quinta-feira, 4 de junho de 2015

Peter L. Bernstein acerca de risco

Se um dia, alguém vos mencionar o meu nome, eu gostaria que imediatamente pensassem "Ah, é aquela fulana que adora gestão de risco." Sim, é isso, eu adoro risco e gestão de risco. E eu adoraria que vocês pensassem mais em risco, gestão de risco, e opcionalidade. Para vos ajudar, aqui está um vídeo da McKinsey com o Peter L. Bernstein a falar de risco. É uma conversa muito simples, mas tem ideias muito boas. Infelizmente, não dá para eu meter aqui o vídeo directamente, mas sigam o link e vejam. São só pouco mais do que 13 minutos.

Ele está no meio de nós

Já tínhamos (João) Deus (no Sporting B), agora vem (Jorge) Jesus para a equipa principal, fica a faltar-nos o (Nuno) Espírito Santo para termos o Mistério da Santíssima Trindade na Basílica de Alvalade.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Notas Económicas n.º 41

Já está disponível o número 41 da revista Notas Económicas. Este número conta com as seguintes contribuições:

A Modest Proposal for Resolving the Eurozone Crisis, de Yanis Varoufakis, Stuart Holland e James K. Galbraith.
        
False Start for the Juncker Recovery Proposals, de Stuart Holland.

Europa em Questão: Comentário, de Manuel Lopes Porto

Time-Varying Stock Return Predictability: The Eurozone Case, de Nuno Silva

Geografia

Rios que correm para o mar.

(Para escrever com o dedo num corpo à escolha.)

Atenção: Antes de escreverem seja o que for num corpo à vossa escolha, obtenham o devido consentimento previamente. Este blogue não se responsabiliza por processsos judiciais causados pela utilização irresponsável das propostas lírico-lúbricas dos seus autores.

Noites sem descanso...

Já sabem, as palavras chave são mesmo "restless nights". E escrever no corpo amado com a ponta do nosso dedo também me parece boa ideia. Como eu não tenho corpo, escrevo no blogue. Hoje à noite, não durmam...



Reforma flexível

Nos anos 1930, no Reino Unido, estabeleceu-se pela primeira vez a idade da reforma aos 65 anos. A esperança de vida nessa altura andava na casa dos sessenta e, por isso, os custos com as pensões eram reduzidos. Nas últimas décadas, vários países, e Portugal não foi excepção, tiveram políticas de reformas antecipadas, com o intuito de aumentar o emprego dos mais jovens. Hoje, sabe-se que essa estratégia foi um fiasco. Não só emprego jovem não aumentou, como os custos do chamado Estado-Providência se tornaram ainda mais insustentáveis. Por isso, com alguma lógica, muita gente tem reclamado ultimamente um aumento da idade da reforma.
Há uma semana, um economista, cipriota ou inglês (já não me lembro bem), e cujo nome agora me escapa, defendia, numa entrevista ao Observador, um aumento da idade da reforma para os 70 anos. Geralmente, quem faz estas propostas tem empregos de que gosta, mas esquece-se que a maioria das pessoas ou não gosta, ou detesta, ou está fartinha daquilo que faz muito antes dessa idade. Prolongar a idade da reforma seria prolongar o calvário de muita gente e não me parece que isso fosse bom para a produtividade.
A solução para o sistema de pensões tem de ser mais flexível. Defendo um sistema de capitalização (que é inevitável como escrevia aqui há dias o Luís), em que cada um é obrigado a descontar uma parte do salário para uma conta pessoal, no sistema público e/ou privado. A obrigatoriedade é aqui fundamental. A história ensina-nos que, caso contrário, a maioria das pessoas não poupará o suficiente para a velhice e o Estado e a sociedade arranjariam, tarde ou cedo, um imbróglio ainda maior que o actual.
A idade em que as pessoas teriam direito a mexer na sua conta não deve ser predeterminada. Pode-se exigir um determinado número de anos de descontos (por exemplo, 30) para se poder mexer por completo na tal conta. Mas deve haver ao mesmo tempo a possibilidade de se mexer parcialmente em determinadas condições; ao fim de, sei lá, 20 anos e de uma situação prolongada de desemprego, por exemplo.

Mas o meu ponto principal é: discordo de soluções que obriguem (a palavra-chave aqui é “obrigar”) as pessoas a trabalhar até aos 70 anos ou mais.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Está quase...

Aqui há uns meses foi criado um grupo no Facebook para apoiar uma jovem portuguesa, que está grávida, e que necessita de alguma ajuda. O grupo chama-se "Vamos ajudar?" e foi criado pela Patrícia Motta Veiga, que escreve para a Maria Capaz. Cruzei-me com o grupo através de uma partilha de António Gil, o escritor e poeta--quando for a Portugal, vou andar à caça de livros dele nas livrarias.

O objectivo do grupo é de dar a esta jovem um enxoval para a sua bebé--é um "baby shower" virtual. O grupo foi crescendo e agora já há 886 pessoas que são a claque de apoio da futura mãe e da bebé que ainda não nasceu. Estas coisas inspiram e também causam umas lagrimazitas, que ameaçam a maquilhagem. Ver todo o trabalho de coordenação, espírito de entreajuda de toda a gente, e o tremendo carinho que move todo este esforço tem sido muito emocionante. Ainda bem que o Facebook existe...

Hoje a futura mãe deu entrada no hospital com contracções e a pequenina V. deve nascer brevemente. Espero que, para além de tudo correr bem, Portugal seja um país que melhore todos os dias e crie oportunidades para esta bebé crescer e se sentir completamente realizada. Cabe a todos nós contribuir para que isso aconteça.

Em ano de eleições

Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras
Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada
De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse
Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra.

~ Sophia de Mello Breyner Andresen

Ainda a Grécia...

Como achega ao post do Fernando Alexandre, gostaria de dizer que a Grécia tem uma história de prolongar as crises. Reparem, cinco defaults/reestruturações gregos ocuparam um período de mais de 89 anos entre 1829 e 2006; já em Portugal, entre 1800 e 2006, seis episódios de default/reestruturação traduzem-se em menos de 22 anos.

O que os gregos estão a fazer agora não é inovador; é apenas o mesmo comportamento que exibem desde a independência. O que é inovador é que a UE olhe para a história e pense que basta enfiar a Grécia no euro sem supervisão nenhuma e eles vão-se endireitar só porque sim. Mesmo agora, a forma como a UE olha para o problema da Grécia é irrealista. O que não se sabe é se a UE é ingénua propositadamente, pois há quem beneficie da volatilidade que a Grécia introduz, ou se é completamente involuntário.

Fonte: Reinhart & Rogoff, 2008, NBER

Let me pop your corn...


A Grécia, nós e o euro

Em novembro de 2012 – na fase mais difícil do processo de ajustamento da economia portuguesa – eu e Pedro Bação criámos o sítio “Are we going Greek?”, motivados pelas questões que nessa altura se colocavam à economia portuguesa e ao euro: a austeridade imposta à economia portuguesa não levaria a que esta seguisse o caminho da economia grega? Por outro lado, se a economia portuguesa, bem como a irlandesa e a espanhola, seguissem o caminho da grega o euro sobreviveria? 
Apesar da crise de cada um daqueles países ter a sua própria história, todos eles partilharam, com desfasamentos temporais e diferenças de magnitude, desequilíbrios que vieram a resultar na crise da zona do euro, em particular os elevados níveis de endividamento público e/ou privado e os desequilíbrios externos. Os gráficos que apresentamos mostram a similitude existente entre as economias que foram alvo de intervenção da troica.      
Dois anos depois, actualizámos os dados macroeconómicos que sintetizam o desempenho daquelas quatro economias. Desde abril de 2013, a economia grega afastou-se marcadamente do trajecto das economias espanhola, irlandesa e portuguesa, tendo estes três países iniciado trajectórias de recuperação, ainda frágeis. A Irlanda e Portugal concluíram os programas de assistência económica e financeira dentro do prazo previsto – a Grécia, se tudo correr bem, negociará em breve o terceiro PAEF.
A queda do PIB e o aumento do desemprego na Grécia são uma verdadeira tragédia, similar à ocorrida na Grande Depressão dos anos trinta nos Estados Unidos: entre 2007 e 2013, a Grécia perdeu cerca de 24% do PIB – nos outros 3 países este valor variou entre 5,8% e 7,5% (6,7% em Portugal) – e, no mesmo período, o desemprego aumentou de cerca de 8% para 28%. Em Portugal e na Irlanda, e apesar de estas economias partirem de valores mais baixos de desemprego, a redução desde 2013 tem sido acentuada.
Todos os países beneficiaram da descida das taxas de juro decorrente da mudança de política do BCE em julho de 2012. No entanto, os mercados continuam a exigir à Grécia um prémio de risco substancialmente mais elevado que aos outros países.
Os elevados défices orçamentais na sequência da crise financeira internacional têm vindo a ser corrigidos por todos os países, mas continuam a ser muito elevados, tendo a despesa com juros um peso muito significativo. A dívida pública e a dívida privada continuam em níveis muito elevados. Apenas a Irlanda conseguiu iniciar uma trajectória descendente para a dívida pública. No caso da dívida privada, com a excepção da Grécia, todos os países estão já numa trajectória descendente.
O endividamento externo continua muito elevado, mas todos os países corrigiram os elevados défices externos que tinham registado no período anterior à crise financeira internacional.
Apesar da evolução registada, as questões que se colocavam há dois anos atrás continuam sem resposta: a Grécia continuará no euro? Se a Grécia sair do euro quais serão os efeitos na economia portuguesa? Resistirá o euro à saída da Grécia?
Tendo em conta os elevados custos desta incerteza, os economistas antecipariam um acordo entre a Grécia e os seus credores. No entanto, na história europeia abundam os exemplos de irracionalidade e das suas catastróficas consequências.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Brave net world

Em Daredevil, o último grande sucesso da Netflix, Ben Urich é um jornalista íntegro, corajoso, que durante anos denunciou vários casos de corrupção em Nova Iorque. Mas, hoje, neste brave net world, sente-se deslocado. O jornal onde trabalha há muitos anos está a perder audiências e o público parece ter perdido o interesse pelas suas histórias. O chefe diz-lhe para escrever sobre outros assuntos, assuntos que supostamente interessam mais às pessoas. Contrariando as orientações superiores, Urich investiga um processo de corrupção que envolve polícias, juízes, jornalistas e políticos, todos a soldo de Wilson Fisk, o vilão da história. Em desespero, Urich decide criar um blog para denunciar os crimes.
Numa cena entre Urich e o vilão, diz o último:
- E tu pensas que as tuas divagações na internet vão alterar alguma coisa?
- As pessoas sempre procuraram a verdade, e não interessa onde é que a possam encontrar.
- No meu tempo e no teu talvez isso fosse verdade. Hoje, no mundo à nossa volta, as pessoas estão apenas preocupadas com os casamentos das celebridades e em exibir vídeos de gatos nas redes sociais. Mas os assuntos complicados, os assuntos que interessam, exigem demasiada atenção, exigem tempo, e as pessoas perdem-se e distraem-se nos milhares de canais que têm à sua disposição.
- Tenho mais fé na humanidade.
- Também Cristo tinha, se bem me lembro.
Há muito tempo que carradas de especialistas espremem os miolos a tentar perceber quem é que tem mais razão neste diálogo.
A visão optimista acha que com mais educação, informação e meios de comunicação activos e independentes as pessoas tenderão a interessar-se e a envolver-se, cada vez mais, nos assuntos da polis e, dessa forma, poderão contribuir para o bem-comum e controlar melhor o poder.
A visão pessimista acha que esse cidadão ideal é uma ilusão perigosa (no sentido em que só levará a frustrações e a eventuais tiranias); o mundo é cada vez mais complexo, as pessoas não têm tempo, nem competências para perceber a maior parte dos assuntos públicos, e não há educação que resolva este problema. Nesta visão, por exemplo, os blogs e as redes sociais não melhoraram em nada as coisas; pelo contrário, fizeram, sobretudo, vir ao de cima muita da boçalidade, violência e ignorância subterrâneas, que antes, pelo menos, a maioria das pessoas tinha algum pudor em exibir. Fala-se mesmo em rarefacção da tolerância e da democracia.

Nunca se chegou a nenhuma conclusão definitiva sobre este assunto e, provavelmente, nunca se chegará. 

SUMMER SCHOOL IN DATA ANALYSIS


I am pleased to announce the UMinho-Exec Summer School in Data Analysis. The event will run from Monday, August 31, until Friday, September 11, at the School of Economics and Management, Braga, Portugal. The event is composed of a selected set of intensive courses, designed to enhance methodological skills in data analysis on Regression and Causality, Panel Data, Survival Analysis, Wavelet Analysis, Downside Risk Measures, Financial Risk Management and Financial Market Volatility. Introductory courses to statistical packages Stata and R are also available.

Instructors:

Acordar assim...

Talvêz vos dê uma ponta de inveja, mas hoje acordei e tinha um email que terminava assim:
"Sobre a teoria de Schumpeter, as sinfonias de Mahler ou a filmografia de Jenna Jameson, falamos quando acordares."

A vida não poderia ser mais bela do que isto! Boa semana a todos...

Graceland

Graceland, situada em 3734 Elvis Presley Boulevard; Memphis, TN 38116, era a residência de Elvis Presley. Quando Elvis morreu, em 1977, eu lembro-me de ver a notícia na TV, apesar de eu só ter cinco anos. Parecia-me, na altura, que era uma coisa importante. Eu cresci a ver filmes do Elvis na TV, fazia parte do meu estudo de inglês e dos EUA. Não sei porque me interessei, talvez porque o meu pai fosse um grande fã.

A primeira vez que vim aos EUA, cheguei a 16 de Agosto, que é a data do aniversário da morte do Elvis. Sim, eu sei a data de aniversário da morte do Elvis e também da morte de Marilyn Monroe. Antes até sabia os aniversários, mas entretanto já me esqueci de muitos detalhes pois já não sou tão obcecada pela cultura americana. E obsessão é mesmo a palavra chave, aqui. Um dos meus amigos diz que foi um erro cósmico eu ter nascido em Portugal porque eu pertenço aos EUA. Mas, como o Marco Paulo canta, "Eu tenho dois amores..."

Visitei Graceland pela primeira vez em Setembro de 2005. Depois visitei outra vez em 2011, por volta do Natal, quando já vivia em Memphis. Só se pode visitar o andar de baixo da casa principal, o andar de cima é reservado para a família. O complexo é muito grande e, para além da residência, que inclui os jardins e os edifícios anexos, tem vários museus do outro lado da rua, inclusive um com os carros do Elvis e a exposição dos seus dois aviões. Graceland, em si, é um sítio muito bonito; já os museus do outro lado da rua são um bocado feios no exterior e nada de especial; o conteúdo, esse, sim, vale a pena.

Dado que não vos posso levar a Memphis pessoalmente, vou mostrar-vos algumas coisas que eu achei giras, em Graceland.

Em 2006, Graceland foi designada um local de interesse histórico nacional nos EUA:

Este é o exterior da mansão. Para lá chegar, tomamos um autocarro do outro lado da rua que nos leva, pelos portões de ferro, até à porta da mansão.

Como não se pode visitar o nível superior, não temos acesso ao quarto do Elvis. O único quarto que visitamos é o dos seus pais:

A cozinha, com candeeiros Tiffany, que não são originais:

A "jungle room", que é do outro lado da cozinha. Reparem na cadeira com o urso panda no lado esquerdo da foto. Essa era a cadeira preferida de Lisa Marie, a filha do Elvis.

A sala de media, que tem três TVs. Quando o Elvis soube que o Presidente dos EUA tinha três TVs para poder ver as três redes de televisão, decidiu que também precisava de três TVs: if it's good enough for the President, it's good enough for Elvis. That's how he rolled...

A sala de bilhar:

A sala de estar, que dá acesso à sala de racketball. Uma das coisas que eu achei engraçadas é que a mobília era muito pequena comparada com a mobília que se usa hoje em dia, especialmente os sofás.

As traseiras da mansão:

No jardim, fica o "Meditation Garden", que é onde Elvis e a sua família estão sepultados.

Aqui está uma das toilettes que Elvis usou. O texto na foto refere-se ao dia em que Elvis foi visitar a Casa Branca para pedir ao Presidente Nixon que o nomeasse um agente federal de narcóticos (ver, neste link, artigo sobre isto na revista do Smithsonian). Isto faz parte da sala onde têm em exibição alguma da sua roupa, é do outro lado da rua de Graceland.

Elvis lives! Forever...

A minha canção preferida de Elvis: "Always on my mind".