Kurt Lewin nasceu em Mogilno, na província prussiana de
Posen (fica na actual Polónia). Morreu em 1947, em Newton, Massachussetts.
Doutorou-se na Universidade Berlim. Foi um professor muito popular em Berlim,
em especial junto do sector feminino, segundo rezam as crónicas. Os seus
primeiros interesses diziam respeito à memória e à percepção e, por extensão, à
psicologia da criança. Admirava Galileu e tentou pensar a psicologia em termos
de física, adoptando as noções de campo de forças, sistemas de tensão, fontes
de energia, etc. Em meados dos anos 30, com a ascensão do nazismo, este
cientista judeu alemão fugiu para os EUA.
Lewin fez parte do grupo de centenas de cientistas e investigadores alemães que a partir dos anos 40
transformaram as universidades americanas, fazendo delas as melhores do mundo. Provavelmente, nunca
um pequeno país (a Alemanha) havia tido uma influência cultural e científica desta dimensão sobre um país tão grande – os EUA, nunca é demais relembrá-lo, têm o dobro
da área da Europa, se excluirmos destas contas a Turquia e a Rússia. Bem, talvez se possa comparar este fenómeno à influência cultural dos gregos sobre os romanos, mas deixemos isso para quem percebe mais do assunto.
Curiosamente, Lewin teve dificuldades em entrar na
universidade de Cornell. Percebeu que, nessa altura, já vingava a máxima que
regula a vida académica americana, to
publish or to perish, publicar ou perecer. Começou a publicar os seus
trabalhos e lá conseguiu colocação na Universidade do Iowa. Entretanto atraiu
alguns dos seus antigos alunos e muitos outros estudantes brilhantes.
Lewin seguia a máxima: “Nada é mais prático do que uma boa
teoria”. Na realidade, nunca se tornou um teórico de referência, mas lançou as
bases de muitos desenvolvimentos teóricos que viriam a seguir. Nos anos 40,
interessou-se pela investigação dos grupos, cunhando essa área como “dinâmica
de grupo”. Por exemplo, acho particularmente interessantes
os seus estudos (e da sua equipa) sobre a liderança em grupos de escuteiros. Aplicando
a observação participante, começou por comparar a liderança autoritária à
democrática. Mais tarde, introduziu a liderança laxista (laissez-faire).
Conclusões? A liderança democrática era a que proporcionava maior satisfação e motivação aos membros do grupo. Todavia, a autoritária
era a que levava a maior produção, apesar dos escuteiros se tornarem mais
agressivos, inquietos, sem iniciativa, desconfiados e propensos a criar bodes
expiatórios para todas as falhas e fracassos que surgiam. A liderança laxista era a que
produzia piores resultados, tanto em termos de satisfação e motivação como de
produção.
Outro dado curioso é a transição de um sistema para outro.
Do laxista para o autoritário, os escuteiros ficavam assustados e perturbados.
Mais interessante: a transição da liderança autoritária para
a democrática (que era bem-vinda) demorava muito mais tempo a estabilizar que a inversa. Lewin
explicou porquê: “a autocracia é imposta ao indivíduo, mas a democracia tem de
ser por ele aprendida”.
Moral da história? Pode ser mais fácil e rápido passar de
uma democracia para uma autocracia do que o inverso. Eu sei, eu sei, é apenas
uma investigação sobre um grupo específico (escuteiros), mas vale sempre a pena
relembrar estes estudos aos que nasceram ontem.