Um detalhe engraçado: Calhou que nesse dia vesti roupa azul e só reparei nisso quando cheguei a casa. Quando atravessei o parque de estacionamento estava um monte de gente com propaganda eleitoral a pedir para eu votar neles, e eu ia ali a pensar se eles conseguiam adivinhar para que lado eu tendia, dado que mulher branca em Memphis tende a ser republicana. Talvez tenham lido a mensagem subliminal da minha indumentária antes mesmo de eu a ter entendido.
Na mesa de voto, mostrei a minha carta de condução e assinei os papeis para votar--é preciso assinatura e verificação da mesma. Depois perguntaram-me que boletim queria, se Democrata, se Republicano, e se queria votar com papel e lápiz ou na máquina. Escolhi o Democrata e voto em máquina. Como foram eleições primárias, apenas se escolhia os candidatos do partido que iam concorrer nas eleições intercalares e, desta vez, achei melhor votar nos canditatos democratas; há dois anos, pedi o boletim republicano para votar contra Trump porque achava mais eficaz tentar derrotá-lo nas primárias e, no Tennessee, dá para sermos troca-tintas e podemos escolher em que lado votar em vez de termos de votar no partido previmente declarado aquando de nos registrarmos como eleitores.
Agora os resultados que eu achei giros: Os candidatos que foram selectionados pelos partidos republicano e democrata para governador do Tennessee são ambos mulheres por obra e graça do Espírito anti-Trump ou universo ou Buda ou Zeus porque Odisseia, sei lá: A Marsha Blackburn, que de todo não aprecio (ela é senadora no Congresso dos EUA pelos republicanos e frequentemente tenho vergonha do que diz e faz), e a Jerri Green que é democrata e de Memphis e serve no Memphis City Council. (Note-se que eu vivo em Memphis, que foi o primeiro sítio onde a decisão do Supremo Tribunal dos EUA, que eliminou um distrito com maioria negra na Louisiana, foi usada para partir Memphis, cujo distrito 9 era dois-terços democrata, em três distritos de maioria republicana, pois o voto urbano foi diluído com o rural.)
Depois há uma catrefada de candidatos independentes, quase todos homens. Ora o Tennessee é republicano, logo a Marsha é a que tem a vantagem e provavelmente será a que ganha. Se tal acontecer não muda nada, pois o Bill Lee, que é o governador actual também é republicano, pro-Trump como ela, e é tão bom que o Tennessee é dos estados mais pobres da União, para além do homem ser natural de Franklin, que é terra do KKK.
Mas regojizemo-nos porque as eleições intercalares irão ser curiosas pois, apesar de Jerri ser normalmente nome de mulher, também pode ser entendido como nome de homem, dado que muitos americanos não sabem soletrar (no Starbucks, frequentemente sou Reda), mas Marsha é claramente nome de mulher. E depois há a catrefada de homens independentes que pode diluir o voto na Marsha, ou seja, o efeito Kamala, mas duvido que haja qualquer diluição no voto da Jerri.
Uma das minhas melhores amigas votou Trump há dois anos e está mais do que arrependida, tão arrependida que votou Democrata e, pmais uma vez or obra e graça do Espírito anti-Trump ou universo ou Buda ou Zeus porque Odisseia, sei lá, convenceu o marido que é anti-Trump, mas tende mais para o lado republicano, a votar azul. E efectivamente o voto democrata ganhou mais participação no Tennessee do que o voto republicano nestas eleições, logo aguardemos com interesse as intercalares.
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