segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Progresso e regresso

Desde a semana passada que comecei a trabalhar em modo híbrido: três dias no escritório e dois em casa. Um dos prazeres de ir ao escritório é, durante a comuta, poder ouvir as notícias da NPR e esta semana houve duas histórias que achei interessantes; ambas têm a ver com a Califórnia, um dos estados mais progressivos aqui do burgo. 

A primeira história é sobre as strip-teasers de Los Angeles que querem formar um sindicato. Não seriam as primeiras dado que a peça jornalística fala da tentativa de sindicalizar as stripteasers do Lusty Lady em 1996. E a história ainda é mais engraçada porque uma das strippers do Lusty Lady é agora professora universitária e faz investigação nesta área. Nada mau para um país "atrasado" socialmente, como são os EUA.

A segunda história é sobre S. Francisco, mais propriamente sobre a baía de S. Francisco, onde um número elevado de peixes morreu asfixiado devido ao crescimento de algas que causou uma maré vermelha. As algas cresceram porque a água tem nutrientes, especialmente nitrogénio e fósforo, e esses nutrientes chegaram lá por via das águas de saneamento urbano, pois as centrais de tratamento de água não retiram os nutrientes antes de as despejarem na Baía. Isto na Califórnia, que é o tal estado progressivo. 

Ouvi a notícia na Quinta-feira e tenho andado a pensar nisto porque acho absolutamente idiótico. Quando vivi em Oklahoma, que é um estado muito regressivo, tive oportunidade de visitar a central de tratamento de água de saneamento de Stillwater há uns 20 anos e não é que tiravam os nutrientes à água com a ajuda de umas algas? 

Mas a história ainda fica mais engraçada porque calhou, há umas semanas, eu comprar peixe congelado no super-mercado internacional e reparei ontem que o pacote tinha um aviso da Califórnia. Estavam preocupados com o meu consumo de peixe e dizem-me, num autocolante, que podia ficar doente por comer aquele peixe.


segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Pior que double standard

Esta coisa da Primeira-Ministra da Finlândia ter de mostrar contrição em público porque foi a festas durante o seu tempo livre cheira tão mal. Quantos homens em altos cargos não se divertem, com festas, drogas, amantes, prostitut@s, etc. Alguns deles teve de vir à praça pública chorar para perder perdão? Não, normalmente quando são apanhados, pedem à esposa que os apoie publicamente, enquanto eles oferecem um discurso mal-amanhado e isto é quando são apanhados. Muitas vezes, há todo um aparato a protegê-los. 

A esta rapariga, ninguém a protege. Oferecem-na à praça pública, como se de uma oferta aos deuses se tratasse. É verdade que a vida está difícil, mas não foi ela a culpada de estarmos nesta crise. A culpa é do eleitorado que elegeu políticos incompetentes. Onde está a contrição do povo?

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

A meio gás...

Finalmente, tivemos um intervalo no nosso calor de Verão, depois de mais de um mês de temperaturas quase nos 40º C e sem chuva. Esta semana, tem chovido e a temperatura baixou. Ontem, estava tão fresco que o ar condicionado nem foi activado, logo quando abri a porta do congelador, o ar húmido ficou cheio de condensação. 

No NextDoor anda tudo abismado com a conta de MLGW (Memphis Light, Gas, and Water) electricidade/gás/água/esgoto, dado que em Memphis paga-se tudo junto. Há pessoas que receberam contas de mais de $1000. Há dois dias, o meu vizinho a sul perguntou-me da minha conta da MLGW porque a dele ultrapassava os $600. Ora, a minha conta baixou, apesar da porção da electricidade ter subido de $278 para $290, o que foi compensado pela conta da água ter descido de $32 para $18. No total paguei $373 pela conta de Junho e vou pagar $355 pela conta de Julho. 

O vizinho não faz ideia porque recebeu uma conta tão cara. A casa dele é um pouco maior do que a minha, apesar de serem quase idênticas, dado que ele tem um quarto no primeiro andar que é maior do que o da minha casa. Ou seja, a minha casa tem 259 metros quadrados e a dele tem quase 283. Depois, ele tem uma piscina no jardim e eu não; mas mandei instalar duas fontes no jardim para a passarada e tenho-as tido ligadas. 

Ambas as casas têm dois ares condicionados cada uma e ele disse que, para poupar, tinha desligado o ar condicionado que refrigera o primeiro andar. Como eu trabalho em casa e o gabinete é no primeiro andar, tive ambos os ares condicionados ligados, só que aumentei a temperatura no de cima para 26,7º C e uso uma ventoinha no quarto onde trabalho. O ar condicionado do andar de baixo, que foi substituído há dois anos, logo é quase novo, está à temperatura de 24,4º C . Quando à conta da água, como tive de regar o jardim todos os dias, decidi tentar poupar nos meus banhos diários, usando menos água. 

Por enquanto, as minhas medidas de poupança estão a funcionar, mas os preços da energia estão a ficar cada vez mais caros. Na Quarta-feira, os preços de futuros de gás natural dispararam por causa da falta de gás na Europa. O Inverno há-de ser bonito... Eu gosto de ter a lareira ligada durante o dia e no ano passado cheguei a pagar mais de $450 da conta da MLGW. Vou ter de fazer contenção do uso da lareira. O meu cão não vai ficar muito satisfeito. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Males menores

A Nancy Pelosi, porta-voz da Câmara dos Representantes, está na Ilha Formosa, apesar de a China ter avisado os EUA de que uma visita oficial de alguém com um cargo tão alto seria considerado uma agressão à soberania chinesa. É difícil de saber quais as reais intenções dos americanos, mas há várias teorias. Primeiro, diga-se o óbvio: Depois de a China dizer aquilo, ela quase que tinha de ir porque a política internacional dos EUA é decidida pelos EUA. 

Por um lado, a visita pode servir de aviso à China para não invadir a Ilha Formosa. Por outro, cultivar animosidade contra a China era a política da última administração e Biden não se desviou grandemente dela. Não é claro que a visita de Pelosi tenha sido planeada com a Administração Biden e ele tem andado a tentar meter água na fervura, até disse que o Pentágono não achava que a visita fosse boa ideia. Por sorte, como se fosse, foi anunciado que os americanos assassinaram um dos arquitectos dos atentados de 11 de Setembro de 2001 e Biden já fez o seu inevitável discurso, apesar de ainda testar positivo ao vírus Corona. 

Há quem diga que Pelosi tem interesses pessoais na visita, mas isso parece-me mais teorias à moda de QAnon. Parte do eleitorado americano não nutre simpatia pela China, logo isto pode servir de golpe eleitoral dos Democratas meses antes das eleições intercalares, nas quais estão em causa as lideranças democratas na Câmara dos Representantes e no Senado. 

De qualquer dos modos, se a guerra entre a Ucrânia e a Rússia era má, uma invasão da Ilha Formosa pela China é quase um anúncio do fim do mundo que conhecemos. É que os processadores para os computadores vêm da Ilha Formosa e sabe-se lá mais o quê. E depois há também as coisas que são produzidas na China. Isolar a Rússia é fácil; isolar a China é quase impossível a curto prazo. A não ser que se queira uma enorme crise mundial com outra guerra à mistura. Mal por mal, já nos basta a da Rússia.

Na Quinta-feira há eleições no Condado de Shelby, no Tennessee. Hoje telefonaram-me a perguntar se eu ia votar nas eleições e tentaram convencer-me em votar em dois candidatos democratas, um para juiz e outro para District Attorney. Perguntei porque é que ambos os candidatos eram homens e qual a razão de Biden não apoiar mais mulheres. A resposta é que eu devia votar nos Democratas porque tinha de escolher o mal menor. Parece que é o mote do século XXI.



quarta-feira, 27 de julho de 2022

Já não é plano

Há uns anos, o Thomas Friedman escrevia que o mundo era plano, que o comércio internacional aproximava as nações e derrubava barreiras. Com a pandemia, o que era plano é agora cheio de obstáculos, que dificultam o movimento de mercadorias. As cadeias de distribuição, que estavam construídas para um mundo com poucas barreiras estão a ser reconstruídas de forma a haver mais redundância. As empresas querem localizar as suas operações mais perto dos clientes e querem minimizar o risco político. 

Para além das empresas que saíram da Rússia por causa da má publicidade e também das sanções, o capital parece estar também a fugir da China. Por um lado, a política de zero-casos Covid seguida pela China aumenta o risco de interrupções na produção; por outro, há quem se questione se a China não poderá invadir a Ilha Formosa, numa acção que teria consequências semelhantes às que assistimos após a invasão da Ucrânia. 

Quem se queixava dos aspectos negativos do comércio internacional deve congratular-se, pois vai poder observar o que é um mundo menos integrado, que é como quem diz, um mundo de preços mais altos. Se a Europa já empobrecia quando as coisas corriam bem, há a possibilidade real de que poderá empobrecer ainda mais. A Alemanha estava construída para crescer à custa da energia barata da Rússia, da protecção militar dos EUA, e de taxas de juro baixas. Podia beneficiar do euro mais barato, mas com energia cara, isso não a ajuda.

Mas, não é tudo mau, pode ser que as coisas corram bem, pois isto é também uma oportunidade de reavaliar o projecto europeu e de o orientar para ser sustentável. É pena que Portugal seja tão pessimamente governado porque isto podia fazer toda a diferença para gerar crescimento para o país. O mais provável é que empobreça mais depressa.


quinta-feira, 21 de julho de 2022

Reabertura

Hoje, Quinta-feira, o gasoduto Nord Stream 1 vai reabrir, mas com capacidade reduzida. A Rússia diz que está com problemas para enviar gás à Europa porque umas das turbinas que foi para o Canadá para ser reparada não regressou devido às sanções contra a Rússia -- é essa a justificação da redução da capacidade, mas é duvidoso. Se a capacidade fosse a do costume, os europeus iriam tentar armazenar algum produto para o inverno o que diminuiria a margem de manobra da Rússia. O certo é que a Rússia já tinha reduzido a capacidade antes, logo apenas envia alguma coisa para continuar a ter influência.

Os EUA também estão limitados na exportação porque houve um fogo em 8 de Junho em Freeport, no Texas, num terminal de liquidificação de gás natural, o que reduziu a capacidade de exportação dos EUA em 17%. Inicialmente, pensava-se que levaria uns três meses para que o terminal voltasse a entrar em actividade, mas a Energy Information Administration dos EUA indicou num relatório desta semana que só para 2023 é que a capacidade regressará ao normal. Os dados de exportações de Junho dos EUA saem em Agosto, altura em que saberemos qual o impacto do fogo no comércio internacional, mas, este ano, cerca de dois terços dos envios de Freeport eram destinados à Europa. 

Em 2022, a Europa é o principal importador de gás natural americano e Portugal tem importado bastante, o que é o mais cauteloso. Perante a conjuntura actual, é preferível ter a mais do que ter falta. Mas esperemos que, quando chegar o inverno, os portugueses tenham dinheiro para pagar a conta do gás.  

sábado, 16 de julho de 2022

Um propagandista na América

Um tal de Manuel Cardoso escreveu no SAPO24 que  está nos EUA há dois meses e acha-se surpreendido que tenha perdido uns quilos, culpando a má qualidade da comida americana e o euro que está a depreciar contra o dólar americano. Não entendi a necessidade de vir aos EUA para se descobrir o estereótipo criado pelos próprios americanos de que se come mal neste país. Depois não é verdade. Os EUA têm óptimos restaurantes e oferecem uma grande variedade de comida e até de preços. Só que os preços americanos mesmo no restaurante mais baratuxo irão ser caros para muitos portugueses. 

Muitos americanos não sabem cozinhar e comem fora, logo há muitos restaurantes que fornecem calorias baratas e cuja cozinha ainda é inspirada num país que já não existe. A ironia é que é mais fácil encontrar um pobre nos EUA que não sabe cozinhar, logo tem de comer fora, ou come refeições pré-cozinhadas, do que os mais ricos que, muitas vezes, cozinham em casa e comem fora por prazer, não por necessidade. Em Portugal, os mais abastados têm uma empregada doméstica que lhes prepara algumas das refeições, um conceito que, nos EUA, é quase inexistente. 

Na sua criação, os EUA eram um país rural, muito mais do que a Europa Ocidental, e muitas pessoas tinham trabalhos que requeriam muitas calorias, logo a cozinha tradicional americana é muito rica em hidratos de carbono. Depois, há grande diversidade climatérica nos EUA, mas a maior parte do território americano não permite que as pessoas mantenham um quintal todo o ano onde produzir parte dos seus alimentos, coisa que em Portugal é normal. A minha mãe fazia sopa o ano inteiro com as couves do nosso jardim e desde a primavera ao outono havia sempre algo a crescer para consumo. O clima americano, que é bastante seco durante o inverno, é mais propício a que se armazenem cereais. 

Mesmo assim, as minhas relações americanas (estou a falar de pessoas com bem mais de 70 anos) contam-me que, quando eram pequenas, as suas mães tinham uma pequena exploração agrícola onde cultivavam vegetais que depois guardavam em forma de pickles para o inverno. Uma amiga minha que tem 93 anos e que cresceu em Sweetwater, TX, conta que para além de fazer os pickles, a família tinha uma vaca que lhes permitia ter leite, manteiga, queijo, sour cream, etc. Tudo feito pela mãe dela em casa. Como viviam perto de um caminho de ferro, era comum a mãe deixar farnéis de comida perto da linha de comboio para as pessoas pobres que apanhavam "boleias" nos vagões de mercadorias.

A minha ex-sogra cozinhava pratos que usava muitos enlatados, as chamadas "casseroles", que são pratos de uma altura em que a comida já era mais industrializada.  Ela, que tem 80 anos e cresceu numa zona rural em Oklahoma, não gosta de feijão-verde fresco, apenas aprecia o enlatado, que a mim não me dizia grande coisa porque eu cresci a comer feijão-verde fresco. Já a minha "mãe-americana", uma amiga minha desde 2004, septuagenária, que nasceu e cresceu nas montanhas do Arkansas, as Ozarks, que têm um clima mais ameno, fala bastante dos pickles de cenoura, feijão-verde, etc. que a mãe fazia, mas ela adora feijão-verde fresco e, hoje em dia, durante o verão faz compras no Farmer's Market de Fayetteville, que é um dos melhores mercados de agricultores dos EUA. 

Nunca comi rúcula tão saborosa como a que lá vendem em Fayetteville. E as misturas de saladas muito fragrantes, com verduras muito tenras, e às vezes com algumas flores comestíveis. Um dia destes tenho de ir lá a um Sábado de manhã (fica a 5, 5 horas de onde estou, logo tenho de sair na Sexta-feira), só para comprar as verduras. Apesar disso, a minha salada preferida continua a ser a alface que a minha avó me preparava há mais de 40 anos e que vinha do nosso quintal. A minha mini-horta tinha sempre alface e salsa das sementes que a minha avó me dava. E, no inverno, ela fazia-me sopas fervidas, que era um resto de uma sopa rica com feijão, couve e cenoura, à qual se juntava broa-de-milho aos pedaços e se fervia. 

Mas de regresso aos restaurantes americanos. Hoje em dia come-se excepcionalmente bem nos EUA e outra coisa que aqui fazem muito bem é que o normal é haver pratos que lidem com as restrições alimentares dos clientes, por exemplo, vou a um restaurante e peço que me indiquem quais os pratos sem glúten, muitas vezes até há um menu específico para esses casos. Mesmo nos restaurantes mais baratos, há sempre pratos de saladas aos quais se pode adicionar bife, frango, ou salmão, e fica uma refeição completa. Quando a minha prima holandesa veio aos EUA em 2003 ficou encantada com as saladas do MacDonald's que, entretanto, foram ao ar com a pandemia.

Quanto ao Manuel Cardoso, que veio a um país 107 vezes maior que Portugal, com uma população que tem mais de 32 vezes a portuguesa e bastante mais diversa, e acha que a cozinha americana se resume ao Fast Food. Nem lhe ocorreu fazer uma busca no Google para encontrar um dos 200 restaurantes com estrelas Michelin que existem nos EUA, mas não tem dinheiro para isso, claro está. Também podia ir ao OpenTable para ver que restaurantes perto dele estavam a aceitar reservas e até dava para ver as fotos dos pratos e ver quanto custavam porque dá acesso ao menu. 

Enfim, parece-me que esta pessoa é uma propagandista à bela moda dos tempos da ditadura: Portugal é o paraíso, o estrangeiro ainda não encontrou o caminho da salvação.

terça-feira, 28 de junho de 2022

SCOTUS ataca de novo

A decisão de hoje do SCOTUS tem a ver com o caso de um treinador de futebol americano numa escola secundária que queria rezar no campo depois dos jogos da sua equipa. Este SCOTUS acha que sim, ele tem direito, o que contradiz decisões anteriores, condiciona o ensino do papel da religião nos EUA, e até a ideia da separação de religião e estado. Bem sei que pouco ou nenhuma separação existe quando no próprio dinheiro americano está inscrito "In God we trust", mas façamos de conta. 

Os americanos não seriam americanos sem uma enorme dose de espírito cómico pelo meio. O Samuel L. Jackson, no Twitter, perguntou se o Tio Clarence (o Juiz Clarence Thomas do SCOTUS) tinha intenção de repelir Loving vs. Virginia, a decisão que legalizou o casamento inter-racial. É que a esposa do Clarence Thomas é branca e ele é negro. O suspense...

Um dos meus amigos mais antigos aqui nos EUA é professor de estudos religiosos numa universidade estatal e lamentava-se no Facebook que, com a decisão de hoje, o currículo teria de ser alterado e as instruções do Departamento de Educação às escolas teriam de ser actualizadas. Um outro meu amigo respondeu-lhe que isto dura até aparecer alguém muçulmano que queira efectuar uma cerimónia religiosa ou um seguidor de Satanás que queira rezar ao diabo em público usando esta nova proteção do SCOTUS.

Efectivamente, há um movimento religioso nos EUA que se chama The Satanic Temple, fundado por Lucien Greaves, e que serve mesmo para usar comédia e sátira para promover igualdade, justiça social, e separação de estado e religião--é uma organização de lóbi. Em relação a Roe v. Wade, o Satanic Temple diz que, de acordo com a sua "religião", o aborto é um ritual religioso que tem o fim de promover a auto-determinação e a autonomia do próprio corpo, logo a sua proibição é uma violação da liberdade religiosa. Esta organização está a processar o estado do Texas por causa da proibição do aborto e a FDA para permitir o acesso a medicamentos que induzam o aborto. Siga para bingo.


sábado, 25 de junho de 2022

Nojo

Numa semana, uma pessoa está aqui a receber fotos de PR Marcelo a beijar a barriga de uma grávida; na semana seguinte, notícias que uma menina de três anos, até há pouco ao cuidado dos tribunais portugueses, é morta violentamente. E note-se que violência contra crianças e mulheres em Portugal não é novidade. Depois há serviços de obstetrícia fechados em Portugal porque, como bem disse PR Marcelo, os portugueses, que inclui as portuguesas, sabem de antemão quando podem e não podem ficar doentes. 

Diz o José Manuel Pureza, no Facebook, que os direitos das mulheres são o primeiro alvo da extrema direita nos EUA, como em todo o mundo, porque os EUA não fazem parte de todo o mundo. Portugal faz e deduzi que PM Costa se tinha filiado no Chega, pois só assim se compreende que as mulheres nem possam andar grávidas sem que o Presidente da República lhes venha beijar a barriga, como se o seu corpo estivesse ao bel-prazer das instituições portuguesas. E que mulheres e crianças continuem a ser alvo de violência sem que o estado português sequer se interesse em contabilizar oficialmente o tamanho da tragédia ou a Justiça vele pelos direitos das vítimas que estão consagrados na lei. Pelo contrário, há nos Tribunais portugueses juízes tão sofisticados como os americanos.

Obviamente que o mais chocante é a reversão de Roe vs. Wade nos EUA, que acaba por criminalizar o aborto em alguns estados. Pior ainda, quem nos vale nesta confusão são as grandes empresas, que se disponibilizam a pagar os custos das empregadas terem um aborto--o capitalismo a vir ao auxílio das mulheres, mas só das capazes porque quem tem empregos precários está por conta própria.  Vale-nos que os americanos passem o tempo todo a contabilizar e a publicitar as suas próprias desgraças para o resto do mundo poder respirar de alívio porque, ao menos, não são americanos.

Estou enojada com ambos os meus países. 

segunda-feira, 20 de junho de 2022

O enredo adensa-se

A semana passada foi dominada pela histeria que acompanhou o aumento das taxas de juro por parte da Reserva Federal nos EUA: o maior aumento desde 1994. Dizer que era previsível é completamente desnecessário, mas como já há décadas que não havia inflação a sério, a maior parte das pessoas já se esqueceu do que era inflação. Esta inflação é o preço que pagamos pela recuperação da pandemia ter sido tão célere, mas é melhor do que ter a economia mundial numa nova Grande Recessão ou Depressão, até porque ambos os termos já não estão disponíveis. 

No que diz respeito a experiências de economia estamos a meio de uma bem interessante, dado que, ao contrário do que aconteceu durante a Grande Recessão, a política fiscal reagiu muito rápido à pandemia, o que, combinado com uma política monetária generosa, permitiu que os consumidores saíssem da pandemia bastante animados e investidos em gastar, continuando a pressionar a cadeia de distribuição. Depois a invasão da Ucrânia pela Rússia apenas intensificou o que já de si era bastante intenso.

Há, no entanto, razões para sermos optimistas, pois a pandemia permitiu bastantes inovações na recolha de dados e no diagnóstico, quase em tempo real, do que se passa na economia americana. Combater a inflação para os americanos também não é difícil, dado que já o fizeram uma vez, logo basta aumentar as taxas de juro para níveis ainda baixíssimos e entra tudo em parafuso, ou seja, a Reserva Federal tem bastante credibilidade, logo facilita a tarefa. 

Talvez até facilite um bocado demais porque o Presidente Biden ainda acha que tem de passar um estímulo, o tal do Build Back Better, o que é uma completa tolice e reflecte mais teimosia política do que necessidade fiscal. É melhor guardar o programa para depois da inflação estar mais controlada e a economia entrar na próxima recessão porque há sempre uma a seguir. 

Neste momento, o que é mais premente é a necessidade de reorganizar o mercado energético. A Ásia, especialmente a Índia, começaram a comprar bastante petróleo russo; a África do Sul está a considerar fazer o mesmo. O Biden já fala em se comprar energia à Rússia se o preço for abaixo de um certo nível, mas essa ideia demonstra cima de tudo um desespero político porque está com os níveis de aprovação muito baixos e é esperado que os Democratas percam a(s) maioria(s) no Congresso em Novembro.  

Um desenvolvimento bastante mais interessante é a visita de Biden à Arábia Saudita, no próximo mês, em que um dos motivos é tentar que aumentem a produção de petróleo. Temos de engolir o enorme sapo da morte de Khashoggi, mas só assim dá para tentar normalizar a circulação de energia a curto prazo e antes do Outono/Inverno. Biden não está mal de todo em termos de trunfos porque se a Arábia Saudita não coopera, apenas dá um incentivo aos EUA e agora à Europa para continuarem a investir em energias/tecnologias alternativas o que irá encurtar a dependência de petróleo. 

É um bocado como a luta contra a inflação: os americanos já conseguiram enfraquecer o poder da Arábia Saudita no mercado de energia uma vez.

segunda-feira, 13 de junho de 2022

Terça-Feira em NOLA

O resto da semana do Memorial Day tive de trabalhar durante o dia e só deu para sair ao final da tarde--vantagens dos empregos remotos. Ao investigar restaurantes interessantes em NOLA, encontrei o Lola's, que serve cozinha espanhola com influência crioula e a minha amiga acedeu a jantarmos lá na Terça-feira. Ultimamente, tenho andado com a pancada dos espanhóis por culpa do Goya e acho que até desenvolvi uma pequena obsessão pelas suas gravuras. Já pensei que devia fazer um teste de ADN para ver quanto de mim vem de Espanha, mas ainda não me convenci que quero dar o meu ADN ao sector privado, apesar de estar farta de dar o ADN ao sector privado quando vou ao médico. Contradições completamente ilógicas.

Para o jantar no Lola's, fizemos uma reserva pela aplicação da OpenTable à qual tivemos de dar o número do cartão de crédito porque, se a pessoa tem reserva e não aparece dentro de 15 minutos da hora combinada, cobram $25. É raro os restaurantes fazerem isto, mas a vantagem deste sistema é que só pessoas mesmo interessadas em ir lá fazem reserva, logo o Lola's não estava muito cheio e, se calhar, até nem teria sido preciso reserva. Por falar em estabelecimentos cheios, houve vários sítios onde queríamos ir, mas não havia disponibilidade, o que não é completamente mau, pois assim descobrimos este.

Chamámos um Lyft do nosso hotel e apareceu um rapariga muito simpática, super-educada, que conduzia um Mini-Cooper dos maiores, o que nos surpreendeu, dado que é um carro caro. Inquirimos acerca da escolha e a condutora disse-nos que era uma prenda a si própria e apenas trabalhava para a Lyft nos tempos livres porque estava a juntar dinheiro para pagar as férias de verão da filha.

Poucos minutos depois do início da viagem e enquanto estávamos entretidas a dizer mal do Lyft, o telefone da condutora foi abaixo e a viagem foi cancelada. Peguei no meu telemóvel e procurei as direcções para dar à condutora. Continuámos o paleio. Informava-nos ela que o  problema de trabalhar para o Lyft é que a empresa castiga os condutores que não aceitam viagens ou recusam certos clientes. No caso da nossa condutora, que tinha recusado duas viagens, uma porque o cliente estava embriagado e outra porque eram vários homens numa zona perigosa da cidade, tinha sido informada que se continuasse a recusar viagens ia ser suspensa. (Não julguem que isto do medo é uma característica das mulheres porque já conversei com homens que também me dizem ter medo de certas zonas e pessoas.)

A nossa condutora viu o telefone ter morrido como sinal de que o universo lhe estava a dizer que devia ter ficado em casa. Quando chegámos ao restaurante, dei-lhe $20 em dinheiro, que era mais do que teria recebido se a viagem tivesse corrido normalmente--para nós devia ter ficado nuns $17, se tudo tivesse corrido normalmente. Ela não queria aceitar, mas eu disse-lhe que não podia recusar porque o universo estava a tentar corrigir erros passados. Espero bem que ela não tenha sido prejudicada por o telefone ter ido abaixo, mas se calhar a Lyft pô-la de castigo. A minha amiga disponibilizou-se a enviar uma mensagem à Lyft para a defender, mas depois pensámos que se eles soubessem que ela tinha feito a viagem com o telefone desligado ainda ia ser pior.

O menu do Lola's pareceu-me bastante bom, mas como tenho de evitar arroz e trigo, limitou-me um bocado as escolhas--a paella, da qual gosto tanto, não dava, a não ser que eu quisesse passar o resto da semana com o queixo cheio de borbulhas. Comi uma costeleta de porco com puré de batata, espargos, e micro-verduras, que acompanhei com um vinho tinto Tempranillo. A costeleta estava um bocado seca, mas talvez fosse de eu a ter pedido demasiado passada. O puré de batata foi dos melhores, senão o melhor, que já comi. No final, não pude resistir ao pudim flan, apesar de eu também evitar lacticínios e açúcar. O meu jantar ficou em $63,62, depois da gorjeta.  

O regresso ao hotel foi também com uma condutora do Lyft, mas desta vez uma rapariga muito opinada, que não usava máscara, mas tinha a janela aberta e era vacinada. Quando nos viu de máscara, ofereceu-se a usar, mas nós prescindimos. A meu ver, o carro é o local de trabalho dela, logo é dever dos clientes mantê-lo seguro e velar pelo bem-estar dela, dado que ela tem de contactar com tantas pessoas. É verdade que ela também podia usar máscara, mas que os outros ajam de certa maneira não implica que eu tenha de abdicar dos meus princípios. A meu ver, não me custa nada usar máscara em certas circunstâncias, para além de que também é bom para a minha saúde.

Digamos que foi uma viagem animada e preparou-nos para irmos ao Hot Tin, o bar no topo do Hotel Pontchartrain perto do nosso hotel, para um "night cap". Tomei um Rita Hayworth ($14 antes de imposto e gorjeta) e ficou, no final, por $19.43. Este cocktail não é muito doce e, para além de ser um pouco picante, tem um toque amargo do sumo de lima, mesmo ao meu gosto. Assim terminámos a noite em amena cavaqueira no pátio mais pequeno, onde encontrámos uma família de Los Angeles que estava de visita à filha, que se mudou para NOLA para ser advogada de desporto. Os pais tinham acabado de comprar uma casa em Nova Orleães que contavam renovar, mas queixavam-se que as pessoas eram muito lentas a trabalhar. O sul é sempre mais relaxado.

 

segunda-feira, 6 de junho de 2022

Memorial Day

O terceiro dia que passei em Nova Orleães foi o feriado do Memorial Day, que este ano calhou a 30 de Maio, e é considerado a abertura oficial da época de férias nos EUA. O meu despertar não variou grandemente e acordei antes das sete da manhã, como se fosse para trabalhar. Sou uma daquelas pessoas que, quando acorda, só pensa em comida; também penso muito nas outras refeições, mas o pequeno-almoço é para mim sagrado, logo comecei logo a investigar que cafés estariam abertos antes das 9 da manhã durante o feriado. 

Aqui deste lado, os cafés não são exactamente cafés à portuguesa porque muitos também servem almoço e jantar. Também há o detalhe de eu não poder ir às chamadas "bakeries" tradicionais porque muitas delas não têm nada que eu possa comer: quase tudo tem glúten ou outros cereais que me incomodam. De vez em quando, oferecem aveia que dá para eu comer, mas nem sempre é boa ideia se for servido com açúcar. Pensei ir ao Another Broken Egg, na Magazine St., que também tinha a vantagem de ser uma boa caminhada, só que quando lá cheguei, havia fila.

Durante Maio, no trabalho, fizemos uma competição de caminhadas. Temos várias equipas de cinco pessoas e cada pessoa conta os passos diários (os telemóveis e os relógios inteligentes contam) e incorpora os dados numa folha de cálculo no Microsoft Teams. A equipa que tiver mais passos ganha. Como em Memphis tive alguns percalços de chuva e um cão que não gosta de andar, pensei em meter mais passos durante os últimos dias de Maio, quando estivesse em NOLA. (Mesmo assim, nada que se comparasse a Nova Iorque ou Londres, há uns anos, em que o Luís Gaspar e eu andámos quase 30 mil passos nesses dois dias de cada vez.) 

Por Nova Orleães, a bandeira da Ucrânia estava em todo o lado, especialmente no Garden District, onde eu passeava. Acabei por ir tomar o pequeno-almoço ao Vintage, também na Magazine St. que diziam, num espelho, que tinha sido fundado nos anos 30. No pátio, meti conversa com um rapaz local, muito bem parecido, que fumava os seus cigarros enquanto bebia um café gelado, que me informou que já era o quarto estabelecimento que frequentava naquele edifício. Como dizia aquele reclame antigo: a tradição já não é o que era.

O meu pequeno almoço foi um café americano e o Vintage breakfast, que consiste em papas de milho (grits), um pouco de queijo,  bacon, e um ovo escalfado. Paguei $17.55, incluindo a gorjeta. Depois continuei a minha caminhada na Magazine St., visitando algumas lojas que me pareciam interessantes e que estavam abertas. Andei, andei até chegar ao cruzamento com a Erato St. e decidi virar à esquerda porque tinha aspecto mais pacato. 

Calhou ver uma igreja e decidi ir investigar: era a igreja de Sta. Teresa d'Ávila, de denominação católica. Entrei para apreciar o interior e ver se tinha a Sta. Isabel (não a Rainha Santa, claro está, mas a St. Elizabeth, prima da Jovem Maria que dizem ser virgem). E não é que havia um vitral com ela? Procurei-a porque, na última vez que estive em Houston, andei a pé pela Baixa e também me deu na telha de entrar numa igreja, nesse caso, na Capela Golding, que pertence à Christ Church Cathedral, que é de denominação pentecostal, onde também havia um vitral da St. Elizabeth.

Estava sentada e sossegada no meu silêncio mascarado, quando bate o meio-dia, e noto alguma comoção na igreja de Sta. Teresa d'Ávila. Estavam a preparar-se para a missa das 12h05m. Pensei em sair, mas enquanto debatia sair ou não, o padre dirigiu-se a mim com um papel com as canções que iam cantar na missa--eu cantar só em playback, mas lá fiquei. Depois recordei-me dos meu tempos em Portugal, em que por vezes entrava na Igreja de Sta. Cruz ou na de S. Bartolomeu e assistia à missa das 18h, ou seja, quando era meio-dia na parte dos EUA onde acabei por viver. Pareceu-me profético entrar naquela igreja àquela hora, ou não fosse eu portuguesa; ainda por cima no Memorial Day, ou não fosse eu americana.

Saí da missa e regressei ao hotel para ir ter com a minha companheira de viagem e decidirmos onde iríamos almoçar. Pelo OpenTable, fizemos uma reserva para o pátio do Superior Seafood and Oysters Bar. Enquanto que o interior do restaurante estava repleto, com um zunido de muito boa gente em amena conversa, na rua só estávamos nós. O pátio estava descoberto e duas das três mesas apanhavam sol directo naquele dia de calor, logo não estava muito convidativo. No entanto, na nossa mesa, o sobreiro gigante ao lado oferecia alguma proteção. Almocei uma salada de verduras e atum grelhado, que acompanhei com um copo de vinho branco e que ficou por $34.20, depois da gorjeta, obviamente. 

Depois fomos à Magazine St. porque estávamos curiosas para ver o que tinha para oferecer a Art & Eyes, uma loja de armações para óculos que tem uma seleção super-interessante, se bem que cara. Felizmente, não encontrei nada que me tentasse. Visitámos também uma loja de velharias, onde encontrei um jogo de chá de cerâmica portuguesa que me tentou (custava $65), mas a que resisti--mas olhem que a minha amiga quando o viu, veio logo dizer-me que era a minha cara. (Isto de eu treinar as minhas amigas americanas a apreciarem o que é português é muito problemático.) Acabei por só comprar talheres de servir dourados, uma colher e um garfo, que tinha toda a intenção de comprar se tivesse a oportunidade: paguei, em dinheiro, pouco menos de $11 por ambos.  

Ao final do dia, passámos no Whole Foods para comprar comida para o meu pequeno-almoço e almoço do resto da semana, dado que ia trabalhar de Terça- a Quinta-feira e parte de Sexta. Isto do trabalho remoto dá para ser feito em qualquer sítio com Internet--viva a modernidade. As minhas compras ficaram em $119.12, mas descuidei-me e levei fruta a mais. E também deu jeito ter um hotel que tem kitchenette no quarto. Quando regressámos ao hotel, levámos uma garrafa de vinho para a varanda e terminámos o feriado relaxadamente. No Pontchartrain, uma equipa trabalhava num filme adaptado de um romance da Anne Rice, mas não sei se era para TV ou cinema.    




  

terça-feira, 31 de maio de 2022

Segundo dia

Começámos languidamente o nosso Domingo, com uma viagem de Lyft até ao restaurante Copper Vine, na Poydras St., por volta do meio-dia, para o brunch. A nossa mesa ficou situada na varanda, pois escolhemos restaurantes que oferecem mesas no exterior. Bebi uma mimosa e comi um prato de porco, o "cochon de lait Benny", que tinha a vantagem de não ter glúten, logo dava para eu comer. 

Estava bom, mas as verduras ("greens"), ao estilo do sul dos EUA, não me agradaram. Era kale, a tal couve que ficou famosa por causa do caldo verde, mas que, por estas bandas, tem a má sorte de ser cozida de tal forma que fica bastante amarga. O resto do prato estava bastante bom, apenas um bocado frio quando chegou à mesa. Mas foi uma boa experiência e o restaurante merece ser visitado num dia menos movimentado. Vamos a preços: a mimosa foi $10 e o cochon foi $16 e, depois do imposto e da gorjeta, ficou em quase $34. 

Depois do almoço fomos para o French Quarter, passeámos e visitámos algumas lojas de candeeiros, galerias de arte, joalharias, e fomos também ao museu na Royal St. onde está a Historic New Orleans Collection. Fica num edifício restaurado de forma a se preservar as os traços originais do edifício. No pátio central, havia um café que também servia almoços ligeiros, no qual aproveitei para tomar um café gelado com leite de coco. Paguei também a bebida da minha amiga e tudo ficou por $14,50, depois da gorjeta. Calhou mesmo bem porque estava mesmo cansada e o café ajudou-me a despertar. 

A minha exposição preferida no museu foi sobre a peça do Tennesse Williams, A Street Car Named Desire, que também deu origem a um filme, e decidi que tenho de encontrar uma cópia do livro para ler. Na loja do museu, encontrei a minha perdição: uma sai reversível em seda pintada à mão, que me custou $362, mas é tão bonita. Tive de comprar. 

Após o museu, fomos à Jackson Square, de onde foi retirada a estátua do Andrew Jackson.  Em redor da praça, há um rol de pessoas curiosas, inclusive videntes, cartomantes, pintores, caricaturistas, etc. Já há algum tempo que eu queria consultar uma vidente e como uma me chamou quando passámos, achei que era uma boa altura. Uma das coisas que me disse era que eu gastava muito dinheiro--os óculos escuros Gucci devem ter tido algum peso, mas ter gasto $60 em 10 minutos para me lerem as palmas das mãos e as cartas também deve ter contribuído. E será que acredito? Não faço ideia, mas em Nova Orleães temos de acreditar e eu até comprei salvia branca (cheira tão bem) numa loja de cristais e "New Age"($13,16).

O jantar foi no Sidecar Patio & Oyster Bar ($19,03) e jantei fish tacos (as tortilhas eram de milho). Depois regressámos ao French Quarter, fomos até à beira-rio para ver o Mississippi, passámos pela Bourbon St., que estava super-barulhenta e cheia de "characters", e ficámos tão exaustas que apanhámos um Lyft para voltar ao hotel.

domingo, 29 de maio de 2022

Bons tempos

"Laissez les bons temps rouler! | Let the good times roll!"

Escrevo-vos de Nova Orleães, onde cheguei ontem. Fica a 655 Km de minha casa. São à volta de seis horas de carro, se pararmos uma ou duas vezes para encher o tanque. Quanto custou? Gastei cerca de um tanque e meio de gasolina e custou à volta de $55. Achei que seria engraçado documentar os custos da viagem para compararem com o turismo português.

Deixei Memphis pouco depois das 9 da manhã, depois de levar o meu cão ao hotel de cães;  por volta das 17 horas já cá estava e fui jantar com uma amiga ao The Avenue Pub, que serve comida com inspiração belga. Comi uma salada com camarão ($12.50) e ela o cassoulet ($13.50), que foi servido numa taça de pão (o pão é redondo, ao qual se corta o topo e retira o miolo e o cassoulet é lá enfiado). Partilhámos uma garrafa de vinho Sauvignon Blanc ($27). O total da refeição para as duas depois do imposto foi $58.41 a que se acrescentou a gorjeta de $11. 

Terminámos o jantar às 18 horas, o que é um bocado cedo, mas eu não tinha almoçado, apenas comi um pacote de batatas fritas durante a viagem. Regressámos ao hotel, que fica a três quarteirões, trocámos de carteira e apanhámos o elétrico ($1.25) para ir ao French Quarter. Passeámos bastante e o plano era parar em algum sítio para beber qualquer coisa, mas estava tudo cheio. Havia um bar com uma banda de jazz muito boa, onde pensámos entrar, só que fechava às 23h e já passava das 22h30m, logo optámos por não parar. Não sei se foi da viagem, mas também estava super-cansada.

Durante as deambulações pedonais parámos na livraria Frenchmen Art & Books, que tem coisas muito engraçadas e onde comprei quatro livros por $72.05. Depois também encontrámos os poetas de rua e pedi a uma rapariga para me escrever um poema sobre livros. Paguei $30 pelo poema.

Apanhámos um Lyft quase às 23 horas, o nosso condutor era o George que conduzia um Tesla -- nunca tinha andado num Tesla, mas tirando o écran enorme com as imagens do que se passa em redor do carro, não vejo qual o poder transformativo do veículo. Bem sei que é eléctrico, mas so what? A nossa viagem de Lyft custou $20.99, que incluiu $5 de gorjeta.

Vamos ver como vamos passar o dia de hoje. Estou esganada de fome porque ainda não comi um pequeno-almoço de jeito e já são 10h30m da manhã...