terça-feira, 1 de agosto de 2017

Alberto Giacometti



O Geoffrey Rush vai representar o papel de Alberto Giacometti num filme biográfico do artista. O Giacometti é famoso pelas esculturas elongadas e, pode parecer estranho, mas entrar numa sala com esculturas dele, causa-me uma grande emoção. Quando entrei nesta galeria, na National Gallery of Art, em Washington, D.C., até fiquei sem palavras. No The Guardian podem ler mais sobre o filme.

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Eu ia para vos escrever o que escrevi acima, mas achei uma merda, como se estivesse a trair algo sagrado e não consegui publicar. Meti em rascunho, fiz o jantar e fui passear o cão.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Roupa suja

O Anthony Scaramucci, o novo Communications Director da Casa Branca, demitiu-se hoje, depois de ter sido nomeado para o posto nem há uma semana. Não sei se leram a entrevista com linguagem gráfica que ele deu à The New Yorker, depois de telefonar ao jornalista a pedir para revelar as fontes de informação:
“Reince is a fucking paranoid schizophrenic, a paranoiac,” Scaramucci said. He channelled Priebus as he spoke: “ ‘Oh, Bill Shine is coming in. Let me leak the fucking thing and see if I can cock-block these people the way I cock-blocked Scaramucci for six months.’ ”

Fonte: The New Yorker

Whoa, Nelly, não é?

A Casa Branca tornou-se numa soap opera: enquanto que o Obama tinha a alcunha de No-Drama-Obama, porque controlava a informação a sete chaves e, se calhar, até controlou informação que mereceria ter sido alvo de escrutínio público, o Trump tem uma Casa Branca em que toda a roupa suja é lavada em público e só falta matarem-se uns aos outros, como no tempo do Império Romano.

Quem achava que o Presidente dos EUA era uma figura decorativa e não tinha grande utilidade, tem agora uma bela oportunidade de testar essa teoria.

Presa numa rotunda

O discurso do Governo relativamente ao desempenho da economia portuguesa é de que a economia mudou fundamentalmente e está agora num caminho sustentável. O PIB cresce a torto e a direito, o desemprego desce -- está agora no nível mais baixo de há 11 anos; mas, há 11 anos, quem estava no poder era o PS, logo por que razão permitiu que o desemprego aumentasse? Mas, pronto, está tudo bem, rejubilemo-nos porque agora somos governados por gente muito mais competente do que a que nos governava há 11 anos.

No entanto, os bancos continuam com crédito mal-parado, as vendas de carros a crédito continuam a subir, e agora temos a expectativa dada pelos governantes e partidos que os apoiam de que toda a gente merece ter carro em Portugal. Ora, se os bancos estão com crédito automóvel mal-parado, é sinal de que se compraram carros a mais, ou seja, de que os bancos emprestaram dinheiro para comprar carro a quem não deviam. Qual a solução?

Parece que temos duas soluções: a primeira é vender crédito mal-parado a hedge funds estrangeiros -- se estão à espera de os investidores estrangeiros perderem dinheiro com Portugal indefinidamente, que é a condição necessária para esta estratégia funcionar a longo prazo, desenganem-se; a segunda é aumentar os subsídios de quem tem menos recursos para que possam pagar os carros a que têm direito e, dessa forma, também se mantêm os bancos viáveis -- esta estratégia requer que o estado tenha acesso a financiamento.

Mas qual a diferença entre subsidiar pessoas para ter carro e subsidiar bancos que emprestam dinheiro a pessoas que não têm condições para pagar o empréstimo do carro, que é o que se faz quando os bancos vão ao ar? É a mesma coisa, pois acaba-se por viabilizar o mesmo comportamento insustentável para a economia.

Se isto é a forma como a economia portuguesa dá a volta, presume-se que a economia está presa numa rotunda...


Aumentar as escolhas

Uma das primeiras coisas que se aprende em economia é a noção de custos de oportunidade, que deriva de os recursos serem escassos, i.e., quando gastamos um recurso para fazer uma coisa, ficamos sem ele para fazer outras. Tinha eu ideia de que Portugal era um país em que o estado aplicava parte dos recursos que recolhe da sociedade por via de impostos na criação de um sistema de transportes públicos de boa qualidade para assim garantir que as pessoas de rendimentos mais baixos (ou que não tem idade para conduzir, ou não podem conduzir, ou não querem conduzir) têm mobilidade para fazer a sua vida, sem estarem expostas aos custos de ter um carro, pois para além de terem de pagar gasolina, seguro, também têm de contar com os custos de manutenção, que podem ser dispendiosos.

Podíamos ver isto por outro prisma: ao achar que transportes públicos são mais valiosos para a sociedade do que toda a gente ter carro próprio, o estado recolhe impostos para pagar a existência dos transportes públicos e dar subsídios de aquisição de bilhetes a custos razoáveis; se o estado achasse que era preferível as pessoas terem carro próprio, então alocaria menos recursos aos transportes públicos, cobrando menos impostos, e deixando mais rendimento disponível para as pessoas adquirirem veículo próprio. Também podia subsidiar as pessoas que têm rendimentos mais baixos, permitindo-lhes adquirir veículos próprios; nesse caso, a existência de transportes públicos tornar-se-ia quase redundante.

Só que em Portugal, o Bloco de Esquerda, um dos partidos que forma a Geringonça que governa o país, acha que quem recebe RSI também deve poder ter um carro e ter gasolina para o carro, ou seja, o papel do estado não é apenas o de promover a mobilidade das pessoas, mas o de permitir aos cidadãos ter escolha na forma como se movem. Aumentar escolhas é muito mais caro do que assegurar um nível mínimo de mobilidade dos cidadãos. Como é que planeiam pagar isto: vão reduzir os apoios aos transportes públicos, vão aumentar os impostos, ou vão endividar mais o país e passar os custos às gerações futuras?

E já agora, como é que vão fazer para aumentar a escolha das pessoas que não conduzem: vão dar subsídios para a compra de carro e para o pagamento do salário de um motorista próprio? Podia ser uma forma de reduzir o desemprego e criar um mercado de trabalho mais variado -- lá está, aumentar as escolhas...

sábado, 29 de julho de 2017

Standoffish


"You come across as standoffish", dizia-me a a J.P. depois de eu contar que há umas semanas, quando estava com alguma pressa, os vizinhos apanharam-me na rua, começaram a falar comigo e nunca mais se calavam. Como nunca tinham conversado tanto comigo, desde que eu me mudei para a vizinhança, há três anos e meio, estranhei o incidente. Depois da explicação da J.P., como é de praxe quando nos rotulam de antipáticos, tentei explicar o meu comportamento. 

sexta-feira, 28 de julho de 2017

E agora...


Reince Priebus e Anthony Scaramucci na Sala Oval, The Wall Street Journal

Se Marx ressuscitasse

Marx percebeu de forma original a importância das questões tecnológicas e económicas na sociedade capitalista de meados do século XIX. Hoje, as suas teorias e conceitos estão desactualizados e, por isso, não nos ajudam muito a perceber o mundo em que vivemos. Isto não impede que meninos e meninas do Bloco de Esquerda estudem todos os dias as obras do filósofo alemão em acampamentos (palavra de honra). Se ressuscitasse, o próprio Marx diria, provavelmente, aos jovens bloquistas para se preocuparem menos com o seu "Das Kapital" e se dedicarem mais ao estudo da internet e do genoma humano. Infelizmente, os discípulos marxistas nunca foram tão perspicazes como o seu mestre.

Decidir em democracia

As empresas de automóveis, sensatamente, usam uma rede para organizar os seus milhares de fornecedores. Mas não usam uma rede para conceber os seus carros. As redes não têm uma estrutura de liderança centralizada, o que torna muito mais difícil alcançar o consenso e definir objectivos. As redes não conseguem pensar estrategicamente e são propensas ao erro. Como é que se tomam decisões difíceis acerca de tácticas ou estratégias quando todos têm igual peso nas decisões? Este é um exemplo dado por Malcolm Gladwell para mostrar que as grandes organizações, mesmo as mais democráticas, não conseguem funcionar através de sistemas em que todos votam, em todos os assuntos.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Um cepticismo lógico

Os leigos devem ouvir com um misto de humildade e cepticismo as opiniões dos especialistas. No que ao cepticismo diz respeito, não conheço nenhum conselho melhor do que o de Bertrand Russell, publicado num ensaio em 1928. Recorrendo à lógica, escreveu o filósofo inglês: “(1) quando os especialistas estão de acordo, a opinião contrária à deles não pode ser considerada segura; (2) quando os especialistas não estão de acordo, nenhuma opinião pode ser vista como segura por um não especialista; (3) quando todos os especialistas dizem que não há evidência suficiente para sustentar uma opinião, um leigo faz bem ao suspender o seu julgamento sobre o assunto.” 

Sou tão bom como tu

“Sou tão bom como tu” é uma das ideias mais perigosas para a democracia, como há 90 anos Ortega y Gasset percebeu de forma perspicaz no seu mais célebre livro: “A rebelião das massas”. Sem as “minorias excelentes”, como lhes chamava o filósofo espanhol, a nossa civilização desabaria em três tempos. Tudo o que temos hoje ao nosso dispor não foi colhido das árvores, desde a democracia aos mil e um confortos materiais. Tudo isto é fruto do trabalho, do sacrifício e do génio descomunais de alguns indivíduos. A passagem pelo ensino superior devia servir, entre outras coisas, para percebermos que há pessoas melhores do que nós em muitas coisas ou competências, como agora se diz. Infelizmente, a própria educação alimenta hoje essa ideia igualitarista e fatal: “Sou tão bom como tu”. Não, não sou. E, na verdade, não é assim tão difícil admitir o óbvio.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Aguentem!

Ainda não sabemos quantas pessoas morreram em consequência dos incêndios do mês passado, mas já temos uma crise com as matrículas na escola para nos distrair, os incêndios continuam e o SIRESP falha "pontualmente" quando é preciso que não falhe. Supostamente, a virtude da Geringonça era que os partidos da Extrema Esquerda que apoiavam o PS iriam fiscalizar o PS. Dava muito jeito fiscalizar o PS porque estas pessoas que andam pelo governo PS não são muito diferentes das pessoas que andavam pelo governo PS de José Sócrates e, se fossem competentes, o país não teria ficado à beira da bancarrota -- a lógica é uma coisa lixada!

Já vi pessoas a achar que o Presidente da República devia demitir o governo. Demitir para quê? Se houver eleições, o PS volta para o governo. Percebem porque é que Cavaco Silva não demitiu o governo de José Sócrates? Porque não teria adiantado nada pois os portugueses o teriam enfiado outra vez no governo. Agora aguentem e tentem manter-se vivos, mas não contem com a assistência das autoridades.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Pornografia crepuscular

O Verão é sempre uma chatice porque há umas almas em Portugal que enchem a Internet de pornografia balnear: sim, fotos das praias, com o marzinho azul, tão azul que uma pessoa fica a olhar atentamente para as fotos a pensar se é mesmo assim ou se é produto de Photoshop. Devia ser crime Portugal ser dotado de um mar assim...

Pois bem, chegou a minha desforra! No Sábado, tive um jantar em que tirei umas fotos por altura do crepúsculo. Apesar de não ter visto vampiros cintilantes e sexy, garanto-vos que o céu de Houston estava deslumbrante e eu tenho imagens da pornografia crepuscular para o provar!

Uma semana em cheio

Parece que foi há muito tempo, mas foi apenas na última Quarta-feira que o The New York Times publicou uma entrevista com o Presidente Trump, na qual ele disse duas coisas que causaram furor: (1) se ele soubesse que Jeff Sessions se afastaria da investigação da interferência da Rússia nas eleições americanas, não o teria convidado para Attorney General; e (2) deu a entender que a hipótese de afastar Robert Mueller, o Special Counsel que está a investigar as ligações à Rússia, ainda está a ser considerada.

A cadeia de comando é a seguinte: Mueller trabalha independentemente, mas sob Rod Rosenstein, o Deputy Attorney General. Rosenstein trabalha sob Jeff Sessions, mas este afastou-se da investigação da Rússia, e Jeff Sessions trabalha sob o Presidente. Há falta de clareza acerca do poder do Presidente de afastar directamente Mueller, mas poderia ordenar a Rosenstein que o fizesse. Rosenstein já disse que não afastaria Mueller, logo o Presidente poderia afastar Rosenstein e o seu sucessor poderia afastar Mueller sob ordens do Presidente -- a questão, nesse caso, reduzir-se-ia a o Presidente encontrar alguém que se disponibilizasse a fazê-lo. A CNN tem uma peça que discute as opções legais disponíveis para o Presidente Trump interferir com a investigação de Mueller. No entanto, se Trump decidir afastar Mueller, a haver consequências, estas necessitariam de uma acção do Congresso e, neste momento, não se sabe se existe vontade política nesse sentido.

Depois da publicação da entrevista ao NYT, muitos analistas concluíram que as declarações do Presidente Trump se reduziam a um desejo de que Jeff Sessions apresentasse a sua demissão, mas Sessions disse que não o faria. Quase a seguir, surge uma notícia publicada no The Washington Post a indicar que havia comunicações interceptadas pelas agências de espionagem americanas que indicavam que Jeff Sessions teria discutido questões da campanha presidencial de Trump com o Embaixador da Rússia nos EUA, Sergey Kislyak. Se tal for verdade, entraria em conflito com o testemunho passado de Jeff Sessions ao Congresso, o que seria uma razão para a sua demissão.

Entretanto, Sean Spicer, o porta-voz da Casa Branca, demitiu-se na Sexta-feira, o que aumentou o alvoroço. A razão dada para justificar a sua demissão foi discordar de o Presidente Trump ter oferecido a Anthony Scaramucci a posição de Director of Communications, mas há quem suspeite que isso foi apenas uma oportunidade conveniente para Spicer sair, pois ambos --Trump e Spicer -- estavam "fartos um do outro".

Durante a semana também se discutiu o poder do Presidente em termos de conceder um perdão: será que poderia perdoar a si próprio e a outros intervenientes por acções discutíveis que envolvam a Rússia? A questão do Presidente poder perdoar-se a si próprio tem sido alvo de bastantes peças de opinião, pois o Presidente acha que é indiscutível que o Presidente tenha o poder absoluto para perdoar a quem quer que seja, enquanto que os analistas acham que não tem lógica o Presidente ser juiz de si próprio: até o Papa tem de pedir a outro padre para lhe absolver os pecados.

Outro desenvolvimento foi a equipa de Robert Mueller ter instruído a Casa Branca a reter toda e qualquer comunicação que tenha a ver com a Rússia. Robert Mueller também está a estudar as ligações dos negócios de Donald Trump com a Rússia durante os últimos 10 anos e na entrevista ao NYT, Trump disse que a gota de água seria se Mueller decidisse investigar as declarações de impostos do Presidente. Esta preocupação em não revelar os impostos é suspeita, levando a que Chris Cilizza na CNN ache que "todos os caminhos nos levam às declarações de impostos de Donald Trump."

Esta próxima semana irá continuar a ser interessante, pois Jared Kushner foi chamado a testemunhar no Congresso na Segunda- e na Terça-feiras e muitas das polémicas que têm ocorrido nas últimas duas semanas devem-se à equipa legal de Kushner tentar proteger o seu cliente: foi a actualização dos contactos de Kushner com pessoas de interesse que levou a que se descobrisse a reunião de Donald Trump, Jr., com a advogada russa. Entretanto, há dois dias, Kushner também actualizou as suas declarações financeiras e as de Ivanka Trump, sua esposa, revelando mais de 70 activos anteriormente não declarados "inadvertidamente", o que pode levar a mais polémicas à medida que os jornalistas investigam o conteúdo das declarações.



sexta-feira, 21 de julho de 2017

A invasão das couves

Hoje decidi deixar o carro em casa e ir a pé até ao café aqui do burgo almoçar. É uma pequena aventura porque algumas das ruas não têm passeio e é difícil navegar quando parte do itinerário não está planeado para peões, a modos que passo grande parte do caminho a pensar que há uma grande probabilidade de ser atropelada. Na restante parte penso que, como já não estou acostumada a passear na rua ao pé de carros, se calhar, é essa a causa da minha pequena fobia. Vivo tão perto de restaurantes, lojas, e paragens de autocarro, que, decidi há uns meses, devia aproveitar e viver mais à "europeia".