terça-feira, 27 de agosto de 2019

Farol ou canário

No dia 20 de Agosto, o Financial Times publicou uma pequena notícia acerca dos imigrantes em Portugal. A peça, escrita por Peter Wise, dizia que o país estava com falta de mão-de-obra, especialmente a qualificada, e o que valia em muitos sectores eram os imigrantes e cito: os filipinos, nepaleses, asiáticos, brasileiros... Pessoas que ajudavam o país a andar para a frente porque com esta restrição populacional será difícil o país crescer acima da média da UE.

Isto é generosidade do Sr. Wise porque em Portugal estar abaixo da média é um grande desempenho, senão o país não estaria "estagnado" há uns 20 anos. Mas há que observar que num país em que os cidadãos dominassem minimamente a língua que usam diariamente, "estagnado" não seria bem a palavra adequada porque implica que os portugueses estariam na mesma, mas se a roupa que se usa está mais velha, perde-se mais tempo para ir ao médico, e os telemóveis e carros que se compram não são tão sofisticados, não se está estagnado, está-se a empobrecer.

Esse artigo também falava do programa Regressar do governo, que diz ser um programa muito generoso, deve ser por causa do 6,5 mil euros em benefícios fiscais que dá para aliciar os portugueses a regressar. No outro dia estavam a discutir esse programa num grupo de emigrantes portugueses no Facebook do qual pertenço. Muitas pessoas achavam o montante ridículo, mas aquela malta é quase toda emigrada nos EUA e aqui tudo custa muito dinheiro porque se ganha melhor do que aí e paga-se relativamente menos em impostos. Ou seja, como me diz frequentemente uma amiga minha emigrada no Reino Unido: Portugal é bom para se passar férias, não para trabalhar.

A notícia mais recente sobre Portugal no FT diz que o país tem um futuro brilhante pela frente e vai ser o farol para o resto da Europa. A metáfora mais adequada é capaz de ser a do canário na mina, dado o avançado envelhecimento da população, dívida pública elevada, e a chata da corrupção, que serve para canalizar dinheiro para sectores não produtivos da economia, ao mesmo tempo que asfixia os que poderiam gerar crescimento.

O artigo do FT termina com uma frase fantástica: "Portugal must have a clearer vision for its future direction and economic strategies." Agora que vocês estão prestes a votar, expliquem lá que visão e estratégia económica cada partido oferece para o país. Os partidos não têm plataformas políticas, os jornalistas não estão interessados em fazer perguntas, e o resto dos comentadores discutem sondagens e projecções de resultados eleitorais, como se a política fosse um desporto em que se contam golos.

Mas gosto de puzzles e, de vez em quando, aparece uma peça: em Fevereiro, o Público publicava o seguinte a propósito da ligação Coimbra-Lousã:

"Para o primeiro-ministro António Costa, o atraso explica-se com a necessidade de “garantir o financiamento da solução” prevista. Isto porque “a história das últimas décadas está cheia de projectos, designadamente neste corredor, que seguramente eram encantadores, mas que pura e simplesmente não eram viáveis”. Era preciso “desenhar o modelo” e “negociar em Bruxelas, no quadro da reprogramação” de fundos comunitários."

Fonte: Público, 4/Fev/2019

Ou seja, o líder do PS acha que vai manter o país à custa de fundos comunitários da UE e o Financial Times acha que a UE é capaz de não ter grandes razões para estar contente com o futuro, logo tem comprometida a capacidade de gerar fundos comunitários. Vá, usem lá as celulazinhas cinzentas para ver se a bota bate com a perdigota...




quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Coimbra

No Domingo, com o propósito de ir à procura de um livro de poesia para a minha colecção de Everyman's Library Pocket Poets, fui ao Barnes and Noble, uma rede de livrarias americana. Eu e as livrarias é um perigo porque saí de lá com mais de $100 exercendo extrema contenção e depois de já ter comprado uns quatro livros este mês. Bem sei, bem sei, que o pior é quando mudo de casa.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Uma enorme pena

Muita pena que não tenhamos um Presidente da República que tenha noção do cargo que ocupa e que não tenha defendido a Constituição no episódio da greve. Bem sei que prescindiu do salário, mas, que raio, precisa de fazer mais do que aparecer nas fotos e dar abraços. E dar entrevistas na praia de calções de banho ridiculariza a Presidência.

Como as eleições estão à porta, tenho uma sugestão: que tal tornar público que não dará posse a governos que violam a Constituição? Até o Professor Cavaco obrigou a Geringonça a assumir que não iria violar os compromissos externos antes de lhe dar posse. Infelizmente, esqueceu-se de de pedir à Geringonça que honrasse a Constituição, mas o Professor Marcelo está a tempo de o fazer.

domingo, 18 de agosto de 2019

Estudos étnicos

Estudos étnicos é uma área que só é dada na faculdade, mas a Califórnia quer que os alunos K-12 (pré-escola até décimo-segundo ano) tenham estudos étnicos e anda a tentar desenvolver um currículo para a área. Só que é difícil porque vivemos num período em que ser factual não combina com ser politicamente correcto e muitos dos tópicos são tudo menos politicamente correctos. E há também o problema de ser um tópico com uma enorme carga política.

Para além disso, os EUA têm uma longa história de ostracisarem pessoas de certos grupos. Houve os irlandeses, os alemães, os chineses, os japoneses... e, claro, os negros e os americanos nativos. O Ron Elving publicou no mês passado uma pequena lista de ofendidos.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

A minha quota-parte

Nas últimas semanas, estive a trabalhar numa peça acerca do uso de quotas para corrigir discriminação. Hoje, o Público disponibilizou online o que eu escrevi.

Das coisas que li em Portugal acerca de quotas nos EUA, achei que havia uma lacuna enorme de conhecimento da história dos EUA do século XX, o que me deixa perplexa, pois se há sociedade que disponibiliza conhecimento de borla, é decerto a americana. Por isso escrevi esta peça.

No que escrevi tentei comparar o contexto americano e o português porque não é boa ideia copiar políticas americanas sem perceber o porquê de elas existirem. O Brasil fazê-lo faz mais sentido do que Portugal, pois os EUA e o Brasil são ambos antigas colónias. Mesmo assim, o contexto é diferente, pois a mistura de raças e etnias é mais comum no Brasil do que nos EUA.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

O Douro em Memphis

No Sábado fui às Dixon Galleries and Gardens e, por acaso, encontrei lá o Douro pelas mãos da Elizabeth Alley.










Mais provas de aportuguesamento

Foi surpreendente que esta semana se tivesse falado tanto em “gun control”; tanto, tanto, que até Mitch McConnell, o líder Republicano, disse que o Senado teria de discutir a questão em Setembro (mas pessoalmente acho que isto só lá vai se houver mais uns tiroteios entretanto) e o Presidente Trump também admitiu que algo teria de ser feito.

Eis que ontem Jeffrey Epstein se suicidou e, de um momento para o outro, todas as atenções se focaram em como é que uma coisa destas podia ter acontecido a alguém que, depois da sua primeira tentativa de suicídio, estava supostamente sob vigilância constante numa prisão em Nova Iorque, prisão esta sob a jurisdição do Department of Justice, cujo Attorney General é William Barr.

“Supostamente” é a palavra de ordem porque tiraram Epstein da vigilância anti-suicídio, o que é estranho dado que ele tinha insistido muito em ficar sob prisão domiciliária, o que facilitaria uma tentativa. E depois houve a primeira tentativa, logo havia fortes suspeitas de que não seria a única.

Entretanto, a aura em torno do falecido dissipa-se. Afinal não era um génio da alta finança; pelo contrário, um dos seus primeiros clientes, Leslie Wexner, CEO da L Brands, a companhia dona da Victoria’s Secret diz que Epstein lhe fez evaporar 46 milhões de dólares, que depois reaveu porque Epstein fez uma doação para a organização com fins de caridade de Wexner — digam lá se não é conveniente? Wexner não informou as autoridades que Epstein era um "bocadito" ladrão. Para além disso, Epstein também comprou a preço de “amigo” pelo menos um avião, uma mansão em Nova Iorque, e outra mansão em Iowa, que eram de Wexner e família.

Ficou também claro que a antiga namorada de Epstein, Ghislaine Maxwell, foi promovida a sua melhor amiga e aparentemente ajudava a recrutar vítimas para o ex-namorado; até fazia a simpatia de as instruir na técnica de broche e outros prazeres sexuais apreciada por Epstein. (Ah, mulheres fofinhas, aquelas que estão atrás de homens deste calibre...)

Ghislaine foi educada nas escolas elite do Reino Unido, pois era filha de Robert Maxwell, imigrante checoslovaco no Reino Unido, antigo membro do Parlamento britânico e dono do Mirror Group, que detinha o Daily Mirror, e que desviou dinheiro dos fundos de pensão das empresas que geria para evitar a falência — faz-nos pensar acerca da qualidade da imprensa, quando os proprietários se enfiam nestas tramóias.

Uma outra filha da elite, a Abigail Disney -- sim, sim, pseudo-irmã do Rato Mickey --, tem andado na comunicação social a advogar impostos mais altos para os ricos porque diz que o universo em que estes se movimentam pertence a uma realidade paralela com regras que não têm nada a ver com as que regem o universo dos comuns mortais. Confere. A meu ver, se os ricos não se apercebem que lhes roubaram $46 milhões, não há grande perda para a humanidade se começarem a pagar mais impostos.

Pela Internet circulam fotos de Epstein com pessoas como os Trump, os Clinton, Príncipe Andrew, etc. Os liberais acham que Epstein morreu para proteger Trump, pois tiveram negócios juntos, inclusive a aquisição de Mar-a-Lago parece ter sido financiado com a ajuda de Epstein. Os conservadores vêem na morte de Epstein mais uma tramóia do “deep state”, pois é claro que Epstein iria comprometer os Clinton. (O “deep state” é aquela força tão poderosa, que fez tudo para que Hillary Clinton ganhasse a presidência americana. Super-competente, portanto.)

Os Republicanos não sabem para onde se virar, mas ontem o Ben Sasse, um senador Republicano do Nebraska, achou por bem enviar uma carta a William Barr a pedir satisfações. Ontem, Sábado. Depois, armado em Joe Berardo, publica a carta na Internet para todos verem, certamente antes de Barr lhe ter posto a vista em cima. Aguardemos que William Barr se arme em Ferro Rodrigues e denuncie esta falta de respeito para com as instituições.

Isto tudo parece digno da República Portuguesa, mas eu bem digo que os EUA se aportuguesaram.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Members of the press, WTF?

A semana passada começou, na Segunda-feira, com um tiroteio num Walmart em Southaven, MS, aqui mesmo ao lado de Memphis, TN, no qual morreram duas pessoas. O autor era um empregado frustrado da loja.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Auto-contradição

Estava a ler um comentário ao post do Zé Carlos ao qual achei muita piada porque é muito frequente a auto-contradição em Portugal. ATAV acha a esquerda moralmente superior porque é tolerante, pois supostamente defende mulheres e minorias, ao mesmo tempo que escreve demonstrando ter uma repugnância -- ou será um ódio -- a quem considera de direita. O ensino da língua portuguesa é muito deficiente.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Sem palavras

Penso que se contarmos todo o tempo que vivi em Memphis, já tenho cerca de 4,5 anos; no entanto, hoje foi a primeira vez que fui ao Lorraine Motel, o sítio onde Martin Luther King, Jr. foi alvejado, e que agora é o National Civil Rights Museum. É uma experiência muito estranha porque não me escapa que faço parte do povo que inventou a rota de comércio triangular, pelo qual se comercializava escravos, sobre a qual aprendemos muito relaxadamente no oitavo ano, nas aulas de história.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Identidade: uma palavra incontornável e perigosa

No ocidente, durante quase todo o século XX, os partidos situaram-se num espectro da esquerda à direita – comunistas, socialistas, social-democratas, democratas-cristão, liberais, conservadores. O desejado grau de intervenção do Estado e o empenho na igualdade ou na liberdade individual serviam para situar os partidos (e as pessoas) mais à esquerda ou mais à direita. Como é sabido, esta classificação ou arrumação tem óbvias limitações e falhas – desde logo, há uma discussão interminável sobre os conceitos de igualdade e liberdade e sobre a compatibilidade entre os dois. E, no entanto, é uma classificação útil. As pessoas precisam de opostos para pensarem e para se posicionarem.
A credibilidade do socialismo marxista caiu nas ruas da amargura quando deixou de ser possível ignorar ou disfarçar o que se passava em regimes grotescos como a União Soviética. Há muito que a própria social-democracia começou a ser questionada. A crise de 1973 mostrou que, afinal, o crescimento económico não era eterno e sem crescimento o Estado-Providência, como antes se dizia, fica sob ameaça. Além disso, tornaram-se evidentes alguns dos efeitos perversos de prestações sociais generosas, como os desincentivos à procura de emprego e ao empreendedorismo. A esquerda começou então a voltar-se para as reivindicações identitárias. Como acontece há décadas, a tendência nasceu nos EUA e, lentamente, foi alastrando pelo resto do ocidente. 

A identidade é um conceito moderno. “Quem sou eu, afinal?” não era uma questão que atormentasse os indivíduos em sociedades rurais, em que todos viviam em pequenas comunidades com valores bem estabelecidos. A questão da identidade emergiu em sociedades urbanas, desenraizadas, com indivíduos isolados e solitários. No século XVIII, há já uma extensa literatura sobre a relação do indivíduo com uma sociedade opressora – Jean-Jacques Rousseau é talvez o exemplo mais conhecido. Em suma, a questão da identidade tornou-se incontornável.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Recordando…


Há  sessenta  anos, no dia 29 de Julho  de 1959, completei  a  licenciatura  em  Ciências  Históricas e Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com a defesa da tese que para o efeito elaborara: A arqueologia do  Concelho de Torres Vedras. Contribuição para o seu estudo até à época Lusitano-Romana. Era  o primeiro  final da minha  vida  escolar – voltaria  à escola mais vezes – mas esse primeiro passo ficou bem gravado na minha memória.

Para quem não saiba – e muitos não saberão – vou dizer em que consistia uma licenciatura nesses anos 50 do século XX. A entrada na Universidade dependia da aprovação de um dos cursos terminais do ensino liceal, de sete anos, que estavam agrupados em alíneas. A alínea d) era a que conduziria ao curso que eu escolhera, a alínea e) dava acesso a Direito e a f) aos muitos cursos da Faculdade Ciências ou Engenharias. Quem obtivesse a média de 14 valores, entrava directamente na Universidade; quem não a alcançasse teria de fazer um exame de admissão.

No caso do meu curso, ele consistia em quatro anos de “cadeiras”, como se dizia então, umas anuais, outras semestrais. Ao todo eram 26 – 13 de matérias de História e 13 de matérias de Filosofia. Todas elas tinham exames de frequência e final – provas escritas, as orais eram muito raras – e havia uma época de recurso para quem reprovasse no final do ano (ou quisesse melhoria de nota). Terminadas todas as cadeiras com aprovação, o aluno teria, para obter o grau de licenciado, de elaborar uma tese original com tema de sua escolha e defendê-la perante um júri que tinha, alem disso, a tarefa de interrogar oralmente o candidato em quatro matérias: História de Portugal, História das Civilizações, História da Filosofia Moderna e Contemporânea e Psicologia. Havia ainda uma prova escrita prévia de Lógica…

Depois dos quatro anos do curso, o ano seguinte era reservado para a elaboração da tese e preparação dos exames. Em rigor, quem quisesse poderia requerer o exame no 4º ano, mas como se compreende era uma tarefa muito difícil, ainda que não impossível: o Doutor Oliveira Marques fê-lo (creio que em 1958). Eu nem sequer considerei a hipótese! O tema da tese que escolhi exigia muito trabalho no exterior, quer em museus, colecções particulares, quer em bibliotecas e mesmo em trabalho de campo. Eu tinha-me rendido à arqueologia pré-histórica e por isso procurei fazer um trabalho exaustivo, que acabou por ficar materializado em dois grossos volumes – um de texto e outro de gravuras, o primeiro com 294 páginas e o segundo com 99.


Foi precisamente há sessenta anos, neste dia 29, que defendi a minha tese. O arguente foi o Prof. Manuel Heleno, que era o professor catedrático da área, e as coisas correram bem, sendo menores as objecções feitas ao que escrevera. O resultado não correspondeu inteiramente ao que desejava, mas a culpa não foi da tese, mas de uma prova que me correu francamente mal, a de História de Portugal. Não quero desculpar-me, mas a Professora Virgínia Rau devia ter dormido mal na noite anterior e resolveu brindar-me com questões que me deixaram literalmente a “ver navios”… Em suma, tive 14 valores como nota final de licenciatura.

Mesmo assim festejei. Alcançara o diploma que me permitiria trabalhar como professor. Mas acalentava, confesso, a possibilidade de continuar a estudar e evoluir em arqueologia. Tal não aconteceu – são outras histórias que nem vale a pena recordar aqui. Dois meses depois, iniciava a minha carreira como professor no Liceu Nacional de Santarém. A arqueologia continuou a ser um hobby, durante alguns anos, e depois foi substituída pelo empenho total nas coisas da educação.  

Perdoe-se-me esta evocação muito pessoal. Mas sessenta anos é mesmo muito tempo, e os velhotes gostam destas coisas…

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Possibilidades

Como o nosso ilustre PM acha que se governa não governando, incentivo os meus ilustres conterraneos lusos a exigir que se eleja um@ PM fofinh@ nas próximas eleições. Não, fofinh@ não quer dizer obeso; fofinh@ quer dizer um cão ou um gato jeitoso, ou um homem atencioso e bem-parecido. E também pode ser uma mulher incompetente para que possamos começar a preencher as quotas femininas.

Agora continuar como está, é dejá vu a mais.

terça-feira, 23 de julho de 2019

Os recursos desumanos

“O problema afeta praticamente todas as regiões do país e todos os sectores. É preciso pessoal qualificado nas áreas das tecnologias de informação e comunicação, na indústria, na agricultura, no turismo, na construção civil.”

Pedro Siza Vieira, Ministro Adjunto da Economia, Expresso, 20/7/2019

Permitam-me discordar. De há uns tempos para cá, os governos portugueses só vêem tecnologia como uma ferramenta de cobrança de impostos. Os restantes ministérios não usam tecnologia. Por exemplo, no início do ano, o Ministério das Finanças enviou emails a informar os contribuintes que tinham de limpar as matas de que eram proprietários. Ficamos logo a saber que o ministério ao qual compete administrar o território não tem recursos para cumprir a sua missão e sabemos que o estado ainda não sabe quem tem matas, logo como é que vai castigar os prevaricadores? Se forem ver as páginas de Internet de outros ministérios, encontram links partidos, coisas desatualizadas, etc.

Esta fixação em saber o que as pessoas gastam online para cobrar os impostos leva a que o público no geral desconfie das novas tecnologias para efeitos produtivos, i.e., que contribuam para o crescimento da economia. Há sítios em Portugal onde as lojas passaram a negociar apenas em dinheiro. Agora que os bancos cobram um balúrdio para ter uma conta, levantar dinheiro, etc., para já não falar na falta de confiança que todos os buracos bancários inspiram, mais incentivo há para evitar a economia virtual. Se o Facebook permitir mesmo às pessoas guardar dinheiro em libras facebookianas ou se aparecer um outro mecanismo semelhante, temo que os bancos portugueses fiquem sem parte dos seus depósitos.

domingo, 21 de julho de 2019

Discriminação de sardinhas e outros

Há uns anos, uma amiga portuguesa ofereceu-me algumas sardinhas da Bordallo Pinheiro. Tenho o guitarrista e a fadista, que são vendidos em conjunto, e o marco de correio e o postal, que são individuais. Calhou no outro dia ir ao Target (é uma loja tipo Continente, mas não vende tantos produtos frescos) e na secção de saldos encontrei um peixe de cerâmica branco decorado com desenhos a azul, que me recordou de Portugal, e que serve para decorar a borda dos vasos de plantas (tem uma cavidade na parte de baixo para ser montado no vaso). Como também tinha um burado na parte de baixo pensei imediatamente que podia pendurar na parece ao lado das minhas sardinhas e foi o que fiz.