… que me abalancei ontem a publicar
um texto sobre o futuro deste ano lectivo, vou comentar a decisão de hoje
do governo sobre o assunto. Assisti calmamente à longa intervenção do Primeiro-Ministro
e ao jogo de perguntas e respostas habitual nestas conferências de imprensa, e
ainda que tenham ficado por esclarecer alguns aspectos do que foi aprovado, as
linhas orientadoras são claras. Depois, apreciei também reacções de alguns
parceiros do Ministério da Educação, que foram, na generalidade, de aprovação.
Percebo perfeitamente a lógica
das medidas tomadas. Na situação de emergência em que vivemos queremos que os políticos
que governam tomem decisões. Acontece, porém, que precisamente porque a situação
é complexa, a tomada de decisões é muito arriscada: por isso o governo aprovou
medidas prudentes e aparentemente consensuais. Acentuou sempre a prioridade na luta
contra o Covid-19 respeitando as orientações das entidades responsáveis da
saúde. Mas ao mesmo tempo aproveitou para temperar essa posição de cautela (“porque
ninguém pode prever quando isto acaba”) com a notícia de que o 3º período do
ano lectivo começa de acordo com o calendário no dia 14 de Abril… com toda a normalidade…
A grande divergência entre o que
eu penso seria a melhor solução e a decisão do governo está na manutenção do
ensino básico “a distância”, com o tal apoio da Telescola (muito bem encaixada
na RTP Memória!) e com avaliação final, exceptuado o exame do 9º ano e provas
de aferição. Estarei atento ao que se vai passar mas não auguro que sejam
tempos fáceis para professores e alunos estes meses de um ensino “a distância”
misto. É grande a minha curiosidade
acerca de como vão ser integrados os elementos fornecidos via TV na programação
que os professores irão gizar nas suas disciplinas. E temo que a imposição de
uma avaliação de contornos perigosamente vagos venha a causar grandes perturbações.
Perdoe-se-me o que vou dizer: houve falta de coragem para tomar a decisão
certa, isto é, não haver qualquer avaliação. Não vejo como vai ser possível um
docente definir uma avaliação que objectivamente considere justa para todos os
alunos nestes tempos conturbados.
De resto, as medidas tomadas
estão de acordo com o que expus ontem. A conclusão do secundário teria sempre
de ter um exame – a não ser que a entrada no ensino superior fosse diferente.
Devia ser, aliás – mas isso é outro problema e nunca seria desejável uma
mudança sob pressão das circunstâncias.
Temos definido um percurso para
os próximos meses de um ano escolar algo complicado, único. Apesar das minhas
reticências em relação à solução ensaiada para o ensino básico (e nem sequer quero
ter a presunção de ter razão) quero acreditar que todos os intervenientes no
processo vão fazer o seu melhor. E – quem sabe! – até pode acontecer que desta
experiência improvisada por uma circunstância fortuita se possam encontrar pistas
inovadoras a considerar num futuro.
Eu tenho um filho no 6o ano e estou farto de ouvir falar do ensino à distância. Mas qual ensino à distância? Um e-mail por semana da Directora de Turma para os garotos irem fazendo uns testes de escolha múltipla na Escola Virtual??? Porque foi a única coisa que fizeram antes das férias da Páscoa; durante as férias zero
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