sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Alternativa ao Nate Silver

Nunca tinha ouvido falar do Modelo das Chaves para prever o resultado das campanhas eleitorais americanas, mas depois de ter um brainstorming com um amigo acerca da vitória de Trump, andei à procura de explicações alternativas. Tenho algumas ideias, das quais vos falarei mais tarde, mas fica aqui um vídeo e o respectivo post no WashPost acerca do Modelo das Chaves.


Politicamente incorrecto?

Pelo que vejo no Facebook, não tanto nos blogues, parece que agora não se pode chamar racistas, machistas, porcos e trogloditas a quem votou Trump. 
Fico admirado, estava convencido de que quem exultava com a vitória do Trump  era contra o Politicamente Correcto.

"Seis administradores da Caixa recusam expor declarações de rendimentos"

"Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa já sabem que a equipa de Domingues sairá da Caixa caso tenha de apresentar declarações de património sem que seja mantido o seu sigilo."
Nesse caso devem sair. Ide para o raio que vos parta.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Conselho

Andam por aí muitos homens portugueses super-felizes com a vitória do Trump e a derrota do "political correctness". Se vocês me lêem, sabem que eu sou o que se chama uma "straight shooter": se tenho algo para dizer, digo. É um bocado estranho ouvir os portugueses falar de political correctness porque, nos EUA, nós podemos dizer muitas coisas, que, em Portugal, seriam consideradas de má educação, especialmente ditas por uma mulher.

Por exemplo, se um amigo americano me diz uma coisa que eu acho estúpida ou ofensiva, digo-lhe "you're a fucking asshole/moron/dick" e já está. Ele não leva a mal e estamos quites. Já com os meus amigos portugueses, fica mal fazer isso e, muitas vezes, se eu digo alguma coisa mais dura (pun intended), ficam logo muito melindrados, coitados.

Um homem que passa a vida a chamar nomes e a fazer piadas de Hillary Clinton, especialmente depois de Trump vencer, é um fraco; é tipo aqueles gajos que, nos filmes, aparecem no fim da luta para dar o último pontapé e cuspir no inimigo depois dos colegas o terem derrubado. Homens fracos tiram-me o tesão e fazem-me mal disposta. Por eu não estar disposta a aturar homens que gostam de malhar na Hillary Clinton ou celebrar a vitória de Trump, e por achar que tenho o direito de responder na mesma moeda com que Trump venceu a sua campanha, um amigo português disse-me que eu não era uma mulher "solta e independente" e que tinha falta de "auto-confiança" -- eu não vos disse que os homens portugueses se melindram?

Mais uma vez concluo que os homens portugueses, ao contrário dos americanos, gostam muito de tentar educar-me. Desistam dessa empreitada fútil e sigam este conselho muito mais útil: metam a pila nas calças, calem-se, e vão à vida!

Morituri te salutant

Os Millennials, esses sim, é que pertencem a uma geração bondosa, progressista, descomplexada, a quem podemos confiar o futuro: Os baby-boomers ainda mandam neste país [EUA], não há dúvidas. Mas a nossa sorte é que eles vão morrer em breve.” (Jasmine, 26 anos)
(Reportagem de João Almeida Dias, Observador, hoje)

Apoio emocional e psicológico

Soube através de dois amigos que alguns estabelecimentos de ensino estão a facilitar acesso a apoio emocional e psicológico após a vitória de Trump.

Ontem, vários alunos de ascendência latina, muçulmanos, e estrangeiros (esta última categoria é uma má tradução de "English as a Second Language students") chegaram à escola de um dos meus amigos em estado de choque e foram dirigidos para aconselhamento. Ele ensina numa estabelecimento que tem alunos desde a pré-escola ao décimo-segundo ano, na área de Minneapolis.

Uma amiga minha que trabalha numa universidade, na área de D.C., disse-me que já recebeu imensos e-mails do Departamento de Recursos Humanos, do Provhost, e do Presidente da universidade a convidar as pessoas para participar em sessões de apoio onde podem expressar os seus sentimentos em segurança. Dizia ela que o resultado desta eleição está a ser tratado como se fosse um terramoto ou um ataque terrorista.

Perguntas e respostas

Se a esquerda quer mesmo perceber como raio é possível alguém inteligente apoiar Trump, pode começar por perguntar a muita malta inteligente de esquerda por que raio gostava tanto de Hugo Chávez.

Raízes e frutos

"As raízes deste cego desejo de mudança encontram-se em muitos lugares: na crise, que aprofundou o fosso entre ricos e pobres; nos escândalos financeiros e na corrupção política; no colapso da moderação do socialismo e do liberalismo democráticos; na ideia de que os imigrantes nos roubam os empregos; nos excessos do politicamente correcto; no pavor induzido pelo Daesh; no receio da Rússia de Putin ou da concorrência desleal da China. Mas, pairando sobre tudo isso, o escapismo eleitoral decorre de um insuportável sentimento de incerteza e descrença em tudo e todos. Muitos dos que votaram em Trump não acreditam nele nem pretendem sequer que cumpra as suas mirabolantes promessas; odeiam o establishment e querem mudar, apenas isso."
(António Araújo, Público, hoje)

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O voto de Houston

Pois fugiu...

"I have instructed my team to follow the example that President Bush's team set eight years ago and work as hard as we can to make sure that this is a sexist successful transition for the President Elect [...]"

Barack Obama, 9/11/2016

Fugiu-lhe a boca para a verdade -- pois fugiu!

Os meus homens

É incrível, mas os meus homens americanos não sabem adicionar um e um e chegar ao resultado dois. Agora que Trump ganhou e Clinton perdeu, perguntam-me se eu acredito: "Can you believe it?", dizem eles. Um chegou a dizer que Clinton era forte e determinada, que não desistia, como se isso fosse uma coisa anormal numa mulher, mas qualidades a respeitar.

Ah! Estes meus queridos homens não votaram nem no Trump, nem na Hillary. Não tiveram um voto útil para derrotar o Trump, mas agora surpreendem-se que ele tenha saído vitorioso. Depois de passar tantas semanas a ouvir homens acusar mulheres de votar com a vagina na Hillary Clinton, apetece-me dar-lhes um pontapé entre as pernas e dizer "And this is how you voted, my little dick!"

Entretanto, o dólar parece estar a depreciar, o que abrirá uma oportunidade para Janet Yellen subir as taxas de juro em Dezembro. Let the fun begin...

Derrota de quem?

Não acho que a vitória de Trump seja a derrota do Partido Democrata. Há uns meses, um amigo meu queixava-se da asquerosa Michelle Obama, que só lhe inspirava nojo; já Melania Trump era uma deusa e seria uma grande Primeira Dama. A Michelle é uma self-made woman, subiu à custa da sua capacidade mental; a Melania chegou onde chegou porque é uma gaja boa. A demografia que elegeu Trump foi "homens casados" e ontem, na PBS, falava-se no efeito Hugh Hefner: os homens reviam-se no Donald Trump, assim como se revêem em Hugh Hefner.

Quem saiu derrotado destas eleições foi o cérebro; a vitória foi da pilinha.

Uma trampa

A eleição de Trump é para mim uma má notícia. Custa-me que a nação mais poderosa e a maior economia do mundo vá ser liderada por um tipo asqueroso, que tem uma visão abjecta da mulher e do seu papel na sociedade e que defende a xenofobia. Mas é isto. Que é bastante, porque eu acho que a vida privada de uma pessoa não deve ser tida nem achada para as suas funções públicas, mas o carácter, sim. Mas diz pouco sobre o que serão os próximos quatros anos, porque, se a campanha pôde ser um triste reality show (desculpem o pleonasmo!), feita de um conjunto de boçalidades e bestialidades, a presidência terá de ser fazer de decisões, de medidas concretas. E sobre estas ouvimos muito pouco nos últimos meses. Há a emblemática promessa de um muro que separe os EUA do México, que eu, com o optimismo que me resta, acredito que nem terá projecto arquitectónico. Embora receie que se possam construir muros dentro da sociedade americana.
A eleição de Trump é como a febre: não constitui doença em si, mas é um sintoma que não devemos negligenciar. Aliás, já deveríamos estar alerta desde que foi escolhido como o candidato republicano. E, mesmo antes disso, o resultado do referendo de 23 de Junho tinha vindo mostrar uma coisa: quando se olha de cima, a nata é a primeira coisa que se vê, mas não é a maioria do leite. E a democracia - felizmente! - faz-se do copo todo.

Que chatice!

A dinâmica da corrida

À medida que a contagem prossegue, os analistas mudam a análise. Ninguém quer fazer figura de parvo e dizer que acha que o candidato que está a perder vai ganhar. Se Clinton está à frente, os analistas justificam a sua vitória; se Trump está à frente, muda-se o disco e diz-se que ele consegue um resultado melhor do que o esperado. Esta eleição, definitivamente, não é para cardíacos.