Na semana passada, a minha empregada veio a minha casa e acabei a dar-lhe um sermão no meu portunhol aldrabado. Quando Trump foi eleito, ela postou no Instagram uma foto em frente à Trump Tower em Chicago, eu disse-lhe que era um dia triste para os EUA, ela disse-me que Deus mete e tira reis. Eu fui aos arames e passei longas semanas a imaginar que a despedia, mas contive-me, apesar de ter ficado desgostosa. Então na semana passada lembrei-a da foto que tinha postado e do que eu lhe tinha dito e ela, que imigrou ilegalmente para os EUA, disse-me que ele era a melhor alternativa porque era contra os gays e transsexuais e que os outros iam transformar os jovens em gays e transexuais.
Eu dei a minha opinião: sempre houve gays e ninguém é transformado em gay ou transsexual, as pessoas nascem assim e não é saudável viver numa sociedade em que pessoas gays e transsexuais são perseguidas. Claro que não a convenci. Eu devia era ter-lhe perguntado se ela era Deus ou Jesus para andar a julgar os outros, mas não me lembrei na altura. Ou devia ter lido a Bíblia para ter competência para citar um evangelho qualquer, mas não tenho interesse, talvez um dia lá chegue porque li recentemente a Ilíada e a Odisseia e há histórias semelhantes nos três textos. No final, aconselhei-a, como sempre faço, a ter cuidado porque se o ICE a apanha, é deportada, apesar de ela já estar regularizada. Mas cá dentro penso que, se a apanharem, ela continua a ser apoiante dele (ou será adepta) e, se fosse cidadã e pudesse votar até continuaria a votar nele. Se acontecer, em Portugal, dir-se-ia bem feita, nos EUA dir-se-ia "It couldn't have happened to a better person".
Mas eu, boa pessoa? Definitivamente, não.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Não são permitidos comentários anónimos.