quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Um oitavo de polegada

Ontem de manhã telefonou-me uma amiga que votou no Trump e que eu tenho evitado porque não sei o que pensar. Não sei se deva ter pena ou se deva ficar zangada com estas pessoas. Tentei ser seca e evasiva, até que ela me perguntou da economia e eu não me contive e disse que achava que estavamos prestes a ter uma crise enorme. Ela responde que não, que acha que as taxas de juro até vão baixar. Claro que não, disse eu, porque a política de comércio internacional de Trump é inflacionista. Ah mas o Trump vai acabar com o desperdício, responde-me.

É verdade que há desperdício, mas o governo federal também gasta imenso dinheiro em controle de desperdício; aliás o custo de encontrar e controlar desperdício no governo federal é mais alto do que o desperdício que ocorre e que se evita. Nesta administração, acha-se que o remédio para se eliminar desperdício é parar tudo: já se começou a despedir a função pública e a suspender gastos em investigação, daqui a umas semanas é quase certo que nem toda a gente irá receber pensões, nem apoio financeiro para gastos médicos ou educação ou apoio a aquisição de casa, nem que se possa contar com o governo para assistência em caso de catástrofes naturais, etc. Ou seja, está a demantelar-se todo o sistema de controle de risco e de estabilização da economia americana que foi criado no último século.

Soltei os cães na minha amiga. Como é possível ainda no outro dia ela me ter perguntado porque é que não há investigação médica para certas doenças de mulheres e ela votar num traste como o Trump, é a terceira vez que vota nele, não me pode dizer que não gosta do homem. Só que não gostava do Biden e será que eu achava melhor que ela não votasse. O Biden não era o candidato, respondi-lhe, eu também não gosto dele e não votei nele nas primárias. Mas ela também não gostava da Kamala e não gosta do Trump, mas o Trump era um oitavo de polegada (3,18 mm) melhor do que os outros e vai tudo correr bem.

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