Estes tipos do Insurgente sempre foram uns camaradas.
Forte abraço e muito obrigado.
PS Nunca linquei para nada no Facebook, mas para se perceber esta dedicatória é necessário ler esta troca de opiniões no Facebook.
Um blogue de tip@s que percebem montes de Economia, Estatística, História, Filosofia, Cinema, Roupa Interior Feminina, Literatura, Laser Alexandrite, Religião, Pontes, Educação, Direito e Constituições. Numa palavra, holísticos.
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
HOMENS E MULHERES, DIVISÃO DE TRABALHO, OU REDEFINIÇÃO DE PRIORIDADES
Saiu esta semana um estudo da OCDE sobre alocação do tempo dos homens em mulheres, repartido por tempo de trabalho pago, tempo de lazer e tempo de trabalho não pago.
A abordagem mais geral seguida pela imprensa, foi a de analisar as diferenças de género no peso do trabalho não pago. A realidade mostrava, que as mulheres trabalhavam mais horas do que os homens em todos os países. Mas mostravam que Portugal (a par com o Japão, Coreia do Sul, México, Turquia e Espanha), estava entre os países em que a percentagem do trabalho feito pelas mulheres era mais elevado (77% cabia às mulheres/23% aos homens).
O contraste com os países escandinavos era bastante notório. Fui ver os números e a Noruega surgia junto a Portugal (pois estavam por ordem alfabética), mas a divisão do tempo entre homens e mulheres apresentava uma clara diferença. A Noruega, à semelhança dos restantes países escandinavos, apesar de não apresentar uma situação de 50%/50%, aproximava-se apresentando uma distribuição mais próxima do equilíbrio (60%/40%), apresentando valores melhores do que os da Suécia e Finlândia e ligeiramente abaixo dos da Dinamarca – ver quadro 1 – valores em percentagem.
Quadro 1 – Distribuição do trabalho não pago
entre homens e mulheres (em %)
Mulheres
|
Homens
|
Mulheres
|
Homens
|
|
Norway
|
Norway
|
Portugal
|
Portugal
|
|
routine housework
|
64
|
36
|
83
|
17
|
Shopping
|
57
|
43
|
66
|
34
|
care for household members
|
58
|
42
|
81
|
19
|
care for non household members
|
0
|
0
|
71
|
29
|
travel related to household activities
|
50
|
50
|
42
|
58
|
Total Unpaid work
|
60
|
40
|
77
|
23
|
O comentário a estes resultados pela imprensa, relacionava o fenómeno com conservadorismo, machismo, injustiça social, baixo respeito pela condição feminina, posição privilegiada que os homens assumem nos casais em Portugal, etc. O problema é a falta de colaboração do macho português. Penso que muitos destes comentários são justos. Outros podem ser um pouco exagerados, ou mesmo errados quando generalizados, ou quando não se diferencia entre gerações.
A verdade é que as mulheres portuguesas estão entre as que mais horas de trabalho não pago têm na OCDE - com 328 minutos por dia (5 horas e meia), ficam apenas atrás das turcas e mexicanas.
Mas será que este problema vem maioritariamente da atitude e falta de colaboração dos homens portugueses?
Fui então verificar a diferença entre os homens Noruegueses e os Portugueses. Estava à espera de encontrar uns latinos mandriões que nada fazem em casa ou fora dela, que se dedicam ao lazer, enquanto as mulheres fazem o trabalho de casa e os homens e mulheres dos países do Norte da Europa trabalham para os subsidiar. Mas não foi isso que encontrei.
O número de minutos médios diários (incluindo fins de semana) que os homens e mulheres de cada país dedicam a cada tipo de tarefas estão no quadro 2, e desmentem a ideia de que os homens portugueses trabalhem muito menos do que os Noruegueses.
Os homens portugueses trabalham de facto menos em casa do que os noruegueses, mas essa diferença é relativamente pequena - cerca de 10 minutos por dia (105 minutos para os Noruegueses/95 nos portugueses). Em compensação trabalham em média mais 50 minutos por dia no seu emprego e perdem o dobro do tempo a chegar ao trabalho. No final o homem latino português dedica menos 90 minutos por dia do que o norueguês ao lazer (inclui desportos, espectáculos, ver televisão…).
Quadro 2 –Número médio de minutos por dia
dedicado a cada tarefa
Homens
|
Mulheres
|
|||
Norway
|
Portugal
|
Norway
|
Portugal
|
|
routine housework
|
59
|
51
|
104
|
253
|
Shopping
|
13
|
10
|
18
|
19
|
care for household members
|
19
|
6
|
26
|
26
|
care for non household members
|
0
|
4
|
0
|
10
|
travel related to household activities
|
13
|
24
|
14
|
17
|
Total unpaid work
|
105
|
95
|
161
|
326
|
Paid Work
|
251
|
300
|
185
|
179
|
Travel to work
|
16
|
32
|
12
|
20
|
Leisure
|
379
|
289
|
376
|
200
|
Chega-se então a um paradoxo. Aparentemente o homem português dedica um esforço apenas ligeiramente menor que o norueguês às actividades domésticas. Mas a mulher portuguesa, pelo contrário dedica o dobro do esforço da mulher norueguesa.
A divisão das tarefas não é a única diferença. Aparentemente havia algumas tarefas a que os portugueses dedicam muito mais tempo do que os Noruegueses, e em alguns casos do que a maioria dos europeus.
Por exemplo em actividades rotineiras de trabalho doméstico, os portugueses (média homens e mulheres) despendiam em média 160 minutos por dia (3º valor mais alto da OCDE), enquanto nos EUA e Reino Unido, se gastava 100, e na Noruega, Suécia, Irlanda e Japão, os valores estavam próximos de 90 minutos dia.
Porquê? Não sei. Nem a OCDE explica. Pode ser por razões culturais (Espanha e Itália também surgem com valores elevados, com 125 e 132 minutos), que levam a prolongar algumas tarefas, como por exemplo: demorar muito tempo a cozinhar, porque se valoriza, ou só se aprendeu a fazer uma comida elaborada; limpar mais frequentemente a casa; utilizar mais loiça, e lavar a loiça antes de a colocar na máquina; passar a ferro toda a roupa; levar os filhos à escola e a mil actividades, mesmo quando estes já têm 14 ou 15 anos, etc.
Esta discussão não deve servir para alimentar conversas de quem é que tem razão. Ou falsas guerras dos sexos. Deve antes servir para reflectir sobre que muitas vezes quando se anda a discutir a divisão se esquece que se calhar o maior problema não é a percentagem que cada um fica do bolo (ou do trabalho), mas antes a dimensão do mesmo bolo, ou a carga de trabalho.
Dos números apresentados pela OCDE fica a ideia de que as mulheres portuguesas trabalham mais 165 minutos que as norueguesas. Mas fica também a ideia de que se as mulheres portuguesas tivessem maridos que ajudassem tanto como os Noruegueses, isso pouco mudaria a sua situação, pois trabalhariam ainda mais 155 minutos que as norueguesas. Centrar a discussão sobre a escravidão do lar da mulher portuguesa nos 10 minutos a menos é perder o sentido do mais importante, pois dos 165 minutos a mais, 155 nada têm a ver com isso. Estas duas horas e meia a mais têm a ver com padrões culturais, herdados pelas mães e pais sobre o que é o mínimo de uma casa bem mantida, ou uma refeição do dia a dia, que não estando errados, podem não estar muito adaptados à vida moderna de quem trabalha.
Se queremos que homens e mulheres portuguesas tenham mais espaço de lazer temos de conseguir essa simplificação. Mas essa é uma escolha, e uma escolha com custos, pois quem conhece outras culturas sabe que essa simplificação das rotinas domésticas também traz problemas como o empobrecimento culinário, etc.
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Um partido de poder
No discurso e na actuação de Bernardino, o que me chama a atenção não é o facto de ele ser uma cópia do de Passos Coelho e por isso não lhe chamo comunista neoliberal, como faz Alexandre Homem de Cristo.
O que me chama a atenção é uma coisa em que insisto há muito: ao contrário do que muitos pensam, e ao contrário de alguns partidos folclóricos de esquerda, o PCP é um partido institucional de poder. E como partido de poder, e que almeja o poder, sabe que uma vez no poder tem de governar e não rebentar ou implodir com o Estado.
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Uma revista científica não é um blogue ou sobre a importância de ter as pessoas certas a liderar as instituições
Grande e corajosa decisão de José Luís Cardoso, que recentemente se tornou director do ICS.
A ser verdade o que é relatado na notícia, tudo se resume a isto:
A ser verdade o que é relatado na notícia, tudo se resume a isto:
A Análise Social não é um blogue, nem é uma revista de difusão de textos de opinião não fundamentados.A decisão fácil seria deixar passar este número da Análise Social e depois substituir o seu corpo editorial. José Luís Cardoso terá intuído que era a reputação da revista Análise Social enquanto revista académica séria que estaria em causa.
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
O dia da raça
O Presidente da República considerou que o hipismo é uma nova área-chave para o desenvolvimento da economia nacional e, na visita a um centro de equitação, manifestou preocupação sobre os níveis de procriação dos cavalos lusitanos.
Finalmente percebi. Quando Cavaco se manifesta preocupado com a baixa natalidade lusitana está a pensar no garanhão lusitano.
Lembram-se de há uns anos Cavaco Silva ter celebrado o 10 de Junho como o “Dia da raça”? Cavaco continua coerente. A ideia era celebrar o dia da raça lusitana, ou seja o garanhão lusitano. O objectivo era o estimular o desenvolvimento nacional.
Dar à costa
Ontem, num comentário no Facebook, escrevi a pretexto das próximas eleições que era seguro que eu não votaria no PSD/CDS.
Depois dei-me conta de que voltei a usar o adjectivo 'seguro' sem qualquer segundo sentido, não havendo perigo de pensarem que era um trocadilho com o substantivo próprio.
É o regresso à normalidade das palavras.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Implosão de edifícios
Ao contrário do que alguns parecem pensar, implodir um grande edifício exige muito cuidado e um planeamento meticuloso e caso a caso. Pequenos detalhes fazem toda a diferença e dois edifícios aparentemente iguais podem reagir de forma muito diferente à mesma disposição de explosivos.
Por mais cuidadoso e meticuloso que seja o planeamento, há sempre o risco da pegada da implosão ir muito além do perímetro do edifício. Milhares de toneladas de metal pedra e cimento em queda são sempre imprevisíveis. Por isso, o perímetro de segurança tem de ir muito além do perímetro do edifício.
Enfim, isto tudo para dizer que implodir o Ministério da Educação até pode ser um programa aceitável para um governo. Mas é para ser feito com planeamento pormenorizado e com um plano adequado para todas as contingências. Entregar a coordenação dessa implosão a um incendiário só pode dar merda.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Nada de que os leitores da Destreza não estivessem já informados
A ministra das Finanças reconheceu esta quarta-feira, no Parlamento, o óbvio: se o banco for vendido abaixo dos 4,9 mil milhões do fundo de resolução, uma parte dessa perda cairá sobre a CGD, que pesa cerca de 30% do fundo.
Isto mesmo já tinha sido explicado aqui, há cerca de 2 meses.
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Foda-se, a cratinice é um vírus que se pega.
O governo rebenta com os tribunais e depois esta besta convida os portugueses a processar o Ministério da Educação.
Sem palavras II
João Miguel Tavares:
Inadmissível ter um governo que exige tanto aos portugueses e tão pouco a si próprio.
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Acordo fechado: salário mínimo aumenta para 505 euros em Outubro
Má forma de subir o salário mínimo. Quando tiver tempo escrevo sobre isso.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Melhorar os rendimentos sem prejudicar o emprego
Opinião no Diário Económico de hoje, sobre a subida do salário mínimo, um tema já abordado pelo Luís aqui e aqui.
"A discussão em torno das vantagens e/ou desvantagens do aumento do salário mínimo nacional (SMN) é uma das mais recorrentes e controversas. Os defensores da subida justificam-na com argumentos baseados numa maior equidade na repartição de rendimentos e na proteção dos trabalhadores com menor poder negocial. Adicionalmente, como a propensão marginal ao consumo dos trabalhadores de menores rendimentos é superior à dos detentores de capital, o aumento do SMN estimularia o consumo e, como consequência, a procura e o emprego.
Do outro lado estão aqueles que consideram que a fixação dos salários deveria ser apenas entregue às forças de mercado, encarregando-se estas de determinar os salários de equilíbrio. O salário mínimo, a par dos salários fixados no âmbito da contratação coletiva, poderá implicar um preço do trabalho superior à produtividade marginal de alguns trabalhadores, tornando-os menos atrativos para os empregadores, o que explicaria o elevado desemprego dos jovens e menos qualificados.
Apesar da literatura económica não ter chegado a um consenso quanto aos efeitos sobre o emprego de uma subida do salário mínimo, no geral é aceite que os efeitos serão tanto maiores quanto maior a sua proximidade ao salário mediano. Portugal, sendo um país com salários baixos, é o terceiro país da UE, depois da França e da Eslovénia, onde o SMN está relativamente mais próximo do salário mediano. Isto quer dizer que o potencial de efeitos adversos sobre o emprego é demasiado elevado para se considerar uma subida sem que se considerem outras medidas compensatórias. O desafio é, assim, permitir uma melhoria dos rendimentos dos trabalhadores com menores rendimentos sem prejudicar o emprego. Uma subida moderada do SMN poderia ser acompanhada, por exemplo, por uma descida da TSU paga pelos empregadores relativa às remunerações dos trabalhadores com baixos salários. A perda de receitas da segurança social daí resultante, seria compensada com receitas provenientes da nova “fiscalidade verde”, em vez destas serem canalizadas para a descida do IRS, a qual beneficia em primeiro lugar as classes média e média alta."
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