sexta-feira, 20 de maio de 2016

A soft spot for Grandmas...

For three years, Rutgers tried to convince Obama to give a commencement address at its university, deluging him with petitions by mail, Twitter, Facebook, and YouTube.

But ultimately, the secret weapon for the New Brunswick, New Jersey, school ended up being a 70-year-old grandmother from the Jersey Shore.

Dianne Totten swayed the president with three candid letters, written on a basic form at WhiteHouse.gov. She wrote the letters on behalf of her grandson, outgoing Rutgers student body president Matthew Panconi — and helped persuade Obama to become the first sitting president in Rutgers' 250-year history to give the address.

Fonte: NBC News

Escolas "caras" em Houston I

A 5th Ward em Houston é uma das zonas mais pobres da cidade, com uma taxa de pobreza acima de 90%. Como ilustração do tipo de discussões que se têm nos EUA na área da educação, deixo-vos uma peça de opinião publicada no Houston Chronicle, cujos autores são dois professores universitários e um membro do clero. A motivação para a peça foi a busca de um Director para este distrito escolar.

Há três aspectos da discussão que gostaria de salientar:

  1. Defende-se que uma escola numa área pobre necessita de mais recursos -- e de tipo diferente -- do que escolas em áreas mais afluentes;
  2. A necessidade de haver um envolvimento da comunidade para tentar resolver os problemas, especialmente na forma como as escolas em locais mais pobres são financiadas. O financiamento costuma estar relacionado com o comércio local e com os impostos sobre imóveis, o que é bastante limitativo, pois estas zonas têm imóveis mais baratos e o tipo de comércio presente não gera tantos impostos. Em Houston, a comida comprada na mercearia não paga impostos e uma proporção alta do rendimento das famílias que vivem nestas áreas é gasto em comida.
  3. Nas escolas em áreas problemáticas, a experiência do pessoal contratado deve ser considerada. Obviamente, quanto mais experientes, mais altos os salários a pagar. Se a escola tem poucos recursos financeiros, então apenas pode contratar pessoas com menos experiência o que pode não ser no melhor interesse dos alunos.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

História gótica


68. De um homem que morre tantas mortes como as que morreu Toríbio Ortega suspeitar-se-á, facilmente, que não morreu nenhuma.

Endividamento externo

No meu facebook, não houve ninguém de Direita que tivesse partilhado esta notícia. Para quem passou os últimos anos tão preocupado com a questão do endividamento externo, seria de esperar que acompanhasse mais de perto as notícias sobre a rubrica que mais contribui para esse endividamento. 

Dor de corno

Tiago Brandão Rodrigues não se limitou a negar um crime. Bastava ter devolvido o dinheiro das propinas dentro dos prazos para ser óbvio que não havia crime nenhum.
O ministro da educação explicou que todos os procedimentos normais foram seguidos com a maior das lisuras. Ia para uma universidade, recebeu da fct o dinheiro para pagar as fees correspondentes àquela universidade. Mudou para outra universidade, devolveu o dinheiro.
É preciso muita dor de corno académica para que o seu ex-orientador venha com estas merdas 15 anos depois. Lamentável.

PS E sim a FCT adiantava o dinheiro. Estudantes de 20 e tal anos não dispunham de 15.000 euros para pagar propinas e despesas adiantadas. Caramba, só o seguro de saúde eram 1000 e tal dólares. Depois, apresentavam-se os recibos e faziam-se os acertos. Se é isto, é um não-caso. Em vez de enfraquecer o ministro, vai reforçá-lo.

Uma turma cara

Frequentei o nono ano na Escola Secundária de D. Duarte. A minha turma, o 9L, era uma das turmas mais caras da escola. Tinha apenas 18 alunos, eu era uma da poucas crianças que nunca tinha reprovado, e havia um menino paraplégico e uma menina cega. Os meus colegas com deficiências físicas tinham apoio especial, através de um gabinete que empregava várias pessoas. Para além disso, os nossos professores apoiavam essas crianças mais horas do que o normal.

A menina invisual, cujo irmão também era invisual e surdo-mudo e não frequentava aquela escola, tinha de ter todos os materiais de estudo escritos em braille. Todos os seus trabalhos de casa e testes tinham de ser traduzidos de braille para negro (a forma como nós, que não somos cegos, escrevemos). Quase todos os nossos professores tinham bastantes anos de experiência e tinham um cuidado especial com a nossa turma. A nossa turma era bastante unida e todos eramos amigos uns dos outros e assistíamos os nossos colegas com deficiências físicas. Esta turma era cara, mas a escola nunca faltou com nada, mesmo sendo ensino público.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

INOUH

"O mundo é muito pequeno", dizia-me hoje uma amiga minha que está em Maputo e me telefonava via WhatsApp, depois de ter falado comigo pelo Messenger do Facebook (estou a tentar que ela nos arranje uma Happy Meal de África). Há dois anos, veio a Houston em trabalho e tivemos oportunidade de passar algumas horas juntas. Há 18 anos, ela e eu tirávamos mestrados em Oklahoma. Ontem também pensei que o mundo era pequeno. No grupo de Facebook "Portugueses em Houston", um rapaz postava a página de uma nova marca de sapatos portuguesa, que é um projecto onde participa a sua irmã. Comprometi-me a partilhar na minha página do Facebook e convosco.

A origem do populismo

Num comentário ao meu post anterior, o NG escreveu, com razão, que a falta de dinheiro não chega para explicar o eclipse ou apagamento do centro e, em consequência, dos moderados. Há pelo menos outro factor que me parece determinante. Num democracia representativa, quando a oligarquia ignora ou se mostra insensível à “vontade geral” e parece manipular as regras do jogo a seu favor, está a abrir as portas ao populismo e ao consequente aparecimento de caudilhos, que falam directamente para o “país real” e incentivam o desprezo e o ódio ao chamado sistema. 

O tempo dos radicais

Há uns anos muita gente perguntava onde é que se tinha enfiado a direita. No CDS? Alguma, com certeza. Mas o grosso enfiou-se no PSD, um partido social-democrata, logo de esquerda, pelo menos de nome. Na verdade, a direita teve de se disfarçar de social-democrata para sobreviver e ganhar votos – já aqui escrevi, sem nenhuma originalidade, que essa sempre foi a táctica de sobrevivência da direita portuguesa: adoptar, sempre que necessário, as causas da esquerda. A direita esteve açaimada durante anos. Se soltasse a língua e pusesse cá fora tudo o que lhe ia na alma, o “comentariado” indígena entraria em estado de choque e o PSD, provavelmente, nunca ganharia eleições.
Na esquerda existe uma realidade semelhante, embora, admito, o grau de dissimulação seja menor. Não há muito tempo, o actual presidente da câmara de Loures, Bernardino Soares, manifestou a sua admiração pela democracia norte-coreana a um jornalista do DN. Foi um deslize, claro, e imagino que o Bernardino deve ter ficado muito aflito mal se apercebeu do seu “acto falhado” – uma expressão involuntária de sinceridade, conforme a definição de Freud. Bernardino não é com certeza um caso isolado dentro da esquerda radical (muitos da dita cuja estão albergados no PS).
A direita radical e a esquerda radical, como alguns lhes chamam, não nasceram ontem. Andam por aí há muito tempo. Para não assustar muito o eleitorado, estiveram, a maior parte do tempo, caladas e escondidas dentro dos próprios partidos. Com a crise e a inerente falta de dinheiro, a moderação foi ao ar e o centro desapareceu em parte incerta. As crises sempre foram um pasto fértil para os radicais. Bernard Shaw e Mark Twain tinham razão: a falta de dinheiro é a raiz de todo o mal. 

História gótica



67. Há homens que morrem muitas mortes e um destes foi Toríbio Ortega, camarada e homem de armas  de Pancho Villa.

terça-feira, 17 de maio de 2016

A sério que o PR disse isto?

"O Presidente da República pede que, se a conjuntura levar a novas projeções económicas em Portugal, isso seja feito “sem alarmismos” mas “com lucidez”. Em discurso sobre o futuro da banca, Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou, também, para pedir “sensatez” nas decisões europeias relativas a Portugal [...]
Marcelo disse “desejar” não ver conflitos entre o interesse nacional e o interesse europeu, sem prejuízo do respeito dos compromissos assumidos. O Presidente da República, dirigindo-se especificamente aos responsáveis europeus presentes na sala, lembrou que o país passou por várias transformações (4) no espaço de cerca de 30 anos (ênfase meu), “incluindo uma revolução”."

~ Observador
Primeiro ponto: pelas minhas contas, a revolução foi há 42 anos.
Segundo ponto: julgo que seria mais prudente o Presidente da República abster-se de comentar o desempenho da economia em público tão frequentemente, pois receio que as constantes intervenções de Marcelo Rebelo de Sousa a pedir para não nos alarmarmos, quando os resultados indicam que a situação é verdadeiramente de alarme, irão tornar-se uma coisa repetitiva e sem significado. Para o Presidente constituem também uma forma de deteriorar a sua credibilidade, pois eventualmente começará a ser alvo de chacota na Praça Pública. Ter um Presidente da República sem credibilidade não serve os interesses do país, como acabámos de aprender com a Presidência de Cavaco Silva.

Falso, mas convincente

"the constant repetition of falsehood is more convincing than the demonstration of truth."

~ Mark Rothko, "The Artist's Reality"

Manual de sobrevivência

"Be soft. Do not let the world make you hard. Do not let pain make you hate. Do not let the bitterness steal your sweetness. Take pride that even though the rest of the world may disagree, you still believe it to be a beautiful place."

~ Iain Thomas

Qual é a admiração?

Alguns articulistas manifestaram a sua preocupação com a estagnação do investimento. Há problemas graves com o motor de arranque da economia. O extraordinário é alguém pensar que, nas actuais circunstâncias, as coisas poderiam ser diferentes. Quem, no seu perfeito juízo, não pensa mil vezes antes de investir um cêntimo que seja num país cujo governo é apoiado por partidos da esquerda radical, que odeiam o capitalismo, os empresários, os ricos? Partidos que nunca deixaram de desejar uma revolução, nacionalizar tudo o que se mexe, e que continuam a suspirar de admiração pelos Castros e Chavez deste mundo? O governo pode engendrar os “simplexes” que quiser, o primeiro-ministro pode falar de confiança a toda a hora, e transpirar optimismo por todos os poros, mas se os empresários não acreditarem, o investimento não se levanta. Keynes explica. E basta ouvir as meninas do Bloco, Jerónimo de Sousa ou os Galambas do PS para qualquer investidor perder logo o pouco ânimo que ainda pudesse ter. 

Manobras de diversão

No início da polémica dos contratos de associação, recordo-me de ler uma coisa que o LA-C escreveu, mas não sei exactamente onde. Dizia o LA-C que fazer este tipo de anúncio acerca dos contratos de associação era uma coisa que devia ser feita com, pelo menos, um ano de antecedência, para toda a gente ter tempo de se ajustar à nova realidade. Concordo em absoluto e uma das queixas que tenho acerca da forma como Portugal é governado é que o estado muda de ideias e de política constantemente e não permite a ninguém planear a sua vida a médio e longo prazo. Podemos contar com reformas da educação, de impostos, etc. sempre que muda o governo e, em Portugal, desde o 25/4/1974 temos um governo novo em média cada 2 anos.

Apanhou-me de surpresa a dimensão que se deu a este tópico e acho que muitas das discussões que se tiveram eram desnecessárias. O primeiro post que escrevi foi exactamente a esse propósito: não falem em o estado ter a responsabilidade de maximizar as escolhas porque não faz sentido quando há recursos limitados. Haveria outros argumentos muito mais convincentes para defender os contratos de associação, como o que o Artur Rodrigues escreveu. Mas muitos comentadores acharam mais benéfico discutir ideologia sem olhar às restrições da realidade, quando é exactamente por termos feito isso no passado que tivemos uma intervenção da Troika em 2011. Quem não aprende com os erros do passado está condenado a repeti-los no futuro.

No passado fomos governados por José Sócrates, que habilmente manipulava a opinião pública para esconder a sua incompetência e o seu excesso de optimismo infundado. No presente somos governados por António Costa, uma pessoa que segue exactamente o mesmo modus operandi. Porque é que a decisão dos contratos de associação foi anunciada nesta altura? Porque o governo precisava de uma manobra de diversão antes de anunciar que a economia estagnou. António Costa deu-nos pão e circo. E as massas foram ao rubro como de costume.