Um blogue de tip@s que percebem montes de Economia, Estatística, História, Filosofia, Cinema, Roupa Interior Feminina, Literatura, Laser Alexandrite, Religião, Pontes, Educação, Direito e Constituições. Numa palavra, holísticos.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
Trump discursa no Congresso
Donald Trump vai ao Congresso discursar daqui a algumas horas. Nas notícias, muitas pessoas do mundo de investimentos falam que este discurso tem de ser muito específico em termos de que política o Presidente irá seguir e quando. Dizem que o mercado não aguenta viver de promessas para sempre e que, a certa altura, têm de haver detalhes para continuar a alimentar a confiança. Veremos o que sairá do discurso, mas não julgo que Trump seja um homem que se interesse por detalhes. Quer dizer, ele interessou-se em mudar as cortinas da Sala Oval de carmim para dourado...
Um atirador à solta
Uma vizinhança de Houston está bloqueada porque há um atirador à solta. Houve dois polícias que foram atingidos por volta das 12:30 locais e, segundo o que disseram na rádio quando interromperam a emissão, o tiroteio começou numa residência. Telefonei à J. a ver se ela já tinha ouvido as notícias e, quando lhe expliquei onde era -- perto da intersecção de Guessner e W. Bellfort --, ela disse-me que era uma vizinhança muito complicada e violenta.
Ainda no outro dia pensei que não sabia muito bem as áreas que devia evitar aqui na cidade; no entanto, aqui em Houston, até gajos com Porsche Boxster andam aos tiros no meio da rua, logo não é só nas vizinhanças pobres que há problemas. Os tipos de dinheiro também são avariados...
Ainda no outro dia pensei que não sabia muito bem as áreas que devia evitar aqui na cidade; no entanto, aqui em Houston, até gajos com Porsche Boxster andam aos tiros no meio da rua, logo não é só nas vizinhanças pobres que há problemas. Os tipos de dinheiro também são avariados...
Ajustes
"O problema com as pessoas com offshores é que elas agem dentro do que permite a lei pagando menos impostos enquanto os tótós que não podem fugir pagam o couro e o cabelo para sustentar um Estado gordo que nem faz o seu trabalho de escrutínio numa coisa tão simples como a publicação da lista. Estou convencido que somos capazes de estar perante uma nova lista vip num orgão de bem chamado Estado."
~ Bartolomeu num comentário anterior
Tenho muita dificuldade com este argumento. As off shores são controladas fora de Portugal, ou seja, o governo português não controla as condições que outros países dão ao capital que entra nesses países, logo é uma variável exógena a Portugal. O que é se pode ser controlado por Portugal? Portugal pode decidir a forma como organiza a economia, a despesa pública, os incentivos que dá em termos de impostos, o funcionamento dos tribunais, o enquadramento legal da actividade económica, a previsibilidade que dá aos agentes económicos (um país que está sempre a mudar de impostos e leis, por exemplo, não dá previsibilidade nenhuma porque tudo muda ao sabor de quem entra no governo), etc. Isto são variáveis endógenas controladas pelos governos e parlamentos que os portugueses elegem.
Há algumas em que se teria de negociar com a União Europeia, mas se Portugal decidisse apresentar um plano razoável, é natural que tivesse algum poder de negociação. Portugal poderia ainda decidir dar condições mais competitivas com as off shores, se bem que teria pouco poder de negociação com a União Europeia para instituir uma economia desse tipo, mas teria algum se o plano fosse minimamente aceitável; afinal, a Irlanda é uma off shore, o Luxemburgo, etc.
O dinheiro que sai para off shores depois de pagar impostos em Portugal não deve nada a Portugal; é dinheiro de quem o ganhou e quem o ganha decide o que fazer com ele. Se sai muito dinheiro para off shores é porque os donos desse dinheiro não têm confiança no país ou não vêem como o investir em Portugal de forma a obter um retorno desejado. Se o dinheiro que vai para off shores se aproveita de benefícios fiscais generosos e consegue escapar sem pagar impostos, isso é uma consequência da fiscalidade do país que resulta da legislação do parlamento e do governo. Foram os portugueses que escolheram a Assembleia da República e desta saem os governantes. Se os portugueses estão insatisfeitos têm várias opções: saem para a rua e protestam, organizam-se em partidos políticos novos e concorrem a eleições, votam em partidos diferentes, etc.
Há algum partido político que ofereça grandes reformas do país de forma a o país ficar auto-sustentável, atrair poupanças, e ter menos dependência do exterior? Não há. Todos os governos eleitos fazem manutenção do sistema que existe e que sabemos não ser sustentável no longo prazo. Já tivemos quantas intervenções do FMI? Mas em vez de se exigir mudar as coisas que podemos controlar, andamos a queixar-nos das off shores que não controlamos, da União Europeia que é uma mázinha, etc.
É muito fácil olhar para os outros e achar que eles são responsáveis pelos nossos problemas, mas isso só funciona durante um tempo limitado. O mundo não tem de se ajustar a Portugal porque Portugal é um país pequeno; é Portugal e são os portugueses que têm de se ajustar ao mundo.
Marcella and Her Lovers
No início de Maio, celebra-se o festival de música em Memphis, o Beale Street Music Festival, que faz parte das celebrações de Memphis in May. Este ano, o Memphis in May honra a Colômbia. Uma das bandas que vai actuar é Marcella and Her Lovers, que faz música alternativa e ainda não é muito conhecida, mas tem um nome espectacular, não tem? Gosto muito do tema "Put that Bronze", mas não encontro um vídeo no YouTube só com ele. Encontrei, no entanto, um especial com a banda onde podem conhecer o seu trabalho. Esta Marcella tem uma voz...
P.S. Vale a pena ir a Memphis em Maio por causa de todas as actividades culturais, mas a minha altura preferida para visitar é Abril, quando os cornizos -- uma espécie de abrunheiros -- estão em flor. As azáleas também florescem nesta altura, apesar de não ser uma arbusto que eu aprecie muito por ser tóxico; o mel produzido do pólen da azálea pode causar mal-estar em quem o consome.
P.S. Vale a pena ir a Memphis em Maio por causa de todas as actividades culturais, mas a minha altura preferida para visitar é Abril, quando os cornizos -- uma espécie de abrunheiros -- estão em flor. As azáleas também florescem nesta altura, apesar de não ser uma arbusto que eu aprecie muito por ser tóxico; o mel produzido do pólen da azálea pode causar mal-estar em quem o consome.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
Então e a corrupção?
Quando é que o PS tem pronto um enquadramento legal para a corrupção e uma reforma da justiça que condene prevaricadores? É para ser anunciando a 30 de Fevereiro?
É o Kansas, pois!
A coisa que mais estranhei este fim-de-semana foram as notícias. Em Nova Orleães, na Louisiana, um rapaz de 25 anos, um tal de Neilson Rizzuto, embriagou-se e espatifou uma carrinha contra uma multidão durante um desfile de Mardi Gras. Cerca de 32 pessoas foram atropeladas, 23 das quais necessitaram de cuidados médicos, sendo a mais nova uma criança com três anos. Pouco ou nada se tem falado sobre o moço e sobre a sua etnia. As notícias do caso estão enterradas por outras nos jornais porque toda a gente acha que os Óscares são mais importantes.
Se fosse um tipo escurinho, cairia o Carmo e a Trindade, como de costume. Ah, este fulaninho branco não é terrorista, apenas bêbado, mas notem que não é alcoólico. Daqui a nada, até é bom rapaz, já disse a avó... Para quem foi atropelado, deve fazer uma diferença enorme, estilo "Ah, que bom! Se tivesse sido atropelado por um muçulmano, que provavelmente estaria sóbrio, doer-me-ia mais o corpo!!! Ainda bem que o gajo era branco -- bêbado, mas branco."
No Kansas, outro fulaninho branco decidiu armar-se em defensor da América e desatou aos tiros num bar porque estavam lá dois indianos que ele achou serem pessoas do Médio Oriente, em particular do Irão. Matou um dos indianos, feriu o outro rapaz cuja esposa está grávida. Por sorte, um rapaz branco de 24 anos estava no bar e intercedeu, neutralizando o atirador e evitando mais mortes, mas pelo caminho apanhou um tiro que lhe passou pela mão e atingiu o peito.
A esposa do senhor que morreu, um engenheiro -- imigrante legal -- que trabalha para a Garmin, uma empresa que faz aparelhos de GPS, está à espera de o governo americano criticar este crime de ódio. Sean Spicer, porta-voz da Casa Branca, acha que não tem nada a ver, diz que é lamentável que tenha morrido uma pessoa, mas é absurdo sugerir que o discurso de ódio do Presidente Trump tenha contribuído para este acto.
A ironia é que os indianos, que andavam tão entusiasmados com a eleição de Donald Trump por causa das oportunidades de negócio, agora reconsideram. Já repararam que, se forem ao Kansas em viagem de negócios, é natural que por lá fiquem. Hollywood enganou-se n'O Feiticeiro de Oz: "Toto, I've a feeling we're not in Kansas anymore."
Se fosse um tipo escurinho, cairia o Carmo e a Trindade, como de costume. Ah, este fulaninho branco não é terrorista, apenas bêbado, mas notem que não é alcoólico. Daqui a nada, até é bom rapaz, já disse a avó... Para quem foi atropelado, deve fazer uma diferença enorme, estilo "Ah, que bom! Se tivesse sido atropelado por um muçulmano, que provavelmente estaria sóbrio, doer-me-ia mais o corpo!!! Ainda bem que o gajo era branco -- bêbado, mas branco."
No Kansas, outro fulaninho branco decidiu armar-se em defensor da América e desatou aos tiros num bar porque estavam lá dois indianos que ele achou serem pessoas do Médio Oriente, em particular do Irão. Matou um dos indianos, feriu o outro rapaz cuja esposa está grávida. Por sorte, um rapaz branco de 24 anos estava no bar e intercedeu, neutralizando o atirador e evitando mais mortes, mas pelo caminho apanhou um tiro que lhe passou pela mão e atingiu o peito.
A esposa do senhor que morreu, um engenheiro -- imigrante legal -- que trabalha para a Garmin, uma empresa que faz aparelhos de GPS, está à espera de o governo americano criticar este crime de ódio. Sean Spicer, porta-voz da Casa Branca, acha que não tem nada a ver, diz que é lamentável que tenha morrido uma pessoa, mas é absurdo sugerir que o discurso de ódio do Presidente Trump tenha contribuído para este acto.
A ironia é que os indianos, que andavam tão entusiasmados com a eleição de Donald Trump por causa das oportunidades de negócio, agora reconsideram. Já repararam que, se forem ao Kansas em viagem de negócios, é natural que por lá fiquem. Hollywood enganou-se n'O Feiticeiro de Oz: "Toto, I've a feeling we're not in Kansas anymore."
Continuem, sff...
As primeiras discrepâncias foram identificadas no ano passado perante indícios de que um conjunto de transferências efectuadas em 2014 através de uma instituição financeira “não tinham sido devidamente tratadas pela AT”, como o Ministério das Finanças já confirmou.
Quando, mais tarde, o assunto foi remetido à IGF, o gabinete do actual Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, pediu uma auditoria ao sistema de processamento da AT das declarações e “à sua articulação com a componente analítica da inspecção tributária desde 2011”. Os desvios encontrados – e que levaram à revisão das estatísticas – dizem respeito a quatro anos: 2011, 2012, 2013 e 2014 (ano das transferências).
Fonte: Público
O Rocha Andrade devia ter inteligência suficiente para não dar nas vistas quando quer entalar o PSD/CDS. Porque é que a investigação terminou em 2014? O pedido de investigação foi feito em 30/12/2016, logo 2015 e 2016 também seriam de interesse. E que provas temos de que 2010 não era problemático?
Gostaria que alguém me explicasse por miúdos porque é que o país é governado de forma a entalar governos anteriores da oposição e não de forma a construir um país melhor. Quando está lá o PSD, entala o PS; quando está o PS, entala o PSD, e não passamos das idiotices do costume. Mas a culpa também é dos eleitores que põem os interesses do partido à frente dos interesses do país.
Agora o PSD acha relevante que se publique as transferências off-shore, independentemente do governo que está no poder. É das ideias mais idiotas que tiveram. Em primeiro, é uma admissão que são idiotas. Porque é que não passaram legislação nesse sentido quando estiveram no governo -- não tinham maioria absoluta, ó génios?
Em segundo, a publicação desta informação é uma violação da privacidade dos indivíduos, um direito constitucional, e é basicamente uma prova de que o país não funciona e o estado não é uma pessoa de bem. Se estas pessoas que transferiram dinheiro fizeram alguma coisa de mal, a AT devia recolher provas para as levar a tribunal e a Justiça devia lidar com elas. Agora publicar informação de pessoas que agem dentro do que permite a lei porque há algumas que fogem à lei é uma violação da presunção de inocência de todos. Leiam a Constituição, se fazem favor.
Não me venham com ideias parvas de que transferir dinheiro para off-shores é imoral. O que as pessoas fazem com o dinheiro que ganham legalmente é uma decisão dessas pessoas e não está sujeita a escrutínio público. Por exemplo, eu ganho dinheiro nos EUA e transfiro parte dele para Portugal. Alguém tem alguma coisa a ver com isso?
Portugal é uma parvónia! Mas dá jeito serem mal governados porque o país é barato e dá para nos reformarmos em estilo. Continuem com as idiotices, que me dá jeito...
domingo, 26 de fevereiro de 2017
Ó pá, a sério?
Parece que o dinheiro corrupto foge de Portugal quando Pedro Passos Coelho está no governo, mas vive confortavelmente em Portugal quando António Costa é Primeiro Ministro. Bem me parecia que António Costa não era de confiança; agora tenho a certeza...
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
Destruição criativa
Stephen Mihn, numa op-edu da Bloomberg, apresenta uma breve história do sistema de saúde americano e de como foi o resultado de uma série de acidentes. Não foi planeado e tem sobrevivido décadas, mas dados os custos crescentes está a entrar em declínio. Diz Mihn que, a meio da década de 60, quase 80% das pessoas tinham alguma forma de seguro de saúde; hoje em dia, o nível de cobertura através do emprego apenas contempla pouco mais de metade da população.
Quando o Affordable Care Act, vulgo Obamacare, foi introduzido, os críticos especulavam que o número de aderentes seria baixo, mas acabou por exceder as expectativas. O número de pessoas afectadas não inclui apenas os que compram seguro através de Obamacare, mas também, por exemplo, aqueles que estavam excluídos do mercado de seguro de saúde pelas seguradoras e que, após o Obamacare, deixaram de poder ser discriminados. O Obamacare também permite que jovens até 26 anos de idade possam fazer parte do plano de saúde dos pais.
Dan Gaba, um especialista em seguros de saúde, construiu uma folha de cálculo no Google onde estima o número de pessoas que perderão seguro de saúde se o Obamacare for repelido; neste momento, a estimativa dele é de 23,902,871, ou seja, cerca de 7,4% da população americana. (A folha de cálculo discrimina o número de afectados por representante do Congresso.)
Uma das medidas que Paul Ryan quer introduzir é limitar os benefícios fiscais das pessoas que obtêm seguro de saúde através de emprego. Neste momento, o prémio do seguro de saúde via emprego stá 100% isento de impostos tanto para a porção que cabe ao empregado, como ao patrão. Note-se que o prémio do seguro de saúde para quem compra via Obamacare não é 100% isento de impostos; mas dependendo do rendimento da pessoa, pode ser parcialmente deduzido do rendimento tributável. Quem tem baixo rendimento, pode ainda receber subsídios para comprar um plano de saúde via Obamacare. Muitos patrões também oferecem aos empregados Flexible Spending Accounts, onde se pode alocar uma porção do rendimento pré-imposto para despesas de saúde.
Paul Ryan também quer modificar o Medicare, o plano de saúde dos reformados, de forma a que se torne mais como um mercado de planos de saúde (que é o que é o Obamacare). Muitos reformados estão apreensivos acerca de modificações e já se exprimiram no Twitter.
Ou seja, o plano do GOP para repelir o Obamacare e modificar o actual sistema de saúde americano irá tirar benefícios e acesso a muita gente. Stephen Mihn acha que será tão destrutivo, que não seria surpreendente que os EUA acabassem por criar um sistema de saúde universal.
Quando o Affordable Care Act, vulgo Obamacare, foi introduzido, os críticos especulavam que o número de aderentes seria baixo, mas acabou por exceder as expectativas. O número de pessoas afectadas não inclui apenas os que compram seguro através de Obamacare, mas também, por exemplo, aqueles que estavam excluídos do mercado de seguro de saúde pelas seguradoras e que, após o Obamacare, deixaram de poder ser discriminados. O Obamacare também permite que jovens até 26 anos de idade possam fazer parte do plano de saúde dos pais.
Dan Gaba, um especialista em seguros de saúde, construiu uma folha de cálculo no Google onde estima o número de pessoas que perderão seguro de saúde se o Obamacare for repelido; neste momento, a estimativa dele é de 23,902,871, ou seja, cerca de 7,4% da população americana. (A folha de cálculo discrimina o número de afectados por representante do Congresso.)
Uma das medidas que Paul Ryan quer introduzir é limitar os benefícios fiscais das pessoas que obtêm seguro de saúde através de emprego. Neste momento, o prémio do seguro de saúde via emprego stá 100% isento de impostos tanto para a porção que cabe ao empregado, como ao patrão. Note-se que o prémio do seguro de saúde para quem compra via Obamacare não é 100% isento de impostos; mas dependendo do rendimento da pessoa, pode ser parcialmente deduzido do rendimento tributável. Quem tem baixo rendimento, pode ainda receber subsídios para comprar um plano de saúde via Obamacare. Muitos patrões também oferecem aos empregados Flexible Spending Accounts, onde se pode alocar uma porção do rendimento pré-imposto para despesas de saúde.
Paul Ryan também quer modificar o Medicare, o plano de saúde dos reformados, de forma a que se torne mais como um mercado de planos de saúde (que é o que é o Obamacare). Muitos reformados estão apreensivos acerca de modificações e já se exprimiram no Twitter.
Ou seja, o plano do GOP para repelir o Obamacare e modificar o actual sistema de saúde americano irá tirar benefícios e acesso a muita gente. Stephen Mihn acha que será tão destrutivo, que não seria surpreendente que os EUA acabassem por criar um sistema de saúde universal.
Hã?!?
Depois de contar que tenho problemas de audição, duas das minhas amigas disseram-me que também tinham. Tenho a impressão que não ter uma audição perfeita é capaz de ser muito mais comum do que as pessoas pensam. Como já aqui disse, de vez em quando é chato porque os amigos e família acham que somos uns grandes chatos quando dizemos que não compreendemos o que foi dito e precisamos de clarificação. Ver TV e cinema também não é uma experiência 100% conseguida se nos escapa algum diálogo.
Mas, nem tudo é mau: pelo menos para mim, não ouvir bem também é uma grande conveniência. Estar num sítio e não conseguir distinguir certos registos de som permite-me divagar mais facilmente. Num dos voos de regresso da minha viagem de Washington, D.C., incomodou-me o barulho do motor do avião e pensei que chato seria ter de ouvir aquilo melhor, se fizesse a tal operação e fosse um sucesso. Encostei a minha cabeça à mão esquerda e tapei o ouvido mais competente. O som do motor ficou mais manso e eu mergulhei no meu mundo. Talvez tenha sido nessa altura que decidi que não fazia sentido esta operação.
Mas, nem tudo é mau: pelo menos para mim, não ouvir bem também é uma grande conveniência. Estar num sítio e não conseguir distinguir certos registos de som permite-me divagar mais facilmente. Num dos voos de regresso da minha viagem de Washington, D.C., incomodou-me o barulho do motor do avião e pensei que chato seria ter de ouvir aquilo melhor, se fizesse a tal operação e fosse um sucesso. Encostei a minha cabeça à mão esquerda e tapei o ouvido mais competente. O som do motor ficou mais manso e eu mergulhei no meu mundo. Talvez tenha sido nessa altura que decidi que não fazia sentido esta operação.
FLouçã no Banco de Portugal
Confesso que não sei muito bem para que serve o Conselho Consultivo do Banco de Portugal. Mas, gostem ou não dele, Francisco Louçã é professor catedrático de economia e é dos melhores economistas (estou a falar dos académicos) portugueses. Achar, como vi pelas redes sociais, que ele não serve para para o Conselho Consultivo, seja lá sobre o que for que o consultem, é apenas e só preconceito ideológico.
Declaração de interesses
Foi meu orientador de teses de mestrado e foi o arguente principal das minhas provas de agregação. Uma arguição feroz que deixou a minha família na assistência com as mãos suadas.
Do mundo português
Um dos vários mistérios para os quais não tenho solução é o de ter sempre falhado em convencer estrangeiros da genialidade do Zeca Afonso. Tentei várias abordagens. Às vezes falei do contexto, do país periférico, final, moribundo, do minho a timor, onde se achava que os foguetões dos americanos no céu iam irritar Deus; o país europeu onde se morria à fome; expliquei que ele ia aprender música às aldeias desse mesmo país que nunca abandonou, e compunha coisas desta genialidade redentora; mas outras vezes só pedi que ouvissem. Nunca resultou.
Continuarei assim a achar que ele é um génio do mundo, que só pode ser entendido em Portugal.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017
Um terrorista, sff!
Da CNN (ênfase meu):
Ou seja, se não há terrorismo dada a definição actual de terrorismo, muda-se a definição até haver terrorismo.
Bom, bom, seria a nova definição dizer que quem é nacional daqueles sete países é, por definição, terrorista. Problema resolvido!
"One of the ways the White House hopes to make its case is by using a more expansive definition of terrorist activity than has been used by other government agencies in the past. The senior White House official said he expects the report about the threat from individuals the seven countries to include not just those terrorist attacks that have been carried out causing loss of innocent American life, but also those that have resulted in injuries, as well as investigations into and convictions for the crimes of a host of terrorism-related actions, including attempting to join or provide support for a terrorist organization."
Ou seja, se não há terrorismo dada a definição actual de terrorismo, muda-se a definição até haver terrorismo.
"First, some intelligence officials disagree with the conclusion that immigration from these countries should be temporarily banned in the name of making the US safer. CNN has learned that the Department of Homeland Security's in-house intelligence agency, the Office of Intelligence and Analysis -- called I&A within the department -- offered a report that is at odds with the Trump administration's view that blocking immigration from these seven countries strategically makes sense.
It's not clear if this was the conclusion of the I&A report but many DHS officials have said they do not think nationality is the best indicator of potential terrorist inclinations."
Bom, bom, seria a nova definição dizer que quem é nacional daqueles sete países é, por definição, terrorista. Problema resolvido!
Antonomásia
No Público:
"PIB da maior economia ibérica cresceu em 2016 mais do que era antecipado por toda a gente, incluindo o Governo."
Porque dizer "PIB de Espanha" dá muito trabalho, "PIB espanhol" ainda é pior, e ele há tantas economias ibéricas, que ninguém sabe os seus tamanhos relativos assim de cor e salteado, logo o uso da antonomásia é mais do que justificado. E viva a perífrase, caramba!
"PIB da maior economia ibérica cresceu em 2016 mais do que era antecipado por toda a gente, incluindo o Governo."
Porque dizer "PIB de Espanha" dá muito trabalho, "PIB espanhol" ainda é pior, e ele há tantas economias ibéricas, que ninguém sabe os seus tamanhos relativos assim de cor e salteado, logo o uso da antonomásia é mais do que justificado. E viva a perífrase, caramba!
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