Um blogue de tip@s que percebem montes de Economia, Estatística, História, Filosofia, Cinema, Roupa Interior Feminina, Literatura, Laser Alexandrite, Religião, Pontes, Educação, Direito e Constituições. Numa palavra, holísticos.
sexta-feira, 30 de junho de 2017
Uma Portaria de Milhões de Euros
Bom e mau
"All feelings that concentrate you and lift you up are pure; only that feeling is impure which grasps just one side of your being and thus distorts you. Everything you can think of as you face your childhood, is good. Everything that makes more of you than you have ever been, even in your best hours, is right. Every intensification is good, if it is in your entire blood, if it isn’t intoxication or muddiness, but joy which you can see into, clear to the bottom. Do you understand what I mean?"
~ Rainer Maria Rilke, "Letters to a Young Poet"
quinta-feira, 29 de junho de 2017
Homem à beira de um ataque de nervos
"The encounter, described by four people familiar with what happened, was so explosive that Kushner approached Peterlin afterward and told her that Tillerson’s outburst was completely unprofessional, according to two of the people familiar with the exchange, and told her that they needed to work out a solution."
Fonte: Politico.com
Parece que o problema é que Tillerson está mal acostumado e acha-se um grande carapau de corrida:
"It was the loudest manifestation yet of how frustrated Tillerson is in his new role. He has complained about White House attempts to push personnel on him; about the president’s tweets; and about the work conditions in a West Wing where he sometimes finds loyalty and competence hard to come by. Above all, the former ExxonMobil CEO, accustomed to having the final word on both personnel and policy in his corporate life, has balked at taking orders from political aides younger and less experienced than he is."
[...]
Tillerson’s frustration with White House meddling began early and has been a persistent issue. “He went into this with a very negative attitude towards the White House,” said a former senior State Department official familiar with his thinking, who recounted that during the transition, Tillerson opposed a candidate proposed by Trump’s team simply on the grounds that Trump’s team was proposing him.
He has sometimes conducted talks with potential job candidates without telling the White House, said one person familiar with his actions. Tillerson has told senior officials that Trump promised him autonomy, and that he wanted it, according to people who have spoken to him.
Fonte: Politico.com
Que alívio!
"O governo suspirou de alívio, pelo menos para já. Depois da tragédia dos fogos, a popularidade de António Costa não foi beliscada. Pelo menos é esse o resultado das primeiras análises dos “focus group” encomendadas pelo governo na sequência dos incêndios."
Fonte: Jornal i, 29/6/2017
Bendito controle do défice!
quarta-feira, 28 de junho de 2017
Perguntas sem resposta...
A de bartender tem 77%, o que não compreendi de todo. Então uma pessoa vai a um bar para descontrair e ter sempre alguém com quem falar de coisas banais -- o bartender é sempre o conversador de último recurso --, como é que faz isso com o robot? Já sei que posso ter uma conversa com a Siri do meu iPhone, mas ela nem acerta quando eu lhe peço para tocar os Wham! (OK, pronto, viva o progresso! Pedi agora e acertou, quando não me tinha acertado há uns meses.)
Para testar o meu ponto novamente, perguntei à Siri algo pessoal: "Are you gay?" Perguntei porque não sabia se havia de perguntar do namorado, namorada, marido, ou esposa. Responde-me a Siri, bruscamente: "We were talking about you, not me, Rita". Mas eu sei se sou gay ou não, logo não é um tópico que me interesse. (Também não estou a ser muito razoável, pois se fosse um bartender a sério não perguntaria isso, mas nos filmes o pessoal vai para os bares queixar-se dos parceiros e ocorreu-me que eu não sabia que parceiro teria a Siri e a palavra "gay" é mais curta do que a palavra "straight" e não pensei que a Siri levasse a mal.)
Tentei outro caminho e perguntei de forma politicamente correcta: "How's your significant other?" e ela responde-me "Who, me?" Nem faz sentido esta resposta! Mudei de assunto e fiz mais outra pergunta: "Would you like to be a bartender?" E responde-me ela "I really have no opinion." Com conversas deste nível, os bares robotizados irão à falência...
Se eu quiser que me inventem uma bebida, vou pedir ao robot? Mas que robot é que iria inventar o Sex on the Beach, Long Island Iced Tea, ou o Grasshopper? Perguntei à Siri se me podia inventar uma bebida e ela fez uma busca da pergunta no Bing e apresentou-me os resultados. Ficámos conversadas.
terça-feira, 27 de junho de 2017
O nosso falhanço
No programa de rádio Sinais, de Domingo, falava-se de uma reportagem publicada no JN (não sei se é Jornal de Notícias ou de Negócios) acerca das pessoas de Soito, que foram atingidas pelo fogo no ano passado e que ainda não receberam apoio. Também se mencionou que em Pedrógão Grande, o apoio psicológico não chegou, apenas havia apoio psico-social pedido pela própria autarquia e prestado por Fuzileiros.
Estamos a falhar como sociedade e os "erros" de PPC não são a causa do falhanço: são apenas um sintoma.
segunda-feira, 26 de junho de 2017
Trovoadas e dificuldades
What have I got to do to make you love me
What have I got to do to make you care
What do I do when lightning strikes me
And I wake to find that you're not there
What do I do to make you want me
What have I got to do to be heard
What do I say when it's all over
And sorry seems to be the hardest word
It's sad, so sad
It's a sad, sad situation
And it's getting more and more absurd
It's sad, so sad
Why can't we talk it over
Oh it seems to me
That sorry seems to be the hardest word
Luto
Só para verem o quão chegada eu era à minha avó, basta saberem que a minha primeira grande discussão com os meus pais, quando eu tinha uns sete anos, foi eu a argumentar que eu não era filha da minha mãe: dizia-lhes eu, com toda a veemência que se pode ter aos 7 anos e provavelmente com os olhos muito arregalados, prestes a engolir o mundo, como anos mais tarde me diria a minha mãe que eu faço quando discuto com alguém, que a minha avó é que era a minha mãe pois era a pessoa que cuidava de mim. Eu era filha da avó; não era filha da mãe...
Coitada da minha mãe; era um bocado injusto ter ouvido aquilo porque a minha avó adorava-me tanto que basicamente me tirou à minha mãe e a minha mãe, que andava tão stressada e não sabia para onde se virar, entre trabalho, marido, mãe, filha, e doença, não se intrometeu entre mim e a minha avó. Nesse luto, talvez ir para casa das primas tivesse ajudado a minha mãe também, pois durante alguns dias não precisava de se preocupar com as filhas, enquanto vivia o luto da perda da sua mãe. Não sei bem o que ela sentiu, mas agora que penso nisso, tenho pena de não lhe ter perguntado como é que foi o luto dela. Depois das pessoas morrerem, há tantas perguntas que aparecem e que ficam por responder. Também nunca lhe perguntei a sua cor preferida, mas acho que devia ser azul.
No ano a seguir, morreu o meu avô, mas eu não era a preferida dele e ele nem era muito próximo de mim, se bem que tivesse maior afinidade com a minha irmã, só que ela era uma criança muito mais feliz do que a macambúzia da Rita, que parecia viver um drama constante, separada do mundo real, em que as pessoas frequentemente lhe diziam que era triste e aborrecida, para além da banalidade de ter olhos e cabelos castanhos. (Os adultos dizem cada parvoíce às crianças que até as crianças percebem que os adultos são parvos.)
Apesar de morar connosco desde que ficara incapacitado de viver sozinho, os meus pais acharam que a morte do meu avô não me afligiria muito e pude ficar em casa e viver o luto da família, que consistia em a minha mãe vestir preto por uns dias e não se ligar a televisão, nem se tocar música. Lembro-me de a minha mãe e as vizinhas conversarem acerca do número de dias que era adequado para se observar o luto, mas não me recordo da resposta.
Os meus pais enganaram-se. Depois do meu avô morrer, ganhei uma fobia temporária e durante alguns anos não consegui tocar em nada que pertencia ao meu avô ou à minha avó. Tinha medo dos objectos das pessoas mortas, especialmente do chapéu que o meu avô tinha usado. Por vezes, ficava parada a olhar para as coisas e a pensar, com um ligeiro nó na garganta, que não lhes podia tocar. Nunca disse a ninguém na altura que tinha esse medo. Percebi desde cedo, que não convém partilhar os nossos medos com os outros, especialmente quando somos pequenos e as pessoas grandes parecem tão complicadas e não nos oferecem grandes evidências de saberem o que estão a fazer.
É muito difícil controlar a nossa reacção a tragédias porque não obedece à lógica e muitas vezes ilustram mais os nossos medos do que outra coisa. O que é a reacção normal? Às vezes nos funerais, vê-se as pessoas a chorar e a falar com os mortos. Isso aconteceu no funeral da minha mãe, em que uma das suas melhores amigas ficou muito emocionada e, a certa altura, encontrei-me entre o caixão da minha mãe e a amiga a consolá-la e achei um bocado estranho estranho estar ali a vê-la ter uma reacção que eu nunca teria. Muitas vezes não sei como reagir, mas tenho medo de reagir mal e então fico num estado de suspensão, à espera que as coisas mudem até me sentir mais confortável e à vontade para reagir.
No dia do enterro, a minha mãe estava no meio da sala, no mesmo sítio onde estivera a mãe dela. Eu lembro-me de estar ali com a minha avó e de pedir à minha mãe para me deixar ver a cara da minha avó. Mas com a minha mãe não consegui olhar para a sua cara; depois do enterro pensei que talvez tivesse sido um erro. Talvez eu aos nove anos, com a minha avó, que foi a minha primeira perda e o meu primeiro luto, tivesse tido uma reacção melhor do que a que tive 24 anos mais tarde...
Com a cobertura da tragédia de Pedrógão Grande, anda tudo com os nervos em franja, e não há reacções que agradem a toda a gente; é como se o país estivesse numa competição de luto, em que cada um acha que sofre mais e melhor a tragédia do que o outro. Talvez fosse bom que as pessoas pudessem ir para casa de uns primos espairecer, ou desligar a TV, os computadores, e telemóveis por uns dias. Será que não há uma regra de etiqueta que se aplique ao luto moderno?
Perdas e chuva
Hoje apeteceu-me ouvir Tori Amos, "Northern Lad", de "From the Choirgirl Hotel", talvez porque fala de perdas, mas também fala de chuva...
domingo, 25 de junho de 2017
O working man
Os empregos que tem são blue collar, duros fisicamente, e, sendo ele obeso, comendo mal, e não se cuidando muito bem, já tem problemas no corpo. Tem artrite, de vez em quando desenvolve tendinite, etc. Diz-me sempre que é desta que vai fazer dieta, vai deixar de beber bebidas gaseificadas, vai fazer exercício, mas esses planos futuros nunca se materializam num presente. Meses atrás, recebi notícia de que, finalmente, os planos eram mesmo seguros, havia sucesso garantido, assim que melhorarasse de saúde. Nos três meses anteriores, ele que se queixa do estado papá, tinha ficado incapacitado e teve de pedir "food stamps" e Obamacare. Tinha de fazer uma operação ao ombro antes que Trump fosse presidente, mas não fez porque diz que o enganaram quando foi comprar seguro de saúde e não comprou um que estivesse dentro do Obamacare: ou seja, comprou um caro sem grandes benefícios.
O último emprego de que me falou foi um de principiante num talho, onde ficou menos de um ano. No emprego anterior, chateou-se com o gerente porque estava com problemas nos ombros e não o deixaram trocar de função. Despediu-se no momento, sem ter poupanças, alternativa de emprego, ou seguro de saúde. Quando conseguiu o emprego no talho, chateou-se porque não lhe deram um emprego melhor, mas ele nunca tinha trabalhado com carne. Eu disse-lhe que era um princípio, ele podia fazer disso aquilo que quisesse, se se investisse pessoalmente no emprego. Não fui muito simpática quando lhe disse isto porque ele está nesta situação por escolha própria. Um homem formado podia perfeitamente sair dali e ir ensinar no secundário ou regressar à universidade e fazer um mestrado.
Ficou chateado comigo e com a minha "straight talk", mas alguns dias depois regressou e disse que eu tinha feito bem em malhar nele. Decidiu que ia manter uma mente aberta no talho e que o objectivo dele era eventualmente estudar e, daqui a dois anos, submeter-se aos requisitos para ser inspector de carne na USDA. Achei um plano bom, até lhe disse mais tarde que, quando se candidatasse à USDA, podia dizer que, como tinha trabalhado mesmo no manuseio de carne, teria uma perspectiva mais rica de quais os problemas que podiam ocorrer e de como conversar com as pessoas nesses empregos. Ele achou que eu era genial e que devia ter mais pessoas como eu a falar com ele.
Mas ser genial com os amigos não adianta nada: ele ainda está na mesma situação, pois desistiu do talho...
sábado, 24 de junho de 2017
Respeito pela propriedade privada
Morder a bala
sexta-feira, 23 de junho de 2017
Eu não sou comunista
Mas tudo isto tem explicação fácil: ignorância.
Desculpem a arrogância, mas é mesmo assim.
Cuidem-se!
Sendo assim, é mais honesto as pessoas terem noção de que o sistema falha e, quando falha, pode morrer alguém. Ou seja, cuidem-se e não contem com o estado português para vos salvar a vida de incêndios.
