Por
uma questão de sobrevivência, nós (e o resto dos animais) privilegiamos as
ameaças em relação às oportunidades. O negativo suplanta o positivo. A
sensibilidade à ameaça funciona também no campo simbólico. Palavras carregadas
emocionalmente e palavras “más" (guerra, corrupção, crime, crise, sangue, violação) atraem a atenção
mais depressa do que as palavras felizes (paz, generosidade, altruísmo, amor). Por isso,
as más notícias vendem mais do que as boas, como sabe qualquer jornalista
experimentado.
"E o resto dos animais"?
ResponderEliminarNão entendo esta conclusão.
Os animais em geral, e algumas espécies em particular, dão exemplos extraordinários de sociabilidade e cooperação que os humanos racionalmente não conseguem depois de milénios de evolução e filosofia. Nem conseguem atingir nem, em muitos casos, entender.
As abelhas, as formigas, as aves, ...
A alguma espécie animal, salvo a espécie humana, pode ser imputado o labéu de privilegiar as "notícias" más à notícias boas?
As espécies que sobrevivem e se reproduzem sempre trataram as ameaças como mais urgentes do que as oportunidades. A sensibilidade à ameaça é uma condição de sobrevivência e reprodução de qualquer espécie animal. Quando não têm esse instinto desenvolvido, estão condenadas a durar pouco.
EliminarSerá que os machos das aranhas, escorpiões, louva-a-deus, etc. consideram a ameaça de serem comidos pela fêmea mais urgente que a oportunidade de se reproduzirem?
EliminarÉ uma questão interessante.
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ResponderEliminarEstamos, Caro J C Alexandre, a falar de questões diferentes, salvo melhor opinião.
O rato entre a oportunidade de comer o queijo e a ameaça da ratoeira, evita instintivamente a ameaça.
O que o rato não tem é o sentido do interesse perverso pelas más notícias, pelas imagens ou pelas situações que atormentam os outros. Esse interesse perverso é inerente aos humanos.
Um interesse perverso que explica o espaço e o tempo que os media exploram até ao tutano essas situações. As imagens dos incêndios no verão, por exemplo.
Prezado Rui Fonseca, agora percebi melhor o seu ponto. De qualquer maneira, quando se fala de crise, corrupção, guerra, terrorismo, incêndios, etc. penso que essas palavras não desencadeiam apenas um interesse perverso pelo que atormenta os outros - embora isso também exista, claro. Há, além disso, um interesse em saber ou perceber de que maneira essa ameaça pode afectar a nós e aos nossos. Além disso, há também uma solidariedade com as perdas dos outros, de estranhos, uma espécie de altruísmo negativo - a propósito, isto está-me a dar mais uma ideia para um post sobre a aversão do ser humano às perdas, as suas e as dos outros - esta é uma das ideias-chave da teoria da prospecção do Daniel Kehnman que entra em choque com a teoria económica convencional e que o levou a ganhar o nobel em 2002.
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