sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Est modus in rebus

Estudei Latim no Liceu (como Grego, também) e aprendi algumas das muitas frases que têm perdurado no tempo como expressão de sageza. Esta foi uma delas, e tenho-a como das mais avisadas. Sugere a moderação, de que nas coisas há sempre uma medida a ter em conta.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Commonplace books

Talvez o meu último post, com a citação de um dos aforismos de Richard Duppa, de um livro de 1830, vos tenha suscitado a pergunta de como o encontrei. A resposta é simples, mas tem uma história interessante: foi através de um "commonplace book", que comprei na minha última visita a Washington, D.C., quase há um ano. É verdade, já ando para vos falar disto há bastante tempo. 

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Spots in the sun

“When a bad man, high in authority and power, is less mischievous than he has been, he is accounted good. When he has been atrociously unjust and becomes successful, men have a happy way of reasoning about the compound character of man, and of comparing his vices to spots in the sun.”

~ Richard Duppa, “Maxims, Reflections, etc.”, p. 35, 1830

P.S. Este livro está disponível no Google Books e, para além de ser fácil de ler, vale a pena...

Excedente de conhecimento

Hoje estou um bocado febril, com a garganta de molho. Estou a pensar se não me fará mal queimar incenso, que fiz várias vezes esta semana, ou, se calhar, são as alergias sazonais; ainda por cima hoje choveu e sou alérgica a certos bolores.

A modos que não estou a 100% e talvez isto explique por que, quando li a citação do PM Costa no Observador, tenha entendido que ele teria dito que o país era composto por pessoas ignorantes, sem formação, nem educação. Disse ele: "O maior défice que temos não é o défice das finanças, é o que acumulamos de ignorância, de desconhecimento, de ausência de educação, de ausência de formação, de ausência de preparação."

Algumas horas mais tarde, o meu cérebro voltou a ruminar o assunto e ocorreu-me que percebi ao contrário: uma pessoa que tem défice acumulado de ignorância tem um excedente de conhecimento, logo fiquei mais descansada, pois o país tem um povo que está muito bom e se recomenda. Talvez o PM Costa quisesse explicar futuros cortes na educação. Não vale a pena investir mais, dado o excedente de conhecimento, até porque diz ele que esta situação tem de ser corrigida o mais brevemente possível.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Quinta-feira

Ao final da tarde de Quinta-feira, encontrei-me com amigas para ir visitar uma exposição de arte na Nos Cave Vin, um local de armazenagem de colecções pessoais de vinho, que oferece serviço de concierge. Em exibição estava o trabalho de J. Antonio Farfan, um artista plástico de Houston. 

Gostei de algumas peças, quanto mais não seja por o artista rabiscar, em algumas delas, uma flor em forma de margarida, que é o que eu faço quando me apetece rabiscar, mas achei que a exposição tinha sido mal organizada: alguns dos quadros maiores estavam num corredor e não havia espaço para vermos as peças de várias distâncias; já as peças mais pequenas encontravam-se numa sala mais ampla. Acho que teria feito sentido ter sido ao contrário.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Há mais retas concorrentes que parelelas

Trabalhei em empresas do grupo SONAE de setembro de 1994 a novembro de 1995, no período que medeia entre o final da minha licenciatura e o ingresso na Universidade do Minho. Curiosamente, a única vez que interagi pessoalmente com o Eng.º Belmiro de Azevedo foi ainda antes de ter sido contratado, durante o Programa Contacto, o programa de recrutamento da SONAE que ainda hoje mantém. Na sessão da tarde, houve um momento em que os participantes, na sua maioria finalistas do ensino superior, podiam colocar questões diretamente ao líder do grupo. Um pouco a tremer, pedi a palavra e perguntei ao Eng.º Belmiro se ele pensava desenvolver projetos de investigação em colaboração com as universidades portuguesas. Se nos lembrarmos que na época a Universidade vivia de costas voltadas para as empresas, achei que a pergunta era pertinente. A resposta que obtive foi entre o seco e o desconcertante. Recordo-me de algo como “…a Universidade portuguesa tem muito que aprender com as empresas. Se dependesse de mim, os professores deveriam ser obrigados a deixarem os seus gabinetes e a trabalhar periodicamente em empresas…”.

Curiosamente, passados vinte e um anos de ter deixado a SONAE, iniciamos, em conjunto com as Universidades do Porto e de Aveiro, o projeto de investigação aplicada ATENA (Observatório da Educação), financiado pelo EDULOG, o “think tank” da Fundação Belmiro de Azevedo, direcionado para a área de Educação. Afinal, há mais retas concorrentes que parelelas!

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Mal de Pierres

Ontem vi o filme "Mal de Pierres", uma adaptação do romance de Milena Agus. O enredo é um estudo sobre como o amor, que contrasta o aspecto carnal -- a loucura da paixão -- com o aspecto platónico. No filme, acompanhamos a vida de Gabrielle, uma jovem francesa muito fulgorosa que tem tendência para se apaixonar como nos livros. Aliás, as suas duas paixões são por homens que lêem: o primeiro é um professor, que lhe oferece "Wuthering Heights", de Emily Brontë, como parte da sua educação, mas que ela confunde com uma declaração tácita de amor; o segundo, um tenente do exército francês, que lhe oferece um outro livro em cuja primeira folha se encontra inscrito o seu nome, André Sauvage, e morada.

Entre estas duas paixões, entra o marido, José, que foi convencido pela mãe de Gabrielle a se casar com ela, para poupar mais vergonhas à família. José é um homem simples e trabalhador, pedreiro de profissão, e que acha Gabrielle bela. Somos levados a crer que Gabrielle é bela fisicamente e é isso que agrada a José, até porque Gabrielle é interpretada por Marion Cotillard. Mas lá para o final do filme percebemos que há outra beleza que Gabrielle tem para José e que amar Gabrielle significa deixá-la ser como é, ser paciente, numa paciência que roça a humilhação. Talvez amar alguém signifique conhecer a pessoa melhor do que ela se conhece a si mesma.

Mais não conto para não vos estragar o filme, se decidirem ver. Aviso-vos já que o filme é lento e longo.

domingo, 26 de novembro de 2017

Demérito!

"O principal ponto positivo destes dois anos de governação foi a redução do défice público, contra todas as expectativas, incluindo as minhas, reconheço. A manutenção da estabilidade política da Geringonça exigia uma quadratura do círculo que António Costa e Mário Centeno conseguiram manter, à custa de más opções económicas e orçamentais e de uma conjuntura absolutamente favorável, externa e do turismo, que disfarça muita coisa e esconde outro tanto."

~ António Costa, no Eco

Não acho defensável que se continue a falar na redução de défice como um mérito de governação quando, neste momento, sabemos que esta foi conseguida à custa de cativações e de redução da despesa em áreas como: equipamento médico, protecção civil, alimentação em escolas e prisões, etc. O argumento do mérito tem de ser inválido porque, se não o é, então estamos a dizer ao governo que continue a cortar em todas estas áreas porque esses cortes são um ponto positivo. Note-se que não estamos a falar de gorduras, estamos a falar em serviços essenciais, que o governo achou por bem descurar.

Ninguém corta as pernas para perder peso; se alguém o fizesse, não seria elogios que receberia, mas um atestado de loucura.

sábado, 25 de novembro de 2017

Colmatar uma falha

Caros leitores,
Lamento informar-vos que, para um blogue holístico, temos uma grande falha: ainda não falámos de maquilhagem. Felizmente, a Vogue deu-nos uma ajudinha e pediu à Sara Sampaio -- a nossa anjinha preferida porque o que é português é bom e ela também é boa como o milho e nós temos de agir nesta altura do ano e dar graças pela nossa colheita -- para fazer um vídeo, que aqui partilhamos, onde explica a sua rotina.

Considerem a nossa falha colmatada!


sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Self-respect

"In brief, people with self-respect exhibit a certain toughness, a kind of moral nerve; they display what was once called character, a quality which, although approved in the abstract, sometimes loses ground to other, more instantly negotiable virtues. The measure of its slipping prestige is that one tends to think of it only in connection with homely children and with United States senators who have been defeated, preferably in the primary, for re-election. Nonetheless, character — the willingness to accept responsibility for one's own life — is the source from which self-respect springs."

~ Joan Didion, "Self-Respect: Its Source, Its Power", in Vogue (1961), reprinted in Slouching Toward Bethlehem (1968)

Ainda o Thanksgiving

O meu primeiro Thanksgiving, em 1995, foi passado em Dallas, aqui mesmo no Texas. Uma amiga minha da faculdade convidou-me para ir a casa dos pais. Viviam numa vizinhança, uma subdivision, em que as casas eram todas muito giras, pareciam casinhas de brincar, todas com arquitectura semelhante, as relvas bem aparadas, as sebes cortadas milimetricamente. Fizemos a viagem de carro, que demorou cinco horas, e quando entrámos no Texas, algures viu-se gado a pastar num campo e ela, num momento de extrema ingenuidade, perguntou-me, com o seu Texas drawl, o sotaque aqui da terra: "Do y'all have cows in Portugal?" Eu fiquei em silêncio porque juro que não percebi bem a pergunta. De repente, começámos as duas a rir às gargalhadas quando ela se apercebeu da estupidez do que tinha dito "Of course! That's a dumb question!" Pois era, mas daí para diante, sempre que nos queríamos rir, perguntávamos "Do y'all have cows in Portugal?"

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Net neutrality

Nos EUA, a administração Trump prepara-se para modificar as regras de net neutrality -- neutralidade no acesso à Internet. A Business Insider usa o exemplo de Portugal, mais concretamente da MEO, para demonstrar como as novas regras irão ser piores para os consumidores.
On Tuesday, the US Federal Communications Commission announced that it planned to vote on an order to roll back Obama-era rules governing net neutrality.

Simply put, net neutrality means that all data on the internet is treated equally. An internet service provider can't prioritize certain companies or types of data, charge users more to access certain websites and apps, or charge businesses for preferential access.

Advocates of net neutrality argue that it ensures a level playing field for everyone on the internet. Telecoms firms, however, are largely against it because of the additional restrictions it places on them.

But with the Republican-majority FCC likely to vote on December 14 in favor of rolling back the order, what might the American internet look like without net neutrality? Just look at Portugal.

The country's wireless carrier Meo offers a package that's very different from those available in the US. Users pay for traditional "data" — and on top of that, they pay for additional packages based on the kind of data and apps they want to use.


Fonte: Business Insider

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Friendsgiving

Amanhã celebra-se o Thanksgiving, o dia de Acção de Graças, nos EUA; notem que o Canadá também tem um Thanksgiving, que foi introduzido no país pelos refugiados da Guerra Civil Americana e que, desde 1957, se celebra na segunda Segunda-feira de Outubro. O Thanksgiving americano também é um feriado móvel e celebra-se na quarta Quinta-feira de Novembro; é o feriado mais importante nos EUA e, nos últimos anos, com a Internet e os americanos a postar fotos e a escrever sobre este feriado, tem-se notado que muitas pessoas noutros países também já falam em Thanksgiving. No entanto, para além dos EUA e do Canadá, há outros países que têm celebrações parecidas com o Thanksgiving e que antecedem a Internet.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Congelamento da coerência

Há de facto uma tensão entre o discurso de que as medidas de austeridade do anterior governo eram desnecessárias, e ser contra a correção retroativa das carreiras com base nos anos em que estiveram congeladas. Claro que se podem sempre adiantar racionalizações para mitigar a tensão - por exemplo, dizer que o congelamento das carreiras não fazia parte do pacote de austeridade considerada excessiva, ou alegar que com base nos congelamentos, algumas pessoas decidiram sair da função pública e que seria agora injusto alterar as regras do jogo agora. Mas essas explicações são parciais e até um bocado forçadas. O pragmatismo parece-me ser a única solução para isto, mas não nos iludamos: esse pragmatismo, sendo provavelmente necessário, não é coerente.