Um blogue de tip@s que percebem montes de Economia, Estatística, História, Filosofia, Cinema, Roupa Interior Feminina, Literatura, Laser Alexandrite, Religião, Pontes, Educação, Direito e Constituições. Numa palavra, holísticos.
segunda-feira, 8 de julho de 2024
A culpa é do Senhor
sexta-feira, 5 de julho de 2024
Menos mal
Há duas semanas fui a Houston e tive oportunidade de falar com as minhas amigas. Já não acham o Biden uma boa ideia e nem acham que ele consiga vencer Trump. No ano passado, discordavam de mim tão ferozmente que deixei de participar nas reuniões de Zoom semanais. Que tenham mudado de ideias diz-me que há pessoas que poderão votar nele, apesar de não o acharem capaz.
Depois de Houston, dei um pulo ao sul do Texas, estive em Corpus Christi e andei por lá de carro, cheguei a passar por Harlingen, que é bastante próximo da fronteira com o México. Aliás quem me lê deve estar prestes a ficar ao corrente desta região porque o furacão Beryl está a caminho de onde estive. Na minha viagem vi apenas um poster pró-Trump e pró-MAGA, o que achei bastante engraçado e também surprendente.
Engraçado porque era um poster ao pé de uma empresa que processa o algodão depois da colheita (separa o caroço da pluma) e quando Trump foi presidente o preço do algodão caiu bastante depois de ele iniciar a disputa comercial com a China. Apesar de não achar lógico que se vote em Trump, acho surpreendente que se veja tão pouco apoio, ou talvez ainda seja cedo. Talvez as coisas comecem a ficar mais interessantes daqui a uns dois meses--sim, já estão, mas isto tem potencial para muito mais.
Com a reviravolta do apoio a Biden, é natural que se vá prestar mais atenção à bota que os Democratas terão de descalçar, pois isto é uma oportunidade de demonstrarem que são moralmente superiores aos Republicanos. Pessoalmente, nem acho que seja uma questão de apenas arranjar outro candidato, pois o Biden deveria ser afastado da Presidência o quanto antes porque demonstrou publicamente que está incapacitado para o cargo. Mas se Kamala Harris chegasse a Presidente, isso seria quase que nomeá-la candidata e não me parece que o queiram fazer. E isso vale por duas razões pelas quais acho Biden um mau Presidente, pois não preparou ao sua Vice-Presidente para uma sucessão, nem sequer mentalizou o país que é necessário haver uma mulher presidente.
quarta-feira, 3 de julho de 2024
Direito por linhas tortas
Concordo com o Roberts e discordo bastante da reação quase histérica que assolou o país. Durante a primeira Presidência de Trump, ele referiu várias vezes que tinha imunidade plena, dado que era Presidente. Ou seja, do ponto de vista do comportamento dele não irá haver qualquer mudança, dado que ele não fazia distinção entre assuntos oficiais e privados antes--era tudo oficial.
Mas com esta decisão, Roberts abriu a porta para que o Presidente seja processado não só quando um acto é do foro privado (ou seja, nem tudo o que o presidente faz é oficial, uma contradição direta da filosofia de Trump), mas também quando há dúvida que um acto possa não ser oficial; esta área cinzenta antes era quase uma de imunidade presumptiva e agora já não é.
Se tivermos de gramar com Trump outra vez, é certo que o irão arrastar pelos tribunais ainda mais do que antes.
segunda-feira, 17 de junho de 2024
Um progresso estranho
Entretanto, vi noticias que umas das tendências do uso da Inteligência Artificial é a criação de vozes idênticas às das pessoas. O Instagram está cheio de vídeos com audio que oarece ser as "vozes" do Anthony Hopkins, Morgan Friedman, etc., mas nenhum deles leu o texto; foi tudo gerado por um computador. Fui às preferencias para tentar optar não ter posts com Inteligência Artificial, mas não há essa opção em lado nenhum. Depois pensei que se calhar alguns destes telefonemas dos telemarketers estavam a gravar a minha voz para depois usar para roubar a minha identidade. É que a minha informacao está toda na Dark Web devido a roubos de informação de bancos com os quais tenho conta, a minha e a de toda a gente por estas bandas. É só uma questão de tempo até os pontos se unirem.
Tenho saudades da Internet do início do século; nessa altura, podíamos confiar na opinião dos internautas; aliás, nem se comprava nada sem ir ver o que diziam as opiniões postadas no epinions.com, uma página que agora já não existe. Quando leio as avaliações dos consumidores agora não sei o que é real nem o que é manipulado. Mesmo o marketing online, já nem dá para saber que vendedores são legítimos, nem quais são os desonestos que tentam roubar o nosso número do cartão de crédito, ou que vendem porcaria, etc.
Durante a maior parte da minha vida, progresso significava algo melhor, mas agora já não. Imagine-se o que irá acontecer à Internet quando qualquer totó puder usar a inteligência artificial para implementar qualquer maluqueira que lhe passe pela cabeça. Nem estamos muito longe de descobrir: até às proximas eleições presidenciais a tecnologia evoluirá o suficiente para tornar as eleições num caos maior do que o costume.
sexta-feira, 31 de maio de 2024
Eficiência!
Yes, we've already updated his bio.
— Britannica (@Britannica) May 30, 2024
quinta-feira, 30 de maio de 2024
The Good, the Bad, and the Ugly
No entanto, há um aspecto mau na história das taxas moderadoras. Para mim, o pagamento de 126 euros é trivial, mas imagino que tal não seja para muitas famílias e idosos, logo não é razoável que o estado deixe acumular os pagamentos referentes a quatro anos. Há, também, um outro aspecto estranho. Que aconteceria a esta dívida se o meu pai já não estivesse vivo? O Ministério da Saúde deveria ser mais diligente em manter todas estas contas em dia.
Por fim, uma coisa extremamente feia que a Nicky Haley fez: escreveu "Finish them!" em bombas que vão ser usadas pelo exército israelita. Dado o histórico deste exército, que é um dos mais sofisticados do mundo, em encontrar alvos civis e humanitários, em vez de alvos terroristas, é completamente incompreensível o que ela fez. E chateia-me ainda mais porque eu votei nela nas primárias presidênciais. Como é que uma mulher, ainda por cima que foi Embaixadora junto das Nações Unidas, faz uma coisa destas? Não tem desculpa. Acho que vou ter de lhe escrever a reclamar.
quarta-feira, 15 de maio de 2024
Inclusividade
"Estes resultados foram resultado do esforço dos portugueses e de uma visão muito firme e determinada do anterior Governo em prossegui-los. Lamento a atitude de vários, que vejo hoje, que não hesitam em pôr em causa a credibilidade do país para obter ganhos políticos simplesmente para atacar o anterior Governo e socorrem-se de tudo", declarou Fernando Medina."Resultados que foram resultado" são sempre bem-vindos e claro que é de louvar haver governos que "prosseguem" resultados. Também gostei "da perperplexidade com que alguns dos meus ex-colegas assistiram ao que assistiram". É bom ter pessoas que falam assim chegar a ministros: dá um ar de inclusividade aos governos portugueses. Finalmentente, a sentença de incompetência dos técnicos da UTAO é-me particularmente cara porque demonstra que para ele a UTAO deve ser uma entidade que avaliza as decisões do governo, em vez de fazer uma apreciação independente, o que também contribuiria para a tal inclusividade.
segunda-feira, 1 de abril de 2024
Montanha russa à vista
Apesar da economia americana estar bastante sã, o que beneficia outros países, a guerra contra a inflação ainda não está ganha e uma presidência Trump irá criar um ambiente inflácionário, dada a história da última presidência dele antes da pandemia. Sendo assim, dificilmente se criará condições para as taxas de juro baixarem, a não ser que haja um choque imprevisto.
Para Portugal, as maluqueiras de Trump até poderão ser benéficas porque o número de americanos que irá dar à sola aumentará de certeza, e muito provavelmente alguns irão para aí. Sim, irá ser inflacionista e os locais irão perder poder de compra, mas o lado bom é que a dívida pública irá baixar mais depressa. Só que também implica que será mais oneroso emitir nova dívida pública.
Os recentes bons resultados do excedente orçamental já geram discussões sobre políticas redistributivas. O que a história recente de Portugal nos ensina é que tais políticas acabam sempre por criar dívida pública, pois políticas redistributivas têm efeitos estruturais, apesar da decisão de as implementar ser baseada em resultados que se revelam conjunturais.
quinta-feira, 21 de março de 2024
Género indeterminado
domingo, 17 de março de 2024
O bom e o mau
Independentemente da contagem final, a Direita conquistou mais votos do que a Esquerda, o que é um resultado bastante saudável em Democracia, dado que o PS já governa há oito anos e corria-se o risco de Portugal se tornar numa pseudo-ditadura de Esquerda, dado que desde 1991, só dois governos de Direita (1991 e 2011) conseguiram terminar um mandato completo vs. quatro da Esquerda. É natural que, à medida que um partido governa, se crie algum desgaste, que leve os eleitores a mudar de opinião, só que em Portugal isto raramente tem acontecido, pois, curiosamente, as maiorias tendem a acontecer em mandatos que não o primeiro.
O facto de o Chega ter acumulado tantos votos com uma plataforma eleitoral considerada anti-democrática é visto por muitos como uma mancha negra no projecto democrático português, mas não é assim tão mau. O aumento de popularidade de valores da extrema Direita está em ascendência em vários países, logo o Chega não é um fenómeno original e nem sequer é muito expressivo, pois em percentagem de votos tem menos popularidade do que noutros países--em França, a Marine Le Pen teve 23,2% de votos na primeira ronda e na segunda aumentou para 41,5%. Por outro lado, a atitude de muitas pessoas de Esquerda em Portugal, que não conseguem conceputalizar um país governado legitimamente por partidos tanto de Esquerda como de Direita está ao mesmo nível democrático de muita retórica dos extremistas da Direita.
Há também a considerar outro aspecto menos positivo para a Democracia portuguesa: com o envelhecimento da população e com o aumento da emigração, muitas pessoas deixam de votar porque não há um esforço oficial para facilitar o acesso ao voto através do correio ou de outra forma. Até recentemente, esta censura da participação eleitoral favorecia o PS, mas os ventos parecem estar a mudar--sei de pelo menos alguém num lar de terceira idade em Portugal que votaria PS, mas não tinha como votar. Pessoalmente, não teria votado no Chega, mas ainda não fui a Washington, D.C., regularizar os meus documentos, logo para efeitos de eleições para o Parlamento não existo.
Apesar das dificuldades de algumas pessoas em votar, houve uma redução da abstenção nestas eleições e tal é mérito do Chega, que conseguiu mobilizar eleitores, o que demonstra que os outros partidos também têm esse potencial. Dado que o Chega é agora o terceiro maior partido no Parlamento não pode ser tratado como uma pedra no sapato, por mais inconveniente que seja. Antes das eleições, Luís Montenegro comprometeu-se que não faria coligações com o Chega, mas não há nenhum impedimento que o faça depois das eleições. Pode perfeitamente negociar os pontos que lhe interessam estar em acordo com o Chega e repudiar os que não estão sujeitos a negociação e assim o programa do Chega que entra para um acordo com o PSD não seria o mesmo que Montenegro tinha enjeitado pré-eleições.
É algo semelhante ao que aconteceu em 2015, quando António Costa entrou em "acordo" com o BE e o PCP apenas nas áreas que lhe interessavam na altura, ou seja, ele não avalizou todo o programa desses partidos que foi sujeito a eleições.
quarta-feira, 6 de março de 2024
Super-Terça-Feira
Em Shelby County (Memphis), os resultados preliminares indicam que Nikki Haley teve quase 27% dos votos, enquanto que Donald Trump está nos 70%. Do lado dos Democratas, pouca gente votou e só havia Biden no boletim, mais a possibilidade de se escrever o nome de um candidato, logo ele está quase nos 97%. Haley parece que conseguiu quase 38% dos votos na área de Nashville -- e eu que tinha má impressão daquele pessoal.
Tenho pena que Haley não tenha tido melhores resultados, mas fiquei feliz que ela não tivesse desistido e me tivesse dado a oportunidade de poder votar em alguém que não Trump nem Biden.
domingo, 18 de fevereiro de 2024
Probabilidades condicionais
Se, nos EUA, o objectivo é eliminar Trump, a estratégia que tem maior probabilidade de o eliminar é votar em Nikki Haley porque é mais fácil eliminá-lo nas primárias, quando menos gente vota, do que nas eleições de Novembro. Que haja pessoas que desperdicem o seu voto em Biden quando ele já tem vitória garantida é irracional e contra-produtivo.
Em Portugal, se o objectivo é minimizar o risco do Chega ir para o governo, então faria sentido a malta de Esquerda votar na AD porque é o partido que, segundo as sondagens, tem mais facilidade em chegar a uma maioria. Só que há pessoal de Esquerda que acha que fica com a consciência tranquila votando nos partidos minoritários da Esquerda, o que não adianta absolutamente nada para criar uma maioria de Esquerda e não reduz o risco do Chega.
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024
Geringonça 2.0
Tenho andado a pensar nisto no contexto do Chega. Não me identifico de todo com o discurso, aliás até acho que têm um discurso anti-Rita; no entanto, não os vejo como uma ameaça. Devo estar na minoria, pois no debate público tem-se dedicado bastante atenção à questão de o Chega poder chegar a governo e se os partidos deveriam assumir previamente que não fariam uma coligação com o Chega. Acho essa expectativa anti-democrática por várias razões.
Em Democracia, a solução votada não agradará a todos, logo não é nenhuma avaria que haja idiotas que cheguem ao governo, parafraseando o Pritzker. Depois, o problema não é tanto que as pessoas votem em idiotas, mas que haja pessoas que votam sempre nos mesmos, ou seja, deixam o caminho aberto para um número baixo de pessoas decidirem o resultado--quem muda o voto acaba por ter mais poder do que quem vota sempre nos mesmos. Há ainda a considerar que, em Portugal, o risco da extrema Direita está controlado porque a Esquerda é bastante eficaz como oposição; curiosamente, a Direita portuguesa não sabe fazer oposição. Finalmente, dado o alto nível de abstenção e a ineficácia da República Portuguesa em facilitar o voto, o que em si é anti-democrático, é-o ainda mais ignorar parte da vontade do eleitorado.
Ou seja, se o Chega tiver votos suficientes para ajudar a formar Governo, quero acreditar que a sociedade portuguesa saiba lidar com estes idiotas democraticamente. E até nem me admiraria que o Chega chegasse ao Governo via PS e o os idiotas do PS dissessem que a Geringonça 2.0 era necessária para controlar a Extrema Direita.
sábado, 10 de fevereiro de 2024
Proposta 351
Não devo ter compreendido bem, pensei para comigo, logo decidi ir ao dicionário da Priberam para ver exactamente o que me escapava na língua portuguesa. Pois, como eu suspeitava, as definições 1 e 2 não me pareceram nada de mal, dizem que se refere ao amor aos animais, ser amigo dos animais, coisa de franciscanos, portanto. Se calhar, é isso, o Chega quer expulsar os devotos de S. Francisco.
terça-feira, 6 de fevereiro de 2024
É mesmo querida!
Quanto à vacina de Covid, que não tomei no ano passado, ela deixou ao meu critério, mas não acha essencial. A gripe este ano foi mais severa em termos de sintomas do que o Covid, informou-me. Falámos do meu peso, mas a nurse practicioner (gosto muito dela) acha que estou óptima e que o resto de Memphis é que está um horror. Acredito. Quanto às hormonas, sinto mesmo que algo está a mudar porque estou a ficar mais paciente e importo-me menos com as coisas, o que dá jeito.
A última vez que me exaltei, ou talvez tenha perdido a paciência, foi a propósito de um role de queixinhas acerca de Portugal por causa de haver tantos imigrantes. Apetecia-me dar uma estalada ao Ventura porque é uma das fontes das queixinhas. Eu sou emigrante relativamente a Portugal, mas nos EUA sou imigrante, logo não me é difícil imaginar que estão a dizer mal de pessoas como eu -- chama-se empatia. Há também uma enorme hipocrisia, ou chamar-lhe pura estupidez seja mais adequado, porque os portugueses, que são autenticas ervas daninhas migratórias há mais de cinco séculos, não têm autoridade moral para criticar imigrantes ao mesmo tempo que se auto-elogiam como conquistadores e disseminadores da civilização! Pronto, já desci do caixote do sabão...
Daqui a um mês, eu, imigrante e cidadã naturalizada vou votar no meu país de acolhimento, mas como ainda não fui a Washington, D.C., regularizar os documentos portugueses não posso votar nas eleições de Portugal. Agora que Portugal está em eleições e, sabendo-se que a participação no processo democrático está em declínio, pensei que a questão de facilitar o acesso a documentos e o voto emigrante fosse uma das questões mais importantes da plataforma eleitoral de algum partido, mas enganei-me. Ninguém quer saber; nem o MRS, suposto génio, se interessa. Parece-me que o papel de MRS na democracia portuguesa é mais higiénico do que genial: desintegra-se facilmente -- basta juntar água e meter água é o que não falta.
Não sei se é por estarmos a viver a história em vez de a aprendermos de livros, mas há quase um consenso de que a democracia americana já não é o que era e eu até acrescento que se aportuguesou. Quem diria que tanta gente ainda fosse fã Trumpeta e nem vergonha tenha de o assumir? E os fãs de Biden também são censuráveis -- declaração de interesses: eu votei Biden porque na altura era o mais sensato pois ele assumiu-se como um presidente de transição. Biden e Trump já são conhecidos como presidente, o que torna bastante curioso que sejam tão populares, pois se há coisa que os americanos gostam é de mudança. E eu, portuguesa degenerada, mas americana bem formada, vou votar Nikki Haley nas primárias. Mesmo que fosse pró-Biden, votar Biden nas primárias é um desperdício do voto.