Um blogue de tip@s que percebem montes de Economia, Estatística, História, Filosofia, Cinema, Roupa Interior Feminina, Literatura, Laser Alexandrite, Religião, Pontes, Educação, Direito e Constituições. Numa palavra, holísticos.
terça-feira, 30 de maio de 2017
Tudo é possível...
O pug, chamado Puggy, vivia no Irão onde foi mal-tratado. Quando o Puggy era bebé, fez xixi no tapete lá de casa; em troca, recebeu um pontapé que lhe partiu o pescoço e o deixou incapaz de andar. Para adoçar a coisa, parece que os donos só lhe davam arroz e iogurte e o cão ficou mal-nutrido. Ainda houve mais umas tropelias na vida deste cão, com novos donos, uma cirurgia falhada, e regresso aos donos antigos.
Surpreende-me que se saiba tanto detalhe sobre ele porque um dos capítulos finais da história é que o cão foi abandonado junto a uma auto-estrada em Teerão, no Irão, altura em que houve alguém de ascendência iraniana, que vive em Nova Orleães, que se indignou com a vida do animal e decidiu mesmo ir salvá-lo. No entanto, é um cão facilmente identificável por causa da deficiência física com que ficou depois de lhe terem partido o pescoço.
Quando o Puggy chegou ao aeroporto em Los Angeles, tinha a Rainha dos Pugs à sua espera, pessoas com cartazes, e uma equipa de TV local da cadeia ABC. Na Internet, há uma página a pedir doações para cuidar do Puggy -- lá podem ler a história do cão -- ; o objectivo era angariar $5.000, mas já tem mais de $11.500. Tudo é grande na América!
Alguém ir dos EUA ao Irão salvar um cão é obra, mas ir dos EUA do Trump ao Irão salvar um cão é para mim uma coisa muito mais impressionante. Parece que nem o Trump consegue derrotar o espírito americano! (E,sim, este pessoal é todo maluco...)
segunda-feira, 29 de maio de 2017
Piquenique
Como este fim-de-semana é prolongado devido ao Memorial Day, que se celebra hoje, muitas pessoas que costumam ir estavam ausentes, porque aproveitaram para viajar. Mesmo assim, havia mais de 20 adultos e muitas crianças pequenas. Surpreende-me ver pessoas de gerações anteriores à minha, mas há um contínuo de idades que sempre está presente. Para mim, estas alturas são bastante especiais porque, durante muitos anos, eu não conhecia ninguém português aqui com quem pudesse conviver; só depois de vir para Houston é que tive esse privilégio.
A comida costuma ser bastante tradicional e é uma altura em que me encho de admiração por toda a gente que cozinha tão bem os pratos tradicionais portugueses tão longe de Portugal. Havia vários pratos de bacalhau (eu fiz a meia-desfeita de bacalhau -- tive de estudar a receita porque não conhecia, mas achei um desafio giro), lombo de porco assado, salada fria de polvo (estava deliciosa!), bola de carne, etc. Não cheguei a provar tudo porque tive de guardar espaço para a sobremesa e tenho de vos dizer que me entusiasmei um bocado e esqueci-me de tirar uma foto para partilhar convosco.
(tenho de comprar a ferramenta para fatiar ovos)
O prato com um sortido do que havia disponível
(sou um bocado desarrumada a servir-me)
domingo, 28 de maio de 2017
Desobediência civil
Nem melhores, nem piores
sexta-feira, 26 de maio de 2017
Contas improváveis
Lembrei-me de ir ver os dados históricos e contar quantas vezes é que a variação homóloga do PIB acelerou do primeiro para o segundo trimestre. Construí o seguinte quadro sumário, a partir dos dados do INE:
Os desactualizados
Pergunto-me por que razão é que se gasta dinheiro a fazer estas coisas, se não é para continuar? Mais valia estarem quietos. Ou será que quem faz a manutenção da página de Internet não reparou que a página está quase cinco anos desactualizada? E notem que a desactualização tanto acontece com governos de Esquerda, como de Direita.
Outro pessimista
O Huffington Post relata a intervenção de Sanford:
"Sanford offered some basic history to challenge Mulvaney’s assumptions. For starters, he noted that the average economic expansion in all U.S. history lasts about 58 months. The current expansion begun under President Barack Obama has been underway for 94 months. The Trump budget, Sanford noted, assumes that will continue uninterrupted for an additional 214 months.
“This budget presumes a Goldilocks economy, and I think that’s a very difficult thing on which to base a budget,” Sanford said. He also noted that the Bible cautions against building a house on sand.
Sanford took specific aim at the unemployment, growth and inflation rates the budget relies on.
“Can you guess the last time we had an unemployment rate of 4.8 percent, growth at 3 percent, and inflation held at 2 percent?” Sanford asked. “It’s never happened,” he answered, when Mulvaney didn’t.
After pointing to other assumptions in the budget that have never happened, Sanford argued that to get the growth rates assumed by the budget, it would take a return to economic and demographic circumstances that haven’t existed since the 1950s and 1960s. That was when women were entering the workforce, highways were being expanded, appliances were first flooding the markets, productivity was skyrocketing, and the Baby Boomers were going to work, rather than retiring en masse.
“Even if we went to 1990 numbers, we would only see one-quarter of what is necessary to achieve 3 percent growth,” Sanford said.
Fonte: Huffington Post
A reacção de Mulvaney foi descrita na CNBC:
"Mulvaney defended the White House's projection earlier in the hearing, saying he was "stunned" about widespread doubts that the U.S. can achieve — and maintain — 3 percent growth. He argued that people would have to be "pessimistic" to assume such a level of expansion is "somehow unreasonable.""
Fonte: CNBC
E se fossem à merda?
Diz a Joana Mortágua: "A reposição de rendimentos e de direitos do trabalho que está a ser feita por este Governo é importante e devia ser feita de forma mais profunda e mais rápida, [...] a luta dos trabalhadores ajuda a este objectivo para que o Governo entenda que temos uma pressão social forte para avançar". Não percebi, mas tenho a impressão que a Joana também não sabe o significado do que disse.
Por estes dias, a minha paciência anda curta. Há pouco mais de duas semanas, foi encontrada, ao meu pai, uma massa nos intestinos que precisava de ser analisada, mas houve dois dias dias de greve e depois o dia de ponte por causa do Papa. Nessa altura, na madrugada de 11 de Maio, o meu pai sofreu um acidente isquémico transitório e teve de ser levado para as urgências. Teve azar! Esta semana teria dado mais jeito.
Vão à merda, caros governantes.
quinta-feira, 25 de maio de 2017
Quando se deve errar?
Na minha profissão, conto errar perto de 100% do tempo, mas preocupa-me o tamanho dos meu erros e a direcção dos mesmos. Há alturas em que, por haver informação muito mais limitada, os meus erros irão ser grandes e eu espero que sejam; à medida que mais informação fica disponível, os meus erros têm de ser menores; mas não podem ser sistemáticos. Também me interessa a evolução das variáveis, a maneira como interagem umas com as outras -- as coisas passarem o teste de cheiro, como dizia um antigo chefe meu.
Há erros que são desejáveis. Por exemplo, alguém que vai ao médico e o médico diz "Se você não fizer X, Y, e Z, vai provavelmente morrer dentro de dois anos." Qual o objectivo do médico: acertar na projecção a todo o custo ou errar de propósito? Em economia encontramos o mesmo tipo de problema: há previsões que são feitas para não se concretizarem.
Chateia-me um bocado quando as pessoas dizem que sou pessimista. Um bom economista tem de ser pessimista por natureza, pois uma das nossas funções é gerir risco, logo temos de estar sempre à procura de coisas que possam correr mal; ninguém se importa quando as coisas correm bem. Para além disso, muitas vezes, quando as coisas vão para o torto, descobre-se que muita gente comprometeu a sua integridade profissional, ou seja, erraram quando tinham informação suficiente para não o fazer.
Há certos erros que devem ser tolerados; outros não.
quarta-feira, 24 de maio de 2017
Olhos, ovos, e pornografia
Quando andava no nono ano de escolaridade, falhei um teste vocacional. Não sei bem como se sabe que uma pessoa falha coisas destas, mas o certo é que a psicóloga me mandou ir ao oftalmologista porque suspeitava que eu precisava de óculos. Fui e precisava; fiz o teste e passei. A minha vocação é contabilidade.
Usei óculos até aos 25 anos, altura em que me mudei permanentemente para os EUA e, na minha residência universitária, reparei que não conseguia identificar as pessoas que se aproximavam vindas do fundo do corredor. Era um bocado aflitivo olhar para alguém e não o reconhecer, mas se tirasse os óculos não tinha esse problema. Então deixei de os usar.
Mais tarde, em 2004, quando mudei de emprego, tive uma secretária muito profunda e passava bastante tempo a programar em GAMS. Tive a brilhante ideia de enfiar o écran do computador bem no fundo da secretária para ter mais espaço para ter cadernos e livros. Foi uma das piores ideias que tive, pois passados uns meses os meus olhos começaram a picar bastante. A certa altura, fechá-los tornou-se doloroso até -- pensei que fosse ficar cega. Marquei uma consulta para um oftalmologista e a médica foi muito simpática, fez-me um exame muito rigoroso, e concluiu que eu tinha os olhos muito secos. Quão secos? Mais secos do que as pessoas de idade avançada que eram seus pacientes. Deu-me ordens para fazer mais intervalos enquanto trabalhava com o computador e de, de vez em quando, colocar uma compressa húmida quente sobre os olhos, pois o calor estimulava a produção de lágrimas boas -- aquelas que são hidratantes.
Perguntei à médica se eu via bem e ela disse que sim, havia um bocadinho de estigmatismo, mas como não tinha sido corrigido, o meu cérebro tinha compensado (sou como os mercados: eficientemente ineficiente). Fiquei contente de não precisar mais de óculos e costurei umas bolsas de pano, com grãos de arroz lá dentro, para ter no escritório, aquecer no microondas, e colocar sobre os olhos de vez em quando. Achei mais prático do que usar compressas húmidas.
Até há poucos anos, à parte da minha tendência para ter os olhos secos, nada mais notei; mas recentemente, noto que já não consigo ver muito bem quando estou a ler algo em letra pequena. No outro dia, não conseguia ver o rótulo da lata de atum Sta. Catarina (dos Açores), para ver quantas calorias tinha. Isto é muito importante porque eu leio sempre os rótulos de tudo -- é um vício meu.
Hoje quando estava na loja ao pé dos ovos, notei que havia uma marca nova de ovos. Fiquei curiosa e comecei a ler o pacote. Li "Porn free" e pensei "Por que razão é que os ovos estão livres de pornografia? Que coisa mais estranha..." Voltei a olhar para o pacote e desta vez foquei mesmo os olhos no que dizia: "Born free". Ah, sim, mas estes ovos não são, nem nunca serão, nascidos, pensei...
segunda-feira, 22 de maio de 2017
Nós, os criminosos
Intuições
sexta-feira, 19 de maio de 2017
Um presente envenenado
É estranho que, quando o governo PSD/CDS estava no poder, falar em défice, dívida, e PIB era sinal de corrupção moral, pois havia coisas muito mais importantes do que isso. Só que agora, com o défice de 2016 pequenino e o crescimento do PIB do primeiro trimestre de 2017 grande, toda a gente que criticava dá urras e proclama a virtude destas variáveis económicas.
Fiz uns cálculos básicos (ver as contas a vermelho no boneco abaixo*) para ver como tinham crescido o PIB e a dívida pública anualmente e depois, usando as estimativas do governo para 2017, tirei a média anual de 2016 e 2017 para poder comparar com 2015. De 2014 para 2015, a dívida pública cresceu 2,44% e o PIB 3,71% (em termos nominais).
Se a Geringonça conseguir cumprir o prometido em 2017, então, a dívida crescerá 1,56% e o PIB 2,99%; depois de, em 2016, crescerem 4,11% e 3,02%, respectivamente (estimativas, ainda). Em média, em 2016 e 2017, a dívida cresceu 2,83% e o PIB 3,01%, ou seja, aumentar o crescimento da dívida não resultou em nenhuma aceleração do crescimento do PIB, logo aumentar a dívida pública não gerou nenhum retorno para a economia.
Por vezes, ouve-se as pessoas dizer que a economia portuguesa está estagnada, mas isto é incorrecto, pois o PIB real está estagnado, mas cada vez é necessário mais dívida para o manter estagnado, ou seja, Portugal está a empobrecer. A Geringonça não mudou isto, mesmo com o PIB a crescer 2,8% no primeiro trimestre de 2017, pois isto não compensa o fraco desempenho de 2016. Talvez em 2018, Portugal volte a estar como estava em 2015, o que significa que Portugal desperdiçou mais de dois anos.
*Note-se que são valores nominais, mas como a inflação acelerou desde 2015, não afecta o meu argumento.


