sábado, 19 de junho de 2021

Contas de envelope

Estive a ver dos dados do PIB de Portugal e parece que desceu 15,7 mil milhões de euros (base 2016, a preços constantes) em 2020 e isso nem tem em consideração a desgraça que foi o início de 2021. Depois também temos de pensar que, mesmo com esta perda, houve endividamento da economia para se chegar onde se chegou (em princípio vão dizer-nos em Julho quanto aumentou a dívida), logo o custo total da pandemia será a perda do PIB, o endividamento adicional, e, claro, o valor da perda de vida humana e sofrimento, que penso ninguém irá quantificar porque em Portugal ninguém liga a essas coisas. 

Sejamos conservadores e ignoremos esta coisa de deflatores na perda do PIB acima, e pensemos no tamanho do tal Plano de Recuperação e Resiliência: 16,6 mil milhões de euros até 2026, parte a fundo perdido e parte como empréstimo a juros baixo. Quer dizer, isto ajuda mas não recupera Portugal de todo. E esqueçam a palavra resiliência, pois isso é uma palavra chique introduzida recentemente para disfarçar a corrupção que é inerente à República.

Eu não sei, mas acho o país completamente à deriva e o Primeiro Ministro nem de aritmética percebe. Convenhamos que, se percebesse, dificilmente chegaria a PM.  

sexta-feira, 18 de junho de 2021

Um feriado novo

O Presidente Biden assinou hoje a lei que declara 19 de Junho (Juneteenth) feriado federal. Foi a 19 de Junho de 1865 que o Texas acabou com a escravatura e, no ano seguinte, em Galveston, TX, as pessoas começaram a comemorar. Como 19 de Junho calha a um Sábado, o feriado é antecipado para Sexta-feira; se calhasse a Domingo, seria Segunda-feira. Alguém já foi à Wikipédia actualizar a página do Juneteenth. Para mim não faz diferença, dado que nem todos os feriados federais são observados pelo sector privado. Mesmo assim, fiquei contente.

Ah, quase que me esquecia: dei um pulo a Saddle Creek, um centro comercial daqui e encontrei uns produtos portugueses que nunca tinha visto: umas colónias, creme de corpo, e umas saquetas perfumadas para o guarda-roupa. Comprei uma bolsa com os cremes e sabonete e a minha vizinha ficou encantada com o cheiro das saquetas perfumadas e vai oferecer ao marido (era aroma masculino). 

Vocês não imaginam o trabalho que dá manter a economia portuguesa viável quando se está do outro lado do mundo -- bem, tecnicamente só estou 25% separada de Portugal, mas mesmo assim. 


 

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Primeiro dia

Tirando a parte de ter de conduzir meia-hora para cada lado e ir estacionar no sexto andar da garagem, o meu dia foi muito agradável. O escritório novo tem uma vista fabulosa e a minha secretária é mesmo ao pé da janela. É muito relaxante olhar para o rio Mississippi e para as barcas que o navegam. 

Para o almoço, fui com um colega ao restaurante Flying Fish, que acho que nunca tinha visitado. Foi uma experiência diferente. Agora estou super-cansada. Já não estava habituada a estas andanças. 

Enquanto trabalhava, o Jerome Powell anunciou que talvez lá para 2023 haja dois aumentos das taxas de juro. Ora estava mesmo de se ver que esta recuperação pode ser bem rápida, dado que tanto a política monetária como a fiscal são bastante acomodativas. Agora é ver que países recuperam mais rápido.


quarta-feira, 16 de junho de 2021

WFO

O meu plano para amanhã é ir trabalhar ao escritório. Ainda não visitei o edifício para onde nos mudámos quase há um ano. Agora estamos na Baixa de Memphis, que fica um pouco longe de minha casa, mas antes da pandemia estava entusiasmada com a perspectiva de investigar melhor a zona. Talvez encontrar restaurantes novos escondidos, ruas engraçadas, etc. 

Não é muito grande, a Baixa de Memphis, mas há partes perigosas e há muitos pedintes. Não são pedintes daqueles que estão na esquina à espera que lhes dêem dinheiro; estes vivem perto e, muitas vezes, vêm ter connosco para nos dizer que não devíamos andar por aquela rua, mas que podem fazer o favor de nos acompanhar para estarmos em segurança. Depois, quando se despedem, pedem dinheiro.

Já fiz marcação para levar o Julian ao campo de actividades para cães. Ele vai ficar eufórico de sair de carro logo de manhã: estou a criar um monstrinho mimado, que não tem noção que é cão.

WFO: Working from Office

terça-feira, 15 de junho de 2021

Progresso

Há uns anos, notava-se que, no mundo de negócios, para se meter conversa, tinha de se falar de desporto ou saber jogar golfe. Agora, tudo se tornou mais zen. Fala-se de meditação, yoga, do respeito pela diversidade, globalidade, etc. De temas muito masculinos passou-se para coisas que são bastante associadas ao lado feminino. Acho um progresso interessante, mas decerto que não irá parar aqui. O que poderá vir a seguir a isto?

segunda-feira, 14 de junho de 2021

Arrependimento

Amanhã é dia da bandeira, que é um feriado menor, logo hoje ao anoitecer decorámos as zonas centrais da vizinhança com bandeiras. Também colocámos algumas em frente da casa do Sr. Alexander. Era frequente, quando passava em frente de casa dele, pensar que devia oferecer-me para ir ao jardim arrancar ervas daninhas, mas nunca o fiz. Agora arrependo-me de não ter tido coragem ou vontade, sei lá. 

O jardim tinha sido plantado pela esposa dele, a Dottie, e decerto que ele teria gostado de ver tudo arranjado como quando ela cuidava dele. Agora já não há nada a fazer. Pensei perguntar ao filho se vai mandar arrancar as plantas.  Eu podia adoptar algumas, em vez de irem para o lixo. Nada é permanente, tudo é efémero, mas gostaria que as plantas não morressem com o Sr. Alexander.

domingo, 13 de junho de 2021

Problemas do primeiro mundo

Regressando à minha vidinha aborrecida, hoje esteve um calor daqueles que mata. Fomos brindados de manhã com um alerta a indicar que já não tínhamos um índice de calor de 105 desde o ano passado. As instruções eram para não sair à rua para fazer tarefas, beber muita água, e fazer bastantes intervalos.  E depois os mosquitos cá do burgo não perdoam; nem costumo ser muito incomodada por picadelas, mas tenho várias.

Apesar de ter chovido recentemente, achei por bem regar o jardim e até comecei a organizar a garagem que não estava com muito bom aspecto. Isto de comprar coisas pela Internet e depois receber montes de caixas não promove a organização. Também tenho a mania de guardar as caixas dos pequenos electródomésticos, o que não abona muito a favor do minimalismo. 

Quando vim para dentro, o Julian tinha tido um acidente (leia-se fez xixi). Ultimamente, se me ausento por uns minutos, ele tem sempre. Durante a pandemia estivemos quase sempre juntos, mesmo quando fui fazer certas compras, se a loja permite cães, ele vai e anda muito sossegado dentro do carrinho. As pessoas que o vêem gabam-lhe o bom comportamento. Acho que esta coisa do xixi é ansiedade, mas até aposto que os cães vadios não sofrem de ansiedade. Calhou-me na rifa um francesinho cheio de delicadezas.

Por exemplo, ontem parámos num parque e ele só fez cocó quando encontrou relvinha verde. No passeio alcatroado não faz, e numa parte que tinha terra molhada também se recusou. A propósito, quando estava na Pousada em Gulf State Park, os meus vizinhos de varanda levaram um cãozito. E não é que o bicharoco fez caca na passagem entre os edifícios, que passa rente à zona da piscina. O meu pequenito pode ser muito ansioso e ter acidentes quando me ausento, mas nunca faria caca num sítio daqueles, nem eu deixaria.  

   

sábado, 12 de junho de 2021

Pior a cura

Fiz um pequeno inquérito aos meus amigos acerca da razão de apenas agora, com seis meses de atraso, o Expresso noticiar a conduta repreensível da CML e o consenso é que isto é um fait-divers para deixarmos de falar do tal de Pedro Adão e Silva que foi nomeado para estar à frente das comemorações dos 50 anos  do 25 de Abril de 74. 

Se tal é o caso, somos governados por imbecis ao quadrado. Agora, em vez de um escândalo nacional caricato, mas nada de transcendental, deparamo-nos com um internacional que até tem potencial de ser discutido no Parlamento Europeu e de ter violado normas europeias. Proponho que Marcelo condecore o tal de Pedro Adão e Silva por nos ter proporcionado tal espectáculo e por ter permitido que a verdade viesse à tona. 

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Quanto mais baixo melhor

No dia de Portugal, Camões, e das Comunidades, soubemos que a CML forneceu informações de activistas políticos a regimes autoritários: Rússia, China, Venezuela... Isto de uma Câmara liderada pelo partido que anda tão entusiasmado em comemorar os 50 anos da Revolução de Abril, a tal que derrubou um regime autoritário, e cujo Presidente pode muito bem vir a ser Primeiro Ministro.  

Ultimamente, tenho-me dedicado a ler coisas do final da ditadura portuguesa. Não a história tradicional, mas apontamentos e pensamentos da sociedade: o que é que escreviam as pessoas que viviam aquele regime. Falam muito em podridão, imoralidade,  mediocridade, cobardia do que se sujeitavam àquela governação. Muito do que leio sobre esse tempo também encontro hoje acerca de como é governado o Portugal actual. 

A ditadura terminou um dia; este actual regime também sucumbirá. Para mim, há um certo consolo em ver notícias do quão baixo descem porque quanto mais baixo, mais perto do fim. 

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Uma perda

Enquanto fazia sala com a minha vizinha, recebemos a notícia que o Sr. Alexander, um dos nossos vizinhos, tinha sido encontrado morto em casa, tendo falecido já há vários dias. Era um senhor calado e já de idade, que tinha perdido a esposa há anos. Não me recordo de alguma vez lhe ter falado, mas de vez em quando trocávamos acenos, se passava de carro à minha frente.  Houve uma manhã, em que passeava o Julian, que, quando olhei para casa dele, o vi na marquise a tomar o pequeno almoço. Frequentemente o via a essa hora, quando ele estava de saída para o McDonald's para ir buscar comida.

O jardim da casa do Sr. Alexander era pequeno e contornava a casa. Quase sempre estava cheio de ervas daninhas e a relva precisava de ser cortada. Por entre a confusão, há flores espectaculares: peónias, lírios, hortênsias, narcisos, e hibiscus gigantes, que tinham sido plantadas pela esposa.

Bem sei que era inevitável, mas mesmo assim é triste... 





quarta-feira, 9 de junho de 2021

Números

É francamente misterioso que a China tenha tão poucas infecções e nem sequer tenha tido uma segunda vaga. Bem sei que, na primeira vaga, fecharam as pessoas em casa, pregando tábuas em janelas e portas. Mesmo assim, um país tão grande devia ser mais difícil de controlar uma pandemia.

Hoje no trabalho, um colega inglês perguntou o que é que eu achava de os ingleses terem retirado Portugal da "lista verde". Respondi que achava bem. Não sabemos como as coisas se irão desenrolar no Outono, logo é necessário exercer cautela. O que acho mal é a falta de orientação dos governos, que deixaram as pessoas gastar dinheiro e depois tiram-lhes o tapete debaixo dos pés. 

Quem achava que limitar o comércio internacional ia criar emprego e crescimento tem agora um excelente caso para estudar. É desta que a Economia consegue dados para ser uma ciência a sério...

terça-feira, 8 de junho de 2021

Doado e expurgado

A anterior dona desta casa tinha criado um jardim bastante interessante e moderno. A relva era de plástico e tinha sido instalada às três pancadas, no entanto era muito cara, informou-me, e tinha-a ido comprar à Georgia. A segurar a relva havia umas lajes de dois tipos, algumas espalhadas por umas saliências no chão, e, contra a parede do vizinho, tinham sido construídos canteiros, onde flores que requerem muito sol tinham sido plantadas em semi-sombra. Por uns tempos aguentei, mas começou a dar-me urticária e escavaquei o jardim todo. O solo tinha barro em excesso e pedi ao senhor que me corta a relva para tirar e trazer solo novo.

Vários vizinhos informaram-me que o jardim era o "pride and joy" da dona anterior e eu respondia na brincadeira que, se ela visse o que eu andava a fazer, era natural que me desse um tiro ou dois ou três, dado que quando cá vivia tinha mais de 30 armas cá em casa, nem quero pensar onde.

Desde o Outono do ano passado que ando a modificar o jardim, mas um dos problemas que tive foi os materiais extra que não usei: as tais lages, as bermas dos canteiros, etc. Hoje, finalmente, resolvi ver-me livre disso tudo e meti um anúncio num grupo do Facebook que é só para residentes desta zona, onde se colocam coisas que precisam de dono, mas tem de ser tudo grátis. Meti duas fotos com os materiais e, em menos de meia-hora, já me tinham contactado. Uma senhora pediu para ficar com aquela tralha e mandou os filhos vir buscar hoje à tarde. Que descanso não ter de olhar mais para aquelas coisas. 


segunda-feira, 7 de junho de 2021

Na cozinha

Tenho andado mais entretida com os livros de culinária, até comprei um da Georgeanne Brennan, de quem sou fã. Não há dúvida que os livros sobre culinária francesa são muito bem feitos, sempre com histórias e fotografias, cenários deslumbrantes. De vez em quando apetecia-me livros assim sobre culinária portuguesa, mas são difíceis de encontrar. E agora o que é tradicional já não é tão interessante como a culinária de fusão. 

Passei o dia nas lides gastronómicas porque me tinha voluntariado para fazer o jantar para os vizinhos. De manhã andei a folhear e ler livros para decidir o que fazer; depois fui às compras ao Kroger e ao Walmart (já se vêem pessoas sem máscara dentro das mercearias, mas não me incluo no grupo). Tive imensa dificuldade em encontrar carne de porco picada para misturar com a carne de vaca para fazer o molho à bolonhesa e acabei por comprar "italian sausage", que é carne de porco picada com algumas especiarias. Para sobremesa, tinha pensado em fazer tarte de ruibarbo, mas não encontrei, logo fiquei-me por pêssego e alperce.   

Fiquei surpreendida que as coisas tenham saído tão bem e os vizinhos tenham gostado, mas a melhor parte é que fiquei com algumas sobras para amanhã. 

domingo, 6 de junho de 2021

A suposta fúria

O Stephen L. Carter escreveu uma opinião na Bloomberg a dizer que se o vírus Covid-19 foi realmente desenvolvido num laboratório chinês, a comunidade internacional irá ficar furiosa com a China. Acho uma ideia completamente ridícula. 

Em primeiro lugar, se esse foi realmente o caso, a China poderá ter outros vírus que poderá deixar escapar, mas de propósito, logo convém agir com cautela. Em segundo lugar, ninguém quer saber. Os europeus não estão interessados em investigar e essas ideias e descobrir a verdade é coisa da administração Biden, que tem de fazer de conta que é forte, mas que não tem nada a ganhar em continuar a alienar a China. Não funcionou bem para o Trump, logo dificilmente funciona para o Biden. Em terceiro lugar, já andamos nisto da pandemia há mais de um ano, o que desgasta a nossa capacidade para nos chocarmos ou até enfurecermo-nos. Finalmente, se a coisa escapou involuntariamente, então os chineses não fizeram de propósito, logo são um vilão meio fraquinho.

Apesar de tudo isto, é óbvio que a ordem mundial irá ficar mudada depois da pandemia. A Europa está a perder prestígio diplomático a olhos vistos e as pessoas já se esqueceram que a Europa não é um continente pacífico. À medida que empobrece, o espírito quezilento dos europeus irá regressar e seja o que Deus quiser e o Diabo deixar...

 

sábado, 5 de junho de 2021

Constipação

Hoje falei com um amigo que foi ao Connecticut ajudar a mãe a mudar de casa. Fez algumas excursões ao Walmart e sentiu que, como tinha a vacina e as indicações eram que quem estava vacinado podia entrar sem máscara, seria seguro fazer isso mesmo, até porque via algumas pessoas ainda com máscara. Não sabemos se quem tinha máscara estava vacinado ou era do grupo dos não-vacinados, mas o certo é que devia haver por lá alguém menos sádio, pois ele apanhou uma enorme constipação e estava meio-zonzo, quase que nem dava conta do que dizia. Já não se recordava de estar assim tão doente, confidenciou. 

Continuamos a nossa grande experiência e vai ser interessante ver que patologias regressam em força. O que vale é que, no final disto tudo, teremos tantos dados que irá haver um enorme progresso no entendimento de como ficamos doentes.