sábado, 19 de outubro de 2019

História Ambiental

Já disse aqui várias vezes que a área que escolhi para o meu mestrado e depois para o doutoramento foi problemas ambientais. Na altura, segunda metade da década de 90, apesar de se começar a falar bastante em ambiente em Portugal, principalmente por causa da CEE, a única cadeira dedicada ao ambiente na FEUC era Direito Ambiental.

Não sei se havia alguma universidade em Portugal onde fosse possível estudar economia e ambiente, mas mesmo que houvesse, eu não tinha dinheiro para ir estudar fora de Coimbra, nem sequer tinha notas, logo a solução era mesmo emigrar. E como adoro inglês, foi ouro sobre azul poder viver num país onde tenho o enorme luxo de poder falar e escrever a minha língua predilecta todos os dias.

Uma das melhores coisas que há nos EUA é os programas de rádio da National Public Radio. Em Memphis, a estação local da rede da NPR tem três canais em HD. Os primeiros dois alternam programação de música clássica e programas informativos ou de tópicos mais ligeiros; o terceiro canal tem quase sempre a emissão da BBC World Service.

Na BBC costumo ouvir diariamente o BBC Witness History, com o qual aprendo imenso: demora cerca de 10 minutos e é sobre um tema histórico. Esta semana, têm estado a passar episódios sobre História Ambiental. Se ouvirem estes últimos cinco episódios, ficarão bastante informados acerca de alguns dos tópicos mais importantes sobre como aprendemos o que sabemos sobre o ambiente.

Quando comecei a estudar nos EUA, era bastante idealista e lembro-me de ter dito ao meu orientador que o ambiente tinha de ser sempre preservado, mas ele disse-me que não. Havia um equilíbrio, mas esse equilíbrio não era um ambiente sem actividade humana. Ou seja, onde há raça humana ou outra raça qualquer, haverá sempre modificação do ambiente; nem sempre essa modificação é sustentável no curto prazo, mas a longo prazo, as espécies que abusam do ambiente acabam por sofrer reduções na taxa de sobrevivência.

Os últimos 100 anos são caracterizados por um enorme sucesso no aumento da sobrevivência da raça humana, mas o que é desconhecido é a população mundial de equilíbrio. Sabemos, no entanto, que é inferior à população actual.

Recomendo dois episódios desta semana: um sobre Norman Borlaug e o seu trabalho na selecção de espécies agrícolas resistentes a doenças e com maior rendimento agrícola através do uso de fertilizantes químicos, que foi tópico da minha cadeira de Conservação de Solos e Água. Estima-se que o trabalho de Borlaug tenha permitido a sobrevivência de mil milhões de pessoas, quase um sétimo da população mundial. O outro sobre Charles Keeling, que foi o primeiro cientista a medir a acumulação de dióxido de carbono na atmosfera, tendo este trabalho sido iniciado nos anos 50.




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