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quarta-feira, 17 de abril de 2019

Muitos mimos

Tenho saudades do meu cão; já não o vejo há 10 dias. Ontem telefonei para o hotel a perguntar se estava bem e parecia que sim, só tinha um bocadinho de prisão de ventre. Quando a moça atendeu o telefone e eu lhe perguntei do Julian, o bouledogue francês, ela soube imediatamente de quem se tratava, o tom de voz mudou, notei logo que tinha afeição pelo meu pequenito.

Hoje de manhã telefonou-me porque o meu Morceguinho ainda não tem as idas ao quarto de banho normalizadas. Depois de conversar com ela, decidimos que ele não ia passar tanto tempo no recreio com os outros cachorrinhos porque fica muito excitado com a brincadeira; reduzimos o tempo para meia hora por dia.

Amanhã vou telefonar outra vez, mas mais para o final do dia, para ver se ele está melhor. Sempre senti alguma preocupação com os meus bichinhos quando estou longe deles, mas depois do Alfred morrer, fiquei muito mais ansiosa. Quando a Stella morreu, fiquei triste, mas foi algo que senti que tinha chegado a altura. O Alf foi diferente.

Sempre tinha imaginado que iria cuidar dele até chegar a altura, mas ele morreu de morte natural sem que necessitasse de grandes cuidados. Senti que não fiz tudo o que podia ter feito por ele e no entanto o Alf era um cão que gostava de cuidar de toda a gente, mas não dava trabalho nenhum. Sinto que ele não gostaria de ter dado trabalho.

Quando for buscar o Morceguinho, vou estragá-lo com mimos!





quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Dia 56

O escândalo do relatório da CGD parece que foi há muito tempo porque, como o nosso ilustre Primeiro Ministro já estava farto da cobertura mediática desfavorável, reformou o governo, o que nos permitiu descobrir que uma das qualidades que aprecia nas mulheres é a capacidade de elas o acalmarem. É uma característica tão importante, que até as promove a Ministras.

Fiquei um bocado intrigada com o Ministro Vieira da Silva, esse mesmo, o pai da Ministra Vieira da Silva -- o nosso governo é tão caseirinho e fofinho. Como é que um homem com o nível de educação que ele tem educa a filha para ser uma profissional que é descrita como "trabalhadora", "dedicada", e acalma o chefe? Eu esperava que uma Ministra fosse elogiada pelo seu conhecimento da área, a sua capacidade de liderança, pensamento fora da caixa, etc. Afinal, não; tem as características ideais para ser secretária e casar com o patrão, como era comum há umas décadas.

Mas a indignação maior parece que está a acontecer com o facto de o Observador ter publicado a peça da Joana Bento Rodrigues que decidiu defender as mães e donas de casa e que acha que estas devem ter representação política -- um conceito revolucionário em Portugal, se bem que os argumentos usados sejam tão estererotipados que cheiram um bocado a mofo. De imediato se seguiram várias peças a refutar os argumentos que ela apresentou. É estranho que, de repente, tenham aparecido várias mulheres de Direita que acham que têm pontos de vista tão válidos que não se inibem de dar a sua opinião em público. Ainda por cima têm vida profissional, são casadas, têm filhos, ou seja, são todas iguais.

No meio disto tudo, penso nas jovens portuguesas que andam à procura de modelos de comportamento, o que os anglosaxónicos chamam de "role models": será que irão escolher a profissional que acalma ou a profissional que irrita?

P.S. Parabéns ao Observador por ter dinamizado a discussão do papel das mulheres na sociedade e as ter inspirado para se pronunciarem.


terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Dia 55

Ainda no seguimento da conversa do 54, passa-se o seguinte: o meu rabo anda mais redondinho, quando o normal é ser achatado sem forma nenhuma; atribuo esta mudança às minhas aulas com o personal trainer. Aliás, na nossa última aula disse-me "You look really small today". Olha que grande avaria, pensei, e respondi-lhe "I look small every day." Pouco mais de metro e meio, filhos! Clarificou: "You look skinny!"

Ah, caramba!!! E agora, hein, já viram este dilema: será que sou mulher objecto feminista ou mulher bem-cuidada anti-feminista? Marquem-me uma consulta com a Dra. Joana, senão não saio deste imbróglio...

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Dia 53

Choveu quase todo o dia, por vezes uma chuva intensa, com pingos inclinados que riscavam a paisagem. Ao fim da manhã demos um salto ao Lowe's para comprar filtros de ar e água para o frigorífico. O Julian ia no cesto de compras, mas a sua impaciência crescia visivelmente e pôs-se de pé, como se assim visse melhor onde estava. Ou talvez o objectivo foi que o vissem melhor. Os transeuntes, que disfarçavam um sorriso quando o viam, começaram a aproximar-se e a meter conversa. Uns queriam fazer-lhe festas e ele, um vendido por uma carícia seguia-lhes a mão quando paravam.

Quando chegámos à caixa, estava completamente irrequieto e oferecia-se às pessoas que lhe falavam, como se a chamá-las. Às tantas saltou do cesto e ficou pendurando pela coleira de segurança para horror de uma senhora que estava ao pé de nós e que imediatamente se ofereceu para ficar com ele ao colo enquanto eu terminava de pagar. A supervisora das caixas também veio para lhe fazer festas, perguntar o nome, e babar-se toda. À saída projectou a voz para se despedir: "Bye Julian! Come back and see us..."

De sonso este cão não tem nada. Suspeito que fugiu dos donos que tinha porque uma amiga minha encontrou-o na rua um fim-de-semana, foi ter à porta dela. Passou dois dias cheio de mimo, mas estava tão excitado por ter atenção que não parava quieto. Na Segunda-feira, recebi uma mensagem dela a perguntar se eu queria um cão porque ela já tinha dois. Querer não queria, mas o pseudo-ultimato que ela me deu foi que ou era eu, ou era o abrigo de cães, porque já tinha tentado encontrar os donos, mas não viu ninguém à procura dele na Internet, nem na rua.

Um buldogue francês não combina bem com um abrigo de cães, nem combina com anúncios à procura de dono. São cães caros e agora estão na moda, ou seja, é provável que alguém se identificasse como dono só para ficar com o cão e o vender. respondi-lhe que ficava com ele, mas que primeiro tinhamos de o levar ao veterinário e marquei consulta para essa tarde.

Quando o vi pela primeira vez, o barulho da sua respiração parecia o de uma automotora e eu só conseguia pensar que ia detestar o cão por ser tão barulhento. O meu silêncio--onde e quando é que eu ia encontrar novamente o meu silêncio? Mas era necessário lidar com a situação e o pragmatismo racionalizava a coisa: "Depois pensas nisso, não vale a pena sofrer por antecipação."

Ele pode ser francês, mas não cheirava a eau de toilette. Os ouvidos estavam todos inchados e cheios de pus e fermento, o que o fazia cheirar mal e lhe dava um tom rosado à pele. Talvez fosse devido a alergias sazonais, disse a médica. As unhas super-compridas, estavam quase a enfiar-se nas almofadas dos pés. Deduzi que o cão nunca era passeado e a facilidade com que se aliviava dentro de casa indicava que o tinham treinado para usar tapetes higiénicos. Um cão avariado é o cão perfeito para mim e foi assim que fiquei com ele.

Depois de começar a passear duas vezes por dia, deixou de ser barulhento e hiper-activo; afinal, até é um cão calmo. Aprendeu a ir ao quarto-de-banho na rua e não gosta de andar por sítios sujos: evita a lama e as poças de água. Gosta muito de roer a chupeta de cão, o que me facilita a vida porque lava os dentes. No início, não parava quieto quando entrava no carro, agora meto-lhe o cinto de segurança e aguarda até chegarmos ao destino. Adora fazer passeios e se me vê a ir para a garagem vai para a porta do carro.

Chamo-lhe morceguinho, ele dá-me lambidelas na cara, e é tudo um bocado surpreendente porque o Julian comporta-se como se eu tivesse sido sempre a humana da vida dele, mas por vezes ainda tenho dificuldade em perceber que ele é o meu cão.




sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Dia 52

Nem a propósito, a Maria João Marques escreveu uma peça sobre a fraca visibilidade que a Direita portuguesa dá às mulheres. É estranho que assim seja porque, antes de mais, é um enorme retrocesso: houve bastantes mulheres importantes na Direita portuguesa. E depois demonstra que muitos homens portugueses têm sérios problemas em entender coisas básicas de matemática, pois é impossível ganhar uma eleição sem mulheres e, mesmo que os homens da Direita pensem que sem a concorrência delas fica mais para eles, esquecem-se do facto de elas serem boas a criar valor. Como a economia portuguesa está, no melhor dos casos, estagnada ou, no pior, a encolher, é surprendente que haja pessoas que pensam que é mais importante proteger a distribuição do bolo do que arranjar maneira de aumentar o tamanho do mesmo.

A Christine Lagarde, numa entrevista ao Marketplace emitida hoje, fez uns comentários interessantes acerca da participação das mulheres em lugares de chefia. Disse ela:
[...] the IMF now recognizes that the role of women in the economy can be macro critical, and therefore warrants our focus, our attention, our research capacity and our policy recommendations.

What we have done very recently — I just want to mention two numbers for you — is a thorough study on the banking sector to see how many women were in executive boards or boards. Twenty percent only are women. How many women are CEOs or chairmen of banks? Two percent. And then we tried to correlate the solidity of banks with the number of women sitting on the board. And it's very interesting to see that those banks which have a significant number of women on their board are stronger, are less likely to file for insolvency, have bigger capital buffers, have less nonperforming loans and are less risky."

Fonte: Christine Lagarde em entrevista ao Kay Ryssdal no Marketplace, 21/2/2019

Eu não vos dizia que a CGD -- e quem diz CGD diz a banca portuguesa -- precisava de umas avózinhas?


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Dia 48

O Brock Long demitiu-se da FEMA (Federal Emergency Management Agency), depois de um pequeno escândalo em que se soube que ele usava o carro oficial para viagens a casa, o que instigou uma investigação. Já vos falei do Brock Long antes a propósito de tempestades que atingiram os EUA. Mas as verdadeiras manchas do seu desempenho são o furacão Maria, que atingiu Porto Rico e causou a morte de mais de três mil pessoas, número que só foi admitido cerca de um ano depois, e o furacão Michael, cujo número de fatalidades ainda não sabemos ao certo.

O fulcro da questão não é o Brock Long em si, mas o seu mau desempenho. Houve coisas que correram bem quando estava em funções, por exemplo, acho que a resposta ao furacão Harvey foi bastante boa, mas dada a inconsistência de resultados, é credível que a responsabilidade desse sucesso se deva mais ao governo local de Houston e do Texas, do que à FEMA.

Frequentemente penso no conceito de sucesso e do que significa ser bom. Para se saber se alguém é bom, é necessário que haja repetição e adversidade, ou seja, temos de observar a pessoa em várias circunstâncias e, idealmente, essas cirscunstâncias são caracterizadas por serem difíceis. A repetição serve para controlar o factor sorte e a adversidade para controlar a maior probabilididade que está associada a resultados em torno da média.

Estas ideias são bastante pertinentes na selecção de pessoas que se quer num Conselho de Administração; o ideal é mesmo alguém que tenha uma riqueza de experiências e que se tenha distinguido consistentemente em situações adversas. A razão é muito simples: queremos pessoas com capacidade de pensar e imaginar os extremos de risco a que a entidade está sujeita. Assim, essa pessoa faz as perguntas necessárias e conduz as investigações que acha pertinentes. E tendo um grupo de pessoas com estas características num Conselho de Administração, conseguimos controlar o risco e minimizar a probabilidade de resultados negativos.

Em Portugal não se pensa assim porque os resultados desastrosos que a banca tem obtido demonstram que as pessoas que são nomeadas para os Conselhos de Administração não agem de forma a minimizar o risco; ser membro é mais uma questão de honra do que de dever. Até penso que devem achar que a probabilidade das coisas correrem mal é tão baixa que não vale a pena estar a perder tempo com isso; só que quando se conclui tal coisa estamos a inferir fora da amostra. O facto de as coisas más não aconteceram tão frequentemente não é tanto que sejam tão improváveis, mas mais o resultdo de ser-se negligente, cometer-se ilegalidades, etc. serem comportamentos eles próprios improváveis.



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Dia 45

Quem acompanhar a imprensa popular especializada em economia, já deve ter notado que uma das questões que mais vem à baila é o timing da próxima recessão americana. Como eu mencionei aqui há uns largos meses, até mais de um ano, se não me engano, se o período de expansão se prolongar para além de Julho de 2019, este terá sido o mais longo período de expansão da economia americana. Há vários modelos que estimam a probabilidade de uma recessão nos próximos 12 meses e estas vão dos 20% até mais de 50%.

A propósito disto, hoje o Paul Krugman disse uma coisa muito engraçada na Bloomberg: “Our current Treasury Secretary is no Hank Paulson!” Ou seja, a pessoa que é responsável por definir a política fiscal americana não é tão boa como passados detentores do cargo. E dado que a política monetária não tem tantas balas como tinha antigamente, pois as taxas de juro ainda estão historicamente baixas e a Reserva Federal ainda tem um balanço bastante sobrecarregado, a situação é preocupante e merece escrutínio. Por isso se fala nela.

Portugal encontra-se num barco ainda pior. Na próxima recessão, a política monetária europeia será ainda mais fraca do que a americana porque as taxas de juro estão mais baixas na Europa, para além de que é direccionada para o Bloco euro e não para países específicos, e muita da dívida pública já é detida pelo BCE. Do lado da política fiscal, temos a dívida pública portuguesa bastante alta comparada com o tamanho da economia e as instituições não funcionam, logo os governos aproveitam situações de crise para gastar dinheiro em coisas que não produzem valor para a economia, mas que permitem a muita gente com o cartão partidário ganhar uns trocos à conta do erário público. Nada nos leva a crer que o futuro próximo seja diferente do passado recente, até porque o PS governou na crise anterior e parece que irá governar na próxima.

Com certeza percebem, então, quais as pergunta mais pertinentes que os governantes portugueses deveriam estar a tentar responder:
  1. Qual a forma de estímulo da economia portuguesa quando esta entrar em recessão?
  2. Qual a garantia de que os fundos de estímulo não serão desviados para favorecer os corruptos do costume?

Estas duas questões deveriam monopolizar a discussão em volta das próximas eleições, mas já sabemos que ninguém passará troco. Por alguma razão discutimos hoje os pecados da última crise, em vez de como minimizar os da próxima.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Dia 44

Na aula de yoga de hoje, a minha professora, que foi aluna do Iyengar, iniciou a nossa instrução a falar dos oito ramos de yoga. O primeiro é o Yama, que tem a ver com ética -- é a nossa conduta moral e social. Yoga devia ser obrigatório em Portugal porque a ética anda pelas ruas da amargura. Imagine-se que, hoje em dia, há grande indignação por eventos que ocorreram há tanto tempo que legalmente já devem ter prescrito, ao mesmo tempo que muitas das pessoas envolvidas continua a sua actividade profissional, como se nada se tivesse passado. Ninguém se recusa, se demite, ou é demitido. E será que não fizeram uns coisitas mais recentes que mereçam ser investigados e submetidos à justiça sem haver o risco de prescrição? Daqui a 10 ou 15 anos, teremos a nossa resposta.

Em 2011, uma jornalista de investigação, a Suki Kim, infiltrou-se na Coreia do Norte onde viveu durante seis meses, fingindo ser uma professora de inglês numa universidade frequentada pelos filhos das elites. Fê-lo porque tinha um contrato para escrever um livro sobre como é viver lá e porque entrevistar pessoas e visitar como turista não dão uma visão realista, pois as pessoas são treinadas para mentir: a sua sobrevivência depende da sua capacidade de mentir e mentir tem uma conotação diferente da que toma nas sociedades ocidentais. Visto assim, parece que Portugal ainda vive sob o espectro de uma ditadura porque finge-se indignação quando é conveniente, finge-se que as instituições funcionam, finge-se que os políticos irão redimir-se um dia destes, finge-se que há jornalismo a sério, etc.

Olafur Hauksson, que era um mero comissário de polícia de uma cidade pequena quando a Islândia sucumbiu à crise financeira, diz que sentiu que tinha o dever de servir o país e candidatou-se ao posto de investigador da crise -- ninguém mais se candidatou, mas a Islândia tinha menos de 315.500 pessoas em 2008. A equipa de investigação tinha apenas cinco pessoas, mas cresceu e chegou a exceder 100. Em 2012 houve a primeira condenação; até agora conseguiram quase 40. Diz ele que os políticos se sentiram obrigados a ter uma investigação. Portugal tem uma população 33 vezes superior à da Islândia e, se havia alguém com sentido moral de investigar as falcatruas lusas, essa pessoa deve ter emigrado.

Parece que a única obrigação que existe no nosso rectângulozinho é apoiar ladrões, daqueles que "roubam, mas fazem"...

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Dia 40

Estava aqui a pensar que não há grande diferença entre a Venezuela e Portugal: na Venezuela, usam as receitas do petróleo para alimentar a corrupção; em Portugal usam os fundos comunitários, a dívida pública, e as poupanças dos portugueses arrecadadas em bancos. O que me surpreendeu foi a velocidade com que a saúde pública dos venezuelanos regrediu e penso que, em Portugal, se fizessem o mesmo estudo era possível encontrar o começo da deterioração porque as cativações têm efeitos, basta procurá-los.

A greve dos enfermeiros de cirurgia é incompreensível, não pela greve em si, mas pela necessidade de a ter. Este governo chegou ao poder argumentando que tinha uma política de crescimento sustentável para o país, que permitiria manter o nível de vida dos portugueses e controlar a dívida pública. Afinal, o país não cresce por aí além e para controlar a dívida tem de conter as despesas correntes às escondidas, com o Ministro das Finanças a dizer que as despesas previstas no orçamento não eram verdadeiras porque não havia dinheiro para as pagar.

Quer se queira, quer não, a economia mundial até agora tem oferecido uma conjuntura bastante favorável, logo porque é que Portugal, que tem bastante margem para crescer, não cresceu mais rapidamente? O governo fez reformas, disseram-nos. Ou será que o objectivo do governo não era implementar políticas que promovessem o bem-estar dos portugueses, mas sim continuar a aproveitar os recursos comuns para proteger as elites corruptas? Só assim se explica que o relatório da CGD não tenha visto a luz do dia através do funcionamento normal das instituições.








Dia 39

Recebi um email curtinho da minha vizinha em Houston, uma senhora com 94 anos. Trocamos correspondência em média uma vez por semana e enviei-lhe fotos da minha casa depois da mobília instalada. Escreveu o seguinte:
"I think your house looks absolutely grand. It must have high ceilings. As I sit here alone with the wind blowing and the temperature dropping, I have to remind myself that I am so lucky to have a nice place to live. You must do the same."

E, realmente, penso muitas vezes que apesar das escolhas malucas que faço, dos riscos que corro, e das voltas que a vida dá, também tenho muita sorte. Aprecio muito o que tenho.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Dias 31-35

Dia 31
Estou a cair de sono, que é como quem diz lá se vai o brio, mas foi um dia produtivo. Acordei às seis da manhã, saí do trabalho pouco depois das cinco, passeei o cão, tive uma sessão com o personal trainer, jantei, fui à casa anterior buscar umas coisas e certificar-me que tudo estava bem, e agora estou aqui, com sono.

...

Dia 35
O último mês tem sido um bocado intenso para mim: trabalho, mudanças, passear o cão, fazer exercício com o personal trainer. Ao final do dia, estou de rastos, mas durmo sempre muito bem. No Sábado, mudámos finalmente a mobília para a nova casa e restam apenas alguns itens na casa anterior: o aspirador, uns vasos de pot pourri, o triturador de papel, frascos para fazer compota, e uns produtos de limpeza doméstica.

Depois de me mudar tantas vezes, já devia estar habituada a ser confrontada com a quantidade de coisas que acumulei, mas ainda sinto um certo pavor ao ver o camião cheio. Ainda por cima, desta vez, não conseguiram enfiar tudo na primeira viagem e os meus três ajudantes já se sentiam bastante frustrados. A um dei a minha TV, com o equipamento de som. Que bom que finalmente me vi livre daquele mamarracho de 2005 e o moço, coitado, não tinha TV. E sinto uma vontade imensa de não comprar mais nada, a tal vontade que eu queria que fosse mais permanente do que é.

Quando cheguei à casa nova para abrir a porta aos rapazes da mudança, a minha agente imobiliária, que é também a minha melhor amiga em Memphis, estava à minha espera muito aflita porque me tinha tentado telefonar quatro vezes e eu não tinha atendido. Tinha-me esquecido do telemóvel na casa nova enquanto fui para a velha. Ela estava com uma amiga, que eu supostamente já tinha conhecido, mas de quem não me recordo. E vinha armada com uma prenda, a chamada "house warming gift": um prato de cerâmica para assar queijo brie no forno.

Nesta altura, convinha que algum de vós me perguntasse quantas vezes é que eu assei queijo brie na vida. A resposta é zero, mas ela achava que eu tinha interesse em o fazer. Ora eu tive interesse em investigar como se assava queijo brie porque há umas semanas, quando estávamos a fazer os preparativos para passar o Natal em casa dela, ela falou em assar queijo brie e eu perguntei-lhe se ela queria que eu lhe assasse um. Se ela me tivesse falado em migar couves, eu teria tido interesse em fazer caldo verde.

Ainda por cima o prato, que até é girito, vá, é feito na China. Eu sou uma snob da cerâmica e não costumo comprar coisas feitas na China -- tenho algumas porque mas dão. Prova de snobismo: para a festa de Natal levei fruta acompanhada com um molho de cannoli e como pensei que houvesse pouco espaço na mesa dela, fui comprar um prato alto de servir bolos feito na Itália.

Mas voltando ao assunto de assar brie, também não quero que fiquem com a impressão de que sou uma azelha completa na cozinha; sei perfeitamente que há massa folhada congelada na loja e a Joana Roque deve ter pelos menos uma receita de como se assa enterrada nos arquivos do blogue dela. E depois há o Google. Também havia os livros de receitas cá de casa, que na altura estavam mais ou menos disponíveis, mas que agora estão muito provavelmente enfiados numa caixa.

Sabem onde os rapazes da mudança meteram as minhas caixas de livros? No quarto Trump! Ah, não sabem o que é o quarto Trump. É o quarto cá de casa que servia de escritório para o senhor que cá vivia, um senhor que na parede norte tinha uma foto de Ronald Reagan e na parede este uma de Donald Trump com uma nota de dólar assinada pelo dito cujo, carcará sanguinolento... Ai espera, isso era da novela!

A primeira vez que entrei no escritório, a minha agente que ia à minha frente deu um suspiro de horror e disse "You're not gonna like this!" Pois... Mas eu não disse que eles aqui são todos pró-Trump? Até ela, que é um anjo de pessoa, votou nele. Sabem por que razão se inventou a palavra "whatever"? Para se sobreviver no Tennessee.

Na segunda vez que entrei no escritório, qua do fiz outra visita à casa, o Trump tinha desaparecido porque ela telefonou à agente dos donos da casa a aconselhar retirar a foto: não se deixa nada que possa afujentar compradores, explica ela. Ou seja, as revistas e os livros que se usam para decorar a casa para a mostrar não têm pessoas nas capas para não ofender nenhuma etnia, os artefactos religiosos são retirados para não ofender crentes, etc. A minha agente conta-me que, uma vez, teve uma cliente que tinha 33 cruzes espalhadas pela casa e que, com jeitinho, conseguiu que o número fosse reduzido para três: uma enorme vitória em Memphis.







quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Dia 30

Está frio: aqui em Memphis estão -6C, mas Minneapolis está com -34C e o "windchill" é ainda mais frio. Em alturas como estas, os responáveis pelos distritos escolares ficam perante duas escolhas más, pois se abrem as escolas os funcionários e os alunos têm de se sujeitar a uma comuta que pode ser perigosa; se não abrem, há crianças que ficam em casa, mas os pais não lhes dão comida, nem há aquecimento. Os EUA podem ser o país mais rico do mundo, mas um quarto das crianças vivem em condições de pobreza e muitas dependem das escolas para se alimentar.

Mesmo assim, há escolas que fecham e uma das modas que pegou é fazer o anúncio a informar que não há aulas de uma forma criativa com vídeos no YouTube. Hoje na NPR estavam a falar desses vídeos e tocaram um que é uma versão de Hallelujah de Leonard Cohen:


As empresas fornecedoras de gás e electricidade estão a trabalhar horas extra para garantir que toda a gente tem aquecimento, especialmente as casas das pessoas mais idosas que têm dificuldade em se movimentar e verificar se os sistemas de aquecimento estão a funcionar em condições. Tudo isto é planeado com antecedência e quando pagamos a conta de gás e electricidade há uma opção que permite enviar algum dinheiro extra para o fundo que serve para ajudar os mais desfavorecidos e financiar estes cuidados. Esperemos que não haja muitas fatalidades com esta tempestade.


quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Dia 29

Segundo dia com o Ken para fazer pequenos reparos na casa, mas não conseguimos terminar. Perdemos imenso tempo a tentar encontrar a lata de tinta que ia com que divisão. Há cores a mais e demasiado parecidas e também havia latas de tinta indevidamente identificadas. Telefonei à dona anterior e ela orientou-me, mas foi assim que descobrimos que ela tinha escrito "sala" na lata da tinta do quarto principal e vice-versa.

O Julian, o meu cão, adora ter visitas e é muito oferecido. Por sorte, o Ken achou-lhe piada e brincou muito com ele. Parece-me que este cão iria com qualquer pessoa que lhe passasse cartão, pois quando o seu novo melhor amigo estava para se ir embora, lá o seguiu o Julian todo lampeiro, nem sequer o frio que estava na rua o incomodava.

É verdade, está frio e hoje de noite irá ficar pior porque está a percorrer os EUA um vórtex polar. Deixei as torneiras a gotejar, abri as portas dos móveis dos lavatórios, e aumentei a temperatura do aquecimento central na casa arrendada. Na casa nova também fiz o mesmo e até deixei um aquecedor ligado num dos quartos de banho. Esperemos que a água nos canos não congele e os rebente.

Durante o dia, enquanto o Ken pintava e montava varões de cortinados, passei a ferro os cortinados que tinha lavado para os encolher e pensei no LA-C, que me diria, se me visse, que devia ter feito o "outsourcing" do trabalho, mas aqui é difícil encontrar quem passe a ferro. Também não procurei por uma pessoa, confesso. Mas passar a ferro é muito aborrecido e tenho imensa pena de quem tenha de fazer isso para ganhar a vida e não sinta grande afinidade pela tarefa.

Também trabalhei um bocado remotamente durante a tarde, pois às quartas-feiras de manhã temos a reunião semanal em que discutimos o que se passa no mercado. À noite, também a trabalho, fui ao jantar do Clube de Economia de Memphis, em que o convidado especial era o Rick Rieder, o Global Fixed Income Chief Investment Officer da BlackRock, que gere mais de um trilião de dólares (trilião curto, só com 12 zeros). O PIB americano anda à volta de $19,4 triliões, portanto é muita massa.

A palestra foi muito interessante e estamos ambos de acordo, pois as pessoas não têm noção da importância de os EUA estarem a seguir uma política fiscal expansionista financiada por dívida pública ao mesmo tempo que a Reserva Federal segue uma política monetária contraccionista -- é uma combinação altamente desestabilizadora. E depois temos o problema do costume: há muitas poupanças a nível mundial e não há muitos sítios onde aplicar esse dinheiro.




sábado, 26 de janeiro de 2019

Dia 25

Um dia em cheio!

Acordámos com a notícia de que Roger Stone tinha sido preso pelo FBI. Coitados dos agentes que acordaram de madrugada para trabalhar e nem sequer estavam a ser pagos. Depois o trânsito aéreo sobre Nova Iorque foi aligeirado porque não havia pessoal suficiente para acomodar tanto avião. E, ao almoço, durante um comunicado especial, o Presidente Trump acedeu a abrir o governo -- ganhou a Nancy, que é mais velha que ele, e a quem ele ainda não deu uma alcunha. A emissão de rádio da NPR foi interrompida e tivemos cobertura especial.

As coisas já estavam a ficar um bocado caóticas. Por falar em avião, no dia 24, o Steve Inskeep na NPR entalou a Mercedes Schlapp, a Directora de Comunicações Estratégicas da Casa Branca, várias vezes perguntando-lhe:
  • "If a plane crashes and people are killed because of this shutdown, is the wall worth that?",
  • "Is the... Wall worth people getting killed?",
  • "If the shutdown leads to a terror attack that gets Americans killed, is the wall worth that - yes or no?"
  • "Why are you uncomfortable answering yes or no to that question?"

Senti pena da Mercedes Schlapp: tem um patrão difícil e apanha tareia na praça pública por causa dele. Se fosse em Portugal, a notícia teria sido a má-educação do jornalista.

Neste dia também tive de me solidarizar com Assunção Cristas porque o PM Costa ficou irritado com ela. Há uns dias, um dos meus fãs mais queridos disse-me que eu até era inteligente, mas irritava-o. Respondi que irRITAr tem o meu nome e ele devia ir tomar um café que isso lhe passava. Senti um imenso orgulho de ser filha da mãe que tive porque dar-me o nome de Rita é genial.

Se eu fosse a Assunção Cristas mandava fazer uma t-shirt azul com "Irritei o Costa: ganhei o dia!" estampado em letras amarelas e, sempre que António Costa fosse ao Parlamento, usava a t-shirt. Eu não vos disse? Sou mesmo filha da mãe!





Dia 24

Amanhã seria dia de os trabalhadores federais receberem, pois são pagos cada duas semanas, mas como o governo ainda está fechado, não irão ser pagos. Wilbur Ross, milionário e o equivalente a Ministro do Comércio dos EUA, mostrou-se surpreendido hoje por os trabalhadores andarem a viver de esmolas. Acha ele que sendo estas pessoas empregadas pelo governo, os bancos deviam dar-lhes empréstimos muito facilmente. É o "Let them eat cake" versão "let them get loans".

Há alguns bancos que estão a tentar colaborar com os trabalhadores, mas é irrealista pensar que esta boa vontade dure para sempre. Afinal, os bancos não são entidades não lucrativas.É também um bocado sonso achar que o problema se limita aos empregados. Há pequenas empresas e agricultores que precisam de ter acesso a financiamento do estado, senão perdem as suas instalações, terrenos, etc. Para além disso, o dinheiro que vai para financiar este pessoal não pode ir para investimento.

Esta sensibilidade orçamental recorda-me daquela hiostoria que Donald Trump contou a Ivanka. Uma vez iam os dois pela rua e Trump apontou pata um mendigo e disse à filha que ele é mais rico do que ele porque, n alta, Trump estava na bancarrota, ou seja, tinha ruiqueza liquida negativa; já o sem-abrigo não tinha dinheiro, nas também não tinha dívidas.

[Esqueci-me de publicar este post. Não me recordo da razão, mas deve ter sido uma daquelas noites em que estava a escrever na cama e a adormecer sentada com o computador no colo. Não é a melhor maneira de se escrever...]

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Dia 22

Há muita coisa para escrever, mas não há nada. Continua a falar-se em recessão. Falava-se antes do shutdown, depois não tanto, mas agora outra vez. Não há dados completos da economia americana e quando o governo voltar a funcionar a 100% irá levar algum tempo até se conseguir recolher os dados outra vez. Isto se conseguirem mão-de-obra para o serviço porque muitas das pessoas que fazem esse trabalho de recolha são trabalhadores em part-time e essas pessoas não vão ficar à espera indefinidamente que o governo termine o shutdown.

Talvez há coisa de uns dois meses, disse a um colega meu que o S&P 500 ia descer para os 2500, o que aconteceu há algumas semanas; o mínimo foi à volta de 2350 na véspera de Natal. Agora está acima de 2630 e os analistas técnicos acham que já bateu o fundo. Os últimos dois anos foram passados na expectativa de que a nova administração iria ser boa para o negócio por causa dos cortes de impostos e da flexibilização da legislação.

O dinheiro da redução de impostos não só não foi gasto em investimento, como foi usado para compra das próprias acções pelas empresas, ou seja, apreciou o mercado sem haver razão fundamental para tal. E a redução das receitas dos impostos não foi compensada com uma redução na despesa; em vez disso houve aumento da despesa e da dívida pública, o que contribui para o aumento das taxas de juro e redução do investimento privado.

É óbvio que a economia não bateu o fundo e agora vamos ver se a bolsa se aguenta quando começarem a vir as más notícias. A minha nova previsão é que o S&P vai descer abaixo dos 2000. O colega acha um exagero, isso seria uma queda enorme, já está mais do que corrigido.

Mas irá ser divertido porque a Europa não está preparada para uma economia americana em recessão.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Dia 21

No dia do Martin Luther King, um grupo de pessoas do trabalho foi fazer voluntariado durante algumas horas. Fomos a uma parte mais pobre da cidade e limpámos um jardim/parque tanto de lixo, como de ervas daninhas que invadiam os canteiros. Estava um frio enorme e depois do nosso regresso demorei várias horas até me sentir confortável em termos de temperatura do corpo.

Há 10 anos também fiz voluntariado neste dia com um grupo de pessoas do trabalho. Fomos à parte histórica de Fayetteville onde viva a comunidade negra. Lembro-me de andarmos a bater à porta de pessoas para oferecer os nossos préstimos. Uma senhora já de idade atendeu e ficou confusa ao ver tanta gente. Perguntámos o que precisava feito, mas ela não queria nada, disse apenas ter pena de já não conseguir limpar a cozinha em condições, especialmente a parte alta dos armários.

Parecia-me fácil limpar--para mim é mesmo fácil e relaxante limpar a casa dos outros; a minha é mais cansativa. As outras pessoas não estavam muito inclinadas para limpar, mas tínhamos de arranjar coisas para fazer, logo enquanto uns mudavam lâmpadas, verificavam se tudo estava a funcionar bem etc., outros limpavam armários.

Dizia a senhora que todas as manhãs cozinhava um "biscuit" acompanhado com salsicha de pequeno-almoço numa pequena sertã de ferro fundido. Não é o pequeno-almoço mais saudável do mundo, mas é bastante apetitoso, à maneira americana, claro. No final, a senhora ficou super-feliz com a cozinha limpa. Por vezes, as coisas mais insigificantes causam bastante satisfação.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Dias 19 e 20

Ambos não foram muito diferentes: andei a arrumar louça na casa nova, cozinhei a minha primeira refeição (salmão com cevada, pesto de alcachofras e pickles de pepino. Era o que havia...), e passeei o Julian. Dá mesmo muito jeito passear naquela vizinhança porque tem caixotes de lixo públicos e até oferecem sacos para apanhar a caca do cão, mas eu levo sempre. A inconveniência da casa nova é que ainda não transferi a Internet para lá e não tenho Wi-Fi. E ainda não mudei a mobília, mas levei a cama de ar que comprei quando me mudei de Houston para Memphis.

[Por falar em cama, encontrei no outro dia um cobertor de algodão penteado feito em Portugal e é um luxo dormir com ele. Durmo só com lençois de algodão, o cobertor, e uma colcha também de algodão e acordo como se estivesse nas núvens. Bem, tecnicamente estou num colchão de ar...]

A vizinhança em si é muito engraçada e é o produto de iniciativa privada. As casas têm um estilo tradicional, apesar de serem todas diferentes (é proibido fazer obras sem submeter um plano para aprovação da gestão da vizinhança). Há bastantes zonas verdes apesar de os lotes serem pequenos e ocuparem quase o terreno todo: este tipo de construção é chamado de "zero-lot-line houses". Disse-me um colega meu de trabalho que vão fazer algumas casas assim ao pé de onde ele vive, em Midtown.

O estilo das casas recorda-me do Garden District em Nova Orleães, que também inspira Seaside, na Florida. O plano inicial da vizinhança, que foi fundada em 1994, era de 116 casas, com uma praça com um sino, outra com um gazebo, e três parques. Um dos parques tem uma zona cheia de árvores e o chão coberto por musgo--ver primeira foto. É absolutamente deslumbrante e estou bastante curiosa para ver a metamorfose das árvores e restante vegetação ao longo do ano. Do ponto de vista social, a vizinhança organiza festas e alguns dos residentes têm jantares mensais com noite de jogos.

No outro dia recebi uma carta de boas-vindas, com instruções acerca da companhia que gere a vizinhança, quem devo contactar se precisar de alguma coisa, e instruções para o pagamento das quotas trimestrais -- pagamos $595 por ano. Ou seja, isto é como viver num prédio com gestão de condomínio, só que é uma vizinhança.


Um dos parques

A praça com o sino--é uma rotunda, vá lá...

Uma das minhas casas preferidas na vizinhança

Esta casa foi construída mais recentemente. O estilo é mais moderno,
evocativo do "Farmhouse" que é agora muito popular.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Dia 18

Dia triste: morreu a Mary Oliver. A primeira vez que ouvi falar nela foi em 1996, quando fiz o programa de intercâmbio durante a licenciatura. A Karla adorava os seus poemas e foi ela quem me falou de Mary Oliver. Nunca me esqueci do nome, apesar de ter levado alguns anos até a ler. Não penso que seja muito conhecida em Portugal, pois não encontrei nada dela traduzido em português. Uma pena, como já mencionei no outro dia.

Não me recordo da última vez que tivemos um dia inteiro de sol. Quase todos os dias está nublado e muitas vezes chove. Se não fosse andar distraída com o trabalho, o cão, e as mudanças, acho que estaria à beira de uma depressão data a falta de luz. Apeteceu-me a Primavera assim que passou o Natal e pensei como era estranho desejá-la tão cedo, poucos dias depois do Inverno começar. Talvez eu ainda esteja habituada à claridade de Houston.

Depois do trabalho arrumei algumas louças para levar para a casa nova. Muita louça portuguesa tenho eu. Acho que o PIB português cresceu umas décimas à minha conta. Felizmente a nova cozinha tem bastante arrumação; o único problema é eu ser tão baixa que, mesmo com um escadote, tenho dificuldade em chegar às prateleiras de cima. Não tenho nenhuma noção do quão pequena sou, mas uma vez eu e as minhas amigas americanas tirámos uma foto de grupo e lá estava eu minúscula entre elas. Na aula de yoga a instrutora acha muita piada que eu seja a mais pequenina que lá está. A verdade é que a maior parte das vezes, dá muito jeito ser pequena.