quinta-feira, 13 de junho de 2019

As que irritam

“A seriedade intelectual de Natália [Correia] levava-a a não omitir erros (injustiças, desvarios) cometidos pelos que lhes eram próximos. Não hesitou, por isso, em distanciar-se, no ano de 1975, da (sua) esquerda, de demarcar-se do feminismo que, na Primeira República, levou as mulheres a apoiarem Afonso Costa na trágica decisão de atirar Portugal para o matadouro da Primeira Guerra Mundial.

«Incompreensível essa atitude, sobretudo por parte de vultos como Ana de Castro Osório, que criou a Comissão Feminina pela Pátria, ou como Adelaide Cabete que lançou a Cruzada das Mulheres Portuguesas em apoio de tamanha infâmia! E isso depois de Afonso Costa ter impedido as mulheres de votar, uma vergonha! Elas comportaram-se, afinal, de maneira não muito diferente da das senhoras do Movimento Nacional Feminino, que actuaram nas guerras coloniais do fascismo».

A seu lado, o historiador Oliveira Marques sorria. Saltando sobre o tempo, logo Natália investia contra as mulheres que, em cargos de decisão, «se comportam hoje pior do que os homens», ultrapassando-os no que eles «têm de mais brutal».
Em vez de «praticarem a superioridade do feminino, como a afectuosidade, a sensibilidade, não, parecem travestis! Vejam-se, por exemplo, as atitudes implacáveis das que dirigem departamentos de recursos humanos em empresas com processos de despedimentos de trabalhadores. Grotescas!» As «carpideiras do vitimismo feminino» irritavam-na igualmente.”

Excerpt From: Fernando Dacosta. “O Botequim da Liberdade.” Apple Books. https://books.apple.com/us/book/o-botequim-da-liberdade/id703484323

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Mudança

Depois de algumas semanas em que me senti bastante cansada, percebi que a culpa era dos chocolates. Foi assim: no trabalho, nós temos chocolates de graça, mas eu como sou meia-esquisita também tenho os meus quadradinhos de chocolate e menta que comia como snack diário. Normalmente, comia uns dois... ou três... ou quatro porque pares é melhor para não ficar nenhum pedaço sozinho e não eram assim tantas calorias, mas também não tinha valor nutricional. Notei que para além de cansada, as minhas articulações doíam, então decidi parar e não é que melhorei e me sinto com mais energia?

Deu jeito a minha mudança porque entretanto recebi uma mensagem de uma amiga a perguntar se não ia ficar por Memphis durante o Verão porque gostaria de visitar porque estavam a caminho da costa do Alabama e era uma boa oportunidade de eu conhecer o filho dela, que tem quatro anos. Perguntei-lhe para quando era a visita e era em menos de uma semana. Oh diabo, tive de andar a organizar o andar lá de cima onde ficam os quartos de hóspedes.

Por acaso, a última vez que estive em Fayetteville, AR, onde ela vive, foi em 2013, logo nessa altura estava ela grávida e apenas lhe entreguei as coisas do baby shower. Até j;a me tinha esquecido destes detalhes, mas durante a visita ela mencionou ao filhote as coisas que eu tinha dado: fiz um cobertores de flanela, outro de pelúcia e flanela (a sério, costurei eu mesma), bordei uns macacões de algodão, etc. É estranho, mas ultimamente não me apetece fazer estes trabalhos manuais. Por sorte, já não tenho amigos com descendência a caminho.

Mas fiquei orgulhosa de mim própria por ser uma amiga tão dedicada. Aliás, os meus amigos aqui têm uma boa impressão minha e acham que o resto dos portugueses são como eu: inteligentes, trabalhadores, atenciosos. Tenho uma lista de pessoas que querem que eu os leve a Portugal e alguns já me ameaçaram de que não passo de 2020 sem os levar. Felizmente, os meus amigos não leram o blogue do Francisco Seixas da Costa, onde se diz que pessoas como eu que emigraram, ainda por cima para as Américas, e têm opiniões formadas acerca do país e que não se inibem de o criticar nunca fizeram nada pelo país. Parece que bons portugueses são aqueles que não querem a mudança porque mudar Portugal é mau.

Bem sei que o Francisco Seixas da Costa também andou pelo mundo, mas era diplomata, não era emigrante. Mas a diplomacia é uma das formas pelas quais se efectua mudança, logo por que razão não nos explica o Francisco porque dedicou uma vida inteira a tentar mudar as relações de Portugal com o estrangeiro? Não seria melhor ter deixado tudo ficar como estava?

E por falar em ficar como estava, como é que se pode criticar a mudança ao mesmo tempo que se elogia uma revolução? Uma revolução é uma das mudanças mais profundas que pode acontecer a um país com a agravante de que a maior parte das revoluções não são pacíficas. Aliás, há a ideia de que as coisas depois de Abril de 74 foram um mar de cravos em Portugal, mas não foram. Ao contrário do que escreve o Francisco, nem sequer houve liberdade para quem foi preso e torturado sem ter sido acusado de um crime e houve centenas de presos nesta situação.

Como é que alguém com o currículo de Francisco Seixas da Costa escreve coisas que não são factuais, nem observam as regras mais básicas de lógica, e ninguém da comunicação social lhe aparece à frente e lhe pede explicações?

Não pensem que Portugal não muda porque alguém não quer. Tudo muda e a mudança é inerente à vida. A única escolha que temos é decidir se queremos mudar por necessidade ou voluntariamente. Se por necessidade, as mudanças são nos impostas e não controlamos os resultados; se formos pela via da mudança voluntária, podemos eliminar situações indesejáveis e posicionarmo-nos para criar novas oportunidades. De qualquer das formas, na mesma não ficamos de certeza absoluta.












sábado, 18 de maio de 2019

Chocou-me, pronto

Ao contrário de muita gente, não tenho problemas com telemóveis no quarto. Não me incomoda nada passar uns minutos a ver fotos no Instagram antes de dormir, até porque me relaxa imenso. Não é, portanto, surpreendente que o meu despertador seja o meu telemóvel. O único problema com isto são as notificações que se vê assim que acordamos. Por exemplo, na Quarta-feira acordei às 6 da manhã como habitual, vou a desligar o despertador e vejo que, no NextoDoor há uma vizinha que se diz estar meio-abananada porque ouviu tiros durante a noite, mais propriamente às 2:30 da manhã, será que mais alguém tinha ouvido...

Não ouvi nada, mas uma outra vizinha ouviu e a troca de impressões já tinha começado. Uma disse que tinha visto dois corpos e a polícia por todo o lado e que a notícia já estava no Twitter, mas fui procurar e a polícia não tinha dito nada. Foi uma TV que deu a notícia porque entretanto recebo um SMS de um colega que diz que ficou doente e não podia ir trabalhar, quando lhe contei do tiroteio, disse-me que tinha visto na TV, fui ver o canal de TV no Twitter e lá estava.

Consultei o mapa porque pela descrição da vizinha, o local onde a coisa se tinha passado parecia-me bastante próximo, aliás fiquei com a impressão de que era ao pé do parque que tem o chão coberto de musgo--é uma coisa simplesmente divina. Tirei umas fotos de nuvens lá perto dois dias antes do tiroteio. Recordo-me também que algumas semanas depois de me mudar para esta vizinhança, houve um miúdo de bicicleta que me seguiu por essa zona. Na altura fiquei incomodada, mas agora o que me incomodava era pensar que, se calhar, a criança tinha uma tragédia à porta.

Mandei calar a minha imaginação porque, às Quartas-feiras, temos reunião de risco no trabalho, que começa às 8 em ponto, e como o colega não podia ir, quem tinha de fazer os preparativos era eu. Durante o dia fui consultando o NextDoor para ver se havia novidades, mas passadas algumas horas houve outro tiroteio, que não foi bem tiroteio. Um homem suicidou-se a tiro num parque, o parque que eu tinha visitado pela primeira vez há umas duas semanas. É um local tão agradável, com um trilho curto, mas rodeado de árvoredo denso, um riacho que serpenteia pela floresta, um parque de merendas com baloiços para as crianças. No fim de semana passado, como estava frio, andei a investigar se este parque seria um bom sítio onde tentar encontrar cogumelos morel porque encontrei lá vários sítios com mandrágora americana (mayapple) e os cogumelos crescem em circunstâncias semelhantes.

No NextDoor, uma senhora que passeia cães ficou indignada que se fosse andar ao tiros num sítio com miúdos, especialmente com uma escola primária ao pé, mas um outro vizinho que conhecia a vítima pedia compreensão e recato. A vítima era um amigo dele, um homem que andava atormentado, e que deixava orfã uma criança ainda pequena. Tentei pensar nesse homem; no mundo perfeito da minha imaginação ele teria encontrado algum consolo na beleza daquele parque, ter-se-ia acalmado e retornado a casa para encarar mais um dia, sem que nada de mal lhe tivesse acontecido. Entristece-me que o parque não tivesse tido esse efeito nele.

Continuei a minha rotina, que inclui ouvir os podcasts portugueses para não me esquecer de como falar português. No Governo Sombra tinham um clip da ida do Joe Berardo à Comissão Parlamentar de Inquérito, o tópico mais importante do momento em Portugal. Nunca tinha ouvido o Berardo a falar e surpreendeu-me um bocado a falta de desenvoltura verbal, mas o que me chocou mesmo foram as perguntas que os deputados lhe fizeram porque demonstram ignorância e falta de preparação. Será que os deputados conhecem a lei portuguesa? Não parece que saibam que as empresas em Portugal gozam de um enquadramento legal que limita a responsabilidade dos proprietários/sócios. Como é que questionam o homem sem perceber os detalhes do empréstimo e a lei que o rege? Ainda por cima, esperam que o Berardo lhes explique e se auto-incrimine.




domingo, 12 de maio de 2019

Um malandreco, outro mauzito

Que semana tão atarefada. O país acalmou depois da birra do ilustre PM, que anda a ver se arranja um pretexto para se demitir. Coitadito do nosso malandreco preferido, a única coisa original que disse recentemente é que não há dinheiro. Isso já tinha dito o Vítor Gaspar há mais de seis anos.

Sem plataforma eleitoral, nem estratégia de governação, o melhor é mesmo António Costa tentar sair agora enquanto o leite ainda não azedou. E com o Marcelo Rebelo de Sousa a perder popularidade, ainda vai a tempo de andar a fazer comentário pela TV e depois ser candidato do PS às próximas Presidenciais.

Entretanto, encontrámos um assunto muito mais interessante há coisa de dois dias. O Joe Berardo, outro génio à portuguesa, foi prestar declarações à Comissão Parlamentar de Inquérito e portou-se mal. Ele é tão mauzito, que merece tareia. Ou talvez não, pois tem acesso a telemóveis e a sua reabilitação é quase certa. Aliás, deve ser essa a causa de ele não ter tido um acto de contrição em frente dos deputados.

Que queriam os deputados não se sabe ao certo. Afinal, mudaram alguma legislação como consequência de comissões parlamentares de inquérito passadas? Quando há declarações falsas, alguém é preso? No decorrer da investigação descobrem-se alguns factos que permitam ao ministério público avançar com uma acusação? E há algum plano para recuperar o dinheiro perdido dos bancos ou para arranjar um enquadramento legal que permita que casos destes não se repitam?

Dizem-nos que as eleições estão para breve...




segunda-feira, 6 de maio de 2019

Nova ou velha

Em Coimbra há duas estações principais de comboio a que na cidade costumamos chamar "estação nova" e "estação velha".
O nome oficial delas é Coimbra A e Coimbra B.
Apesar de saber disso, evidentemente, sempre que se falava em A ou B eu confundia-me e não sabia se estavam a falar na nova ou da velha. Houve até alguns desencontros desagradáveis.
Até que um amigo me mandou um berro dizendo: "B de belha". Não confundi mais.

Acobardou-se.

Aproveitem que isto não vai para a frente e discutam que tipo de carreiras especiais querem na Função Pública.
Depois de tudo o que se passou, talvez esteja na altura de reconhecer de vez que não faz sentido carreiras com progressões (quase) automáticas. Caso contrário passamos a vida a congelar a carreiras.

sábado, 27 de abril de 2019

Primeira cobaia

Duarte Lima vai finalmente ser preso -- já vai tarde, mas não nos zanguemos com o atraso na justiça portuguesa porque vamos ter uma cobaia para testar a introdução de telemóveis na prisão. Não acham que o Duarte Lima merece um telemóvel? Ele até toca piano.

Vá, não sejam forretas e dêem-lhe um iPhone! Assim ele pode refilar com os moços do PSD que só se lembraram de o expulsar agora que ele vai ser preso. Antes, quando ele foi condenado, não era premente. Com o seu telemóvel, Duarte Lima pode argumentar que a reabilitação está a correr muito bem e estará prontinho para novas aventuras cor-de-laranja quando sair daqui a 6 anos.

E viverão felizes para sempre!

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Um cão era melhor

Segundo me contam, o telemóvel é um mecanismo de reinserção de presos na sociedade. Na Wikipédia em inglês, dizem-me que é controverso porque os presos podem usar o telefone para intimidar testemunhas, cometer crimes, planear fugas ou até outros crimes. Uma outra fonte de controvérsia é, nas prisões que permitem telemóveis, os custos exorbitantes dos mesmos que beneficiam as próprias prisões.

Não se percebe muito bem como é que havendo telemóveis com fartura em Portugal -- mais de um per capita -- ainda há criminosos. Então não seria esperado que, se pessoas com telemóveis estivessem bem inseridas na sociedade, então não cometeriam crimes?

Mas talvez não seja o telemóvel em si, mas os amigos e família com quem o preso contactaria. Só que mais uma vez encontramos o mesmo problema: se estas pessoas fossem eficazes a inserir a pessoa na sociedade, então a pessoa nunca teria cometido um crime.

Frequentemente, os criminosos sofrem de disturbios mentais e necessitam de cuidados médicos especializados; o telemóvel não os vai ajudar, mas dá a ilusão que o governo se preocupa, quando na realidade não faz nada por estas pessoas.

Afinal, o que é um criminoso em Portugal e por que razão se prende uma pessoa? Portugal é um país com um regime penal considerado leve. Há crimes hediondos cujos autores nem vão para a prisão porque lhes atribuem penas curtas, que acabam por ser suspensas. Ou seja, quem vai para a prisão normalmente deve ter cometido algo bastante grave e, se o fez, é porque a pessoa é incapaz de auto-inibir comportamentos altamente indesejáveis. O telemóvel desinibe as pessoas: basta ler algumas conversas de SMS para perceber que o potencial das coisas descambarem é alto. E se for um telemóvel com Internet ainda pior.

Depois há a situação dos familiares e amigos, que receberiam as chamadas. Será que estas pessoas também não sofreram elas próprias com o crime e não têm direito a algum resguardo? Ou têm obrigação de tomar conta de presos pelo telefone a qualquer hora do dia?

É desejável que se sigam políticas de reinserção de presos, mas gostaria que me indicassem estudos que concluam que o uso de telemóveis facilita esse propósito.

Porque é que não decidiram dar um cão aos presos? Esses programas funcionam mesmo. Nos EUA, há vários prisões que usam cães para reabilitar pessoas encarceradas. Ver aqui, aqui, e aqui, por exemplo.

De regresso

Ora viva! Estou de regresso à minha terrinha, depois de duas semanas de férias, onde fui a Washington, DC (pela quarta vez), e dei um salto a Nova Iorque (a minha terceira visita). Gostei muito da viagem a NYC porque nunca tinha andado num autocarro numa viagem de longa-duração nos EUA, pois normalmente desloco-me de avião ou carro. São cerca de 362 Km (saí de Bethesda, MD, e fui até Manhattan); o regresso demorou 4 horas, na saída demorámos quase 5 porque apanhámos imenso trânsito, dado que saímos às 17:40 horas, que é a hora de ponta. O bilhete custou $37 para cada lado e quando entramos no autocarro oferecem-nos garrafas de água.

Em Washington, DC, fui efectivamente à National Gallery of Art--West Wing, onde vi a exposição do Tintoretto, como sugeriu o Rui Fonseca num comentário ao post anterior, mas a minha galeria preferida é a 3, onde estão as esculturas de Rodin e Degas. Apesar de não ser a minha primeira visita, fiquei tão emocionada que quase chorei. Para quem desconhece a NGA, são dois edifícios e a ala ocidental tem arte até 1900.

Na ala leste da NGA exibem arte a partir de 1900 e há dois sítios que me encantam: a galeria onde estão os movimentos franceses do pós-impressionismo: Nabis, Fauvismo, Expressionismo e as galerias no topo do edifício que têm Alexander Calder, Barnett Newman, e Mark Rothko. Escusado será dizer que quando cheguei à galeria de Rothko estava tão emocionada que chorei mesmo a sério. Cresci tanto a olhar para as peças dele quando vivia em Houston, que é como se estivesse à frente de um espelho ou talvez de uma máquina do tempo.

Em DC, para além da National Gallery of Art, fui à Phillips Collection, ao Hirshhorn Museum, à Renwick Gallery, às Freer/Sackler Galleries, à National Portrait Gallery, que fica no mesmo edifício que o American Art Museum, ao jardim de escultura da NGA, ao jardim de escultura do Hirshhorn, ao cemitério de Arlington, e ao Belmont-Paul Women's Equality National Monument. Passeei à beira do rio Potomac para apreciar as cerejeiras em flor e visitei o Washinton Monument, o Lincoln Monument, e o National World War II Memorial.

Fui ao edifício do United States Department of Agriculture para o lançamento do relatório WASDE (quando os relatórios saem, somos fechados numa ala do edifício que fica completamente isolada do exterior, i.e., janelas, ninguém tem telemóvel, e nem há ligação de Internet) e antes de lá ir estive a fazer tempo no Wharf, que foi recentemente desenvolvido. É um espaço encantador, com mercado de peixe, resturantes, cafés, esplanadas, marina, e lojas à beira-rio, decorado com muitos vasos cheios de flores magníficas, que tive a sorte de poder apreciar no seu auge.

Nesta viagem, também visitei Baltimore, MD, onde nunca tinha estado e onde fomos comer marisco. Tem um Conservatório/Jardim Botânico muito engraçado e a zona à beira-rio também é muito agradável. Baltimore foi uma cidade muito rica, mas perdeu importância e entrou em decadência. Na Virginia, fomos fazer o trilho do Difficult Run, que é um dos tributários do Potomac River, e visitei o Great Falls Park, que é uma das zonas com maior biodiversidade do mundo--as quedas do Potomac são impressionantes e há também uma componente histórica muito interessante.

Em Nova Iorque só estive dois dias, mas visitei Central Park, a 5th Avenue, o Metropolitan Museum of Art (a entrada custa $25, mas se conhecerem alguém que seja membro e tiverem a informação de membro da pessoa podem entrar sem pagar), o Museum of Modern Art, o Jewish Museum, a Neue Galerie ($22 bilhete normal), e a Morgan Library.

Se gostam de visitar museus e planeiam vir aos EUA, DC é capaz de ser preferível a Nova Iorque. Ambas têm colecções de arte fantásticas, mas em DC quase todos os museus são grátis; em NYC, alguns são grátis um dia por semana ou durante algumas horas. Também notei desta vez que estive em Nova Iorque que havia muito mais filas para entrar. DC é mais calma, apesar de alguns museus serem super-difíceis de se conseguir entrar. Eu queria ir ao African-American Museum, mas é preciso obter um passe e estavam esgotados (os passes são grátis).

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Pesadelo

Enquanto visitava o cemitério de Arlington hoje à tarde, vi as notícias do acidente na Madeira. A minha primeira impressão foi que tinha percebido mal do que se tratava, mas não, é mesmo a sério. Não sei o que pensar porque estou com medo de pensar nos familiares das vítimas a chegarem a Lisboa e encontrarem a cidade sem transportes por causa da greve que afecta o abastecimento de combustíveis. Espero que alguém no Governo tenha a ideia de arranjar transportes e apoio para as vítimas e suas famílias de forma a que elas estejam resguardadas da confusão que possa existir na cidade. Que grande pesadelo...

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Muitos mimos

Tenho saudades do meu cão; já não o vejo há 10 dias. Ontem telefonei para o hotel a perguntar se estava bem e parecia que sim, só tinha um bocadinho de prisão de ventre. Quando a moça atendeu o telefone e eu lhe perguntei do Julian, o bouledogue francês, ela soube imediatamente de quem se tratava, o tom de voz mudou, notei logo que tinha afeição pelo meu pequenito.

Hoje de manhã telefonou-me porque o meu Morceguinho ainda não tem as idas ao quarto de banho normalizadas. Depois de conversar com ela, decidimos que ele não ia passar tanto tempo no recreio com os outros cachorrinhos porque fica muito excitado com a brincadeira; reduzimos o tempo para meia hora por dia.

Amanhã vou telefonar outra vez, mas mais para o final do dia, para ver se ele está melhor. Sempre senti alguma preocupação com os meus bichinhos quando estou longe deles, mas depois do Alfred morrer, fiquei muito mais ansiosa. Quando a Stella morreu, fiquei triste, mas foi algo que senti que tinha chegado a altura. O Alf foi diferente.

Sempre tinha imaginado que iria cuidar dele até chegar a altura, mas ele morreu de morte natural sem que necessitasse de grandes cuidados. Senti que não fiz tudo o que podia ter feito por ele e no entanto o Alf era um cão que gostava de cuidar de toda a gente, mas não dava trabalho nenhum. Sinto que ele não gostaria de ter dado trabalho.

Quando for buscar o Morceguinho, vou estragá-lo com mimos!





terça-feira, 16 de abril de 2019

Contra-ciclo

Ontem fiquei um bocado preocupada com Notre-Dame. Acreditei -- ou talvez fosse um acto de fé -- que os bombeiros conseguissem salvar a estrutura e, apesar de algumas perdas, que alguns mais pessimistas dizem ser incalculáveis, não sucumbiu totalmente.

A minha atitude pessoal é ser pessimista quando as coisas estão bem, isto é, preocupo-me com o que pode correr mal, e optimista quando as coisas correm mal, pois quase sempre se pode fazer alguma coisa para melhorar quando estamos perante o pior. Por isso, se ao longo de 800 anos tinha de arder, arder agora, quando a tecnologia de combate aos fogos está avançada, os bombeiros estão bem treinados, os conservadores de arte também, etc., não é o pior que podia ter acontecido.

Notre-Dame não só irá ser recuperada, como iremos descobrir bastantes coisas acerca da sua construção. Os franceses irão ser confrontados com escolhas difíceis, mas é um povo que está habituado a fazê-las. Entre 1844 e 1864, Notre-Dame foi sujeita a uma restauração que na altura foi bastante controversa.

Em 2014, o Museum of Fine Arts Houston, fez um exposição com as fotografias de Charles Marville, que tive oportunidade de visitar. No início dos anos 1860s, Marville foi nomeado fotógrafo oficial de Paris e documentou o projecto de reconstrução da cidade, quando a cidade medieval foi arrasada para dar lugar a uma urbe planeada e modernizada.

Aqui vos deixo uma foto do pináculo de Notre-Dame tirada por Charles Marville, que está disponível no espólio da Biblioteca do Congresso americano. Ontem o pináculo caiu, mas brevemente irá ser re-erguido.



Um-dó-li-tá

Diz o meu PR de Portugal:
“Caro Presidente Macron, meu Amigo:

Uma dor que nos trespassa o olhar e logo nos marca a alma, Paris sempre Paris ferida na sua Catedral em chamas, um símbolo maior do imaginário coletivo a arder, uma tragédia francesa, europeia e mundial.

De Lisboa um abraço sentido,
Marcelo Rebelo de Sousa”


Diz o meu PR dos EUA:


Eu não daria cavaco

Continuo a não perceber a fixação com Cavaco Silva. Eu compreendo que ele não consegue estar calado quando lhe colocam um microfone à frente, mas para que é que insistem?

Achei deplorável a forma como lidaram com o envelhecimento de Mário Soares e agora estou a achar o mesmo da forma como não largam Cavaco Silva. Cavaco Silva não faz parte da oposição, logo por que razão não o deixam em paz? Alguém perguntou ao Reagan o que achava do Bush e do Clinton? E a Sra. Thatcher também se pronunciou acerca dos PMs que a sucederam?