão da Camilla...

Solidariedade feminina anti-fascista

Há muitas mulheres pelas redes sociais fora a dizer que para combater o fascismo francês vão comprar um burquini em solidariedade.

Essa é uma óptima ideia. Comprem e usem. E, por favor, não usem apenas um dia ou umas horas. Usem-no as férias todinhas. Depois contem a experiência e digam se se sentiram livres.

Só é pena que os pais e maridos destas muçulmanas que usam burquini não arranjem uma roupa similar para eles. Assim mostravam não só a sua solidariedade para com as suas mulheres e filhas, como ainda garantiam que era igual para todos (homens e mulheres) e não um instrumento de dominação contra as mulheres.

Aqui pelo campo...

Não sei porque razão o rádio do meu carro estava numa estação "country", mas hoje quando o liguei estava a tocar "Ain't Worth the Whiskey" de Cole Swindell. Achei muita piada e decidi que a próxima pessoa que me chatear, vai levar com "You ain't worth the whiskey!"

O tema seguinte foi "80's Mercedes": "I'm a 90's baby in my 80's Mercedes". Essa não dá para insultar ninguém e também não acho os Mercedes sexy, apesar de haver tantas canções sobre eles -- não é Pebbles?

Nunca cheguei a escrever-vos acerca da expedição ao Wild West no ano passado...




terça-feira, 23 de agosto de 2016

71 em 100

O "Tabu", do Miguel Gomes, está no ranking 71 dos 100 melhores filmes do século XXI. Da lista de filmes, acho que merecia uma posição muito melhor. Surpreende-me que "As 1001 Noites" não tenha surgido no ranking porque foi muito falado pela crítica. Também estranhei a ausência de "The Dreamers", que também adoro. Já o número 1, "Mulholland Dr.", é um dos meus filmes preferidos de sempre.

Viva este mercado

Ryan Lochte, um de vários idiotas americanos que mentiram acerca de serem roubados no Brasil, está a perder os seus patrocinadores. Os EUA tiveram uma boa participação nos Jogos Olímpicos, mas este episódio estragou tudo e envergonhou o país. Money talks e o dinheiro tem, neste caso, a última e muito acertada palavra: o menino que aprenda.

“We cannot condone behavior that is counter to the values this brand has long stood for,” Speedo said in a statement. “We appreciate his many achievements and hope he moves forward and learns from this experience.”

fonte: Bloomberg


Olhó mercado

"O valor do financiamento das administrações públicas resultou de um aumento do financiamento obtido junto dos bancos (+3,6 mil milhões de euros) e de outros financiadores residentes (+6,7 mil milhões de euros) e de uma redução do financiamento concedido pelo exterior (-7,6 mil milhões de euros), por via da redução de títulos de dívida (-5,6 mil milhões de euros), a que acresce o reembolso antecipado de empréstimos do FMI ocorrido em Fevereiro de 2016 (-2,0 mil milhões de euros)", pode ler-se na nota publicada hoje pelo Banco de Portugal.

Fonte: Jornal de Negócios, 22/8/2016

Parece que os estrangeiros têm pouco apetite por dívida portuguesa; afinal quando nos dizem que o "mercado" confia em Portugal referem-se ao pessoal que está em Portugal. Só gostaria de saber para onde vai o dinheiro: os gastos e investimento público baixaram, a dívida aumentou. Dava jeito os multiplicadores de 4 que o governo prometeu, pois aposto que a banca quando concede dívida ao sector privado não gera multiplicadores desse calibre. Se gerasse, não haveria tantos bancos falidos...

Na mesma...

A minha mãe passava a vida a dizer-me que eu era um bicho do mato, não suportava ninguém, criticava toda a gente, era insuportável, ninguém me iria aturar, etc. Eu ouvia aquilo e passava-me ao lado. Era o que era. Até lhe dava uns olhares altivos quando ela me criticava, estilo "in your face, Mom!" Ela dizia "Tu olhas para uma pessoa e parece que estás prestes a comê-la!" Olhar de predadora, que bom! O que ela considerava grandes defeitos, eu achava que eram elogios.

Estava a ler um blogue que eu achava muito giro há uns sete ou oito anos, que me tinha ajudado a manter o meu português, e hoje em dia acho insuportável. Sempre que leio um post recente dá-me vontade de esganiçar a autora e perguntar "What the fuck happened to you?" -- os insultos são muitos mais fáceis em inglês. Eu sei que podia tirar aquilo da minha feed, mas sou uma pessoa fiel e houve uma altura em que a moça me ajudou, sem saber que me ajudava.

Enquanto dava asas à minha imaginação de atacante de bloggers, lembrei-me do que a minha mãe me dizia e perguntei-me se estava a ser difícil como ela achava que eu era. A consciência das nossas mães é uma coisa muito chata. Foi mais ou menos nessa altura de auto-dúvida que, num dos blogs de poesia do Gil T. Sousa, apareceu um post com um poema de Jorge de Sousa Braga, que me encantou e eu pensei "Era mesmo isto que eu queria, assim vale a pena ler blogues. Rita, tu és o máximo, estás na mesma, nunca mudes. Sê como eras quando a tua mãe te criticava!"

esse verão

Vinha meio nu
Trazia uma cesta de vime cheia de amoras
que colhera nas margens do rio
Passara a tarde toda de silvado em silvado
Na sua mão direita um pequeno arranhão
– Tão quente tão quente
esse verão

~ jorge de sousa braga
o poeta nu

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

OK, ready now...




Found I Lost
~ Johanna Warren

hey
why'd you go?
why'd you stay
so long if you know
i'm insane
even though
it's a game i play
you say no
body's to blame
but you don't have to soften the blow

Passado vs. Futuro

O supermercado Fiesta, na Hillcroft St., tem uma secção de produtos internacionais extensa. Apesar do Fiesta ser uma cadeia de supermercados latinos, a secção internacional está organizada por países e tem bastantes produtos da América Central e do Sul, África, Ásia, e Europa, com destaque para o norte do velho continente, mais do que o sul. Perguntaram-me se já lá tinha ido, mas eu desconhecia onde era, apesar de saber que existia. Perguntei o nome da rua onde ficava e ontem decidi ir lá. Não encontrei grande coisa portuguesa, apenas um pacote de sal de Olhão, que estava na secção do Brasil.

Nos legumes, encontrei favas frescas e agrião de água, duas coisas que são dificílimas de encontrar. Quando vivi em Oklahoma, o único sítio onde se podia encontrar agrião era em algumas lojas asiáticas. Eu costumava ir à Cao Nguyen, um super-mercado enorme vietnamita, localizado no Asian District, também conhecido pelos locais por "Little Saigon". A secção de padaria era excelente, mas era preciso ter estômago para sobreviver à secção de comida refrigerada, pois havia lá uns bichos que pareciam insectos e não estou a referir-me aos camarões que são vendidos com cabeça e barbas, uma coisa que aflige os americanos "brancos", pois não estão habituados a ver as cabeças dos animais que comem.

Contos zen para crianças boas 189

Quando o calor cai como um bloco de cimento em cima de cães, gatos, periquitos e plantas várias, e todos dormem longas sestas de braços estendidos e pernas esticadas, e nem as moscas circulam no ar pesado e estático, e nem os peixes voadores se atrevem acima da superfície dos lagos, e os canos queimam as mãos e os puxadores das portas fervem, pouco há a fazer senão esperar que passem as horas do dia com sol inclemente e suspirar, devagarinho que de outra maneira custa, pela água espantosamente fresca das fontes romanas. Os romanos sabiam mais do que estender impérios e aniquilar tiranos ou exaltá-los. E sabiam mais do que gritar por sangue nos circos e nos triunfos. Chegaram até nós as leis e as fontes romanas de água espantosamente fresca e as odes de Horácio. As festas são o seu tema, os seus guerreiros são belas donzelas que enfrentam jovens de unhas aparadas e, livres de fantasia ou presas na armadilha de Cupido, ainda assim mantêm leve o seu temperamento.

- Contos Zen para crianças boa

domingo, 21 de agosto de 2016

Empresta, Catarina

"O sistema financeiro está a ficar com os recursos do país. Isso é intolerável. Precisamos de recursos para ter emprego, investimento, Estado Social. Precisamos dessa reestruturação da dívida."

~ Catarina Martins, Público, 21/8/2016

Ontem fui ver mobília porque uma amiga minha está a vender a casa e espera mudar-se para uma nova brevemente. Também ando numa de decorar a casa, logo também tirei proveito da expedição. A primeira loja onde fomos foi Sunset Settings, que vende mobília da Knoll e da Cassina, artigos da Alessi, etc. É, é um sítio onde dá para ter uns orgasmos só de olhar para tanto "eye candy", mas disperso-me...

Nove anos

Foi há nove anos que tive a oportunidade de apertar a mão da Sra. Clinton, em Fayetteville, AR. Sim, senti um arrepiozito na espinha. Já sabem em quem vou votar e, se têm um problema com isso, votem contra mim! It's a free country...


sábado, 20 de agosto de 2016

Extensão do campo da luta

Nas férias andei a ler contos de Tchekhov e o primeiro romance de Michel Houellebecq, “Extensão do domínio da luta”, agora publicado em português. Encontrei intersecções entre os dois autores. Comecemos pelo mestre do conto. Uma “velha” (na verdade, tinha 50 anos, mas no século XIX alguém com mais de 40 já era velho) dá conselhos a uma bela jovem de 23 anos, rica e solteira. Diz-lhe para arranjar rapidamente um marido e depois poderia ter os amantes que quisesse. A jovem que não caísse no seu erro. Desgraçadamente, percebera tarde demais que essa coisa da moral era uma invenção de beatas invejosas que não queriam que os outros se divertissem. Há, como é evidente, um fundo de verdade na observação da “velha”, aliás bem documentado. Por exemplo, após a morte de Cristo, nos dois ou três primeiros séculos não passou pela cabeça de nenhum cristão que Maria pudesse ser virgem. Uma minoria de fanáticos muito activos (e, como a história mostra, há-os sempre em todas épocas) acabou por associar o sexo a uma coisa suja. Esta visão impôs-se e provocou sofrimento a muita gente. Freud explica. Curiosamente, o génio austríaco nunca defendeu o liberalismo sexual. No seu pessimismo antropológico (desculpem lá o palavrão) acreditava com certeza que essa alternativa ainda seria pior.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Somos lixo!

A Fitch reafirmou que a dívida portuguesa é lixo e, na sua perspectiva, continuará a sê-lo.

Cursinhos e promoções

Não percebo o porquê do BCE exigir que os administradores chumbados vão fazer cursos para o INSEAD. Quando saí da universidade e comecei a procurar por empregos fora da academia, tive uma enorme dificuldade em ser considerada para entrevistas porque um dos requisitos era experiência na área, mas fora da escola -- ou seja, não era o cursinho apenas que me abria as portas. Cheguei a achar um bocado ridículo que, para alguns dos empregos em análise de dados, por exemplo, eu podia ensinar o tópico na universidade, mas depois as empresas achavam que eu não sabia fazer aquilo a sério; só sabia a teoria e não tinha ideia de como se faria na prática. Ainda bem que esse entrave não existe aí. Sendo assim, é redundante perguntar-me o que faz esta gente tão especial que tenham mesmo de ser eles, e não outras pessoas que já tenham a qualificação técnica necessária.

Quanto à questão de acumulação de cargos, dá-me a impressão que estão a tentar dizer-nos que sofremos de paranóia porque nos jornais noticiam que as regras portuguesas são mais apertadas do que as regras europeias. Dado que as regras portuguesas na área de corrupção e abuso de poder não estão ao nível das europeias, talvez não fosse má ideia manter estas. A não se que a legislação esteja em promoção de "dois pelo preço de um" e o governo aproveite e, ao mudar a lei da acumulação de cargos, mude também o enquadramento legal para os casos de negligência, corrupção, abuso de poder, etc., de modo a que fiquem também ao nível do que se faz lá fora.