Um blogue de tip@s que percebem montes de Economia, Estatística, História, Filosofia, Cinema, Roupa Interior Feminina, Literatura, Laser Alexandrite, Religião, Pontes, Educação, Direito e Constituições. Numa palavra, holísticos.
sexta-feira, 14 de abril de 2017
quarta-feira, 12 de abril de 2017
Um exemplo a seguir...
O comunista João Oliveira acha que o Equador é um país cujo exemplo Portugal deve seguir. Fui então à Wikipédia informar-me do exemplo a seguir e de como o Presidente do Equador, Rafael Correa, gere o país:
Grande exemplo: têm petróleo e moeda própria, mas conseguem ser mais corruptos, mais pobres, e com mais desigualdades sociais do que Portugal e o Presidente deles já está no poder desde 2007. Eu pensava que se devia escolher exemplos a seguir que fossem melhores do que o nosso. Afinal, o exemplo a seguir é pior. Viva a mediocridade!
"Taking office in January 2007, he sought to move away from Ecuador's neoliberal economic model by reducing the influence of the World Bank and International Monetary Fund. He declared Ecuador's national debt illegitimate and announced that the country would default on over $3 billion worth of bonds; he pledged to fight creditors in international courts and succeeded in reducing the price of outstanding bonds by more than 60%.[1] He oversaw the introduction of a new constitution, and was re-elected in 2009. Correa was re-elected in the 2013 general election. Ecuador was able to achieve political stability.
During Correa's presidency, he was part of the wider Latin American pink tide, a turn toward leftist governments in the region, allying himself with Hugo Chávez's Venezuela and brought Ecuador into the Bolivarian Alliance for the Americas in June 2009.[2] Using populist policies and its own form of 21st century socialism that was less radical than in Venezuela, Correa’s administration increased government spending, initially reducing poverty, raising the minimum wage and increasing the standard of living in Ecuador until 2014.[2][3][4] By the end of Correa's tenure, reliance on oil, overspending and earthquake caused Ecuador's economy to enter a recession, resulting in government spending being slashed, the layoff of thousands of public workers, as well as predictions by analysts stating that Ecuador would be left with further economic difficulties.[2][3][4][5] Eventually, some Ecuadorians had also grown disenchanted with corruption, as well as Correa's confrontational behavior with media organizations.[2][5] However, according to Transparency International, corruption decreased under Correa's government.[6]
Between 2006 and 2016, poverty decreased from 36.7% to 22.5% and annual per capita GDP growth was 1.5 percent (as compared to 0.6 percent over the prior two decades). At the same time, inequalities, as measured by the Gini index, decreased from 0.55 to 0.47."[7]
Fonte: Wikipedia
Grande exemplo: têm petróleo e moeda própria, mas conseguem ser mais corruptos, mais pobres, e com mais desigualdades sociais do que Portugal e o Presidente deles já está no poder desde 2007. Eu pensava que se devia escolher exemplos a seguir que fossem melhores do que o nosso. Afinal, o exemplo a seguir é pior. Viva a mediocridade!
Novidades na educação?
Não me tenho
sentido muito bem por causa das longas ausências na DD. Afinal, fui eu que sugeri, ao iniciar a minha colaboração, que
se adicionasse o tema Educação aos que já figuravam no cabeçalho – o mais
interessante dos quais era (e é) “Laser Alexandrite”. Ora a verdade é que
tenho falhado completamente no que pensei poder ser a minha contribuição no
campo de actividade que foi, e é, o
meu.
Deixando de lado
possíveis razões para a parca assiduidade, relevarei hoje um tema que tem sido
aflorado nos últimos tempos e que se insere na política de reversão de medidas
tomadas em governos anteriores e que foi anunciada como “flexibilização
curricular”.
terça-feira, 11 de abril de 2017
Era um álbunzito, sff
Já que estamos nos bens e serviços pedidos, gostaria que editassem livros-áudio de poesia e que os disponibilizassem no iTunes americano para eu comprar. Gracias...
P.S. A sério que meti isto no Instagram ontem!
P.S. A sério que meti isto no Instagram ontem!
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O mercado da saudade
Portugal é um dos países do mundo com maior percentagem de nacionais a viver no estrangeiro. A coisa é de tal modo exagerada que mesmo quando são considerados números absolutos, a quantidade de emigrantes portugueses a viver em alguns países europeus compara com o número de emigrantes de outros países muito maiores, como Espanha ou Itália. Como toda a gente sabe, e há pouco a acrescentar, a nova vaga de emigração é, grosso modo, altamente qualificada e tem um poder de compra elevado.
Há várias formas de tomar proveito deste fenómeno. O chamado "mercado da saudade", que escoa quantidades surpreendentes de produtos alimentares através das mercearias e restaurantes das comunidades portuguesas no estrangeiro, é um excelente exemplo disso. Ora, se há várias formas de aproveitar o fenómeno, há apenas uma, repetida inúmeras vezes, de o ignorar por completo. Já nem vou falar na falta de atenção que algumas instituições públicas votam aos emigrantes, que tem nos consulados a face mais visível. Mesmo os privados ignoram muitas vezes o filão de consumidores ao seu dispor.
Tenho dois exemplos com que me confronto regularmente, em ambos os casos de setores ditos em decadência, em que os seus intervenientes se queixam amiúde de fazerem cada vez menos dinheiro.
O primeiro é o mercado do livro em Portugal. Um setor particular, altamente protegido, que merecia um post por direito próprio. Este setor protegido mas decadente tem agora ao seu dispor uma geração de centenas de milhares de emigrantes qualificados, e dá-se ao luxo de o ignorar por completo. O principal site de venda de livros, a wook, cobra quase 12 euros para enviar um livro para Inglaterra. Ora isto, enquanto estratégia comercial, parece-me só muito, muito, muito pouco inteligente.
O segundo é o mercado dos conteúdos televisivos. Os principais canais de televisão portugueses têm plataformas que permitem ver episódios dos seus programas online. A primeira crítica que faço é que, muitas vezes, os gestores das plataformas levam demasiado tempo a pôr disponíveis os episódios mais recentes. A outra crítica que faço é que as próprias plataformas beneficiariam de ser atualizadas. Nenhuma delas tem integração com o Google Chromecast, algo que seria tão fácil de fazer. O Google Chomecast, que eu e vários milhões de pessoas usam, permite transmitir no ecrã da televisão os episódios das plataformas de vídeos online. O youtube, por exemplo, faz isso.
Vá, mexam-se.
segunda-feira, 10 de abril de 2017
Modas...
A Economia Keynesiana está na moda, escreve o Noah Smith. Para ser adequado implementar o que chamam de Economia Keynesiana -- diminuição de impostos, aumento de gastos públicos -- tem de existir uma falha na procura agregada e a economia não pode estar próximo do pleno emprego ou até em pleno emprego; esses detalhes são frequentemente ignorados.
A economia americana está perto do pleno emprego. Repare-se que a Reserva Federal começou a contrair a política monetária há três anos e a taxa de desemprego não aumentou, logo não é evidente que a economia esteja em recessão, necessitada de estímulo fiscal; mas quando se tem apenas um martelo, tudo parece um prego.
A participação dos trabalhadores no mercado de trabalho está baixa, mas a longevidade dos americanos está em alta por enquanto; as gerações mais jovens já têm esperanças médias de vida mais curtas. O número de anos que se frequenta a escola também, especialmente porque, por causa da Grande Recessão, muitas pessoas regressaram à universidade para estudar. Havendo mais americanos reformados e um maior número de estudantes, o pressuposto ceteris paribus é violado e torna-se difícil comparar os dados actuais de participação no mercado de trabalho com os de gerações anteriores.
No entanto, há sub-emprego e desemprego local, mas o que também há é um nível de mobilidade da força laboral que está a mínimos históricos, uma tendência que se agrava há décadas, apesar de haver muitas empresas que não conseguem encontrar trabalhadores que queiram trabalhar (ler o livro The Hillbilly Elegy, por exemplo), quanto mais pessoas qualificadas para trabalhar -- fala-se em skills gap: um desencontro entre as qualificações que a economia precisa e as qualificações dos trabalhadores.
Este desencontro tornar-se-á mais pronunciado durante a próxima recessão que, muito provavelmente, se irá dever a mudanças estruturais causadas pela Internet. O sector de vendas a retalho americano está prestes a entrar em colapso; atrás dele cairá o imobiliário comercial. Este ano, quase todas as semanas, há uma cadeia comercial a fechar lojas ou a entrar em falência. (O sector automóvel também está fraco; falar-vos-ei disso noutro dia.)
O rácio de área comercial per capita nos EUA é alto, quando comparado com outros países (EUA: 7,3 metros quadrados; Japão e França: 0,16; Reino Unido: 0,12), fruto da expansão que ocorreu antes de e durante a Grande Recessão. Só que, entretanto apareceu o Pinterest, o Instagram, os blogues dos influenciadores, o Like to Know It, as empresas chinesas que vendem directamente pela Internet via eBay ou publicidade no Facebook (muitos casos são fraudulentos), a Amazon, que foi a grande responsável por esta revolução, etc.
Nos acessórios e nas roupas, não é preciso comprar tudo por causa da chamada economia de partilha (share economy): pode-se alugar (e.g., Rent the Runway, Bag Borrow or Steal), existindo mesmo serviços em que nós damos o nosso número, o nosso estilo, e alguém faz toilettes e envia para nossa casa em troca de uma mensalidade, quando nos fartamos mandamos de volta. Outra tendência crescente é o minimalismo, que tem um documentário, e também tem influenciadores, como aquela senhora que durante três meses apenas usou 33 peças de roupa e acessórios para fazer as suas toilettes de trabalho e ninguém topou (ver projecto 333).
Mesmo a área da mercearia e hortaliças está diferente. Há empresas que entregam os ingredientes para fazer refeições directamente em nossa casa, já acompanhados da receita (ver Blue Apron, Hello Chef, etc.). As mercearias tradicionais começaram a fazer entregas ao domicílio e algumas oferecem compras via Internet que se vão buscar à loja empacotadas pelos empregados. Em Portugal, o Continente já fazia entregas ao domicílio há mais de 10 anos; as modas nos EUA por vezes demoram a instalar-se, mas quando se instalam costumam ter um carácter mais compulsivo e destruidor.
Este ano será, no mínimo, interessante.
A economia americana está perto do pleno emprego. Repare-se que a Reserva Federal começou a contrair a política monetária há três anos e a taxa de desemprego não aumentou, logo não é evidente que a economia esteja em recessão, necessitada de estímulo fiscal; mas quando se tem apenas um martelo, tudo parece um prego.
A participação dos trabalhadores no mercado de trabalho está baixa, mas a longevidade dos americanos está em alta por enquanto; as gerações mais jovens já têm esperanças médias de vida mais curtas. O número de anos que se frequenta a escola também, especialmente porque, por causa da Grande Recessão, muitas pessoas regressaram à universidade para estudar. Havendo mais americanos reformados e um maior número de estudantes, o pressuposto ceteris paribus é violado e torna-se difícil comparar os dados actuais de participação no mercado de trabalho com os de gerações anteriores.
No entanto, há sub-emprego e desemprego local, mas o que também há é um nível de mobilidade da força laboral que está a mínimos históricos, uma tendência que se agrava há décadas, apesar de haver muitas empresas que não conseguem encontrar trabalhadores que queiram trabalhar (ler o livro The Hillbilly Elegy, por exemplo), quanto mais pessoas qualificadas para trabalhar -- fala-se em skills gap: um desencontro entre as qualificações que a economia precisa e as qualificações dos trabalhadores.
Este desencontro tornar-se-á mais pronunciado durante a próxima recessão que, muito provavelmente, se irá dever a mudanças estruturais causadas pela Internet. O sector de vendas a retalho americano está prestes a entrar em colapso; atrás dele cairá o imobiliário comercial. Este ano, quase todas as semanas, há uma cadeia comercial a fechar lojas ou a entrar em falência. (O sector automóvel também está fraco; falar-vos-ei disso noutro dia.)
O rácio de área comercial per capita nos EUA é alto, quando comparado com outros países (EUA: 7,3 metros quadrados; Japão e França: 0,16; Reino Unido: 0,12), fruto da expansão que ocorreu antes de e durante a Grande Recessão. Só que, entretanto apareceu o Pinterest, o Instagram, os blogues dos influenciadores, o Like to Know It, as empresas chinesas que vendem directamente pela Internet via eBay ou publicidade no Facebook (muitos casos são fraudulentos), a Amazon, que foi a grande responsável por esta revolução, etc.
Nos acessórios e nas roupas, não é preciso comprar tudo por causa da chamada economia de partilha (share economy): pode-se alugar (e.g., Rent the Runway, Bag Borrow or Steal), existindo mesmo serviços em que nós damos o nosso número, o nosso estilo, e alguém faz toilettes e envia para nossa casa em troca de uma mensalidade, quando nos fartamos mandamos de volta. Outra tendência crescente é o minimalismo, que tem um documentário, e também tem influenciadores, como aquela senhora que durante três meses apenas usou 33 peças de roupa e acessórios para fazer as suas toilettes de trabalho e ninguém topou (ver projecto 333).
Mesmo a área da mercearia e hortaliças está diferente. Há empresas que entregam os ingredientes para fazer refeições directamente em nossa casa, já acompanhados da receita (ver Blue Apron, Hello Chef, etc.). As mercearias tradicionais começaram a fazer entregas ao domicílio e algumas oferecem compras via Internet que se vão buscar à loja empacotadas pelos empregados. Em Portugal, o Continente já fazia entregas ao domicílio há mais de 10 anos; as modas nos EUA por vezes demoram a instalar-se, mas quando se instalam costumam ter um carácter mais compulsivo e destruidor.
Este ano será, no mínimo, interessante.
A vingança da verdade
Hobbes acaba o seu Leviatã defendendo
que “uma verdade que não se opõe a nenhum interesse ou prazer recebe bom
acolhimento de todos os homens.” Trata-se de uma afirmação evidente. Todavia,
fora as verdades matemáticas ou racionais, não existe nenhuma verdade que seja
bem acolhida por todos os homens. Hobbes não ignorava essa evidência e adverte
mesmo que até os livros de geometria seriam lançados à fogueira se a igualdade
entre os três ângulos de um triângulo e os dois ângulos de um quadrado fosse contrária “ao direito de um homem à dominação ou ao interesse dos homens que
detêm a dominação”. Aquele que diz uma “verdade de facto” corre um risco quando
essa verdade vai contra os interesses ou prazeres dos que têm os meios para
punir. O risco aumenta quando é o próprio povo que não quer ouvir a verdade e
prefere os “não-factos” ou “factos alternativos” que encaixam melhor numa
narrativa cor-de-rosa.
Como relembra Hannah Arendt num pequeno ensaio
intitulado Verdade e política, publicado em 1968, as relações entre
a política e a verdade são bastante más e ninguém “contou alguma vez a boa fé
no número das virtudes políticas”. Regra geral, o mentiroso é mais convincente
do que aquele que diz a verdade. A verdade constrange (porque é o que é) e o
mentiroso, ao invés, é livre de acomodar os seus «factos» ao seu benefício e
prazer ou às simples esperanças do público. O mentiroso terá inclusive “a
verosimilhança do seu lado; a sua exposição parecerá mais lógica, por assim
dizer, pois que o elemento surpresa – um dos traços mais importantes de todos
os acontecimentos – desapareceu providencialmente.”
sábado, 8 de abril de 2017
quinta-feira, 6 de abril de 2017
Um helicóptero, dois helicópteros...
Ontem e hoje notei que havia uns helicópteros a passear pelo ar. Ontem, eram quatro que sobrevoavam uma das circulares de Houston e iam de um lado para o outro. Hoje de manhã, eram apenas dois, que sobrevoavam a área ao pé de minha casa enquanto eu passeava o Choppinho. Estes helicópteros por cima de minha casa causaram-me um certo pânico, pois, pensava eu, e se alguém dispara por acidente -- toda a gente no Texas tem uma arma menos eu -- ou caem em cima de mim? Vocês ficariam orfãos das minhas patetices e o mundo ficaria bem mais pobre.
Choques financeiros pessoais
A Bloomberg tem uma pequena notícia acerca de um estudo do JPMorgan Chase Institute acerca de choques financeiros pessoais, como despesas médicas não planeadas, arranjos de carros, perda de emprego. A conclusão é que muitas pessoas não estão preparadas para estes choques, especialmente se tiverem uma natureza persistente. Mesmo quem ganha um bom salário precisa de uma almofada de protecção -- activos líquidos -- significativa. As despesas da saúde são um dos maiores riscos aos quais os americanos estão expostos.
The greatest amount turned out to be a $5,300 monthly variation, for households of people between the ages of 35 and 54 with household income above $104,600. The $5,300 is the cash that household would need to have on hand if its income declined by 30 percent and its spending increased by 30 percent in the same month.
[...]
"Health care, auto expenses, and taxes were often behind the spikes the analysts found in spending data. The report notes that "four in 10 families make an extraordinary payment of roughly $1,500 related to medical services, auto repair, or taxes in a given year." The money for that may come from tax refunds: The think tank found that April is when medical bills were paid most frequently.
To judge whether the various households had the liquid assets to cover their fluctuations, the think tank used data from the U.S. census (which don't match up perfectly with its own age and income ranges). One conclusion: The $5,300 wouldn't be a big issue for the households with income above $104,600.
The institute also measured for an even worse storm, to see if households had liquid assets to meet the challenges posed by the 90 percentile of "adverse income and spending fluctuations" measured. The high-earning households could meet that demand, too, but they'd be covering that extreme exposure by a thin margin. The cash cushion needed was $13,800; the liquid assets on hand, $13,500."
[...]
Paying big medical bills had a lasting impact on financial stability. Many families have to turn to credit card debt to cover big medical payments. "A year after the extraordinary medical payment families still have 9 percent more revolving credit card debt and 2 percent lower cash reserves than baseline levels," according to the report.
Fonte: Bloomberg
Geme para mim...
[Chorus]
I'm so addicted to
All the things you do
When you're going down on me
In between the sheets
Oh the sound you make
With every breath you take
It's not like anything
When you're loving me
[Verse 1]
Oh girl let's take it slow
So as for you, well, you know where to go
I want to take my love and hate you till the end
It's not like you to turn away
From all the bullshit I can't take
It's not like me to walk away
~ "Addicted", Saving Abel
quarta-feira, 5 de abril de 2017
Call for papers 5
Abstract: Pretendo nesta comunicação encontrar o meu eu.
Imigração neoliberal
Em 1971, os EUA tiveram o seu primeiro défice comercial no
século XX. As industrias japonesas e europeias haviam recuperado e passaram a
concorrer directamente com os americanos em sectores como o aço e os têxteis. A
seguir, viria o choque petrolífero de 1973. Era a machadada final no
liberalismo do new deal, iniciado nos anos 30 na administração de Roosevelt, e
que durante cerca de 40 anos constituiu o consenso dominante no establishment
americano. Os anos 70 foram marcados pela estagflação (estagnação + inflação).
As receitas keynesianas da procura deixaram de funcionar. A solução parecia passar agora por uma “economia pelo lado
da oferta”, assim inicialmente designada, e posteriormente cunhada de “neoliberalismo”
por politólogos americanos de esquerda. Este novo consenso, que se estava então a desenhar, nasceu no seio dos republicanos, onde os grupos de negócios
encontraram sempre maior acolhimento. Com o tempo, os democratas foram
interiorizando e aplicando as novas regras. Desregulação financeira,
liberalização das leis do trabalho, enfraquecimento dos sindicatos, acordos de
comércio livre, imigração legal e ilegal. Basta pensar que na maioria das eleições presidenciais americanas das últimas décadas as diferenças entre republicanos e democratas residiram apenas em questões como o aborto, o controlo das armas, impostos mais ou menos progressivos, mais ou menos despesas sociais, e pouco mais. Reagan, recorrendo a uma metáfora de
Kennedy, dizia que “uma maré cheia erguerá todos os barcos”. Na Europa, a
partir dos anos 80, com Thatcher, foram dados passos no mesmo sentido. A
inflação elevada e o crescimento anémico pareciam não deixar alternativas. A
inversão de política de Mitterrand a partir de 1982 foi tão ou mais decisiva
na viragem europeia do que as políticas de Thatcher. O consenso
social-democrata do pós-guerra, partilhado, por essa Europa fora, pelos
partidos do centro-direita e centro-esquerda, começou a desmoronar-se.
segunda-feira, 3 de abril de 2017
Portugal out
Estou chateada com a Autoridade Tributária, mas isso não é novidade pois eu já estava antes. Agora tenho nova dose de razões pela qual me chatear. Há semana e meia recebi correspondência do meu procurador fiscal, pois alguém na Repartição de Finanças que trata da minha declaração do IRS decidiu que havia um problema com a declaração de 2013. Diz que eu disse que tinha um prédio recuperado e faltava uma declaração da Câmara Municipal a explicar a recuperação.
Ora eu não tenho prédio recuperado nenhum, mas fui ver do que se tratava e é o quadro 5 do formulário F. Eu não devia preencher esse quadro porque não tenho prédio recuperado, mas se eu não preencho esse quadro, o software não aceita a minha declaração. Não percebo o quadro, não percebo a pergunta ("Opta pelo englobamento dos rendimentos relativos a estes imóveis?"), mas respondo que sim porque faz-me uma pergunta referente aos rendimentos declarados e tenho de dar uma resposta, pois se eu não der, não consigo entregar a coisa. Agora alguém decidiu andar a ver o IRS de 2013 em 2017, quando em 2014, na altura de eu submeter a coisa e de me pedirem o dinheiro do IRS, ninguém acusou problema nenhum.
Enviei um e-mail à dita Repartição de Finanças e não obtive resposta, mas porque o seguro morreu de velho, enviei uma outra mensagem ao e-balcão no Portal das Finanças a perguntar o que fazer. Mandaram-me submeter uma declaração de substituição para esse ano e para os anos em que fiz o mesmo erro. Depois de andar às voltas com o Java, lá consegui abrir a secção onde se submetem declarações de substituição, só que, quando eu selecciono 2013, não aparece a opção de seleccionar a declaração de 2013, mas sim a de 2014. Tentei também outros anos a ver se consigo não responder ao quadro marado, mas não me deixam.
Estou farta da bur(r)ocracia portuguesa e estou farta da Autoridade Tributária. Querem que os portugueses que estão fora e as empresas sediadas no estrangeiro voltem para Portugal para quê? Para se sujeitarem a estas patetices? Tenham vergonha. Gerem mal o país e ainda antagonizam os cidadãos.
Ah, falta a cereja no topo do bolo! A cereja é o Primeiro Ministro a fazer discursos a dizer que só aceita uma Europa a várias velocidades se estiver no pelotão da frente. Alguém diga ao nosso ilustre Primeiro Ministro, que deixe de dizer coisas estúpidas. Quem garante que Portugal fica no pelotão da frente é a competência do governo, não é a União Europeia. Se o governo é incompetente, é lógico que o país não reúne condições para estar no pelotão da frente.
Ora eu não tenho prédio recuperado nenhum, mas fui ver do que se tratava e é o quadro 5 do formulário F. Eu não devia preencher esse quadro porque não tenho prédio recuperado, mas se eu não preencho esse quadro, o software não aceita a minha declaração. Não percebo o quadro, não percebo a pergunta ("Opta pelo englobamento dos rendimentos relativos a estes imóveis?"), mas respondo que sim porque faz-me uma pergunta referente aos rendimentos declarados e tenho de dar uma resposta, pois se eu não der, não consigo entregar a coisa. Agora alguém decidiu andar a ver o IRS de 2013 em 2017, quando em 2014, na altura de eu submeter a coisa e de me pedirem o dinheiro do IRS, ninguém acusou problema nenhum.
Enviei um e-mail à dita Repartição de Finanças e não obtive resposta, mas porque o seguro morreu de velho, enviei uma outra mensagem ao e-balcão no Portal das Finanças a perguntar o que fazer. Mandaram-me submeter uma declaração de substituição para esse ano e para os anos em que fiz o mesmo erro. Depois de andar às voltas com o Java, lá consegui abrir a secção onde se submetem declarações de substituição, só que, quando eu selecciono 2013, não aparece a opção de seleccionar a declaração de 2013, mas sim a de 2014. Tentei também outros anos a ver se consigo não responder ao quadro marado, mas não me deixam.
Estou farta da bur(r)ocracia portuguesa e estou farta da Autoridade Tributária. Querem que os portugueses que estão fora e as empresas sediadas no estrangeiro voltem para Portugal para quê? Para se sujeitarem a estas patetices? Tenham vergonha. Gerem mal o país e ainda antagonizam os cidadãos.
Ah, falta a cereja no topo do bolo! A cereja é o Primeiro Ministro a fazer discursos a dizer que só aceita uma Europa a várias velocidades se estiver no pelotão da frente. Alguém diga ao nosso ilustre Primeiro Ministro, que deixe de dizer coisas estúpidas. Quem garante que Portugal fica no pelotão da frente é a competência do governo, não é a União Europeia. Se o governo é incompetente, é lógico que o país não reúne condições para estar no pelotão da frente.
Pobretes, mas alegretes
Hoje, de uma ponta à outra de Portugal, as câmaras municipais transformaram-se em organizações de eventos. Feira do chouriço ou da alheira, feira medieval ou tecnológica, feira da agricultura ou do turismo, feira de produtos tradicionais ou do futuro, Natal, passagem de ano, o Calvário de Cristo (palavra de honra), o diabo a quatro, tudo serve de pretexto para mais um “evento”. Algumas almas mais avisadas perguntarão se não haverá maneiras mais inteligentes de os nossos autarcas espatifarem o nosso dinheiro. Com certeza que sim, mas isso dá muito mais trabalho e não dá tanto nas vistas como o foguetório. Entretanto, o povo "diverte-se", os autarcas mostram “obra”, alguém se farta de ganhar dinheiro e o contribuinte, como de costume, paga a conta e apanha as canas. Não temos emenda.
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