terça-feira, 7 de junho de 2016

Esperava mais...

"House Speaker Paul Ryan on Tuesday rebuked Donald Trump for his "completely unacceptable" remarks about a judge based on his ethnicity, but said he would continue to support him as the Republican presidential nominee.

"I do absolutely disavow those comments. They are wrong," Ryan said at a news conference in Washington where Republican leaders were unveiling part of their policy agenda. "Claiming a person can’t do their job because of their race is sort of like the textbook definition of a racist comment."
"

Fonte: Bloomberg


Paul Ryan acha que Donald Trump fez comentários racistas acerca de um juiz, mas continua a apoiá-lo. O problema não é só os comentários serem racistas, mas também um candidato presidencial fazer comentários acerca de um juiz. Afinal, será que uma Presidência de Trump não respeitaria a divisão de poderes? Eu gostaria que alguém esclarecesse a plebe para que as pessoas soubessem exactamente o que esperar de Trump antes de votarem nele.

15 comentários:

  1. Rita, concordo (como não?) que Donald Trump é desbocado, achincalhador e inconveniente. Mas ao mesmo tempo não tenho quaisquer dúvidas que dá voz a todos aqueles que se sentem oprimidos pela ditadura do politicamente correcto. Hoje em dia não se pode dizer dum preto que é preto, dum velho que é velho, dum atrasado mental que é atrasado mental, dum.... Trump faz isto tudo e muito mais e com isso ganha votos sem fim. Nomeadamente Trump é a voz precisamente daqueles que ao longo dos anos em todo o mundo ocidental têm tido que se calar. E que são a maioria! A maioria tem tido que baixar o nariz em prol de minorias várias. Trump escaqueira tudo isso duma penada. Agora, a pergunta impõe-se: não será isto tudo fogo de vista para sair nas parangonas e o Trump presidente tornar-se muito mais comedido em relação ao Trump candidato? Penso que sim. Assumamos, porém, que estou errado e que Trump é realmente assim. Vem algum mal ao mundo em haver nos EUA um presidente que atira o execrável politicamente correcto para o lixo? Penso que não. Vem algum mal ao mundo de haver nos EUA um presidente pragmático que resolve os assuntos sem se preocupar com quem ofende ou deixa de ofender? Aqui, mais do que não haver mal parece-me é que há vários bens. Trump diz o que quer ou o que acha que lhe dá mais votos e é nesta última premissa que ponho as minhas fichas mesmo sem excluir a anterior que não vejo ser negativa. É, aliás, neste contexto que ponho esses comentários sobre o tal juiz que, a ser verdade a história conforme Trump a conta, são comentários com possivel fundamento. Para ajuizar dos seus fundamentos existem as instâncias judiciais de recurso.

    Não temo pela separação de poderes. O sistema Americano é muito mais vasto do que a Sala Oval e mesmo que queira meter o nariz onde não é chamado rapidamente lhe cortam as pernas.

    Como já disse, se fosse cidadão Americano provavelmente votaria em Trump. Não gosto do estilo, não gosto da forma mas em larga medida concordo com o conteúdo. O principal motivo é, precisamente, ele parecer alguém que dá um pontapé no politicamente correcto e dá alguma esperança às pessoas de poderem voltar a viver e a conviver sem medo de ofender seja quem for de cada vez que abrem a boca. Isto, mesmo descontando a minha ideia de que o presidente Trump será muito mais comedido do que o candidato Trump.

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    1. "Como já disse, se fosse cidadão Americano provavelmente votaria em Trump."

      Nem precisava de dizer. Alguém que defende o legado de Salazar como o Zuricher só podia votar no Trump, mesmo que o estilo esteja nos antípodas.

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    2. O Donald Trump não dá voz a ninguém. Ele diz o que diz por marketing; não por acreditar naquilo que diz. Ele próprio já admitiu isso. A mulher dele disse-lhe para ser mais presidencial e ele respondeu-lhe que primeiro tinha de ganhar a nomeação.

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  2. De Salazar e não só. Aliás, por uma série de motivos começando logo pela filosofia de base de cada um dos regimes, sou muito mais Franquista do que Salazarista. A ideia de Espanha do Generalíssimo é muito mais interessante do que a ideia de Portugal do Dr. Salazar. Simplesmente o Estado Novo foi a melhor governação que Portugal teve desde os tempos do Marquês de Pombal e o totalitarismo parece-me ser a forma de governo mais adequada à sociedade Portuguesa, à sua ancestralidade, em suma, "À Arte de Ser Português". Espanha é outra história, com características muito diferentes e embora tenha imenso respeito pelo legado do Generalíssimo Franco, o regime democrático, mormente conforme foi implantado, «sin prisas pero sin pausas», tem servido bem a sociedade Espanhola. Que, de resto, tem um fusivel para o caso das coisas correrem mal que a sociedade Portuguesa não tem: as forças armadas.

    Não vejo é, caro Luís, como é que liga o respeito pelo legado do Dr. Salazar ao apoio a Donald Trump. Pode explicar-me o raciocínio que segue?

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    1. Tenho uma pergunta: porque é que Salazar é tratado por Dr., mas Trump não? Até fui ver ao Wikipedia, e verifiquei que o Dr. Trump é licenciado.

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    2. Por dois motivos relacionados tanto com as convenções como com o meu estilo pessoal, este subordinal àquele.

      1) Em Portugal é normal usarem-se os titulos de cortesia para toda a gente e, em Espanha, é normal usarem-se os titulos de cortesia para algumas categorias profissionais, caso dos militares. Nos EUA não se faz este uso. Por este motivo escrevo Dr. Salazar (a ser realmente correcto deveria escrever Professor Doutor por extenso) e Generalíssimo Franco mas não escrevo Dr. Donald Trump.

      2) Mesmo quando escrevo relacionado a pessoas Portuguesas e ao contexto Português não uso sempre os titulos de cortesia dando a volta ao texto de forma a não precisar de os usar quando deliberadamente não pretendo usa-los. Se reparar, num comentário de ontem ou ante-ontem, referi-me ao Dr. Victor Bento e não a Victor Bento. Pelo contrário, nunca escrevi Dr. Mário Soares e muito menos Dr. Álvaro Cunhal.

      Juntando as duas: nos idiomas e contextos nacionais em que é normal usar os titulos de cortesia, uso-os dependendo do apreço que tenho pela pessoa que refiro. Nos idiomas e contextos nacionais em que não se usam os titulos de cortesia não os uso independentemente do maior ou menor apreço que possa ter pelas pessoas que refiro.

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    3. Certo. Já eu acho que se devia abolir por completo o tratamento por "Dr." em Portugal. O que faz de mim, de certo modo, um igualitarista, aos seus olhos potencialmente não merecedor de tratamento por Dr.

      Como Álvaro Cunhal ;)

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    4. Não discordo de si, Luís. Eu próprio não uso o meu titulo de cortesia, como o meu pai nunca usou o seu e já meu avô o não usava também. Mas as convenções em cada país são as que são e não tenho quaisquer pretensões ao quixotismo de tentar substituí-las pela minha acção isolada.

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  3. "Não vejo é, caro Luís, como é que liga o respeito pelo legado do Dr. Salazar ao apoio a Donald Trump. Pode explicar-me o raciocínio que segue?"

    Não.

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  4. É curioso. A Rita parte do princípio de que os americanos são um povo com um natural bom senso, um pouco como personagens de um filme do Frank Capra, e que apenas andam agora um pouco distraídos, precisando que alguém os esclareça sobre o Trump, já a campanha vai a meio. Imagine-se, um tipo que se farta de falar, ainda por cima alto, do que pensa sobre mexicanos e muçulmanos, fora tudo o resto. É um espanto que ele não respeite juízes mexicanos ou muçulmanos. Os seus apoiantes estão muito desiludidos, estão...

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    1. Os americanos não têm mais bom senso que o resto do mundo. Nem menos.

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  5. A divisão de poderes não tem tido um grande respeito por parte do actual inquilino da Casa Branca, e suas "executive orders", algumas contestadas judicialmente e até bloqueadas pelo sistema judicial, às quais recorre com abandono dado o simples facto de o seu partido estar em minoria nas duas câmaras do Congresso. It depends on who does it.

    Quanto ao "bom-senso" e "inteligência" dos americanos, isso, obviamente, depende de como votam: inteligentíssimos nas presidenciais de 2008, mas eis que, num acesso de estupidez, em 2010, deram aos republicanos a sua maior maioria na Câmara dos Representantes desde 1928.

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    1. "It depends on who does it."

      Sim, sim, quando é um democrata, é um deus nos ajude, que viola a separação de poderes; quando é um republicano, é sinal de vigor e carisma;):
      http://www.presidency.ucsb.edu/data/orders.php

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    2. It also depends on who writes it. ;-)

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