Um artigo de hoje no Diário de Notícias, escrito pelo António Barreto, recordou-me uma tertúlia que tive há uns anos (não muitos, não muitos!). Eu era então uma adolescente a ter os primeiros laivos de consciência política e fui, com mais uns colegas, a casa da minha melhor amiga, ver um filme. Não sei qual - não me perguntem título, actores, realizador... nem sequer assunto. Do que não me esqueço é da conversa que tivemos depois com o pai dela, sobre o Estado Novo e o 25 de Abril e o PREC. No meio da narrativa na primeira pessoa, disse ele uma frase que me marcou: "Uma pessoa tem de estar confortável na vida para ser de Esquerda, porque só nos podemos preocupar com o bem-estar dos outros quando o nosso está assegurado."
Gosto de guardar essa frase como memória de um serão agradável, mas sobretudo como ideia romântica dos esquerdistas. Na vida adulta, sinto-me compelida a dar razão a António Barreto nas suas primeiras quatro frases de hoje. E a Esquerda que conheço fica muito bem sintetizada neste vídeo (minuto 1 e cinco segundos seguintes):
* Já que o Nuno Garoupa decidiu, neste blogue, arranjar a palavra "esquerdização", eu quis enriquecer essa família de palavras.
Um blogue de tip@s que percebem montes de Economia, Estatística, História, Filosofia, Cinema, Roupa Interior Feminina, Literatura, Laser Alexandrite, Religião, Pontes, Educação, Direito e Constituições. Numa palavra, holísticos.
domingo, 18 de setembro de 2016
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
É preciso sempre recomeçar
Está tudo dito, mas como ninguém escuta é preciso sempre recomeçar, dizia o André Gide. No primeiro semestre de 2007, foram despedidos cerca de 300 mil operários do sector automóvel em Detroit. Nessa altura, poucos perceberam que este acontecimento era o tal bater de asas da borboleta que provoca tempestades no outro lado do mundo. Muitos desses trabalhadores eram subprime, uma designação dos bancos americanos para clientes que não eram prime. Ao contrário do que reza a lenda, não se tratou apenas de uma história de ganância dos bancos. A esquerda americana viu com bons olhos que, finalmente, os negros e hispânicos tivessem a oportunidade de comprar casa, contrariando assim décadas de discriminação. Não é só em Portugal que ter uma casa é um objectivo de vida para muita gente. Passa-se o mesmo nos EUA e na Inglaterra. Desde a primeira metade do século XX que ter uma casa passou a ser visto como uma condição da liberdade individual.
Infelizmente, a maioria dos gestores sabe pouco ou nada de história. Se soubessem, saberiam que as crises imobiliárias e, por consequência, as crises financeiras são cíclicas e inevitáveis. Vinte anos antes, em 1987, os EUA sofreram também uma brutal crise imobiliária. Dessa vez, não alastrou à Europa. A economia ainda não estava tão interconectada como hoje. Na cabeça dos gestores e economistas, muitos demasiado novos para terem sequer memória da crise de 1987, as grandes crises eram uma coisa do passado, quando ainda não havia os conhecimentos e os instrumentos sofisticados do presente. Esta arrogância existiu em todas as épocas. Não há muito a fazer em relação a isso. Como também não parecem ter grande efeito os sucessivos avisos sobre a situação actual da economia portuguesa. Como dizia o poeta, as pessoas não aguentam demasiada realidade ou, numa versão mais prosaica, enquanto o pau vai e vem, folgam as costas. A evolução das taxas de juro da dívida portuguesa a 10 anos é um sinal claro do que nos pode esperar. Os investidores em títulos mostram uma desconfiança cada vez maior em relação a Portugal. Pode acontecer o que aconteceu em 2010 e, de repente, ficarmos sem crédito. Eu sei, eu sei, os avisos e os sinais servem de pouco ou nada. Ainda por cima, temos o afecto do nosso presidente e o sorriso descontraído do primeiro-ministro para nos tranquilizar. De qualquer maneira, ao contrário do aconteceu em 2007, desta vez ninguém se poderá queixar de ter sido apanhado de surpresa.
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
The Talk of the Town
Fui a NYC passar uma espécie de fim-de-semana prolongado, a apanhar o 11 de Setembro. No novo Whitney, recolho estas duas observações antropológicas:
(1) encontro no elevador, por coincidência, o director do museu em conversa com a directora da ópera Holandesa, onde o primeiro confessa nunca ter ido a Amesterdão.
(2) minutos depois, no bar do oitavo andar, ouve-se "She Will Be Loved" dos Maroon 5.
O famoso "indigenato das elites", repetidamente citado por VPV como causa de todos os nossos problemas, não é um fenómeno exclusivamente português. Olhando bem, é difícil encontrar elites não paroquiais, mesmo no estrangeiro. Mas talvez em Oxford, no tempo dele, fosse diferente.
(1) encontro no elevador, por coincidência, o director do museu em conversa com a directora da ópera Holandesa, onde o primeiro confessa nunca ter ido a Amesterdão.
(2) minutos depois, no bar do oitavo andar, ouve-se "She Will Be Loved" dos Maroon 5.
O famoso "indigenato das elites", repetidamente citado por VPV como causa de todos os nossos problemas, não é um fenómeno exclusivamente português. Olhando bem, é difícil encontrar elites não paroquiais, mesmo no estrangeiro. Mas talvez em Oxford, no tempo dele, fosse diferente.
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
Tão rico...
E-mails recentes de Colin Powell caíram nas mãos de hackers, outra vez; mas ele diz que há muitos mais. Já quando tinha sido Secretário de Estado teve esse problema. Nestes e-mails, ao mesmo tempo que critica Hillary Clinton por usar um servidor de e-mail privado, Powell diz que era isso mesmo que queria fazer, mas na altura não o deixaram.
Talvez se recordem que Hillary Clinton disse que foi Colin Powell quem a aconselhou a usar um servidor de e-mail privado, mas ele rapidamente "desmentiu" com "has no recollection of the dinner conversation". Quem conhece minimamente os EUA sabe que isto não é um desmentido; mas sim uma forma das pessoas não se auto-incriminarem porque toda a gente nos EUA tem o direito de não se auto-incriminar -- plead the fifth, invocar a quinta alteração da Constituição.
Nos e-mails, Powell diz "Everything HRC touches she kind of screws up with hubris." Não consigo deixar de pensar no que acontece ao que Colin Powell toca. Mas o mundo é assim: os homens podem ter o toque inverso do Rei Midas, que continuam a ser bem-vistos.
Talvez se recordem que Hillary Clinton disse que foi Colin Powell quem a aconselhou a usar um servidor de e-mail privado, mas ele rapidamente "desmentiu" com "has no recollection of the dinner conversation". Quem conhece minimamente os EUA sabe que isto não é um desmentido; mas sim uma forma das pessoas não se auto-incriminarem porque toda a gente nos EUA tem o direito de não se auto-incriminar -- plead the fifth, invocar a quinta alteração da Constituição.
No person shall be held to answer for a capital, or otherwise infamous crime, unless on a presentment or indictment of a Grand Jury, except in cases arising in the land or naval forces, or in the Militia, when in actual service in time of War or public danger; nor shall any person be subject for the same offence to be twice put in jeopardy of life or limb; nor shall be compelled in any criminal case to be a witness against himself, nor be deprived of life, liberty, or property, without due process of law; nor shall private property be taken for public use, without just compensation.
Fonte: U.S. Constitution, Fifth Amendment (ênfase meu)
Nos e-mails, Powell diz "Everything HRC touches she kind of screws up with hubris." Não consigo deixar de pensar no que acontece ao que Colin Powell toca. Mas o mundo é assim: os homens podem ter o toque inverso do Rei Midas, que continuam a ser bem-vistos.
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EUA
As claques e a diabolização do adversário (IV)
Resumindo o que
já escrevi anteriormente: (a) o espaço público é hoje dominado por claques,pompons, diabolização do adversário e insultos, em detrimento de ideias,modelos e programas; (b) há razões estruturais para isso (isto é, para além dos protagonistas conjunturais); (c) entre essas razões estruturais, destaca-se o progressivo desaparecimento do eleitorado flutuante (quase metade em vinte
anos), o ciclo político “infeliz” desde 1999 (ausência de recursos para manter
a base de apoio depois de obter uma maioria suficiente para governar) e a necessidade de mobilizar o eleitorado fiel nos círculos eleitorais menos cacicados, onde precisamente se disputam os 49 lugares em jogo (dos 230
deputados a eleger).
Neste quarto post,
sugiro um olhar pelas mudanças no sistema partidário português e pelo modo como
elas condicionam as estratégias dos partidos, reforçando mais uma vez o
discurso diabolizador, em prejuízo do debate sério. Deixarei para o último post
o papel da comunicação social e das redes sociais.
A primeira
observação é que o eleitorado português virou à esquerda em 20 anos. Os dados
do Eurobarómetro (ver no POP) confirmam que o eleitor médio em 2012 estava
significativamente mais à esquerda que em 1995. Basta, aliás, olhar para o
gráfico disponibilizado no POP para identificar uma tendência negativa, numa
escala de 1 (esquerda) a 10 (direita).
E, para assegurar
que os dados não se limitam a refletir a crise e a austeridade, olhemos também
para outros países sujeitos a programas de ajustamento. De 1995 para 2005,
Portugal virou ligeiramente à esquerda enquanto Grécia, Itália e França
praticamente não mexem; já Espanha tornou-se mais esquerdista (possivelmente
consequência do debacle do PP de Aznar). De 2005 a 2012, com a crise, Portugal
prossegue a sua viragem à esquerda. A Grécia faz o mesmo percurso que Portugal,
enquanto a Itália e a França continuam sem se mexer. A Espanha faz o percurso inverso.
Ano
|
Portugal
|
Espanha
|
Grécia
|
Itália
|
França
|
1995
|
5.3
|
4.9
|
5.8
|
4.9
|
4.9
|
2005
|
5.1
|
4.4
|
5.7
|
5.0
|
4.9
|
2012
|
4.8
|
4.6
|
5.2
|
5.1
|
5.0
|
(Esquerda 1,
Direita 10)
A segunda
observação confirma a anterior: o sucesso eleitoral do BE. Os 70 mil eleitores
do PSR+UDP em 1995 transformam-se em 132 mil nas legislativas de 1999. Desde aí a
tendência, sujeita evidentemente a ciclos, é óbvia: 154 mil (2002), 365 mil
(2005), 557 mil (2009), 289 mil (2011) e 551 mil (2015). Acrescem, em 2015, os
eleitores do Livre e do Agir. Independentemente dos inevitáveis sobressaltos
conjunturais, podemos afirmar que a esquerda radical passou dos menos de 75 mil
votos que tinha em 1995 para uma força de 300 a 500 mil votos, tendo
ultrapassado a barreira dos 600 mil votos em 2015.
A viragem à
esquerda do eleitor representativo e a consolidação do BE como partido médio,
com representação parlamentar, alterou drasticamente o sistema partidário
português. É óbvio que, tendo limitado a capacidade de crescimento do PS à sua
esquerda, acabou por contagiar o discurso deste (daí que a linha divisória entre
a ala esquerda do PS e o BE se tenha esbatido) e, após as últimas eleições,
forçou-o a um entendimento.
Curiosamente, à ”esquerdização”
do eleitor representativo e à consolidação do BE como partido médio, o PSD respondeu
virando à direita. Ou, pelo menos, essa é perceção da sociedade portuguesa
(pessoalmente penso que o PSD virou à direita bastante menos do que se diz, mas
a esquerda acusa-o de tal, o CDS disse isso mesmo na campanha de 2011, ao ponto
de se anunciar como o partido moderado de centro, e o próprio PSD aceitou essa
caracterização quando anunciou em vários momentos o regresso à
social-democracia).
O BE introduziu
uma linguagem acutilante e agressiva na sua comunicação política. É normal:
precisava de superar a barreira dos 150 mil votos para ser um partido relevante
e a linguagem delicodoce não ia ajudar nisso. O PS acabou por ser contagiado
com essa linguagem numa tentativa de parar a hemorragia de votos. O PSD e o
CDS, perante as suas fraquezas eleitorais, primeiro incapazes de derrotar
Sócrates (Passos Coelho pedia uma maioria absoluta a Manuela Ferreira Leite no
seu artigo “Vale a Pena”, em setembro de 2009) e depois na gestão do pós-troika,
acabaram por optar pelo mesmo processo. E, quanto mais o eleitorado virou à
esquerda, mais a direita se empenhou na diabolização do adversário e no uso de
linguagem radical em detrimento de um programa consistente e estudado.
Intervalo: jogos, jaguares e juglandáceas
Há letras competitivas,
como acontece com o jóta e com o guê.
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Intervalo
O luxo
No meu mural do Facebook, gosto de torturar os meus amigos com fotografias de cadeiras. A última cadeira que postei é famosa, mas é muito mais famosa na Austrália do que nos EUA. É a Relax Chair, fabricada por Feelgood Designs, e desenhada por Yuzuru Yamakawa. É uma cadeira em vime e eu acho-a muito gira para uma sala de estar ou para um sunroom -- adoro sunrooms, apesar de nunca ter tido um. Esta cadeira chamou-me a atenção há uns meses porque apareceu numa das capas da House Beautiful recentemente, cortesia do Thom Filicia, o designer do espaço. Só para verem o quão ignorada esta peça é, nem mencionam o designer original da cadeira na lista de itens. Se fosse uma cadeira Eames ou uma sua réplica, não teriam feito isso.
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terça-feira, 13 de setembro de 2016
Fez muito mal...
Hillary Clinton disse mal dos apoiantes de Donald Trump, dizendo que metade deles encaixariam na cesta dos deploráveis. Fez mal, muito mal, porque depois teve de dar o dito pelo não-dito e muita gente começou-se a lembrar dos 47% do Romney. Felizmente, os apoiantes de Donald Trump não estão preocupados...
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EUA
É boa, pois!
O NG acha discutível a beleza da Monica Bellucci. Oh, please! Até eu, que preciso de óculos para ler, consigo ver este avião. Mas se andam vesgos, podem sempre comprar a Paris Match. (Já tenho uma razão para visitar a Barnes and Noble...)
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Civilização
A escola primária
O Público tem uma notícia acerca da funcionária da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto que perdeu €75 mil euros, isto depois de supostamente já ter perdido inclusive um cheque de €2 mil, mas isso nunca chegou a ser apurado. Não foi despedida porque a Comissão de Trabalhadores acha que é uma funcionária exemplar. Foi apenas suspensa durante oito meses, mas eu gostaria de saber se foi suspensa sem salário ou se foi de férias para casa -- é que, em Portugal, estas coisas têm de ser explicadas por miúdos.
Pela notícia, sabe-se que, em 2004, também houve dinheiro que desapareceu nesta instituição, mas responsabilidades parece que nunca chegaram a ser apuradas. Isto por si só é mau, mas termina a notícia falando de um ex-director que faz ameaças ao seu sucessor, estilo o que nós fazíamos uns aos outros na escola primária porque éramos putos e ainda estávamos a aprender a ser pessoas.
Sem exigir que as pessoas se comportem à altura dos cargos que exercem e despedir as que não se emendam, andam uns a ser explorados pelos outros. De onde veio o dinheiro que compensou estas perdas todas que já se arrastam há mais de uma década? Foi do céu ou foi do bolso de alguém que trabalhou, sabe-se lá com que sacrifício?
Pela notícia, sabe-se que, em 2004, também houve dinheiro que desapareceu nesta instituição, mas responsabilidades parece que nunca chegaram a ser apuradas. Isto por si só é mau, mas termina a notícia falando de um ex-director que faz ameaças ao seu sucessor, estilo o que nós fazíamos uns aos outros na escola primária porque éramos putos e ainda estávamos a aprender a ser pessoas.
Sem exigir que as pessoas se comportem à altura dos cargos que exercem e despedir as que não se emendam, andam uns a ser explorados pelos outros. De onde veio o dinheiro que compensou estas perdas todas que já se arrastam há mais de uma década? Foi do céu ou foi do bolso de alguém que trabalhou, sabe-se lá com que sacrifício?
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Portugal
Melhoria dos termos de troca
"Terms of trade (TOT) is a measure of how much imports an economy can get for a unit of export goods." in Wikipédia.
Diga Bom Dia com Centeno
Ontem, de madrugada, saiu a notícia acerca da entrevista de Mário Centeno à CNBC, cuja transcrição está disponível.
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Criaturas metafísicas 2
Orígenes ensinava, informa-nos Borges, que os bem aventurados voltariam à vida sob a forma de esferas e entrariam no paraíso rolando.
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Criaturas metafísicas
domingo, 11 de setembro de 2016
Há quinze anos...
... neste dia 11 de Setembro, eu e minha Mulher viajámos de
Braga para Lisboa (não de automóvel, como era habitual, mas utilizando o
primeiro Alfa, que se não me engano, não era táo matutino como hoje). Estava um
lindo dia.
Publicada por
Cândido M. Varela de Freitas
à(s)
19:36:00
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Pensar bem
As minhas primeiras memórias são de andar na praia com a minha mãe. Apanhávamos e apreciávamos conchas e búzios, construíamos buracos na areia com muito cuidado para não desmoronarem, transportávamos água do mar no meu balde branco e azul claro. Ela chamava-me para eu prestar atenção às coisas mais insignificantes, como o tamanho das conchas, a sua cor, a sua forma. E, à medida que o tempo passa, interesso-me cada vez mais por insignificâncias.
Na praia, todas as minhas roupas eram de malha de algodão e o amarelo claro era uma cor que eu usava muito. Não sei muito bem o porquê de tanto amarelo, não sei se era uma das cores preferidas da minha mãe porque nunca cheguei a perguntar-lhe qual a sua cor preferida. A textura dos tecidos era igualmente importante. Havia um vestido de turco, com um fecho à frente, do qual eu gostava muito. Nessa altura, eu achava-me a bebé com mais estilo do mundo inteiro, mas o meu mundo não era assim tão grande.
Na praia, todas as minhas roupas eram de malha de algodão e o amarelo claro era uma cor que eu usava muito. Não sei muito bem o porquê de tanto amarelo, não sei se era uma das cores preferidas da minha mãe porque nunca cheguei a perguntar-lhe qual a sua cor preferida. A textura dos tecidos era igualmente importante. Havia um vestido de turco, com um fecho à frente, do qual eu gostava muito. Nessa altura, eu achava-me a bebé com mais estilo do mundo inteiro, mas o meu mundo não era assim tão grande.
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