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terça-feira, 16 de outubro de 2018

Genial outra vez

Que João Galamba seja o novo Secretário de Estado da Energia. Dá vontade de re-escrever o Casablanca: "Of all the idiots in the Socialist Party, they had to pick this one..." Como disse antes, ou não há gente melhor do que isto, ou há falta de vergonha.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Organização energética

Tenho andado a tentar ser mais organizada, como tal tenho uma folha de cálculo para o orçamento lá de casa. Uma das coisas que lá está é o consumo de energia semanal. Um dia destes, até sou capaz de fazer umas regressõesitas para ver o que os dados dizem quando espremidos. Hoje recebi o email com a conta de electricidade e fui lá meter os números no Excel. Notei que paguei em média $0.129/KWh. Sei que é mais caro porque escolho usar electricidade 100% vinda de fontes renováveis, i.e., solar e eólica.

Como eu sou ambientalista, não me importo de pagar mais pela energia, pois se a energia de fontes menos limpas custasse o que custa ao ambiente (custo social), o seu preço seria mais alto. A diferença entre o custo social e o preço de mercado corresponde às externalidades negativas da produção de energia. Esses custos sociais derivam da poluição do ar, água, e solo, aumento de doenças respiratórias, etc. Alguns desses custos são capturados por impostos, mas nem todos. Notem que não há verdadeiramente energias perfeitamente limpas porque até a energia eólica, por exemplo, causa a morte de pássaros, ruído, estraga a vista paisagística, etc.

Mesmo sendo-se ambientalista numa terra que não acredita em política ambiental, como é o caso do Texas, há lugar à escolha no consumo de energia verde. Fui à página Power to Choose, meti o meu código postal (77401), e procurei planos de electricidade que correspondessem ao que me interessava, i.e., 100% renovável, e depois vi que preços havia disponíveis, a duração dos contratos, se os preços eram fixos ou variáveis, etc. Também fui ver se a minha companhia actual oferecia um plano melhor do que o meu. Tinham um a $0.084, com preço fixo por 9 meses e eu gosto de preços fixos. Achei razoável e dei indicação que queria esse contrato. Nos próximos 9 meses, as minhas contas de electricidade irão ser mais baixas.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Irão ou não?

Os EUA se calhar vão ter um acordo executivo com o Irão para limitar o programa nuclear iraniano. Em troca, aliviar-se-ão as sanções ao Irão. Os Republicanos não gostam; acham que é um péssimo acordo, que o Irão irá violar o acordo, e que Barack Obama subverte a Constituição porque quer um tratado sem submeter o documento aos requerimentos de um tratado.

Vale a pena ver qual a diferença entre um tratado e um acordo na lei americana e que pode ser consultada na página do Departamento de Estado americano. De acordo com a Constituição, um tratado é um acordo internacional que obtém uma maioria de dois terços no Senado. Os acordos que não obedecem a essa maioria, mas que são implementados por força constitucional, são "acordos internacionais" ou comummente designados por "acordos executivos". [Note-se que o Congresso americano é composto por duas câmaras: o Senado, que tem 100 senadores, e a Casa dos Representantes, que tem 435 representantes. Cada estado americano tem dois senadores; o número de representantes por estado depende da população de cada estado, que está dividida por distritos.]

Uma parte integrante deste acordo é a inspecção permanente das instalações nucleares iranianas. Estas inspecções serão não só detalhadas, como muito frequentes. Segundo o que foi dito no programa da Diane Rehm, para o Irão construir uma arma nuclear, i.e. violar o acordo, teria de o fazer no espaço de semanas. Qualquer indicação de violação do acordo traria imediatamente a imposição de novas sanções ao Irão.

Os efeitos mais imediatos deste acordo ser conseguido serão no preço do petróleo. De acordo com Neil Atkinson, citado no blogue do Houston Chronicle dedicado ao petróleo, o Irão pode disponibilizar cerca de 40 milhões de barris de petróleo num curto espaço de tempo, ou seja, o preço do petróleo tem o potencial de baixar. O West Texas Intermediate pode baixar para $50/barril; neste momento está a $52.89.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Estratégia falhada

Amanhã, dia 25 de Janeiro, é o último dia do North American International Auto Show deste ano, que se realiza em Detroit. Desta exposição, a mensagem que devemos levar para casa é que há muito boa gente a tentar produzir um carro eléctrico e este exercício aproxima-se cada vez mais de ser uma realidade. Não sei se repararam, mas a Ikea já tem estações de recarga de veículos eléctricos no Reino Unido e nos EUA. Acho que podemos afirmar que estamos a caminho de transferir parte da nossa procura de energia de produtos derivados do petróleo para a electricidade. Para Portugal, isto pode ser extremamente positivo, pois dados os investimentos massivos em tecnologias de energia renovável, trocarmos carros a gasolina e gasóleos por carros eléctricos, por exemplo, irá reduzir as nossas importações de petróleo. Para o estado português, é bom que se prepare para esta realidade, pois a receita de impostos irá dar um mergulho.

Em Agosto de 2014, o Wall Street Jornal dizia que o preço do petróleo não mais iria ser menos de $100. Hoje sabemos que o WSJ escolheu o estudo errado para noticiar. Na primeira metade de Janeiro deste ano, o Principe Alwaleed bin Talal da Arábia Saudita disse que nunca mais o barril de petróleo iria valer $100. Com a morte do Rei Abdullah da Arábia Saudita, muita gente questiona se a estratégia de preço baixo do petróleo irá ser mantida. A resposta é clara agora: a OPEC está prestes a perder uma grande parte do seu mercado. Foi uma estratégia errada ter deixado os preços do petróleo tão altos durante a Grande Recessão, pois isto atrasou a retoma, mentalizou os consumidores para conservar energia, e aumentou a competitividade do investimento em produtos que usam energias alternativas. E claro, também foi uma prenda para quem queria investir em fontes alternativas de energia.

A Arábia Saudita é um dos países com menor custo de extracção de petróleo, logo pode suportar preços muito baixos e ainda assim fazer lucro. De acordo com a Energy Information Administration, o custo médio de extracção de um barril de petróleo no Médio Oriente é de menos de $20, nos EUA é de sensivelmente $35, na América do Sul um pouco mais de $25, e em África cerca de $45 (preços medidos em dólares americanos de 2009). A China tem recentemente andado muito interessada em África, logo não podemos descartar a hipótese de a China tentar investir em África para produzir petróleo a custos mais económicos. (Não é agora surpreendente que a China se tenha interessado em investir na EDP.) O preço de petróleo desceu abaixo de $50/barril, mas ainda está acima de $46--a estes preços já há muitos produtores aflitos, logo estamos a chegar a um ponto de maior incerteza, em termos de potencial de baixa de preços. Mas devemos estar cientes de que os Saudis finalmente aprenderam a lição de que a única maneira de prolongarem o negócio a longo prazo é sacrificarem o curto prazo.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O preço do petróleo

Hoje, a Delta Airlines anunciou resultados trimestrais que surpreenderam o mercado pela positiva. Mas este ano não vai ser tão bom como poderia ser. A perspectiva que a Delta Airlines tinha era uma de subida de preços de energia e, como tal, as suas estratégias de hedging eram baseadas em posições longas. Como os preços de petróleo desceram, a companhia acabou com contractos que a comprometem a pagar um preço significativamente mais alto do que o preço spot. Presume-se que os custos desta estratégia ascenderão a mais de US$1,3 mil milhões. Ao ouvir a notícia, fiquei curiosa acerca da estratégia de hedging usada pela TAP. Se houver um jornalista curioso, este tópico seria bastante interessante.

Ao contrário do que as pessoas pensam, o aumento de produção de petróleo não aconteceu de um dia para o outro. O investimento na tecnologia de extracção de energia de xisto começou a ser apoiada pela administração Bush (pai). Já há cerca de ano e meio, era visível que os EUA estavam posicionados para ter petróleo barato, pois o petróleo era tanto que o aumento do transporte ferroviário aumentou 400%, e até havia dificuldade em encontrar sítios para armazenar tanto produto. Quem prestasse atenção aos relatórios da Energy Information Administration veria que as expectativas que o mercado tinha estavam a divergir da informação fundamental do mercado, logo era inevitável uma eventual correcção nos preços.

Mas não foi só o lado da oferta que depreciou os preços. Durante a recessão, houve várias mudanças no comportamento dos consumidores americanos: o tamanho dos carros diminuiu e a eficiência energética aumentou, há menos jovens a comprar carro, a distância de comuta para o trabalho encurtou, e os consumidores estão hoje em dia mais atentos aos seus gastos com gasolina e gasóleo. Isto também era visível há mais de ano e meio.

A única surpresa que se verifica agora é o comportamento da Arábia Saudita. Tradicionalmente, a OPEC reage a uma descida de preços com uma diminuição da produção, mas como quase todos membros não são muito disciplinados, acabam por não cumprir o que prometem. A Arábia Saudita é o membro que faz o ajustamento e reduz a produção, absorvendo assim o choque e suportando os custos da estratégia. Desta vez, os Saudis surpreenderam o mercado por não cortarem a sua produção. O objectivo é mesmo levar a que alguns produtores de petróleo nos EUA vão à falência. Este ajustamento ainda está em curso.

Sabemos que, a curto prazo, os produtores americanos poderão suportar algumas perdas; mas, no longo prazo, os custos fixos terão de ser cobertos para que as empresas continuem em operação. Por outro lado, o que diferencia a tecnologia de extracção em xisto é o facto de ser muito barato mudar de local. Isto implica que quem tem acesso a mais terra, pode procurar os sítios onde os custos de extracção sejam mais baratos. Já a tecnologia tradicional de usar poços de petróleo não tem tanta mobilidade. Ou seja, é natural que o mix de tecnologia mude: haja mais produtores que usam poços a ir à falência do que produtores que usam fracturação hidráulica.

Também devemos ter em atenção os custos ambientais. A extracção em xisto é intensiva no uso de água, causa tremores de terra, e poluição. Ainda não é claro quais os custos totais da tecnologia para o ambiente e para a saúde pública, mas o estado de Nova Iorque já anunciou que vai banir o fracturação hidráulica.

Entretanto, os americanos já semearam as sementes para a seguinte revolução energética. Durante a recessão, investiram fortemente em energias alternativas. Daqui a cerca de 20 anos, os EUA estarão mais uma vez posicionados para colher esses frutos.