Um blogue de tip@s que percebem montes de Economia, Estatística, História, Filosofia, Cinema, Roupa Interior Feminina, Literatura, Laser Alexandrite, Religião, Pontes, Educação, Direito e Constituições. Numa palavra, holísticos.
terça-feira, 15 de setembro de 2015
Actualização do site: Are we Going Greek?
For whom the bell tolls
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Tecnologicamente atrasado...
A tecnologia é uma faca de dois gumes. Por um lado permite-nos ser mais "produtivos", se a sabemos usar; mas por outro também serve para esconder falhas no sistema, especialmente quando a dita produtividade não é medida. Vou dar-vos dois exemplos: um português e outro americano.
Numa conversa com um amigo português, ele disse-me que sabia de pessoas que utilizavam Microsoft Excel para criar tabelas, mas os totais na tabela eram calculados com uma máquina de calcular. Essas pessoas não sabiam que o Excel tem fórmulas que permitem ao utilizador fazer cálculos directamente nas células da folha de cálculo. É por isso que se traduziu, e muito bem, o termo "spreadsheet" como "folha de cálculo", em português. O que está em causa aqui é ignorância e falta de treino adequado das pessoas.
No outro exemplo, o americano, já há uma tentativa deliberada de usar a tecnologia para esconder a incompetência da pessoa. Uma amiga minha contou-me a história da sua professora, uma senhora que já tinha o estatuto de "Professor" numa universidade americana, mas que não sabia usar o computador senão para ver o email, fazer buscas na Internet, e escrever em Microsoft Word. Não sabia usar o famigerado "Microsoft Excel", nem nenhum outro software de análise quantitativa, como por exemplo SAS, que é muito comum em universidades nos EUA, especialmente em Economia. Para esta pessoa, um computador básico serviria perfeitamente; mas quando ela foi para comprar um computador, ela quis um computador potente e caro, que estivesse ao nível dos computadores dos professores que faziam análise sofisticada. O objectivo era criar a ilusão que ela fazia esse tipo de análise. Felizmente, a Lei de Moore está do lado dos americanos...
Eu acho que há muitas coisas em Portugal que dão a ilusão que as coisas funcionam, mas não funcionam. E essa ilusão custa muito dinheiro a um país que não o tem. Já enviei três emails para a Câmara dos Solicitadores e não obtive resposta nenhuma. Já enviei emails a pedir ajuda por causa do meu cartão de cidadão ter ficado bloqueado e não obtive resposta nenhuma. Já enviei emails à Polícia Judiciária para fazer uma queixa e não obtive resposta nenhuma. Responder a um email deveria ser uma coisa perfeitamente trivial. Eu pergunto-me: se a prática é não responder a emails, para quê criar a ilusão que se responde a emails? Para quê criar estes formulários nas páginas da Internet se eles não são usados? Todos estes recursos custam dinheiro a criar e têm um retorno negativo: fazem os cidadãos perder tempo e esforço numa coisa que não produz resultados e criam a ilusão que funciona, quando na realidade não funciona.
O João Cerejeira da Silva ilustrou o uso ubíquo da palavra confiança nestas eleições. A única confiança que eu tenho é que quem governa e quer governar Portugal não tem o mínimo de respeito pelos portugueses. Esbanjar recursos que o país não tem é criminoso!
Culpados
domingo, 13 de setembro de 2015
Terror muçulmano
sábado, 12 de setembro de 2015
Sócrates II
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
" How could I be Portuguese?"
~ Johann Hari
Como podem imaginar, estes últimos dias têm sido um bocado deprimentes por causa da situação na Síria--já era e eu até tinha deixado de ouvir a rádio para não ficar muito triste, como se o silêncio alimentasse a ilusão de que não há sofrimento no mundo. Não é só o sofrimento humano que me deprime; também fico triste quando vejo portugueses a dizer que Portugal está prestes a ser invadido por mouros/muçulmanos, como descreveu tão eloquentemente a Sara. Já houve quem me dissesse que os árabes nunca estiveram no noroeste da Península Ibérica, aquilo era só celtas. Portugal não é só o noroeste da península, mas há quem quer que seja. Isto deve ser o complexo da Irlanda--queremos ser irlandeses à força...
Eu podia jurar que Lisboa tinha um bairro chamado Mouraria; as laranjeiras, tão ubíquas nos quintais portugueses, tinham sido introduzidos pelos muçulmanos no que hoje é Portugal; e o Algarve, aquele sítio onde muitos portugueses vão passar férias cá dentro, é chamado assim porque os árabes chamavam a essa região "al Gharb", que significa "oeste" ou "ocidente". Quem está preocupado com a entrada dos mouros em Portugal, já está com vários séculos de atraso: antes de haver Portugal, já havia mouros no que haveria de ser Portugal. Ser português é ser parte mouro e quem rejeita a sua ancestralidade moura, rejeita ser português.
Na segunda-feira foi o Labor Day por estas partes e eu estava um bocado triste com tudo isto. Peguei no iphone, abri o Facebook, e apareceu um seminário TED. Abri a página e o primeiro seminário que me interessou foi acerca de como identificar má informação na Internet, do Markham Nolan. Agora que penso nisso, o sr. Nolan até é irlandês; devia ser a minha ancestralidade celta a puxar por mim...
Os vídeos TED são como as cerejas, não pode ser apenas um. O segundo vídeo era sobre vício e chamava-se "Everything you know about addiction is wrong". Comecei a ver e, a certa altura, o orador, o Johann Hari, fala em Portugal, de como é o único país do mundo que realmente descriminalizou o consumo de drogas. Essa parte eu sabia--quase toda a gente nos EUA pensa que a Holanda tem a política mais liberal no que diz respeito a drogas; mas não, é Portugal.
Mais tarde recordei-me de um episódio que tem exactamente 20 anos. Uma das primeiras pessoas que eu conheci nos EUA foi um rapaz chamado Michael Silva. Quando ele soube que eu era portuguesa, disse-me que também era português por parte do seu avô, mas era fácil de adivinhar que o era pelo seu sobrenome. Eu perguntei se ele tinha aprendido muito sobre Portugal com o avô e ele disse-me que não, o avô tinha deixado a sua avó quando ela ainda estava grávida. E nesse momento, para mim ser português foi uma coisa triste. Às vezes, magoa ser português.
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
Enviesamentos eleitorais
As impressões que tenho do debate são as das reacções no Facebook: concluo que cada um ouviu o que queria ouvir. Quem tem o enviesamento do PS continua no campo do PS e acha que Costa esteve muito bem; quem tem o enviesamento do PSD continua por lá e acha que Passos Coelho é a encarnação do divino. Depois há quem tenha achado o debate muito aborrecido. Acho mau, ou melhor péssimo e digno de pena, que dois políticos à frentes dos dois maiores partidos de Portugal não consigam produzir um debate interessante nas circunstâncias actuais do país, da UE, e do mundo.
É que Portugal até apareceu na Bloomberg, ontem, num artigo sobre as nações mais envelhecidas do mundo. Portugal ocupará o quarto lugar no ranking em 2050. Neste momento, até é a terceira nação mais envelhecida do mundo, segundo o boneco do artigo.
Viva nós, a medalha de bronze já cá canta!
Ainda os CEOs bem/mal pagos...
Exactamente ontem, também na Bloomberg, relata-se o também o caso de Jeffrey Smisek, ex-CEO da United Airlines, que para além dos resultados desastrosos que teve desde que a United Airlines se uniu à Continental Airlines, deixou que a companhia fosse envolvida num escândalo de corrupção com o Port Authority of New York & New Jersey, do qual vos falei há vários meses.
Smisek tem um "severance package" de $29 milhões, que ainda pode receber desde que coopere com as autoridades na investigação do caso de corrupção e não seja dado como culpado em tribunal.
Sinceramente, estou farta destes gajos, que chegam a CEO. Para obter compensação de milhões de dólares, o mínimo que se exige é que a companhia não seja envolvida em corrupção. Quem não consegue isso, nem merece ser considerado para o cargo.
Não é só a economia
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Mulheres
Uma amiga minha em Portugal uma vez foi a uma entrevista para um cargo para o qual ela era mais do que qualificada. Quando lhe ofereceram o emprego e lhe disseram a compensação, ela achou pouco. A dona da empresa, ela própria mulher, informou a minha amiga que a expectativa era que ela vivesse com um homem, pois assim teria alguém que lhe ajudasse a pagar as contas, ou seja, a própria dona da empresa admitiu que era uma má gerente. Tão má que nem sequer tinha vergonha de ter empregados a ganhar salários de porcaria, apesar de ter receitas suficientes para lhes pagar um salário decente (as receitas do trabalho da minha amiga eram superiores a 10 vezes o salário oferecido).
Depois veio o engodo: se o emprego for declarado às finanças, a pessoa ganha o salário mínimo que, com os impostos "generosos" do estado, não dá para ter uma casa e criar um filho sozinha; mas porque não aceitar o trabalho e não declarar às finanças? Assim não paga impostos e leva mais para casa. Verdade, não paga impostos, nem tem protecção do estado quando a patroa decide não pagar o combinado ao fim do mês.
Atravessemos o Atlântico e visitemos os EUA. Uma outra amiga relatou-me uma outra história. Falou com um antigo colega, uma pessoa do "upper management" de uma empresa do sector de energia, que odeia o seu supervisor. Esse supervisor assedia sexualmente todas as empregadas com menos de 35 anos. Nenhuma ainda se queixou ao Gabinete de Recursos Humanos ou ao Equal Employment Opportunity Office.
Os EUA são um país muito litigioso, mas uma mulher que inicia um processo de assédio sexual corre o risco de ficar marcada, pois quando for a entrevistas pode ser preterida por outros candidatos--o mundo é pequeno, os gerentes de recursos humanos falam uns com os outros, as coisas sabem-se. Quando se é uma mulher jovem, com muitos anos de carreira pela frente, tem de se medir os riscos. Só vale a pena fazer queixa se o assédio é grave e o retorno de um processo em tribunal é significativo. Para casos menos graves, mais vale mudar de emprego ou ignorar.
Há outra possibilidade: outro colega, preferencialmente homem, faz a queixa ao Gabinete de Recursos Humanos. Foi isso que a minha amiga perguntou ao antigo colega: "Porque é que tu não inicias a queixa?" Ele disse que acha que o supervisor está prestes a ser despedido brevemente, sem ser preciso uma queixa formal. Enquanto há vida, há esperança...
Alguém uma vez disse que saberemos que as mulheres estão ao mesmo nível dos homens no mercado de trabalho quando houver tantas mulheres incompetentes em cargos de chefia quanto há homens. Um professor da NYU diz que a Marissa Mayer é a CEO mais "overpaid"--paga muito acima do que merece--desde sempre. Ele tem memória muito fraca porque a história recente está repleta de homens que foram pagos a preço de ouro e levaram as empresas à falência. Diz ele que ela só não é despedida porque está grávida de gémeos. Eu acho isto óptimo! Quantas mulheres são despedidas todos os dias por estarem grávidas ou são encorajadas a não engravidar? Só é pena não haver mais Marissa Mayers, para a distribuição probabilística ser mais simétrica...







