terça-feira, 7 de agosto de 2018

Elas e eles

O NYT tem um artigo a falar da idade em que as mulheres têm filhos e de como isso afecta o futuro das crianças. O problema é um de selecção: as mulheres que têm um nível de educação mais alto e/ou adiam ter filhos por causa da carreira acabam por poder dar melhores condições económicas aos pequenos, o que melhora as expectativas de vida dos mesmos.

Acho esta discussão um bocado incompleta porque também devíamos ter em conta o número de actos sexuais que os jovens têm versus os mais velhos. Se calhar, com a idade avançada, o pessoal tem mais sexo quando quer procriar; de resto, estão satisfeitos em olhar um para o outro languidamente porque se amam muito, mas apenas figurativamente.

E depois onde ficam os homens nisto tudo? É que parece que elas é que tomam as decisões todas, estilo ida ao super-mercado: hoje apetecia-me uma queca reprodutiva para o jantar. Vamos ver como está o menu do bar da esquina. Eu sei que há aquela coisa da emancipação das mulheres e de elas decidirem o que fazer com o corpo, mas se uma mulher quer engravidar e o parceiro não, será que ela leva sempre a dela avante?

Há uma outra hipótese, pois claro: talvez haja um segmento da população masculina que goste de ter relações com mulheres mais novas, que são também aquelas que têm um nível de educação mais baixo. Se calhar, há maior probabilidade que elas prescindam do preservativo, o que "supostamente" dá mais prazer a eles. E talvez o custo de oportunidade de um homem deixar uma mulher sem grandes perspectivas de vida porque não gosta muito de estudar seja mais alto do que se deixar uma mulher com uma carreira estabelecida.

Ou seja, talvez a situação actual não seja apenas o resultado de selecção delas mas também deles e nós só apreciamos o ponto de vista que dá jeito à tese que queremos defender.

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