quarta-feira, 26 de abril de 2017

Uma clivagem

Tal como para a zoologia existe o leão, para o pensamento científico existe o homem. A clivagem entre as ciências e a política nasce precisamente aí. Para a política, não existe o homem, existem os homens, na sua pluralidade.

Fado

terça-feira, 25 de abril de 2017

Walk the walk!

Desde há uns anos para cá, no 25 de Abril, vejo sempre pessoas a queixar-se de que não se devia comemorar o 25 de Abril, mas sim o 25 de Novembro porque foi aí que Portugal voltou a ser verdadeiramente livre. Alguns dizem a ditadura de Esquerda do PREC era muito pior do que a ditadura de Direita. Eu tenho alguma dificuldade com esta lógica porque comemorar o fim de uma coisa má que durou ano e meio e não comemorar o fim de uma coisa má que durou 48 anos parece-me um bocado ridículo. E depois falar comparativamente de ditaduras, cria a ideia que umas são preferíveis a outras, o que não é verdade: são todas más!

Tenho a impressão de que quem se queixa e tinha idade para isso, não fez nada de significativo para contribuir para o fim da ditadura de Esquerda ou da de Direita e vejo que muitas pessoas que criticam comemorar-se o 25 de Abril são também as que criticam que nos manifestemos contra o Trump porque este foi "democraticamente" eleito -- quantos ditadores foram democraticamente eleitos, já agora? E são também as que criticam a Geringonça, mas são incapazes de ir para a rua manifestar-se contra ela.

Eu sou uma grande comodista, mas tenho plena noção de que acima de tudo sou uma privilegiada: tudo o que tenho, alguém lutou para eu o ter, a começar pelas famosas liberdade de expressão e liberdade de me manifestar pacificamente. Por isso, sou perfeitamente capaz de ir para a rua manifestar-me. "If you talk the talk, you better walk the walk", como se diz aqui no meu burgo...

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Milagre dos cravos no Texas

Este ano sofri as passas do Algarve aqui em Houston. O meu craveiro andava com um aspecto um bocado fraquito e receei o pior. Não sei se o problema foram as duas noites, em ocasiões diferentes, em que tivemos temperaturas abaixo de zero, apesar do inverno extraordinariamente ameno deste ano, ou talvez o próprio inverno ameno, ou os meus amigos esquilos que seguem a filosofia pseudo-Palinista de "Dig, baby dig!" no meu jardim, só sei que a minha produção de cravos está com um rendimento bastante abaixo do normal. A modos que pensava que estava lixada este ano, sem um cravinho para o 25 de Abril.

Eis que, hoje de manhã, abro a porta das traseiras e deparo-me com este espectáculo! Não é perfeitinho? Tenho para mim que se deu um milagre dos cravos no Texas e eu estou pronta para a Revolução!

Internacionalização

O novo presidente da European Public Choice Society é português, é meu colega na Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho e chama-se Francisco Veiga: http://www.epcs-home.org/president/.

Muitos parabéns.

O fim de uma história

A história é conhecida. A diferença ideológica entre esquerda e direita nasceu com a revolução francesa. Em 1795, o presidente da Convenção determinou que quem fosse a favor do direito de veto do rei se sentasse do lado direito e que quem fosse contra se sentasse do lado esquerdo. Esta distinção ideológica, nascida do acaso, estruturou a vida política nos últimos 200 anos. A política existe porque os homens são diferentes e necessitam de arranjar maneiras de coexistir e de se organizar no meio do caos das suas diferenças. Há muito que essas diferenças deixaram de caber na oposição binária esquerda-direita. Ontem, em França, este facto tornou-se mais evidente para muitos. E, se calhar, esta história tinha de acabar onde começou, em França.

domingo, 23 de abril de 2017

Mau perder?

É assim tão estranho que Mélenchon não consigne o seu voto ao opositor de Le Pen? No seu anti-europeísmo, é com Marine Le Pen que Mélenchon mais pontos em comum tem.

Bem sei que é chato para muita gente de esquerda ver isto. Mas, na verdade, parece razoavelmente óbvio.

Ontem

March for Science, Houston, TX










sexta-feira, 21 de abril de 2017

Um génio compreendido

Ibrahimovic vai abandonar o futebol depois da lesão do último jogo.
É uma pena. Por tudo. Não só pelo jogador que se perde, mas também pela personalidade. Gosto de pessoas arrogantes e convencidas. E este era-o nas doses certas, ou seja, descomunais. Tal como o seu talento.
"One thing is for sure, a World Cup without me is nothing to watch. -- Ibrahimovic, 2013.
"I was asked last summer who was the best, me or (Swedish ladies international) Lotta Schelin. You're kidding with me, right? You're joking with me. Do I have to answer that?They compare with me with the world's best footballers in Europe...with Messi and Ronaldo...and when I get home they compare me with women's football. What the hell, should I feel ashamed to come home?" -- Ibrahimovic, 2013.

“I'd already got the impression that Barcelona was a little like being back at Ajax, it was like being back at school. None of the lads acted like superstars, which was strange. The whole gang – they were like schoolboys. The best footballers in the world stood there with their heads bowed, and I didn't understand any of it. It was ridiculous." -- Ibrahimovic, 2015.
“On that list I would have been number one, two, three, four and five, with due respect to the others. Coming second is like finishing last.” -- Ibrahimovic, 2014, a pretexto de ter sido eleito o segundo melhor desportista sueco de sempre.

Felizes para sempre

Ao ler a peça do Pedro Brás Teixeira no Eco, ocorreu-me ir comparar o novo Programa Nacional de Reformas (PNR) com o anterior. O Pedro acha que o novo programa é bastante vago e eu subscrevo a opinião dele, mas achei que havia lá coisas engraçadas.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Q&U têm razão!


Imagem: daqui; Bill: aqui.

E fez-se luz

Às vezes, falam-nos de um artista a que ainda não prestámos atenção. E vamos ouvir uma ou outra música e achamos que aquilo é esquisito, mas, na verdade, não passa muito disso. Mas, como vai aparecendo muitas vezes nas conversas com amigos, certos amigos, lá vamos insistindo. E, de tantos em tantos meses, lá vamos ouvindo uma canção.
E ao fim já de alguns anos, tudo faz sentido e deixa de ser esquisito. O tipo é original e mesmo bom e não se consegue deixar de o ouvir, como se quiséssemos perceber o que se tem perdido.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

22 anos

Comemora-se hoje o vigésimo-segundo aniversário do atentado à bomba de Oklahoma City. De um dia para o outro, muita gente em Portugal ficou a saber que Oklahoma existia e muitos amigos, quando eu lhes dizia que ia estudar para lá em Agosto de 1995, avisavam-me que era um sítio onde havia atentados bombistas. Atentados bombistas pode haver em qualquer lado. Lembro-me perfeitamente de ver o Telejornal e darem notícias de atentados à bomba em Espanha por causa da ETA, no Reino Unido por causa do IRA, ou seja, cresci a ver notícias de atentados à bomba, para não falar dos sequestros de aviões e outras calamidades não-naturais.

No local do edifício bombeado, ergueu-se um monumento às vítimas que pereceram, às que sobreviveram, e a todas as pessoas que ficaram para sempre transformadas por esta tragédia. O monumento está repleto de símbolos, como os portões do tempo: um com a hora 9:01, um minuto antes da bomba e que representa uma época de inocência da cidade; outro com a hora 9:03, o minuto depois da bomba, que representa não só um mundo transformado, mas também o início da esperança. A "Survivor Tree", um olmo que sobreviveu ao atentado, é outro símbolo, este de esperança e resiliência; no aniversário do atentado, árvores bebé descendentes deste olmo são oferecidas, havendo várias centenas plantadas nos EUA.

Talvez o sítio mais emotivo seja o campo de 168 cadeiras vazias, cada uma inscrita com o nome de alguém que faleceu. As cadeiras mais pequenas são as das crianças, pois no edifício havia um infantário.

April 19, 1995. #weremember #okcnm

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Nota: A árvore mais à direita é a "Survivor Tree"

Que lindo!

Ontem deu-me na telha e fui à J. Crew. Ando a pensar ser como os minimalistas, logo fui comprar mais roupa porque os três armários cheios que tenho são insuficientes para as minhas necessidades. Não é contradição! É que a minha roupa é tipo Energizer bunny e dura, dura... Tenho de fazer uma avaliação e desfazer-me das peças que já não valem a pena -- vou dar a uma loja de caridade.

Ah, mas não era nada disto que eu vos queria dizer. Fui à J. Crew e a montra falava em tecidos portugueses!


Sem apelo nem agravo

O poder tirânico é definido como um poder arbitrário e significava originalmente que o governo não tinha de prestar quaisquer contas. Ainda que seguindo por um caminho diferente, a burocracia chega ao mesmo resultado. Em vez das decisões arbitrárias do tirano, deparamo-nos com procedimentos universais estabelecidos ao acaso, mas contra os quais também não há apelo. Segundo Hannah Arendt, do ponto de vista dos súbditos, a rede de normas em que se encontram presos é muito mais perigosa e mortal do que a simples tirania arbitrária.