sábado, 29 de fevereiro de 2020

Cultura geral

Fiquei bastante surpreendida ao ler em comentários no Facebook de pessoas portuguesas que o COVID-19 é uma criação dos media americanos para atacar o Presidente Trump. Penso que as pessoas em Portugal não conhecem o fluxo de notícias dos media americanos, apesar de dizerem que estão ao corrente da comunicação social americana.

Até 5 de Fevereiro de 2020, a maior parte das notícias nos EUA eram sobre o julgamento de impugnação de Trump, que foi votado no Senado nesse dia e culminava um processo iniciado a 24 de Setembro de 2019, com a abertura do inquérito na Câmara dos Representantes.

Em 15 de Janeiro de 2020, foi assinada a primeira fase do acordo comercial dos EUA com a China, depois de 18 meses de uma guerra comercial entre os dois países, que não só dominou as notícias, como tem desgastado a economia americana -- a Reserva Federal começou a baixar a taxa de juro de referência por causa do efeito da guerra comercial. Uma curiosidade: desde o início da guerra comercial, o período mais longo de apreciação do S&P 500 foi durante o processo de impugnação de Trump; antes, o S&P 500 teve várias quedas repentinas, muitas delas associadas a tuítes do Presidente Trump.

Os Centers for Disease Control, a organização nos EUA que investiga e controla doenças, anunciou, em 17 de Janeiro, que iria iniciar medidas de despiste do virus em três aeroportos americanos, mas pouco ou nada se falava sobre o virus então. Só que quando a China impôs medidas de quarentena em três cidades, que foi anunciado a 23 de Janeiro e alargado a 24 cidades no dia seguinte, a China basicamente admitiu que o COVID-19 era um caso sério, e salta para as primeiras páginas dos jornais.

A seriedade do assunto foi confirmada a 3 de Fevereiro, quando o Presidente Xi Jinping afirmou na TV chinesa que o combate ao virus era o assunto de maior prioridade para os chineses. No dia seguinte, Larry Kudlow o Economic Adviser do Presidente Trump disse que as metas do acordo comercial assinado poderão ser adiadas, mas o acordo mantinha-se.

A maior parte dos americanos acha a Administração Trump incapaz de lidar com o vírus, a começar pelo facto de nem sequer se saber se o que Trump diz é verdade ou não. Por exemplo, a certa altura Trump afirmou que o virus era a nova patranha dos Democratas, depois da de impugnação. Para além disso, as pessoas ainda se recordam do furacão Maria que atingiu Porto Rico em 2017 e que oficialmente tinha matado 64 pessoas e um ano depois houve uma revisão do número de vítimas fatais e admitiu-se que excede 3000.

O povo americanos é muito ciente dos riscos que corre porque não só o território nacional está sujeito a bastantes catástrofes naturais, como o próprio país foi sendo organizado em consequência de tragédias naturais. Por exemplo, os Centers for Disease Control foram criados em resposta aos surtos de febre amarela do século XIX e a delineação de poderes entre o governo federal e os governos dos estados também foi condicionada por esses mesmos surtos.

Toda a máquina federal americana está ao serviço da população para a manter informada e ao corrente dos riscos que corre. Mas note-se que este esforço não beneficia apenas americanos, pois os EUA alertam e colaboram com outros países quando identificam um risco, por exemplo, terramotos, furacões, etc. Talvez vocês não saibam, mas os CDC mantêm um sistema de alerta mundial de surtos de doenças infecciosas e ajudam outros países a investigar surtos. Podem ver a missão dos CDC na sua página de Internet.

Hoje em dia, qualquer pessoa tem acesso à Internet. Não há razão para as pessoas não terem melhor noção de como o mundo funciona.

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