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segunda-feira, 11 de abril de 2016

Hobbies caros

"Os primeiros-ministros da Grécia e de Portugal assinaram hoje uma declaração conjunta em que prometem cooperar, sobretudo na resposta à crise migratória, e criticam as consequências das políticas de austeridade na União Europeia."

Fonte: SAPO 24/Lusa

É esperado que a Grécia fique sem dinheiro (outra vez) durante o início deste verão, que é a altura em que se dará o referendo do Brexit. Será provável que Portugal leve uma guinada dos mercados por arrasto, isto se a DBRS não der uma guinada primeiro no final deste mês.

O problema da Grécia e de Portugal não é a austeridade porque a dívida pública continua a aumentar; austeridade implica que a despesa diminui o suficiente para os países não precisarem de se endividar ainda mais. Se os países continuam a endividar-se ad eternum, é porque continuam a gastar bastante acima do que podem gastar. E um corolário óbvio é que gastam o dinheiro mal porque onde o gastam não gera retorno em termos de crescimento que pague o que se pediu emprestado.

Se António Costa ainda não percebeu a natureza do problema, a realidade não se coibirá de lhe dar uma lição de borla -- quem a pagará serão os portugueses. Educar Primeiros-Ministros é um hobby muito caro...

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Promessas gregas...

No outro dia comprei um novo creme anti-rugas. Encontrei um que era grego, que me agradou: não tinha certos químicos que eu evito, nem perfumes. Hoje abri a embalagem e fui agradavelmente surpreendida: o boião é mais pequeno do que os boiões de certas marcas, como a Estée Lauder, a Elizabeth Arden, ou a Origins. 

Para além disso, o material do boião é vidro, só a tampa é que parece ser de plástico. Fiquei contente porque eu não gosto de plástico, apesar de aqui dar para reciclar. Quando se recicla plástico, a qualidade do plástico reciclado é inferior à qualidade do plástico original; com o vidro, a qualidade mantém-se, logo é preferível usar e reciclar vidro a plástico.

Bem, só espero que os gregos mantenham as suas promessas e eliminem mesmo as rugas. Ah e não me digam o que me dizem nos balcões da Estée Lauder: "Mas você não tem rugas!" Obviamente que não, porque eu uso cremes anti-rugas. Duh!

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Parabéns à Grécia...

A maior parte das pessoas não gosta do Tsipras. É pena. Ele, com todos os seus defeitos, está a conseguir dar à Grécia uma coisa que quem veio antes dele não deu: consegue inspirar o povo e trazer ao país estabilidade política. Sim, houve eleições, mas ele ganhou outra vez. Nas outras vezes, quando havia eleições, mudavam de governo.

Estabilidade política é uma coisa muito valiosa, mas muito menosprezada. Portugal está prestes a ter um encontro com a instabilidade. Acho que o Nuno Garoupa tem razão: depois destas eleições a probabilidade de haver instabilidade política em Portugal será grande. E, nessa altura, veremos, outra vez, o preço que se paga pela coisa. Talvez um dia destes aprendamos a lição...

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Ode ao Fisco

Há quase duas semanas, ouvi uma entrevista de um professor de economia grego, que trabalha no American College of Greece. Uma das coisas que ele disse foi que os gregos têm de melhorar a colecta de impostos. Para o fazer, ele sugeriu que a Grécia pedisse ajuda aos EUA para ver como é que o Internal Revenue Service (IRS) controla a evasão fiscal; também falou em obrigar as pessoas a pagar electronicamente todas as transacções de valor superior a €50.

Eu abanei a cabeça. O que ele quer não tem nada a ver com os EUA. Os americanos usam muito o sistema de honra para pagar impostos. Há lojas que até passam recibos à mão. O que ele quer é o sistema português. E isto é uma oportunidade para Portugal brilhar. Porque é que o governo português não partilha o que aprendeu em Portugal nestes últimos anos com a Grécia? Aliás, o que o Ministério das Finanças devia fazer era escrever um case study de como Portugal modernizou a colecta de impostos. Apesar de eu detestar e ser contra a invasão de privacidade, acho que o sistema português deve ser dos mais modernos do mundo. Podia ser melhorado, mas ainda não está acabado, logo quem sabe o que nos aguarda amanhã?

domingo, 19 de julho de 2015

Comprei grego, mais ou menos...

Antes de mais, um aviso: eu sou teimosa!

Hoje comprei grego outra vez. Fui comprar umas linhas de costura e calhou que a cor mais parecida com o que eu queria arranjar era uma marca alemã fabricada na Grécia. Havia outras alternativas, mas as linhas de poliester eram feitas na Alemanha. 

No outro dia comprei Fage--acho que já vos tinha dito--; por acaso é o meu iogurte preferido. Quando estava em Washington, DC, fui a uma mercearia  mediterranica e comprei um chá grego. Isto vai indo! Baby steps...

É no interesse da Grécia e de Portugal que a Grécia produza mais e exporte. Lembram-se dos pastéis de nata? O que funciona para Portugal, também funciona para a Grécia. Mas nós temos de fazer a nossa parte, que é comprar o que eles produzem. 

Se a Grécia recuperar, há uma probabilidade que é um número entre 0 e 1 deles pagarem o que devem; se a Grécia não recuperar, essa probabilidade é nula (0). O comportamento óptimo para reavermos o dinheiro será que todos contribuam e comprem grego quando têm a oportunidade. Eu tive oportunidade, logo comprei. Podem analisar o problema através do dilema do prisioneiro. Pois é, é óptimo cooperar, em vez de competir, para maximizar o bem estar de todos. 

 


sexta-feira, 17 de julho de 2015

Exportações da Grécia

uma série de gráficos que comparam a Grécia antes e depois da entrada no euro, na Bloomberg. Para mim, o gráfico mais interessante é o das exportações para a zona euro vs. resto do mundo.

Depois de adoptar o euro, as exportações para o resto do mundo subiram muito mais depressa após 2006. Para a zona euro subiram um bocadinho; depois, em 2008, tropeçaram e nunca mais recuperaram o nível que tinham nesse ano. Já as do resto do mundo, vê-se o efeito da crise financeira internacional, depois uma forte recuperação e, em 2013, as coisas começaram a correr mal. Os problemas com as exportações são claramente pré-Syriza.

Como é que se explica que os parceiros da UE não comprem mais à Grécia? Parte da explicação são as políticas de austeridade, mas essas políticas afectam mais os rendimentos das pessoas nos países mais pobres da UE. As pessoas nos países mais ricos não perderam assim tanto nível de vida.

Poderei inferir, então, que eram os países pobres que contribuíam mais para o crescimento das exportações gregas dentro da UE? Ou será que houve uma clara intenção dos países ricos não comprarem mais à Grécia? Ou nem pobres, nem ricos, querem consumir grego?

Tão próximos e tão distantes

Estava a ler um pequeno texto na Bloomberg acerca da situação na Grécia estar a deteriorar-se tão rapidamente. Na peça há um gráfico que me fez dar umas gargalhadas. Sim, eu sei que os alemães ganham mais do que os gregos, mas mesmo assim não deixa de ser engraçado que, em termos de dívida pública per capita, estejam tão próximos uns dos outros.

Mas, mesmo rindo-me, há sempre uma coisa no fundo do meu pensamento: a Grécia é um país que pertence ao clube dos países mais ricos do mundo. Se este bloco não consegue encontrar uma solução para o problema sem destruir completamente a Grécia, então que esperança podemos ter para o resto do mundo?

quarta-feira, 15 de julho de 2015

A floresta e as árvores

Há uma expressão idiomática americana que diz "you can't see the forest for the trees", quer dizer, há pessoas que prestam tanta atenção às árvores, que não conseguem ver a floresta. Parece-me que esta expressão é muito adequada no caso da Grécia e da UE. Fala-se muito no Tsipras e no que ele faz e não faz. O que ele faz é barulho, mas não tem grande margem de manobra, nem sequer poder de negociação. Quem tem todo o poder de negociação é a Alemanha. Se a Alemanha quisesse que a UE oferecesse um resgate diferente à Grécia, não teria problemas nenhuns em fazê-lo.

Posto isto, não faz sentido falar na credibilidade de Tsipras porque quem não tem dinheiro, nem opções, faz o que lhe deixam, não faz o que quer. Pode tentar fazer outra coisa, pode dizer que vai tentar fazer outra coisa, mas quem sabe avaliar a distribuição de poder na relação, pode muito bem ver quando há bluff e quando não há. Vale a pena, no entanto, pensar na credibilidade de quem tem mais poder porque esses têm poder de negociação e margem de manobra. E quando se tem poder, não faz sentido fazer bluff, especialmente se não há a intenção de seguir em frente com a ameaça porque, se o bluff for chamado e não se fizer o que se disse, a credibilidade vai ao ar. É o caso de Angela Merkel.

Primeiro, a Sra. Merkel dizia que a UE não estava a atravessar crise nenhuma, depois que a crise estava contida e não havia possibilidade de contágio dos problemas da Grécia, depois o problema da Grécia estava resolvido e nem se punha a questão do país sair do euro, depois se os gregos votassem "Não" ao referendo, era provável que saíssem do euro. Ou seja, em que ficamos, Sra. Merkel?

Já defendi aqui que a Grécia não sai do euro por pressão dos EUA. Enquanto Schäuble não quer saber da posição dos EUA na equação, Merkel, apesar de mandar bocas aos americanos, é fiel aos EUA. Henry Kissinger uma vez perguntou "Who do I call if I want to call Europe?" Vladimir Putin também foi confrontado com essa questão quando um avião cheio de europeus foi abatido sobre a Ucrânia. A resposta de Putin: "Barack Obama". É um bocado diferente da forma como José Manuel Barroso tinha interpretado a questão de Kissinger.

Ontem foi um dia histórico para Barack Obama, pois foi anunciado o acordo dos EUA com o Irão. A notícia foi tão inesperada e importante que o drama da Grécia foi relegado para segundo plano. Agora pensem bem nisto: na segunda-feira é anunciado um acordo com a Grécia; na terça-feira é anunciado um acordo entre os EUA e o Irão; na quarta-feira o FMI diz que não quer participar no acordo da Grécia, sem que haja cortes significativos na dívida (esta postura do FMI é interessante porque claramente indica que o FMI não confia na Alemanha).

Estou mesmo a imaginar a conversa entre Obama e Merkel:

Obama: "Querida Angela, se os EUA podem chegar a um acordo de compromisso com o Irão, explica-me porque é que a UE não pode chegar a um acordo de compromisso com a Grécia que seja favorável a ambas as partes?"
Angela: "Não subsidiamos vagabundos."
Obama: "Então explica-me porque é que os cidadãos americanos, que têm seguros de desemprego miseráveis e têm o sistema de saúde mais caro do mundo civilizado e com piores resultados, têm de pagar para proteger a UE militarmente? Não foste tu que sugeriste que os EUA deviam gastar menos em despesas militares e mais no bem-estar dos seus cidadãos? A propósito, não é a Alemanha que tem as forças militares em ruínas? Ouvi dizer que os soldados alemães têm de fazer de conta que cabos de vassoras são metralhadoras durante os exercícios da OTAN. Ainda não gastaste um euro sequer com a crise da Grécia no orçamento alemão, apenas te comprometeste no papel. E já agora, não é a Alemanha o país que mais beneficiou com o euro, ou seja, não tiveram vocês um "free lunch"? "
Angela: "Hmmm?!?"

Pois, eu também não sei a resposta. O que eu sei é que o mandato de Angela Merkel chega ao fim em 2017 e, daqui a cinco meses, celebra-se o seu décimo aniversário no poder. Se a Grécia sai próximo do seu mandato, há bronca na UE, e o projecto europeu se desintegra, toda a sua administração será eclipsada pelo desastre.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Um dia excelente!

Então a Grécia tem um acordo, que é completamente maluco. Quando o drama (re)começou, a minha chefe perguntou-me o que é que eu achava que ia acontecer. Eu disse que ia haver barulho e depois um acordo à moda do costume. E eu estava 100% correcta, ou seja, justifiquei o meu salário. Gosto!

A cereja no topo do bolo é que na Bloomberg acabaram de chamar aos dirigentes da UE de loucos. E usaram a citação do Einstein. Ah, pá, foi o que eu postei no outro dia.

Eu sei que em Portugal temos de ser humildes, especialmente se formos mulheres. Que se lixe a humildade. Hoje foi um dia óptimo para mim...

Caros colegas do Syriza

Tsipras Faces Syriza Mutiny After Capitulating to Demands -- on Bloomberg.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Isto promete!

Um tweet do Ian Bremmer, president do Eurasia Group:

Uma op-ed de Mohamed El-Erian a dizer que o Tsipras pode muito bem ser brilhante; para já demonstra um talento fascinante para manobras políticas:

Alexis Tsipras, Greece’s charismatic prime minister, has shown a fascinating talent for political maneuvering.

When an impressive electoral victory carried him to office in January, he inherited a horrid economic and financial situation. He initially struggled to gain control, and relations with creditors collapsed in an acrimonious mess. But as Greece teetered on the edge of an economic and institutional abyss, he repeatedly caught everyone off guard by taking charge of a narrative that was slipping away both at home and abroad.

Now, he may be able to deliver what many (including me) thought improbable: a policy deal that is acceptable to the majority of Greeks, the country’s European partners and the International Monetary Fund. Yet, as brilliantly as he appears to have navigated the crisis so far, he still faces an uphill battle that will determine his political legacy.

From Angela to Alexis, with love...

Caro Tsipras, a sério, pá?

Ao fim de cinco meses a espernear, tu comprometes-te com a austeridade? Afinal diziam-me que eras irresponsável e suicida, que eras o problema da UE, e vergas-te assim tão facilmente?

Ah, e para quando poderemos contar com uma campanha da Angela Merkel a comer iogurte grego com uns bigodes brancos? O quê? Não incluíste isso na proposta de submissão à Alemanha, perdão, pedido de acordo? Ó pá, estou desiludida contigo...

quinta-feira, 9 de julho de 2015

O elefante na sala

Pelo Facebook e pelos jornais, anda tudo muito indignado com os gregos, a dizer que Portugal se descolou da Grécia, mas a Grécia não se descolou de si própria. Os militantes do PSD, a começar pelo nosso ilustre Primeiro Ministro, querem convencer-nos que os gregos são uns "malandrecos"; nós, portugueses, somos os campeões da virtude, uns estóicos. Espera lá--não podemos ser estóicos, que os estóicos eram gregos... Caramba, que isto é complicado!

Entretanto, nas sondagens das intenções de voto quem tem a liderança é o PS, aquele partido que estava ao volante quando Portugal, o pseudo-estóico, embateu contra a parede do endividamento público, exactamente a mesma parede que tem rendez-vous com a Grécia. Mais grave do que isto é o facto de o actual líder do PS ainda não ter feito nenhuma forma de ruptura nem com os métodos de governação, nem com os boys que (des)governavam Portugal, quando nós pedimos ajuda a uma tal de Troika--a mesma a quem a Grécia pediu ajuda. Não foi a Grécia aquele país de pessoas que elegiam repetidas vezes os partidos que os levaram à bancarrota até chegar os malucos do Syriza? Ah, compreendo! É por isso que nós não somos a Grécia: nós ainda estamos naquela parte da história da Grécia em que eles continuavam a assobiar para o lado enquanto se enterravam.

A nossa Ministra das Finanças tem razão: a Grécia é um problema da UE, não é um problema apenas da Grécia. É pena que o resto do nosso governo não consiga ver o elefante na sala: a Grécia, tal como Portugal, é um país que, ao contrário da Alemanha, não está rodeado de países ricos para lhe comprar bens e serviços. No entanto, é interessante pensar como muitas coisas alemãs conseguem chegar a Portugal e à Grécia, mas não há tanta coisa portuguesa e/ou grega que chegue às lojas alemãs. Será só porque nós não produzimos ou também tem a ver com o facto de os alemães não gostarem de comprar a estes países? Quando eu vou à loja, ninguém me obriga a comprar alemão ou chinês ou americano--eu é que decido.

E eu já decidi: vou boicotar as coisas alemãs. Se os alemães não querem comprar a Portugal e à Grécia, eu também não lhes quero comprar nada. Adeus sauerkraut, olá dolmadakias...

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Comprem grego

A melhor forma de ajudar a Grécia a pagar o dinheiro que deve à UE e ao FMI é comprar produtos gregos. Eles precisam de aumentar as exportações. Não adianta perdoar-lhes parcialmente a dívida, se ao mesmo tempo o exterior lhes compra menos--esta tem sido a razão pela qual as intervenções da UE falharam durante cinco anos. O plano de perdão parcial da dívida alemã depois da Segunda Grande Guerra Mundial incluía incentivos para os países credores importarem produtos alemães. Foi por isso que a Alemanha conseguiu crescer, não foi o perdão da dívida.

Todos nós contribuímos para o sucesso ou o falhanço dos países do sul da UE através das nossas compras. Comprem português e grego. Alex Andreou no The Guardian:

"The people are even more welcoming, more hospitable and more grateful than ever. The reaction to difficulty has been a broader smile, a wider embrace. We understand that you have a choice and we understand why you have chosen Greece right now. Tourism is liquidity. Tourism is solidarity.

[...]

Try to spread the solidarity around: instead of going for very popular destinations, check the smaller islands to which you can fly, or mainland destinations in the Peloponnese, Macedonia and Thessaly. Stunning beaches (and much quieter ones) are never too far away, and some of the sites you can visit are breathtaking. Olympia, the ancient theatre of Epidavros, Delphi, Vergina, Meteora (which you might remember from the climactic scene in For Your Eyes Only), Tempe, Mount Olympus – there are so many. You can find a good guide at greeka.com.

Most importantly, spend your money with small local businesses whenever possible, rather than large multinationals (although even that helps – they still employ Greeks). Your tourism is a form of resistance. You will have the time of your life while helping a nation brought to its knees by international monetary interests."

terça-feira, 7 de julho de 2015

Somos liderados por loucos...

Sinceramente, não sei o que se passa na cabeça dos líderes da UE. Passam a vida a dizer que os gregos não valem nada, a Grécia é um país horrível--não sei quem ainda tem vontade de ir passar férias num país assim. [OK, eu me confesso, ontem estive a ver os preços para ir passar férias à Grécia--é só assim que os gajos arranjam dinheiro para pagar o que devem. Ah e eu também como iogurte Fage, que é uma marca grega. Sabem uma coisa gira? A Fage é uma empresa grega, mas tem sede no Luxemburgo. E comprei chá grego quando estive em Washington, D.C.]

Depois, não contentes com todo o ódio que cultivaram pelos gregos, ainda oferecem um acordo mais duro aos gregos e exigem um aumento do IVA nos hotéis de 7% para 23%. Desculpem, mas quando eu estudei economia, ensinaram-nos que aumentar os impostos e criar má reputação de um serviço reduz a quantidade consumida de um bem e o efeito na receita de impostos é indeterminado. Parem de nos passar por idiotas: a UE quer ser paga ou não? Se não quer ser paga, cortem o financiamento à Grécia e deixem aquilo ir para as urtigas. Não andem a emprestar dinheiro a quem, obviamente, não tem condições de o pagar e não andem a piorar as condições de eles pagarem ainda mais.

Diz o Ambrose Evans-Pritchard (enfase meu):

Greek premier Alexis Tsipras never expected to win Sunday's referendum on EMU bail-out terms, let alone to preside over a blazing national revolt against foreign control. He called the snap vote with the expectation - and intention - of losing it. The plan was to put up a good fight, accept honourable defeat, and hand over the keys of the Maximos Mansion, leaving it to others to implement the June 25 "ultimatum" and suffer the opprobrium.

This ultimatum came as a shock to the Greek cabinet. They thought they were on the cusp of a deal, bad though it was. Mr Tsipras had already made the decision to acquiesce to austerity demands, recognizing that Syriza had failed to bring about a debtors' cartel of southern EMU states and had seriously misjudged the mood across the eurozone.

Instead they were confronted with a text from the creditors that upped the ante, demanding a rise in VAT on tourist hotels from 7pc (de facto) to 23pc at a single stroke. Creditors insisted on further pension cuts of 1pc of GDP by next year and a phase out of welfare assistance (EKAS) for poorer pensioners, even though pensions have already been cut by 44pc.

They insisted on fiscal tightening equal to 2pc of GDP in an economy reeling from six years of depression and devastating hysteresis. They offered no debt relief. The Europeans intervened behind the scenes to suppress a report by the International Monetary Fund validating Greece's claim that its debt is "unsustainable", concluding that the country not only needs a 30pc haircut to restore viability, but also €52bn of fresh money to claw its way out of crisis.

É o stress...

O Alexis Tsipras sofre de herpes labial. Este fim-de-semana que passou, o vírus atacou em força...

O Minotauro Global

O Yanis Varoufakis tem um livro chamado "The Global Minotaur: America, Europe and the Future of the Global Economy ". Um pequeno excerto do livro foi publicado no The Guardian. Eu li e não compreendi. A meio do artigo perguntei-me se eu sabia mesmo inglês porque aquilo era tão "beating around the bush", que eu não percebia a substância do argumento. Eu concordo que a dinâmica da UE cria um processo de divergência entre as economias--isso é mais do que "self-evident"--, mas ele não explica nem como o processo funciona nem como o modificar, e eu fiquei na mesma ignorância que tinha antes de ler aquilo.

Ah e eu detesto ler coisas deste tipo porque na minha cabeça há uma vozinha que me diz: "Não percebi". Quando eu leio coisas destas, a vozinha não se cala...

Faça-se uma guerra...

Num artigo de 2012 do The Economist lê-se:
German internal wartime statistics suggest that when calculated at more realistic rates, transfers from Europe on clearing account were actually closer to 90% of Germany's 1938 GDP. To this adds Germany's official public debt, which internal wartime statistics put at some 300% of German 1938 GDP.

What happened to this debt after World War II? Here is where the Marshall Plan comes in. Recipients of Marshall Aid were (politely) asked to sign a waiver that made U.S. Marshall Aid a first charge on Germany. No claims against Germany could be brought unless the Germans had fully repaid Marshall Aid. This meant that by 1947, all foreign claims on Germany were blocked, including the 90% of 1938 GDP in wartime clearing debt.

Quando eu lia uma outra op-ed sobre o assunto, surgiu-me a solução ideal. Parece que ser escavacado é razão para se ser salvo, de acordo com o Leonid Bershidsky, de quem eu gosto muito. A solução parece-me clara: a Grécia precisa de iniciar uma guerra mundial e de ser completamente escavacada. É uma tarefa monumental de fazer porque são 227 ilhas habitadas das 6000, ou lá o que é, logo é difícil para os europeus coordenar esforços para destruir tanta coisa para se defenderem. No entanto, tenho esperança que seja um plano muito viável.

Se os gregos, que são o cúmulo da preguiça e da incompetência, conseguem implementar um referendo em uma semana sem que ninguém questione os resultados e com uma taxa de participação de 2/3 dos eleitores, deve ser muito fácil iniciar uma guerra. Como resposta, no espaço de um mês, ou assim, os países do norte, que são muito eficientes, destroem as ilhas gregas habitadas para se defenderem. Isto seria uma oportunidade óptima para Portugal usar os submarinos. Os gregos, que são um povo mau, tornar-se-á um povo exemplar. Depois, todos na Europa vivem felizes para sempre e o mundo pode lidar com as diabruras da China.

P.S. Chamaram-me à atenção que não é claro da minha escrita se eu estou a falar a sério ou a gozar. Eu sou contra guerras. Só defendo o uso de força militar em caso de defesa de uma agressão. Não aprecio a forma como a UE tem gerido a crise; aliás, nem se pode falar de gestão porque o que tem acontecido é um agravamento do problema. Por mais pateta que pareça, de vez em quando penso em quantos do meus amigos na Europa eu poderia auxiliar caso houvesse uma nova guerra. Alguns de vós pensam que eu sou pró-Grécia ou contra a Alemanha, mas eu sou relativamente neutra no assunto. Acho que há culpas suficientes para distribuir por todos, mas eu ficaria feliz se uma solução pacífica e duradoura fosse encontrada. É lamentável que um projecto iniciado para promover a paz seja agora usado para cultivar animosidades e conflitos entre os povos. Bem sei que o conflito faz parte do tecido histórico europeu; mas, mesmo assim, eu quero acreditar que ao fim de milhões de anos de evolução, nós somos melhores do que isto. Quero acreditar...

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Contos de fadas à grega

A reacção ao "Não" da Grécia é prova que as pessoas ainda acreditam em contos de fadas. Era irrelevante para questões da dívida os gregos responderem sim ou não. A única coisa que o referendo clarifica é que os gregos querem continuar com o presente governo. Isto para o resto da UE são boas notícias. Se a Grécia decidisse agora trocar de governo, estaria a gastar dinheiro em eleições e precisaria de tempo para uma campanha e se saber os resultados. Isto gastaria dinheiro que os gregos não têm e prolongaria a incerteza durante mais tempo.

Quem acha que a Grécia deve sair da UE vive num mundo de ilusões. Politicamente, a saída seria um desastre pois haveria a grande probabilidade de isto ser usado pela Rússia; a Grécia tornar-se-ia num tabuleiro de xadrez, tal qual se tornou a Ucrânia. Economicamente também não iria adiantar nada. Uma saída implicaria que as perdas incorridas até agora seriam realmente monetizadas, logo seria péssimo para Portugal. Outra coisa péssima seria o precedente. Como é que se atrai investimento estrangeiro quando Portugal seria um país que provavelmente também sairia do euro depois de uma saída da Grécia? E a Itália? E a Espanha?

Posto isto, a solução mais pragmática é ajudar a Grécia a crescer para que possa sustentavelmente pagar as dívidas. Não adianta muito apenas perdoar dívida porque o tecido produtivo do país está completamente destruído. Pensem em ir passar férias à Grécia e deixem-se de lamúrias...

Adenda: A ilusão ainda é pior. Há pessoas que acham que a Grécia sairia do euro, mas não sairia da UE. Como é que a UE deixaria a Grécia a arder e a Grécia ficaria sossegadinha? Eles têm fama de ser um país sossegado?