1.
Cavalgamos por aquele bosque cerrado, até chegarmos a uma
clareira pequena, após atravessarmos um rio veloz, com os nossos cavalos já
cansados, porque lutámos contra ursos e cavalgamos desde madrugada, sob a
ameaça dos lobos, para chegarmos ainda nessa noite, ou entre a noite e a
alvorada, sem parar um minuto que seja, nem perante o evidente cansaço dos
cavalos, nem por causa de uivos aterradores, ou de árvores fantasmagóricas, à
clareira pequena onde nos espera refúgio de ursos e lobos, alimento para
cavalos e uma cama merecida junto a uma fogueira crepitante. Não somos
salteadores, nem príncipes. As aventuras acontecem a qualquer pessoa.
Um blogue de tip@s que percebem montes de Economia, Estatística, História, Filosofia, Cinema, Roupa Interior Feminina, Literatura, Laser Alexandrite, Religião, Pontes, Educação, Direito e Constituições. Numa palavra, holísticos.
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
Contos zen para crianças boas 80
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
Contos zen para crianças boas 59
1.
As caudas dos lagartos voltam a crescer quando as
cortamos, diz-se.
terça-feira, 20 de setembro de 2016
Contos zen para crianças boas 163
Um conto curto é uma história pequena e um rato sem pêlo é um rato rosado. Uma coisa parece nada ter a ver com a outra, um conto curto e um rato sem pêlo, mas não custa nada juntar as duas e fazer um conto curto sobre um rato sem pêlo. Se fizermos um conto curto sobre um rato sem pêlo saem os dois a ganhar, o conto curto, que ganha um assunto, e o rato sem pêlo, que ganha um papel numa história. Um conto curto sem assunto, mesmo sendo curto e não precisando de assuntos longos, seria de tal forma curto que nem repararíamos nele quando estivéssemos a lê-lo. E um rato sem pêlo e sem história passaria ainda mais despercebido do que normalmente já passa, pois é rara a pessoa que diz ter visto um rato sem pêlo quando conta a quem a ouve o que lhe aconteceu durante o dia. Contar o que nos aconteceu durante o dia é fazer contos curtos sobre várias coisas, mas são tantas as coisas que nos acontecem num só dia e tantas as coisas que contamos uns aos outros que fazer um conto curto sobre um rato sem pêlo de propósito vale sempre a pena.
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
Contos zen para crianças boas 189
Quando o calor cai como um bloco de cimento em cima de cães, gatos, periquitos e plantas várias, e todos dormem longas sestas de braços estendidos e pernas esticadas, e nem as moscas circulam no ar pesado e estático, e nem os peixes voadores se atrevem acima da superfície dos lagos, e os canos queimam as mãos e os puxadores das portas fervem, pouco há a fazer senão esperar que passem as horas do dia com sol inclemente e suspirar, devagarinho que de outra maneira custa, pela água espantosamente fresca das fontes romanas. Os romanos sabiam mais do que estender impérios e aniquilar tiranos ou exaltá-los. E sabiam mais do que gritar por sangue nos circos e nos triunfos. Chegaram até nós as leis e as fontes romanas de água espantosamente fresca e as odes de Horácio. As festas são o seu tema, os seus guerreiros são belas donzelas que enfrentam jovens de unhas aparadas e, livres de fantasia ou presas na armadilha de Cupido, ainda assim mantêm leve o seu temperamento.
- Contos Zen para crianças boa
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quinta-feira, 18 de agosto de 2016
Contos zen para crianças boas 122
No dia em que partiu uma perna, a cigarra percebeu que tinha que mudar de vida. A vida da cigarra que partiu a perna, como a vida das outras cigarras, era andar pelos formigueiros a pregar as virtudes da indolência e foi quando tentava equilibrar-se no topo de um formigueiro que a cigarra escorregou numa casca de cebola acabada de chegar transportada pelo batalhão número quatro das formigas do turno do almoço e depositada no chão para processamento. Com a perna partida, a cigarra arrastou-se para longe do formigueiro, não fossem as formigas do piquete de processamento confundi-la com a casca de cebola, e sentou-se debaixo de um cogumelo a ponderar as suas opções profissionais. Como uma cigarra não é uma formiga, várias opções estão-lhe vedadas à partida, pois o modo de ser das cigarras não é compatível com uma vida industrial. E como uma cigarra não é um sapo, que passa o seu tempo deitado num nenúfar com ar sério, a vida especulativa também não combina com ela. Concluindo a cigarra que a indolência é o que faz dela uma cigarra, decidiu simplesmente praticá-la o mais longe possível de formigueiros e nenúfares.
quarta-feira, 1 de junho de 2016
Contos zen para crianças boas 112
Hoje, dia mundial da criança, publico um conto infantil para crianças boas, mas as más também podem lê-lo:
quinta-feira, 10 de março de 2016
Contos zen para crianças boas 186
O meu tapete da entrada é um tapete voador.
terça-feira, 8 de março de 2016
Contos zen para crianças boas 200
Quanto de meu estado me acho incerto, pensa o grou equilibrado numa só perna no meio de canaviais densos tão densos que cada cana sustenta outra cana absolutamente segura ainda que o diâmetro de cada cana pouco maior seja do que o diâmetro de cada perna do grou, a estendida e a recolhida.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Contos zen para crianças boas 26
Foi-me feito saber que não sei nada de sinos. Vou, por isso, falar de outra coisa, de que também não sei nada:
Os piratas têm perna de pau, olho de vidro e cara de mau,
e dentes piores ainda. Este pirata era um pirata normal, ou melhor, era um
pirata quase normal. Tinha perna de pau, olho de vidro e cara de mau, e dentes
piores ainda, mas era um pirata pessimista e os piratas normais são piratas
optimistas. Um pirata optimista espera sempre que os mapas dos tesouros existam
e que o X que marca o lugar do tesouro nos mapas dos tesouros seja um lugar
real, de preferência numa ilha deserta, com mar azul transparente, areia fina
branca, palmeiras e bom tempo. O tesouro serão moedas de ouro, colares de
pérolas e anéis de rubis guardados numa arca de madeira com fechadura de cobre.
O pirata pessimista só encontra os seus tesouros por acidente e pode levar anos
a desenterrá-los.
sábado, 23 de janeiro de 2016
Contos zen para crianças boas 171
A visita residente parece uma contradição e, logo, uma impossibilidade, mas há mais a dizer acerca das impossibilidades do que assinalar o facto de serem contradições. A visita residente pode ser uma contradição e, logo, uma impossibilidade, mas não deixa de ter efeitos sobre nós, tal como outras impossibilidades. Um círculo quadrado ou um solteiro casado ou um triângulo com sete lados ou um erro deliberado ou um partido comunista ou uma rosa azul ou um morto vivo ou um pequeno milagre ou um novo clássico ou uma cópia original ou uma vítima de suicídio ou uma desordem sistemática ou um caos controlado ou um humano normal aparecem por todo o lado e mantêm-nos ocupados ou tornam-nos reflexivos. Há contradições existencialistas e muita gente diz ter experimentado a solidão no meio de uma multidão. Há contradições filosóficas e muita gente tem pensado na guerra justa e na igualdade de oportunidades. Há contradições dramáticas como a leveza pesada, a vaidade séria, a pena de chumbo, o fumo brilhante, o fogo frio e a saúde doente de Romeu, de que têm falado os poetas. Da visita residente podemos dizer que, não sabendo quando chega e quando parte, melhora em muito o nosso sentido da hospitalidade.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Contos zen para crianças boas 8
As galinhas não têm dentes e os porcos não voam e é por isso que as pessoas dizem que as coisas muito improváveis só acontecerão no dia em que os porcos voarem ou as galinhas tiverem dentes.
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