sexta-feira, 15 de abril de 2016

No Tennessee

Nos EUA também há deputados que perdem tempo com coisas estranhas, como um do Senado do Tennessee, Steve Southerland, Republicano, que quer muito que a Bíblia seja o livro oficial do estado -- ele é um "ordained minister". No ano passado, a proposta de lei não passou; mas este ano, voltaram a tentar e foi aprovada. O Governador do TN, Bill Haslan, também Republicano, vetou a lei e demonstrou extremo bom senso pois, na justificação do seu veto, utiliza bons argumentos que têm também a virtude de agradar a gregos e a troianos:

“In addition to the constitutional issues with the bill, my personal feeling is that this bill trivializes the Bible, which I believe is a sacred text,” Haslam (R) wrote in a letter to the speaker of the statehouse.

“If we believe that the Bible is the inspired word of God, then we shouldn’t be recognizing it only as a book of historical and economic significance,” continued Haslam. “If we are recognizing the Bible as a sacred text, then we are violating the Constitution of the United States and the Constitution of the State of Tennessee by designating it as the official state book.”

Fonte: The Washington Post

O Senado ainda pode anular o veto do Governador usando apenas uma maioria simples dos votos. Vamos lá ver até onde irá a idiotice; se continuarem, ainda chega ao SCOTUS, o Supremo Tribunal aqui da terra.

No Longer A Teenager

Ouvi este poema no The Writer's Almanac e pensei em todos vós, pais e filhos. Talvez não o conheçam, mas o apreciem e, por isso, gostaria de vos oferecer a oportunidade de o ler. Podem ouvi-lo aqui, recitado por Garrison Keillor.

No Longer A Teenager
by Gerald Locklin

my daughter, who turns twenty tomorrow,
has become truly independent.
she doesn’t need her father to help her
deal with the bureaucracies of schools,
hmo’s, insurance, the dmv.
she is quite capable of handling
landlords, bosses, and auto repair shops.
also boyfriends and roommates.
and her mother.

frankly it’s been a big relief.
the teenage years were often stressful.
sometimes, though, i feel a little useless.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

TPC mal feito

Alguém se importa de informar os nossos ilustres deputados de que a proposta do Bloco de Esquerda não deve ser considerada no Parlamento? A proposta refere-se ao "Cartão do Cidadão", mas ninguém em Portugal tem um "Cartão do Cidadão". Os cidadãos portugueses têm "Cartão de Cidadão". O "Cartão do Cidadão" só existe na cabeça dos incompetentes do BE.
Custava muito abrir a carteira e verificar que o nome do documento estava correcto, ó génios? Façam mais trabalhos de casa -- vá pratiquem, que isto já não se admite a pessoas com os vossos cargos.

Não querer e não poder

Há tempos um colega, com cinquenta e poucos anos, disse-me que nunca se sentiu atraído pelas alunas. Todavia, descobriu que estava velho no dia em que percebeu que nem que ele quisesse elas já não queriam. 

É complicado...

Este processo de fazer um impeachment a um Presidente no Brasil. Aqui está o guia passo-a-passo da Bloomberg.

E se as mulheres não querem?

Escreveu o Manuel Silva num comentário a um post do LA-C: “vivemos ainda num mundo em que, sendo, grosso modo, metade da população masculina e outra metade feminina, basta ver quem comanda as mais variadas instituições, sejam do poder político, sejam da economia (empresas). Como os críticos da política de discriminação positiva das mulheres não ousam afirmar que estas sejam, nem menos inteligentes, nem tenham qualificações académicas e profissionais inferiores, como justificar a sua ainda grande exclusão dos lugares do topo?”

Boa pergunta. Nestas discussões, ninguém costuma considerar a hipótese de a maioria das mulheres não ter simplesmente grande vontade em ocupar os “lugares de topo”. Não acho esta hipótese disparatada de todo.

Por exemplo, compreendo muito bem que muitas das mulheres não tenham a menor aspiração em ser líderes partidárias. Andar durante anos a bajular e a aturar chefes e caciques locais, ter comportamentos sectários e facciosos, tipo carneiros, não é propriamente uma carreira muito atractiva para pessoas inteligentes, com espírito livre e crítico. Se isto diz alguma coisa sobre as mulheres, talvez seja que a maioria tem mais juízo do que os homens.

Outro dado curioso. Há muitos anos que há mais raparigas (mais de 60%) do que rapazes no ensino superior. Todavia, a maioria das associações académicas e dos cargos de chefia continuam a ser ocupados por rapazes. O que é que impede as estudantes de disputarem estes cargos, se ainda por cima estão em maioria? Onde é que está aqui a discriminação? Talvez a resposta seja simples: as raparigas não disputam e não ocupam esses cargos porque não querem.

Cidadania

Num dos meus filmes preferidos, o "Legally Blonde", há um diálogo onde a feminista advoga que a palavra "semestre" é um insulto às mulheres porque "semestre" começa pelas mesmas letras que "sémen", logo é uma "clara" manifestação de supremacia machista na sociedade. E diz a feminista que vai propor a Harvard que "semestre" se passe a chamar "ovoestre".

Talvez a feminista de "Legally Blonde" seja um dos ídolos do Bloco de Esquerda -- que digo eu? Devia ter escrito "um@ d@s ídol@s" porque o Bloco de Esquerda tem o "Projeto de Resolução 247/XIII" no Parlamento que é, no mínimo, a prova última de que esta gente não sabe o que é ter fome. Estão preocupados com o Cartão de Cidadão dizer "Cidadão" e ofender as mulheres; deveria chamar-se "Cartão de Cidadania". Eu sou mulher e não é o "Cidadão" no cartão que me ofende; é o facto de haver gente com prioridades tão idiotas com assento no Parlamento. Isso é uma grande ofensa, até porque os nossos impostos pagam estas imbecilidades.

Sorriam!

Diz Mário Centeno à Esquerda que não há grande margem de manobra, os tempos são difíceis. O quê, ainda não tinham descoberto? Foram apanhados de surpresa... Não faz mal, "Smile, you're on Candid Camera!"

Não desiste



O Konstantin Wecker deu na semana passada um concerto em Berlim. Está quase a fazer setenta anos, e não desiste: nem da poesia, nem da revolução, nem do amor, nem de acreditar na bondade das pessoas e num mundo que saberemos fazer melhor.

Canta "tenho um sonho / vamos abrir as fronteiras / e deixamos entrar todos / todos os que fogem da fome e da morte /sem deixar ninguém entregue à sua má-sorte"
E fala de partilharmos com eles a casa e o pão, e da tristeza dos ricos que nos vêem sem saber o que se ganha quando se dá. Acredita que a força doce deste sonho pode mudar o mundo, e nós, que o ouvimos, por um momento acreditamos com ele.

Expliquem lá isso melhor...

De acordo com o Correio da Manhã de hoje, o Ministro Vieira da Silva anunciou no Parlamento que em 2015 foram pagos €200 milhões indevidamente em subsídios de desemprego e abonos de família. A parte do subsídio de desemprego até não acho impossível que haja erros num ano porque o desemprego é uma situação temporária e há muito boa gente que faz uns biscates pelo lado.

Mas a parte do abono de família não consigo engolir. Como é que o dinheiro foi pago? Eram crianças que não existiam, mas que receberam? Ou será que os pais disseram que tinham baixos rendimentos, mas afinal ganhavam melhor do que diziam? E porquê só em 2015? O que há de especial nesse ano que despoletou tanto erro? Porque é que não investigaram anos anteriores?

Parece-me sinal de incompetência descobrir um erro deste tamanho num ano e não investigar os anos anteriores. Expliquem lá melhor a lógica da coisa para ver se nós compreendemos melhor.

Os bullies...

A Segurança Social vai voltar a publicar a lista de devedores. A Autoridade Tributária ainda publica. Isto é uma violação da privacidade dos portugueses, que os expõe a crimes de usurpação de identidade, pois os NIFs ficam públicos e na Internet, mas até é aconselhável dar o nosso NIF a qualquer pessoa que nos venda um café. Se eu fosse hacker, pegava na informação e escrevia um software para tentar entrar nas contas dos contribuintes no Portal das Finanças. Tendo o NIF, só falta descobrir a palavra chave.

Brevemente, os cães, os gatos, e as suas pulgas terão mais direitos do que as pessoas na República Portuguesa.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Viva as férias!

O Bloco de Esquerda quer que os trabalhadores do sector privado tenham direito a 25 dias de férias. E para justificar esta medida, invocam o caso da Alemanha. Vejam lá:
É, portanto, o aumento do período de férias sem quaisquer outras condições. Na apresentação do projecto de lei, o deputado José Soeiro argumentou com dados de estudos internacionais que a eliminação de dias de férias e de feriados “não teve nenhum ganho na produtividade e na criação de emprego” em Portugal. Lembrou que os portugueses trabalham em média mais 500 horas por ano do que os alemães e que parte das nove horas diárias de trabalho não são remuneradas.

Fonte: Público

Depois de ler isto, assalta-me uma dúvida: por que razão justifica o Bloco de Esquerda trabalhar-se menos porque a Alemanha trabalha menos quando, no outro dia, o Bloco defendia que Portugal consumisse domesticamente, em vez de exportar? Não haverá aqui uma contradição analítica? É que os alemães trabalham menos -- e até ganham mais -- porque são muito produtivos e exportam coisas caras; eles não trabalham menos porque produzem para eles próprios.

Não percebo como é que estas pessoas dos partidos não sabem arranjar argumentos que sejam consistentes entre si. Não andaram na escola? Se calhar, tiveram férias a mais e não tinham o hábito de fazer os trabalhos de casa...

"templo"

Há no facebook um grupo que se diverte a fazer uma enciclopédia muito sui generis. Todos os dias é proposta uma palavra, e quem quer dá o seu contributo - seja um poema sobre esse tema, seja uma canção, uma informação, uma fotografia, uma história pessoal. O grupo está cheio de gente que sabe muito de tudo, pelo que eu me limito a falar do que sei: a minha vidinha. A palavra de hoje era "templo", e este foi o meu texto:


Da primeira epístola aos Coríntios, 6:18-20:

"Fugi da fornicação. Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que fornica peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus."

Aquela coisa do corpo como templo do Espírito Santo atormentou-me a infância e a adolescência. Já não me lembro bem, mas parece-me que foi na catequese (ou no livro com uma lista de pecados, que havia na casa da minha avó, e me dava muito jeito para a check list antes de ir à confissão) (o problema era se perdia a minha check list, e os meus irmãos a apanhavam e liam) (é tão triste ser criança! como é possível ficar embaraçada por alguém ler aquela lista de pecadilhos "bati nos meus irmãos / desobedeci aos meus pais / não devolvi um livro que me emprestaram / deixei-me conduzir pela soberba numa discussão com a minha melhor amiga"?) (isto de uma pessoa se sentir embaraçada por tão pouco era tema para ontem, para "segredo": não importa o conteúdo do segredo em si, mas o facto de o seu dono não o querer devassado) foi na catequese, dizia, que me incutiram a ideia deste corpo exterior a mim, que era mais e melhor que eu. A princípio, bem foi: os meus pais que nem se atrevessem a bater no templo do Espírito Santo, até havia uma anedota para essa cena. Mas depois vieram os pecados contra a castidade ("sozinha ou acompanhada?", perguntava o cusco do padre), e aquele sentimento de haver algo errado na obrigação de escolher entre o ser e o dever ser.
Na adolescência, os jovens católicos aprendem uma de duas coisas: ou a afastar-se da Igreja, ou a viver em hipocrisia.

E agora não sei quem mais se alegra: se o Espírito Santo, a dar um suspiro de alívio e a dizer ao São Paulo "eu bem te disse que andavas a precisar de umas valentes sessões de psicanálise" (o Sigmund Freud esfregará as mãos de contente, e o Nathan Ackerman virá juntar-se à conversa - a vantagem da vida depois da vida é que se pode fazer uma terapia familiar muito catita, juntando todas as gerações, para descobrir afinal que é Eva quem tem a culpa de tudo), se o diabo, que vai encomendar mais uns bons nacos de banha para fazer de mim rojões à moda do Minho, quando chegar a minha hora.


#TasteofSpain

A Kroger é uma rede de mercearias (supermercados) nos EUA. Sugere-me o Facebook este post da Kroger, onde se sugere comer chouriço espanhol. É curioso mas os espanhóis conseguem enviar para aqui chouriço, apesar de os americanos serem muito cuidadosos com a importação de carne de porco. 

Julgo que foi em 2006, que me confiscaram chouriços na alfândega em Chicago; no aeroporto de Lisboa, tinham-me dito que passava. O mais giro foi o homem da alfândega perguntar se eu tinha pagado com cartão de crédito, eu disse que sim, e ele disse para eu telefonar ao banco e cancelar a transação. Eu tive pena de Portugal e não telefonei, paguei os chouriços e fiquei sem eles...




História gótica


36. A criança não fugiu e Groesken começou a fazer as suas perguntas.