In court papers Melania filed on Monday as part of a libel lawsuit against the parent company of the Daily Mail, she said that the British tabloid and web site, by falsely reporting that she had once worked as a prostitute, caused the first lady to miss “major business opportunities” and “multimillion-dollar relationships.”
[...]
For students of good government, Melania’s lawsuit does have an upside: the discovery process.
Since she is seeking at least $150 million in damages stemming from missed business opportunities, the lawyers representing the Daily Mail should eventually avail themselves of their discovery powers to secure each and every e-mail, communique and document about White House business prospects that the Trump parents and children discussed. They should also subpoena the Trump family’s tax returns and banking records while they’re at it.
If President Trump isn’t inclined to release his tax returns or be more transparent about his business dealings, then maybe the courts can help him along.
Fonte: Timothy L. O'Brien, Bloomberg
Um blogue de tip@s que percebem montes de Economia, Estatística, História, Filosofia, Cinema, Roupa Interior Feminina, Literatura, Laser Alexandrite, Religião, Pontes, Educação, Direito e Constituições. Numa palavra, holísticos.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
Ferradura
Quem com o ferro fere, com o ferro será ferido?
Sem preconceito
And it's hard to love, there's so much to hate
Hanging on to hope
When there is no hope to speak of
And the wounded skies above say it's much too late
Well maybe we should all be praying for time
~ George Michael
terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
Em queda livre
O LA-C disse-me maravilhas do episódio 1 da
terceira temporada da série Black Mirror – o Luís Gaspar também já havia dito o
mesmo no FB. E têm razão. Aquele mini-filme de 1 hora é absolutamente genial.
Num futuro não muito distante, as pessoas classificam-se umas às outras numa
escala de 1 a 5 em quase tudo o que dizem e fazem. Qualquer comentário ou gesto
pode ser classificado imediatamente com um simples clique no telemóvel. O reino ou tirania da likability extravasou as redes sociais online e está agora em todo o lado. A
hierarquia social é formada em função da média que cada um obtém. E a classificação de cada um vai subindo e descendo. As pessoas esforçam-se ao
máximo para ser simpáticas com toda a gente, mesmo com aqueles que se
cruzam esporádica ou acidentalmente , na esperança de obter mais um 4 ou 5. Mais de 4 permite
tratamentos especiais e mais de 4,5 abre a porta a uma série de privilégios. Aos
antissociais, com menos de 2,5, estão vedados alguns direitos. Mas o seu maior castigo é o ostracismo a que são sujeitos. Os outros evitam-nos de todas as maneiras. Escusado
será dizer que quase ninguém fica indiferente a esta pressão social permanente.
Na verdade, este sentimento não é propriamente novo. Como dizia Locke, há mais
de 300 anos, nem um em dez mil conseguiria aguentar o desprezo dos seus vizinhos.
Provavelmente, com as redes sociais online, o que se alterou foi o conceito de
“vizinho” e “amigo”, que se tornaram mais difusos.
Lacie é boa rapariga e esforça-se para agradar aos
outros, inclusive a alguns idiotas e sacanas. A sua classificação anda nos 4,2 e precisa de chegar aos 4,5 para obter
um desconto especial de 20% na renda de uma casa de sonho. Recorre a um
especialista na matéria que lhe explica que tem de ser genuína e aproximar-se
dos líderes, os tais que têm pontuações acima dos 4,5. E Lacie, por exemplo, examina as páginas dos líderes e vê o que eles postam. Beijos apaixonados à beira-mar,
festas, imagens de exercício físico, viagens, comida, etc. É a partir daqui que
começa a queda livre desta rapariga simpática e insegura. Não vale a pena
contar o resto dos pormenores. Mas o filme acaba com um libertador FUCK YOU,
soltado aos berros, e com um sorriso franco nos lábios da personagem principal.
Tocqueville dizia que a paixão pelo bem-estar é a
mãe da servidão. E não há maior prazer do que poder falar, agir e respirar sem
constrangimentos “sob o único governo de Deus e de suas leis”. A liberdade vale
por si própria. Os que a amam verdadeiramente não é pelos bens que ela pode
dar; amam-na por a considerarem um bem tão precioso “que nenhum outro poderia
consolá-los pela sua perda”. De
qualquer maneira, acrescentava o génio francês, temos de renunciar a explicar
este prazer às almas servis e medíocres que “nunca o sentiram”. Lacie deu cabo
da sua pontuação, mas, provavelmente, nada a havia feito sentir tão bem na vida
como aquele FUCK YOU.
A singularidade de Donald Trump
A matemática Cathy O'Neil analisa Trump numa op-ed da Bloomberg: ele é um algoritmo de aprendizagem de máquina.
To make my case, I’ll first explain why Trump can be interpreted as an artificial intelligence. Then I’ll explain why the analogy works perfectly for our current dystopia.
Trump is pure id, with no abiding agenda or beliefs, similar to a machine-learning algorithm. It’s a mistake to think he has a strategy, beyond doing what works for him in a strictly narrow sense of what gets him attention.
As a presidential nominee, Trump was widely known for his spirited, rambling and chaotic rallies. His speeches are comparable to random walks in statistics: He’d try something out, see how the crowd reacted, and if it was a success -- defined by a strong reaction, not necessarily a positive one -- he’d try it again at the next rally, with some added outrage. His goal, like all TV personalities, was to entertain: A bored reaction was worse than grief, which after all gives you free airtime. This is why he could never stick to any script or teleprompter -- too boring.
Fonte: Cathy O'Neil, Bloomberg
O motor de crescimento
A Bloomberg BusinessWeek tem uma colecção de histórias sobre desemprego: cinco pessoas, cinco histórias.
Apresento-vos o exército de desempregados que irá produzir crescimento de 4% a 6% para Trump. Diz quem votou em Trump que a culpa deste pessoal estar assim é do governo federal. Ora quem é que passa leis restritivas de uso de drogas? Quem é que promove políticas que aumentam as taxas de encarceramento para crimes leves? Quem é que corta o financiamento à educação? Quem é que reduz os benefícios para pessoas com deficiências e inválidas? Quem é que discrimina homossexuais?
Estas políticas são seguidas em estados governados por Republicanos e não há qualquer indicação de que não sejam continuadas.
Hoje, espera-se que Betsy DeVos seja confirmada para a pasta de educação pelo Senado, possivelmente com o voto de desempate do Vice-Presidente Mike Pence. DeVos é milionária porque é filha de um milionário. Pelas respostas que deu durante o processo de confirmação no Congresso, não parece ser uma pessoa de grande intelecto, apesar de ter formação universitária. Se ela for uma má escolha, como suspeitam os especialistas da educação, quem será mais prejudicado: os filhos de pessoas com bons empregos e boas carreiras ou os filhos de desempregados e empregados precários?
- Logo na primeira, um jovem que, apesar de bem-parecido, não sabe falar bem, nem sequer fazer contas. É homossexual num sítio onde sê-lo não é bem-visto. Teve empregos, mas teve azares: meteu-se em drogas, morreu-lhe a mãe. Depois de desempregado, acabou na prisão e eventualmente fez um programa de reabilitação.
- Um ex-militar que foi condenado e passou tempo na prisão por dar nome e número de segurança social falsos para obter analgésicos na farmácia. Como as leis americanas têm ficado mais duras, o homem ficou com cadastro criminal o que lhe dificulta obter emprego.
- Um senhor que tem paralisia cerebral, mas que completou a faculdade.
- Um CEO que tem dificuldade em encontrar pessoas qualificadas: muitos dos candidatos falham no teste de uso de drogas.
- Um senhor com um CV excelente, mas que tem 55 anos e possivelmente é rejeitado por causa da sua idade e aparência física, apesar dos potenciais empregadores não o discriminarem activamente por ser ilegal.
Apresento-vos o exército de desempregados que irá produzir crescimento de 4% a 6% para Trump. Diz quem votou em Trump que a culpa deste pessoal estar assim é do governo federal. Ora quem é que passa leis restritivas de uso de drogas? Quem é que promove políticas que aumentam as taxas de encarceramento para crimes leves? Quem é que corta o financiamento à educação? Quem é que reduz os benefícios para pessoas com deficiências e inválidas? Quem é que discrimina homossexuais?
Estas políticas são seguidas em estados governados por Republicanos e não há qualquer indicação de que não sejam continuadas.
Hoje, espera-se que Betsy DeVos seja confirmada para a pasta de educação pelo Senado, possivelmente com o voto de desempate do Vice-Presidente Mike Pence. DeVos é milionária porque é filha de um milionário. Pelas respostas que deu durante o processo de confirmação no Congresso, não parece ser uma pessoa de grande intelecto, apesar de ter formação universitária. Se ela for uma má escolha, como suspeitam os especialistas da educação, quem será mais prejudicado: os filhos de pessoas com bons empregos e boas carreiras ou os filhos de desempregados e empregados precários?
Achismo nunca mais!
Em Portugal nunca ouvi dizer “vai para a tua terra!”
Em Portugal nunca vi uma assembleia inteira votar a favor de dar preferência a estudantes portugueses sobre estrangeiros no acesso a residências universitárias.
Em Portugal nunca ninguém proclamou o seu amor eterno a produtos nacionais.
Hades. Hades!
De vez em quando, lá dou eu uma calinadazita no português e, nessas alturas, julgo que me devo sentir como as árvores se sentem quando uma lufada de ar as desfolha no Outono. Depois entro em modo "Get your shit together and just roll, little lady!" e ponho-me a pensar o seguinte:
Diz o alter ego reflexivo:
-- Ora, ora, já passei mais tempo da minha vida adulta nos EUA do que em Portugal e falo melhor inglês do que o actual Presidente da República dos EUA, que tem 70 anos, e, pensando bem, até falo melhor português do que o actual Primeiro Ministro de Portugal em algumas das suas intervenções públicas. Ou seja, que desculpa têm estes fulanitos e como é que há pessoas que votam neles? Ouve lá, ó Rita catita, tu até sabes a diferença entre "há" e "à"...
Eis que aparece o alter ego da racionalidade:
-- Mais, mais, Rita Isabel! Filha, já viste -- Não é bistes, nem vistes! É viste. -- a quantidade de portugueses que não sabe a diferença entre "ter de" e "ter que"? Até em jornais se vê o erro, ou seja, errou quem escreveu e quem editou: uma vergonha! E o pessoal que nunca passou nenhum tempo no estrangeiro e escreve coisas como "tenha-mos" em vez de "tenhamos"?!? Ai, ai, ai!!! Caiu um santo do altar lá na igreja de Sta. Rita, onde quer que seja a dita! Um erro tão absurdo, que parece impossível alguém cometê-lo... Isto para não falar na restante conjugação de verbos, que é uma grande salgalhada na cabeça de alguns. Correcção! Devia ser salgalhada, mas há quem ache que é salganhada porque não percebe que vem de salgar. Está bem que, de vez em quando, dá-te para erradamente "antecipares", em vez de "ficares na expectativa", mas como se dizia na primária aos putos precoces "Nunca te enganaste? Mais burro..."
Interrompe o alter ego mal-educado:
-- FODA-SE!!! Onde já vai esta caralhada... Ó RIC, tu e a tua mania para o auto-flagelo orgásmisco não estão com nada! Pensa Frankie Goes to Holywood e Relax, ó garina. Aliás, tu não tens que fazer? Vai mas é desmanchar as árvores de Natal. E os extractos, hã? Não tens extractos bancários de 1997-2005 para triturar? Vergonha, RIC, vergonha! Daqui a nada tenho de te dar umas alfinetadas no rabo e mexes-te logo, preguiçosa dum raio!
Finalmente, o alter ego apaziguador:
-- Ó Ritinha, vamos lá a ver, fofinha: se tu não te acalmas, acabas com uma úlcera, menina. Já bem basta que, quando vais à massagista, ela mexe-te numa perna e dói tanto que a outra se levanta por andares tão tensa. Deixa lá enganares-te em alguns usos do verbo "haver" -- hão-de haver mais pessoas que o fazem nesses casos e noutros e, quando chegar a altura, hás-de vê-las quando forem chamadas a Hades. Hades! Há-de ser uma festa...
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
A conta de quê?
No passeio matinal com o meu Chopper, ouvi o Governo Sombra de Sábado. Fartei-me de rir com o Ricardo Araújo Pereira. A certa altura, estava o João Miguel Tavares muito indignado acerca da redução do horário da função pública, pois as 35 horas por semana foram repostas e o actual governo insiste em afirmar que não há custo nenhum. Dizia o JMT que tinha de haver um custo, quanto mais não fosse o do trabalho que não era feito, senão estaríamos a afirmar que a função pública não contribuia nada nesses 15% do horário. Depois passam para o RAP comentar e o RAP diz que ainda não tinha visto a conta. E eu desatei a rir à gargalhada! Ainda não viu a conta -- hahahaha!!!
Ó RAP, então achas que o dinheiro que perdeste com o BES era a conta de quê? De um país no qual a função pública, em sentido lato, funciona bem, serve os interesses do público, inclusive fiscaliza a banca, durante o horário de expediente? Hahahah! Boa piada, pá!
Ó RAP, então achas que o dinheiro que perdeste com o BES era a conta de quê? De um país no qual a função pública, em sentido lato, funciona bem, serve os interesses do público, inclusive fiscaliza a banca, durante o horário de expediente? Hahahah! Boa piada, pá!
domingo, 5 de fevereiro de 2017
Ascensão e queda de um populista
No início de dezembro de 2016, na terceira volta
das eleições presidenciais austríacas (o tribunal mandou repetir as
eleições da segunda volta), Alexander Van Der Bellen do partido os verdes
venceu o populista Norbert Hofer do FPÖ, o partido da liberdade. Antes, em
maio, na primeira volta, os candidatos haviam obtido, respectivamente, 21% e
35%. O partido social-democrata (SPÖ) e os conservadores do partido popular (ÖVP) obtiveram apenas um
quarto dos votos. Pela primeira vez, desde o pós-guerra, a “grande
coligação” ficou abaixo dos 50%. Era mais um aviso lançado à Europa e ao mundo.
A seguir viriam o Brexit e Trump.
Já poucos se lembram, mas foi Jörg Haider
(1950-2008) quem revolucionou por completo o FPÖ a partir de 1986, ano em que
assumiu a sua liderança. Até então, o FPÖ não passava dos 5% do eleitorado. Nos
anos 50, começou por ser um albergue dos “nacional socialistas". A partir dos
anos 60 tornou-se um partido liberal. Pretendia aproximar-se do centro e
transformar-se num partido de poder. Em 1983, entrou numa coligação com os
social-democratas, a qual cairia em 1986 com a chegada de Haider.
sábado, 4 de fevereiro de 2017
Pérsia
Quando andei à procura da biografia de Alan Greenspan, encontrei um livro de culinária sobre a Pérsia, sendo que o Irão ocupa hoje grande parte do território que antigamente se considerava como sendo a Pérsia. Não resisti à capa, nem ao livro, especialmente depois de o folhear e ver que estava cheio de fotos não só dos pratos, mas também do quotidiano dos diferentes países estudados (Arménia, Azerbaijão, Irão e Curdistão). O que eu não suporia era que encontraria o nome de Barack Obama algures num livro de culinária, mas ele lá está, como podem ver abaixo. Deixo-vos também uma receita do livro para fazerem em casa.
O beco sem saída dos partidos tradicionais
Na verdade, o populismo anda há muito tempo debaixo
dos radares. Por essa Europa fora, os partidos tradicionais não
têm conseguido enquadrá-lo ou absorvê-lo. Por um lado, por falta de liderança e
capacidade política; por outro, porque o actual sistema torna muito difícil a
luta contra este vírus.
Hoje, quase todos os partidos recorrem a
sondagens, focus groups, entrevistas em profundidade, fóruns
online, etc.. O objectivo é apresentar programas, soluções e discursos que vão ao
encontro das necessidades e desejos dos eleitores. Obviamente, pressupõe-se que
as pessoas são capazes de articular os seus problemas e inquietações. Que
se interessam pelos assuntos públicos e que têm opiniões sobre eles. Isto
exige um público educado, informado e interessado. Este é o primeiro problema.
Nem sempre isso acontece. Sobre esta problemática existem toneladas de
literatura.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
O dinheiro fala mais alto
Há uns meses, depois de Donald Trump ganhar as eleições, notei que no Marshall's onde costumo ir de vez em quando, a roupa da Ivanka Trump, que costumava estar logo à frente, desapareceu. Nessa visita, vi apenas uma peça enfiada na secção de saldo. Pensei que tal fosse por o condado de Harris, onde estou, ter votado a favor de Hillary Clinton com 54% dos votos (mas dentro de Houston mesmo, a margem foi muito maior). Fiquei curiosa com o que se passaria em outras cidades do país, como Oklahoma City, apesar de não me ter ocorrido visitar uma loja numa parte mais Republicana da área metropolitana de Houston.
Desde então, tenho andado a pensar se o negócio de Ivanka Trump é viável, pois há muita animosidade contra Donald Trump e, de um momento para o outro, usar algo ligado a ele tornou-se de mau gosto. A Nordstrom anunciou que irá deixar de vender a marca Ivanka Trump, mas não foi por uma questão política. Parece que quem não gosta do Trump deixou de comprar e quem apoia o Trump não compra.
Todas as companhias que dão a entender que apoiam qualquer coisa que Trump defende são boicotadas por quem não gosta de Trump e a Grab Your Wallet faz campanha contra elas. Os americanos sempre tiveram a ideia de que a maneira como consomem e as marcas que escolhem são uma forma de apoio às ideias que os gerentes das marcas partilham. Eu consumo de acordo com o que acredito, não decido apenas com base no preço, também olho para a qualidade, a imagem que a marca cultiva, etc.; mas fiquei chateada quando boicotaram a New Balance.
Compro sapatilhas New Balance há mais de 10 anos e faço-o porque ainda há modelos que são feitos nos EUA e eu tento comprar esses (assim como tento comprar coisas portuguesas de boa qualidade, das quais eu goste). Agora com o proteccionismo do Trump, os White Supramacists a tecerem elogios à New Balance, e o CEO da New Balance a dizer que algum proteccionismo iria ajudar o negócio, o pessoal começou a queimar New Balance, a fazer vídeos e a partilhá-los nas redes sociais.
Fiquei chateada com isto, especialmente porque a New Balance tem uma colaboração com a J.Crew em roupa de desporto e eu adoro J.Crew, logo não os quero boicotados (ai de vocês se contactarem a Grab Your Wallet a fazer queixa da J. Crew -- olhem que eles fotografam muitos catálogos em Portugal e eu dou-vos nas orelhas). Aliás, as últimas sapatilhas New Balance que eu comprei foram mesmo pela loja online da J. Crew; usei-as esta manhã para passear o Chopper.
Adenda: o WashPost tem um artigo interessante sobre toda esta guerrilha das compras.
Desde então, tenho andado a pensar se o negócio de Ivanka Trump é viável, pois há muita animosidade contra Donald Trump e, de um momento para o outro, usar algo ligado a ele tornou-se de mau gosto. A Nordstrom anunciou que irá deixar de vender a marca Ivanka Trump, mas não foi por uma questão política. Parece que quem não gosta do Trump deixou de comprar e quem apoia o Trump não compra.
Todas as companhias que dão a entender que apoiam qualquer coisa que Trump defende são boicotadas por quem não gosta de Trump e a Grab Your Wallet faz campanha contra elas. Os americanos sempre tiveram a ideia de que a maneira como consomem e as marcas que escolhem são uma forma de apoio às ideias que os gerentes das marcas partilham. Eu consumo de acordo com o que acredito, não decido apenas com base no preço, também olho para a qualidade, a imagem que a marca cultiva, etc.; mas fiquei chateada quando boicotaram a New Balance.
Compro sapatilhas New Balance há mais de 10 anos e faço-o porque ainda há modelos que são feitos nos EUA e eu tento comprar esses (assim como tento comprar coisas portuguesas de boa qualidade, das quais eu goste). Agora com o proteccionismo do Trump, os White Supramacists a tecerem elogios à New Balance, e o CEO da New Balance a dizer que algum proteccionismo iria ajudar o negócio, o pessoal começou a queimar New Balance, a fazer vídeos e a partilhá-los nas redes sociais.
Fiquei chateada com isto, especialmente porque a New Balance tem uma colaboração com a J.Crew em roupa de desporto e eu adoro J.Crew, logo não os quero boicotados (ai de vocês se contactarem a Grab Your Wallet a fazer queixa da J. Crew -- olhem que eles fotografam muitos catálogos em Portugal e eu dou-vos nas orelhas). Aliás, as últimas sapatilhas New Balance que eu comprei foram mesmo pela loja online da J. Crew; usei-as esta manhã para passear o Chopper.
Adenda: o WashPost tem um artigo interessante sobre toda esta guerrilha das compras.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
A ajuda preciosa de Marisa Letícia
Morreu hoje aos 66 anos, Marisa Letícia, mulher de Lula da Silva. Marisa Letícia foi fundamental para a vitória de Lula nas eleições presidenciais de 2002 – na segunda volta, obteve 61,27% dos votos contra os 38,73% de José Serra do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), o partido de Fernando Henrique Cardoso. Lula havia concorrido nas anteriores três eleições presidenciais, em 1989 contra Collor de Mello e em 1994 e 1998 contra Henrique Cardoso. Perdeu sempre e nunca passou os 30%.
O PT era um partido relativamente recente. Fundado em S. Paulo em 1980, a sua base original era uma mistura de esquerdistas militantes, activistas religiosos, movimentos populares e líderes sindicalistas que haviam combatido a ditadura militar (1964-1985). Desde o início, o PT posicionou-se como um partido de esquerda, mas evitou sempre compromissos com qualquer doutrina, incluindo o marxismo. Quando muito, havia uma referência vaga a um projecto de uma sociedade socialista; sobretudo, afirmava-se com um discurso contra o capitalismo. As derrotas anteriores mostravam que esta receita não lhe permitia ganhar eleições.
Sob a orientação do marqueteiro Duda Mendonça, o Partido dos Trabalhadores (PT) e Lula apareceram com novas roupagens em 2002. Lula despiu o seu fato de radical sindicalista e prometeu seguir o plano económico de Henrique Cardoso. Agora, com um fato de executivo, o cabelo penteadinho e a barba aparada, Lula queria tranquilizar a classe média e não assustar os potenciais investidores. Deixou cair discursos como o “não pagamos a dívida”. Para compensar a falta de habilitações académicas e de experiência governativa, Lula aparecia muitas vezes em público rodeado de sumidades académicas e de altos especialistas – os pontapés na gramática é que nunca desapareceram dos seus discursos. Enfim, Lula aplicou a receita que Tony Blair havia aplicado na década anterior no Labour. É aqui que entra em cena a sua mulher, até aí uma figura discreta. Grande parte do eleitorado feminino continuava a desconfiar do sindicalista radical, com modos abrutalhados. Marisa passou a aparecer constantemente em público ao lado do marido, exibindo um casamento feliz e estável. Parece que muitas mulheres brasileiras gostaram desta imagem. Lula ganhou o estatuto de homem fiável, capaz de cumprir os seus compromissos. Provavelmente, sem a ajuda preciosa de Marisa Letícia, Lula nunca teria chegado ao Palácio do Planalto.Quem ganhou?
Em 1824, houve 4 candidatos fortes à presidência dos Estados Unidos. Andrew Jackson, John Quincy Adams, William Harris Crawford e Henry Clay.
Essas eleições ficaram na história das eleições americanas porque o resultado foi muito engraçado. Andrew Jackson foi o mais votado e o que elegeu mais grandes eleitores: 99. A seguir ficou Quincy Adams com 84, William Crawford com 41 e Henry Clay com 37.
Se fizerem as contas, perceberão que há 261 grandes eleitores, pelo que é necessário 131 votos para fazer uma maioria. Assim a decisão passou para o Congresso, que apenas considerou os três mais votados. Ou seja, Henry Clay ficou de fora. Henry Clay declarou o seu apoio a Quincy Adams, que ganhou (e depois nomeou Clay para a Administração).
Temos então que Andrew Jackson foi o mais votado. Andrew Jackson foi o que elegeu mais eleitores. Mas não teve maioria. Quem ficou presidente foi o segundo classificado em tudo e isto graças ao candidato menos votado. Aquilo a que se chama uma coligação de derrotados.
Agora digam-me, quem é que acham que ganhou as eleições presidenciais? O que teve mais votos e mais eleitores eleitos ou o que foi eleito presidente?
Ah e tal, não tem nada a ver porque ali aquele pentelho é branco enquanto o outro é loiro. Enfim, é tramado, mas é assim.
PS Uma réstia de esperança para os pafianos: na eleição de 1828, Andrew Jackson vingou-se e ganhou mesmo.
Quem é Michael Thomas?
Num comentário ao Manifesto Anti LA-C, o comentador Curioso de Moura pergunta quem é Michael Thomas.
Na verdade, apenas um benfiquista que sofreu os anos de Vale e Azevedo pode perceber o alcance do sofrimento que a resposta a esta pergunta inflige. A verdade é que eu podia dizer que era um jogador que em vez de pés tinha tijolos, tal a forma como a bola ressaltava quando lhes batia. Mas não é possível explicar a dimensão do desastre.
Se calhar, a melhor forma de perceber é ler um email que um dia recebi de um amigo a descrever quem era Pringle, jogador da mesma época e substancialmente melhor do que Michael Thomas. Aqui fica:
Na verdade, apenas um benfiquista que sofreu os anos de Vale e Azevedo pode perceber o alcance do sofrimento que a resposta a esta pergunta inflige. A verdade é que eu podia dizer que era um jogador que em vez de pés tinha tijolos, tal a forma como a bola ressaltava quando lhes batia. Mas não é possível explicar a dimensão do desastre.
Se calhar, a melhor forma de perceber é ler um email que um dia recebi de um amigo a descrever quem era Pringle, jogador da mesma época e substancialmente melhor do que Michael Thomas. Aqui fica:
Era um rapaz sueco, que fora Comando militar e depois carteiro de profissão, antes de lhe terem lançado uma bola para os pés e ele nunca mais ter parado de tropeçar.Uma vez, no velho estádio da Luz, no 3º anel, estava aquela ave rara a aquecer, fazendo remates e cabeceamentos para a baliza na linha da pequena área quando falha de forma verdadeiramente inacreditável 5 ou 6 bolas. Na pequena área, repito, mas sem guarda-redes, que acho que ainda não tinha dito. Então levanta-se um tipo já enfrascado como o raio lá ao pé de mim e diz algo assim:
"Ah cabrão. Tivesse eu trazido a minha caçadeira e acabava-te já com o sofrimento."
Isto era no aquecimento.
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