quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Bad

O Presidente Trump disse "I feel so badly for him" referindo-se ao Juiz Kavanaugh, que está a ser considerado para o Supremo Tribunal de Justiça dos EUA, e foi acusado de ter atacado uma jovem que de 15 anos quando tinha 17 anos. Não é a primeira vez que Donald Trump sente "badly" por alguém porque o mesmo aconteceu com Michael Flynn.

Tenho pena (I feel bad), mas tenho de fazer a devida correcção do entendimento moderno da palavra -- já sei que me vão acusar de ser incapaz de sentir (I feel badly): o que o Presidente devia querer dizer era "I feel bad", mas talvez o lapso não seja uma não-verdade, pois frequentemente o acusam de ser insensível (he feels badly).

Confissões

Pronto, confesso, o que até é dispensável porque vocês devem ter imaginado logo em que pensei. Claro! Pensei na Lana del Rey a cantar Blue Jeans. Depois comecei a ruminar o que queria dizer as calças de ganga do PM Costa. Será que não há uma equipa de assessores que planeia o protocolo destes eventos? E depois o que foi o PM Costa fazer a Angola, o que é que ia conversar, quais os objectivos da visita para Portugal, como é que se mede o sucesso do encontro, etc.?

Vocês não pensaram o mesmo?

Vamos lá:

"Blue jeans, white shirt
Walked into the room you know you made my eyes burn"


terça-feira, 18 de setembro de 2018

Dress codes

Em 2013, Roger Federer apresenta-se em Wimbledon impecavelmente vestido de branco, como mandam as regras. No entanto, as sapatilhas brancas que usava (ténis brancos para os lisboetas) tinham a sola cor de laranja.
Só fez o primeiro jogo com essas sapatilhas, dado que foi impedido de as continuar a usar. Violava as regras que exigem que os atletas se vistam de forma discreta em Wimbledon.


Já quando Tatiana Golovin entrou com umas ostensivas cuecas vermelhas, ninguém lhe disse nada. Tiveram vergonha de dizer a uma bonita jovem que as suas cuecas chamavam demasiado a atenção.
Devem ter suspirado de alívio quando foi eliminada, terminando com mais embaraços.

A imagem pode conter: 1 pessoa, a praticar um desporto

Quando questionada na conferência de imprensa sobre o assunto, respondeu: “They say red is the color that proves that you’re strong and you’re confident so I’m happy with my red knickers.”

domingo, 16 de setembro de 2018

Machismo?

Não percebo nada de ténis, nem sei se a Serena teve razão, mas sei que quando os tenistas homens insultam o árbitro e andam a testar as raquetes no chão, não há noticia de destaque em Portugal, mas com a Serena houve. Porque é que, se o comportamento dela é mau, não foi tão ignorado como é o mau comportmento dos homens tenistas em Portugal? Ou será que a diferença foi o árbitro ser português?

Que cruz!

Quem estudou economia sabe que há um gràficozinho das curvas da procura e da oferta em que ambas se cruzam. O preço de equilíbrio é o ponto onde se cruzam, mas note-se que este ponto não é um de satisfação universal, pois há sempre -- sempre, mesmo! -- compradores que acham que o preço acima do de equilíbrio é demasiado elevado e vendedores que o acham demasiado baixo e esta malta não participa no mercado, quer dizer, nem compram, nem vendem. O preço age como um mecanismo de racionamento da procura, mas não é imoral que nem toda a gente compre. Vocês acham imoral ir à loja e sair de lá sem comprar nada?

Estou a falar nisto por causa da chamada "taxa Robles" e da discussão que se seguiu que é caracterizada por dois extremos: (1) fazer dinheiro é mau, logo meta-se um imposto para retirar o incentivo monetário, e (2) implementar uma "taxa Robles", i.e., contrair a oferta, não reduz o preço de equilíbrio, logo o melhor é seguir políticas que expandam a oferta pois são essas que reduzem o preço de equilíbrio e promovem a habitação.

Um dos exercícios que damos aos estudantes de economia é dar-lhes vários cenários e perguntar qual o efeito no preço e na quantidade de equilíbrio e há muitas coisas que se podem fazer para alterar o preço de equilíbrio e o acesso ao recurso -- aliás, antes de fazer políticas devíamos pensar no objectivo das mesmas e não sei se viver em Lisboa ou no Porto pode ser defendido como um objectivo político porque pode não servir os interesses do país. Antes de aumentar a oferta não devíamos perguntar-nos se Lisboa e Porto precisam de mais pessoas e se o resto do país está a abarrotar de residentes?

Quando há um grande incêndio em zonas não-urbanas aponta-se como causa o êxodo rural. Se há alguma cidade que tenha beneficiado de tal êxodo é mesmo Lisboa, logo por que razão queremos nós incentivar mais pessoas a mudar-se para Lisboa ou até Porto? Não devíamos nós, e em especial o Governo, ter uma política equilibrada de desenvolvimento para todo os país em que as diferentes políticas funcionem de forma coesa e se reforcem umas às outras em vez de seguir políticas que arranjam num lado e estragam no outro?

Melhorar os transportes públicos também afecta a desejabilidade das diferentes zonas. No outro dia contaram-me um caso de uma rapariga desempregada que tinha recusado um emprego porque o horário dos transportes públicos não lhe permitia ir trabalhar, dado que ela vivia numa cidade próxima a 17 Km e não tinha carro -- era um turno em que saía do emprego à meia-noite. Se as autoridades trabalhassem com as empresas para adequar a infra-estrutura às necessidades da população e do aparelho produtivo, perimitiria que as pessoas vivessem mais longe do emprego.

E por falar em carro, será que uma política de impostos altos sobre os combustíveis promove maior mobilidade da população ou incentiva as pessoas a viver nas zonas que são melhor servidas por transportes públicos, dado que com os salários baixos que se praticam em Portugal, não há muito dinheiro para a gasolina. Também é caro estacionar em Lisboa, mas vai-se a outras zonas da Europa e as classes mais altas andam de transportes em públicos, enquanto que em Portugal o que é comum é qualquer director ter acesso a carro da companhia. Este Verão tive oportunidade de ir a Liverpool em trabalho e cheguei numa Ferça-feira e saí na Sexta. Os meus colegas diziam-me que er pena eu ter saído tão cedo porque ao fim-de-semana, os comboios vêm cheios de pessoas de fora que vão passar o fim-de-semana lá.

Há em Portugal a ideia de que salários altos são obscenos e salários baixos são preferíveis porque ser pobre é uma virtude. O problema claramente é haver uns estrangeiros que ainda não descobriram as virtudes da pobreza salarial e que vêm de fora inflacionar o preço das casas em Portugal. Ignore-se que o dinheiro que gastam em Portugal acaba por ir para algum português -- esperem lá, teria sido para o Robles!

Resta perguntar-nos se a "taxa Robles" não é um medida de disciplina do Bloco de Esquerda, que é incapaz de ter militantes que praticam o que defendem, em vez de uma medida bem pensada e estruturada por parte de pessoas que entendam minimamente o país onde vivem.

Não é só fazer dinheiro que é mal visto em Portugal; fazer perguntas pertinentes e pensar bem também são indesejáveis. É a nossa cruz...





segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Não Valle nada!

Expliquem a este moço do PSD que num partido o papel do líder não é seguir os militantes. Os militantes é que seguem o líder e implementam a visão deste. Se ele é incapaz de ver qual a visão do líder, o problema é dele, não é do líder.

Apetece espremer estes laranjinhas para ver se há sumo na cabecinha porque só dizem e fazem disparates. Destruiram o legado do governo do PSD/CDS que até obteve bons resultados dadas as circunstâncias, não defenderam a reputação de Pedro Passos Coelho, elegeram Rui Rio e agora procedem em destruir o líder que elegeram porque querem um partido novo cheio de gente velha.

Que é isto, pessoas, um concurso de burrice?

Ah, num universo paralelo, o Rio está a dizer ao Valle: "Take a Moon Taxi, buddy: 'Cause who's to say that I'm crazy? Keep it to yourself..."


domingo, 9 de setembro de 2018

Heroína

Depois de ler "Um Momento Definidor para Portugal" fiquei um bocado perplexa com os argumentos apresentados. A tese da peça de opinião, escrita por Miguel Morgado, António Leitão Amaro, Duarte Marques, Miguel Poiares Maduro, e José Eduardo Martins, assenta na premissa de que o futuro de Portugal depende da continuidade de Joana Marques Vidal no papel que ocupa actualmente de Procuradora Geral da República Portuguesa. Este argumento é muito caro aos portugueses porque, no essencial, é o Sebastianismo: só há uma pessoa que pode salvar Portugal e, se falta essa, tudo o resto desmorona.

É estranho que num país que se diz democrático o futuro dependa de apenas uma só pessoa; mas o mais misterioso é que um artigo escrito por cinco homens venha elevar a condição de uma mulher a heroína da República. Portugal continua a ser dominado por homens incapazes, mas de vez em quando lá vem a migalhinha e o "olhem para o que dizemos, não olhem para o que fazemos". Só que não dizem nada de jeito porque:
  1. Na peça menciona-se frequentemente o "passado recente" e uma pessoa fica ali parada a pensar no que é o passado recente. Será que o governo de José Sócrates acabou recentemente? Depois de Sócrates sair do governo, PSD/CDS governaram por quatro anos; entretanto, a Geringonça já vai em dois anos. Mas talvez nos escape o devido apreço pelo facto de Portugal ter 900 anos e, no grande esquema das coisas, tudo é recente.
  2. Por falar em coisas que nos escapam, fica-se sem perceber o que querem os autores do Presidente da República. Em Portugal, o papel do Presidente da República é defender a Constituição da República Portuguesa e esta, por sinal, é a mesma com ou sem artigos de opinião no Expresso. Dado que o actual Presidente da República até tem publicações em Direito Constitucional, é um bocado estranho estar a dar-lhe lições.
  3. A escolha do regime e do país que se quer é feita no Parlamento, que é a entidade em Portugal que representa o povo e que legisla. Como é que alguns dos autores, que são deputados no Parlamento, escrevem como se não tivessem ideia das responsabilidades que assumiram perante o povo que os elegeu? Ou será que ser eleito para o Parlamento se resume à aquisição de direitos sem contra-partida de responsabilidades?
  4. Por muito boa que a Joana Marques Vidal seja, a justiça portuguesa continua a não funcionar. O sucesso é avaliado por resultados, não é avaliado pelo processo: um bom processo sem resultados tem uma taxa de sucesso igual a um mau processo sem resultados. Ou seja, Joana Marques Vidal não é heroína no sentido de ser o feminino de herói; é heroína porque é mais parecida com uma droga que atenua os sentidos do povo, que tem o objectivo de dar a impressão que o sistema está melhor, que há pessoas que estão a fazer o seu trabalho, quando a realidade é que o sistema está na mesma.





quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Black

"And now my bitter hands
Cradle broken glass
Of what was everything
All the pictures had
All been washed in black
Tattooed everything
All the love gone bad
Turned my world to black
Tattooed all I see
All that I am
All I'll be"

~ Pearl Jam

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Snobismo apimentado

Eu não devia escrever a esta hora -- aqui já são 21h19, que é como quem diz, hora de eu ir para a cama porque me levanto antes das seis; quer dizer, é mais idealismo porque eu carrego no snooze umas duas vezes --, mas hoje estava a pensar em moinhos e em ainda não vos ter falado sobre o meu moinho. Qual moinho? O de pimenta, claro.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Um elefante numa loja de porcelana

Nesta última semana, tivemos mais um outro tiroteio na Florida, o que talvez fosse notícia, mas como o Senador John McCain (Republicano, representante do Arizona) faleceu na tarde de Sábado, toda a atenção está a ser focada na reacção do Presidente Trump à morte de McCain. Convenhamos que Trump enfiou-se numa situação má ao criticar McCain sabendo de antemão que a saúde do Senador estava fragilizada. Mas mesmo depois da morte de McCain, o Presidente Trump continuou a faltar ao respeito à memória e ao legado de McCain, que até era a voz mais anti-Trump com assento no Congresso.

Apesar do protocolo ditar que quando um membro do Congresso morre, a bandeira fica a meia haste no dia da morte e no dia seguinte, o normal é o Presidente assinar uma proclamação que prolongue este acto, como forma de honrar o defunto, o que Trump não fez; hoje acordámos e a bandeira da Casa Branca já não estava a meia-haste. Os ânimos exaltaram-se bastante e da maneira que as coisas caminham, o enterro de McCain será transformado numa marcha anti-Trump que unirá pessoas da Direita e da Esquerda americanas.

Não é propriamente surprendente, pois se McCain é conhecido por alguma coisa é mesmo pela sua capacidade de conseguir apoio à esquerda e à direita. (Noto que ainda não consigo pensar em "McCain era"; no Domingo, quando soube da sua morte senti alguma confusão, pois no Sábado tinha sido anunciado que ele iria prescindir de tratamento, mas não entendi que já estivesse tão próximo da morte.) No funeral, Barack Obama e George W. Bush, que têm em comum terem derrotado John McCain em eleições presidenciais, irão proferir panegíricos (é este o termo para "eulogy" em português?).

Na Casa Branca, o Presidente tentou focar a atenção no acordo de comércio internacional com o México, dizendo que era necessário mudar o nome do acordo, pois NAFTA (North-American Free Trade Agreement) tem uma conotação negativa -- até parece que NAFTA é um hotel ao qual se dá um banho de tinta e se muda o nome para tentar passá-lo por novo. Só que o México e o Canadá são "BFFs" e será difícil conseguir um acordo apenas com o México, para além de que o México deve estar preocupado com coisas mais importantes do que o nome do acordo.

A vida na América prossegue com o Presidente Trump a agir como um elefante numa loja de porcelana...

domingo, 26 de agosto de 2018

Dirt Devil

Quase que me esquecia de vos mostrar o Dirt Devil que vi no Texas, num campo em que a colheita foi perdida e, para receber compensação do governo, o agricultor teve de retirar toda a vegetação -- acho uma prática muito irresponsável porque é má gestão da terra, dado que retira humidade do solo e promove a erosão, mas isso são outros 500.

Uma amiga minha do Instagram, que vive no Alentejo, disse-me que, em português, se chama espojinho, uma palavra que desconhecia, mas que acho muito engraçada.

Harvey: um ano

Ontem foi o primeiro aniversário da entrada em terra do furacão Harvey e hoje, há um ano, começava a chover em Houston. Nos noticiários entrevistam especialistas e políticos acerca do nível de preparação da cidade. Houston está menos preparada agora do que antes porque tem menos dinheiro, dada a despesa que teve com Harvey. Por exemplo, ainda há incerteza acerca de como proceder com as casas que inundaram: será que devem ser compradas pela cidade e, se sim, de onde virá esse dinheiro?

A marcar o aniversário, houve eleições no condado de Harris acerca da emissão de $2,5 mil milhões em bonds para financiar projectos relacionados com o controle de inundações e a medida teve votação favorável; em termos práticos, esta medida traduzir-se-á num aumento dos impostos de propriedade em cerca de $5 por ano, em média. No entanto, e apesar do governo federal dos EUA ter dado $5 mil milhões à zona costeira afectada, este montante não é suficiente para pagar todos os custos necessários para melhorar a infraestrutura.

Tem havido uma grande discussão no estado do Texas neste último ano porque o Governador Greg Abbott não deixa usar o fundo de emergência do estado para lidar com estas despesas: o Economic Stabilization Fund que, apropriadamente, tem a alcunha de "Rainy Day Fund" e onde foram poupados mais de $10 mil milhões.

Lembrei-me de ir ler as coisas que escrevi há um ano, quando o Harvey "visitava" Houston. Não parece que tenha passado tanto tempo, mas foi um ano cheio de tropelias na minha vida. Recordo-me de, na altura, ter sido bastante diligente em actualizar a minha situação no Facebook para os meus amigos não se preocuparem, até porque não sabia se ia perder a electricidade ou o acesso à rede, e ficar surpreendida por as pessoas só terem tido noção da situação depois da tempestade ter passado.

Deixo-vos uma lista do que escrevi aqui acerca da tempestade na altura, enquanto penso no que ainda falta escrever deste ano que passou:
  1. Furacão Harvey, 25/8/2017
  2. Harvey Ainda, 27/8/2017
  3. Harvey Dia 4, 28/8/2017
  4. Harvey Recuperação, 29/8/2017 (com uma fotografia de uma cadela que sobreviveu os furacões Katrina e Harvey)
  5. Harvey Dia 5, 29/8/2017
  6. Na Vizinhança, 30/8/2017
  7. Olá, 1/9/2017




sábado, 25 de agosto de 2018

Jack on the rocks...

Uma das coisas a fazer no Tennessee é visitar a distilaria do Jack Daniel's, em Lynchburg. Não sou -- ou melhor, era -- grande apreciadora de whiskey, e nem sequer sabia que Jack Daniel's era tão conceituado, até porque levou a medalha de ouro na Feira Mundial de St. Louis, em 1904, mas é sempre bom aprender estas coisas. (Relativamente a esta feira, há uma outra história que é de cultura geral. Como deverão saber, no sul dos EUA, o chá gelado é a bebida de referência. Pois, é uma invenção que frequentemente é associada a essa feira, mas parece que precede a mesma.)

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Viagens na minha terra

No fim-de-semana que passou, dei um pulo a Nashville, TN, e tenho estado a escrever sobre isso, mas está a demorar um bocado. Entretanto, ontem, vim aqui a Lubbock, TX, que fica na região da Texas Panhandle (asa de frigideira do Texas) para vir inspeccionar os campos de algodão. Não vos posso mostrar o algodão, mas vou mostrar-vos o Canyon de Palo Duro e o Reservatório de Água de MacKenzie.

E pronto...

Já podemos suspirar de alívio porque não temos de viver em suspense para toda a eternidade, como se faz em Portugal com o caso de José Sócrates. O julgamento de Paul Manafort, que trabalhou para Donald Trump, terminou e ele foi considerado culpado de fraude em oito casos. É esperado que apele o veredicto.

Hoje, também, Michael Cohen, o antigo amigo/advogado de Donald Trump, incriminou o Presidente para além de entrar o veredicto de culpado na violação da lei de financiamento de campanhas eleitorais.

Tudo como dantes em Abrantes: a Justiça americana segue o seu caminho e recomenda-se...