Rígido, o precipício abre suas mandíbulas gélidas sob
os frenéticos passos do fugitivo, trágico.
Um blogue de tip@s que percebem montes de Economia, Estatística, História, Filosofia, Cinema, Roupa Interior Feminina, Literatura, Laser Alexandrite, Religião, Pontes, Educação, Direito e Constituições. Numa palavra, holísticos.
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sexta-feira, 2 de junho de 2017
Coisas esdrúxulas 5
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
Coisas esdrúxulas 79
O escravo teme o fugivário. É natural. Apanhado, o escravo fugitivo será açoitado, rasgado com ferros, pregado na cruz erguida na Via Ápia. As chagas não confortará o zéfiro, vento suave de ocidente, todos os ventos serão ardíferos. As úlceras não aliviará Júpiter, o deus distrai-se também com coisas assim. A Plutão será dado, Plutão o rico, a morte desfaz tantos e os infernos são populosos. Pois asténico exalará o escravo em breve o sopro cógnito, o final. O sopro gélido ao encontro das profundezas vaporíferas. E não lhe valerão os discursos de Epicteto, o Enchiridion, as compilações de Lúcio Flávio Arriano. Não será feliz desejando que as coisas se produzam como se produzem, não pretendendo que ocorram como quereria, porque em verdade pretenderia outro desfecho. Não se libertará desprezando as coisas que dele não dependam, nada desejando, porque em verdade desejaria outras coisas. Não se sentirá uma parte de tudo tal como a hora é uma parte do dia, porque em verdade o sofrimento separa, individua. É adequada só esta frase única que diz que para o ser racional apenas o que é contrário à razão é insuportável. É insuportável a dor.
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
Coisas esdrúxulas 92
É cheia de peripécias a vida do pícaro.
domingo, 10 de julho de 2016
Coisas esdrúxulas 18
(Para entreter os que não vão à missa enquanto não chega logo)
quarta-feira, 25 de maio de 2016
Coisas esdrúxulas 34
Num cão ganindo reconheceu Pitágoras, o da coxa dourada, a voz de um finado amigo. Não porque falasse com animais e plantas, ainda que o fizesse. Nem porque praticasse artes mediúnicas, ainda que filho de Apolo, dizem, fosse. Verdadeiro como a Pítia, Pitágoras sabia não apenas quem era mas quem fora. Viveu várias vidas, foi várias pessoas, de todas se lembrava com minúcia. Lutou na guerra de Tróia antes de descobrir que tudo é número. Regateou nos mercados gregos antes de percorrer o Egipto. Ocupou-se como cortesã, e bela, antes de ouvir a música das esferas. Não lhe terá, pois, custado deixar morrer de fome o corpo, outra vida esperaria, outra identidade. Uma vida terrena ainda, não galáctica, com um nome, um rosto, um sexo e uma actividade, vólucres embora. Talvez um lobo, bicho antagónico. Ou uma fava, à mesa interdita. Bípede ou quadrúpede, animal ou vegetal, lembrar-se-á Pitágoras de ter sido Pitágoras e ser nesta hora em que se lembra outra coisa. Saberá que já não é Pitágoras, o da coxa dourada, e que o Pitágoras que foi é agora um teorema apócrifo.
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
Coisas esdrúxulas 90
Ulisses, o irritado, Odisseus, filho da cólera, deixou a paz doméstica, o tálamo e as carícias e provou-se na guerra de Tróia prudente e astuto.
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