domingo, 20 de dezembro de 2015

O Secretário de Estado da Educação

Em post anterior, analisando o perfil do Ministro da Educação, que acolhi favoravelmente, disse no entanto que seria importante para ele ter como Secretários de Estado elementos com qualidade e conhecedores do terreno que pisam.

Tive agora a oportunidade, por mão amiga, de ter acesso a uma curta intervenção feita na Assembleia da República pelo Prof. João Costa, Secretário de Estado da Educação, a qual pode ser vista e ouvida aqui. Não só porque esclarece bem a posição correcta acerca dos rankings das escolas, mas porque dá pistas sobre como deve o Ministério da Educação actuar no futuro, apoiando-se em quem sabe e não em quem apenas opina, fiquei bem impressionado e, em certa medida, mais tranquilo.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Olha, um bom artigo do Pacheco Pereira! Milagre de Natal!

O trabalho que a sorte dá...

Bem sei que a economia de um país não é o mesmo que a de um agregado familiar. Porém, existem vários pontos em comum. Um deles é o incentivo à poupança. O rendimento disponível não deve ser igual à despesa mensal ou anual.

Ora, vem isto a propósito da boa medida de substituir os veículos de alta cilindrada na “Factura da Sorte” por certificados de aforro.

Que se incentive os contribuintes a cumprirem um ónus fiscal é já discutível, mas mesmo para países do bárbaro Sul da Europa, presentear alguém com carros de gama alta, a que acrescem as despesas inerentes, não lembrava a ninguém e passava exactamente a mensagem contrária que o anterior Governo desejava. Sempre achei uma medida sem um mínimo de racionalidade, também económica.
Espero que esta mudança seja um estádio para que este incentivo à subfacturação e à economia paralela seja apenas isso: uma medida intermédia para a sua eliminação. Assim é nos países civilizados e desenvolvidos. E mesmo não tendo há muito idade para acreditar no Pai Natal, se Portugal conseguir ser um país menos dominado pelos interesses instalados, sim, é possível. Mesmo sem a intervenção do Menino Jesus.


Haja sorte, mas sem factura e número de contribuinte. Daquela sorte feita com trabalho, mais trabalho e perseverança. A única que vale a pena. O resto é álea do domínio do mítico.

Uma vez por mês...

Apareceu-me no Facebook uma foto com alguns comentários acerca de uma mulher com o período. Ela estava numa cama e tinha as calças do pijama manchadas com sangue, havendo também uma mancha na cama.

Isto acontecia-me muitas vezes quando comecei a ter o período porque o fluxo era muito forte e aparecia muitas vezes sem eu dar conta que estava para vir. Deixou de acontecer quando eu tinha quase 20 anos, mas cada mulher é um caso diferente. Nunca fui uma pessoa que andasse sempre com o calendarização do meu período muito presente na minha cabeça, tentei sempre não levar o período muito a sério, nem ser muito dramática. Apesar de sentir dores, às vezes bastante fortes, não fico irritada, nem sequer anuncio "Sai da frente que estou com o período!", como já vi mulheres fazer.

A parte consciente do meu cérebro, pensa que ninguém tem culpa de nós estarmos com o período. Não é muito agradável, mas também não é culpa de ninguém, e penso que ficar frustrada piora a nossa experiência ainda mais. No entanto, reconheço que isso também não é bem uma escolha consciente minha, pois, obviamente, depende da química do meu corpo, especialmente das minhas hormonas. Nem todas as mulheres têm a minha química. Se calhar, desiludi-vos, pois pensáveis que quando eu tenho as minhas fúrias é por causa do período. Não tem nada a ver, a minha fúria é mais induzida por factores externos.

De regresso à foto, achei a discussão que a acompanhava interessante: há quem diga que é nojento, há mesmo mulheres que sentem vergonha, há outras que dizem que é natural, há homens que dizem que ajudam, há outros que acham que ela está por conta própria...

Hoje em dia, há cada vez mais homens que participam com mais interesse na educação e criação dos filhos. Esses homens provavelmente não foram preparados pelas suas mães para lidar com o período de uma filha ou até da companheira. Também há companheiras que mantêm o assunto privado e não partilham a sua experiência com os seus companheiros.

Como isto é uma experiência que só as mulheres têm, julgo que cabe a nós, mulheres, tomar a iniciativa e ajudar os homens a aprender o que é ter o período. Isto é ainda mais importante no caso de homens que têm filhas e que querem participar no seu processo de crescimento.

É como o mercado!

É Natal, é Natal, logo posso ver o "Love Actually" no Netflix -- não seria Natal, se não o visse, e eu sou uma moça muito tradicional. Digamos que a Laura Linney é absolutamente de cortar a respiração, mas eu também tenho um grande fraquinho pelo Alan Rickman e o seu "dry humour". E tem o Mr. Darcy, meus queridos!

No final, estava a ouvir o "The Trouble with Love Is" da Kelly Clarkson e, a certa altura da letra, pensei "Ah caramelo, isto é como o mercado!!!" Substituam a palavra "love" por "the market" e bingo! Considerem-se avisados...

The trouble with loveTHE MARKET is
It doesn't care how fast you fall
And you can't refuse the call
See, you got no say at all

Now I was once a fool, it's true
I played the game by all the rules
But now my world's a deeper blue
I'm sadder, but I'm wiser too

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Escolas felizes

"Na Holanda, as escolas de condução podem aceitar sexo como pagamento de aulas de condução, desde que o negócio seja proposto pela escola e não pelo aluno e estejam envolvidas pessoas com mais de 18 anos."

Fonte: JN.pt

Quando é que será adoptado em Portugal? Caros legisladores, façam o favor de permitir ao aluno escolher o instrutor para que a utilidade do estudante seja maximizada. [Se o instrutor for giro, talvez precise de refrescar a minha condução, ao mesmo tempo que investigo o cálculo felicífico do Jeremy Bentham. Admitam: Economia é o melhor curso do mundo!]

Ardeu

Não foi um treino de segurança o que me impediu de entrar no prédio. Uma SUV (carro) ardeu. A minha chefe viu o seu dono, visivelmente perturbado, a olhar para o seu carro completamente queimado. Felizmente, ele não se magoou. Basta um evento para a nossa vida ser completamente diferente...

Expectativas de moralidade

Hoje não consegui entrar no edifício onde trabalho. As vias de acesso à garagem estavam bloqueadas por seguranças e havia um carro dos bombeiros à porta. Supostamente, esta tarde teremos um exercício de segurança para simular evacuar o prédio, em caso de emergência. Talvez seja a preparação para isso. 

Informei a minha chefe, que ainda não estava no gabinete, pois ela começa a trabalhar em casa para apanhar a abertura dos mercados, de que eu iria ao Starbucks por alguns minutos esperar que o edifício abrisse. 

Sentado à minha frente, no Starbucks, está um homem com vários sacos cheios, sinto o seu odor corporal a dois metros de distância. Julgo que é um sem-abrigo, mas tem uma aparência simpática, parece-me um Pai Natal encardido--se calhar, até é o Pai Natal... 

Neste momento está a dormir, antes estava a consultar a Internet no seu computador. Talvez esteja a fazer tempo para carregar o seu laptop. Estou feliz que esteja aqui, que tenha um sítio quente e confortável para passar uns minutos. O ideal seria que tivesse uma casa, uma família, mas nós ainda não vivemos num mundo ideal, mas temos a responsabilidade todos os dias de contribuir alguma coisa para construir esse mundo ideal. 

Muitas pessoas não se apercebem que basta um evento mau para perdermos tudo o que a nossa vida representa. E mesmo tendo um estado social forte, podemos acabar numa situação má, se tivermos um problema mental e não deixarmos os outros ajudarem-nos. 

Um amigo meu ironizava esta manhã que os mercados são nossos amigos. Os mercados não são amigos de ninguém, nem é essa a função de um mercado. Ao mercado é indiferente quem faz dinheiro e quem perde. É por isso que nos países mais desenvolvidos há leis que regem o mercado e o controlam. As leis e o sistema de justiça, as pessoas e o seu comportamento, são o que impõem moralidade e essa moralidade depende de todos nós, depende da vontade do povo num país onde cabe ao povo eleger os seus representantes. 

Para este homem, um mercado que permita haver uma cadeia de cafés onde ele se pode sentar e estar um bocado confortável é capaz de ser uma coisa boa, desde que quem lá trabalha e os clientes o deixem lá estar. São as pessoas que dão moralidade ao estabelecimento. A moralidade vem de nós. 



Artigo exemplar

Só num país completamente doente se pode confundir defesa da inocência de alguém com indignação ante um regime de prisão preventiva obsceno e as atitudes imperiais de magistrados(...)Só num país irremediavelmente doente se confunde o que de mais fundamental existe - a defesa da presunção de inocência como direito essencial de todos - com o que achamos de uma determinada pessoa. E isto, naturalmente, aplica-se tanto a quem odeia como a quem só com o caso Sócrates acordou para os problemas da justiça. Incluindo o próprio.  -- Fernanda Câncio no DN.

A banca americana

Vi, nos últimos dias, comentários de pessoas que acham ridículo que o estado assuma o risco da má gestão bancária e até empreste dinheiro a bancos falidos. Eu acho também ridículo a compensação dos CEOs dos bancos comerciais, quando o risco de má gestão é assumido pelos contribuintes, logo há um incentivo em fazer empréstimos arriscados que têm um retorno alto ou maximizam lucros no curto prazo, pois a gerência beneficia quando o retorno é alto, e chuta as perdas para os contribuintes quando a coisa corre mal. Já me disseram que os bancos americanos fazem exactamente o mesmo tipo de empréstimos que se faz em Portugal, o que não é totalmente verdade.

Conseguir um empréstimo através de um banco comercial, aqueles que recebem depósitos de pessoas normais, é difícil. Por exemplo, financiar uma casa nesses bancos acontece mais quando vendemos uma outra casa e ficamos com algum dinheiro para dar de entrada na casa que queremos comprar ou quando temos poupanças suficientes. Num banco que recebe depósitos, o normal é dar de entrada 20% do valor da casa, por exemplo. Um banco comercial americano é extremamente conservador e oferece taxas de hipotecas muito mais baixas porque são muito mais cuidadosos do que outros sítios. É por isso que o refinanciamento da hipoteca do Ben Bernanke foi rejeitado várias vezes. Para além disso, os bancos comerciais eram obrigados a ter boas reservas para minimizar problemas de corrida aos bancos.

Há empréstimos feitos por bancos comerciais em Portugal, com financiamento a 100% mais 10% para redecorar a casa, etc., que nunca seriam feitos por um banco comercial americano; poderiam ser feitos por uma empresa de hipotecas, que empacotam vários empréstimos para criar activos de investimento, mas nesse caso não haveria depósitos de pessoas comuns em risco directamente. Note-se que estes empréstimos, por serem mais arriscados eram usados para financiar pessoas que não tinham muito bom crédito, nem rendimentos muito altos, nem muitas poupanças, e alguns eram directamente assegurados pelo estado americano porque era uma forma de apoiar quem tinha pior situação económica e também quem comprava casa pela primeira vez. E mesmo assim, como se viu, o sistema falhou em 2008, nos EUA.

Uma história simplificada de algumas coisas que aconteceram em 2008:

Os bancos comerciais normais não falharam por causa destes empréstimos convencionais; os empréstimos convencionais começaram a falhar com o desemprego e a depreciação dos preços imobiliários causados pelo falhanço do mercado de empréstimos esotéricos. A falha do sistema bancário em 2008 veio desses empréstimos mais arriscados e, especialmente, porque as empresas que criavam esses empréstimos não observavam os critérios de diligência na avaliação de quem contraia um empréstimo. Desses empréstimos criaram-se activos derivados, que supostamente mitigavam o risco. Só que esse risco foi avaliado presumindo que se tratava de empréstimos menos esotéricos, onde havia um grande cuidado em seleccionar a qualidade das pessoas a quem se iria dar empréstimo. A aldrabice era passada às agências de rating e os activos eram mal classificados.

O que se fez, do ponto de vista analítico, foi usar dados de um tipo de população para se fazer inferência numa população de tipo diferente. Por exemplo, em medicina, seria o equivalente a testar um tratamento em porcos e dizer que os resultados se aplicavam a humanos directamente, sem se fazer nenhum estudo com humanos--isso iria causar muitos problemas em humanos porque o tratamento não tinha sido calibrado para humanos.

De volta à banca, esses activos derivados estavam em bancos de investimento e alguns bancos de investimento também eram bancos comerciais porque se repeliu, em 1999, parte do Glass-Steagall Act de 1933, que proibia que os bancos comerciais mantivessem negócios na área de investimento. O tamanho do problema e a promiscuidade entre a parte comercial e a parte de investimento contribuíram para os problemas nos bancos comerciais muito mais do que a má gestão de risco por parte da banca comercial pura.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Palavrões inteligentes

Estes americanos só fazem estudos para me entalar. Agora quem usa mais palavrões é mais inteligente. E eu que tenho um vocabulário tão limitado porque tenho de ter mais do que uma língua dentro da cachola... Que caralhada de caramelos! São uns assholing freaking motherfucking fucksuckers, é o que é... I rest my case!

Pessoas que utilizam palavrões no seu discurso têm o QI mais alto do que pessoas que tentam evitar palavras feias, é o resultado do estudo feito pelos psicólogos americanos, Kristin e Timothy Jay.

Para esta nova pesquisa, os cientistas desafiaram as pessoas a dizer o maior número possível de palavrões em 60 segundos. O mesmo desafio foi feito com nomes de animais e com palavras consideradas comuns.

O resultado foi claro: as pessoas que conseguiram nomear mais palavrões no tempo estipulado foram as mesmas que disseram mais palavras no geral.

Fonte: DN.pt

P.S. Quem precisa de treinar palavrões americanos, pode ir aqui.

s-t-o-p



Estou aqui e não vejo.

Não vejo para além da cortina escura. Não respiro desventura em quarto nu. Não trago em vão no peito sepultura.

Quero ver e os olhos estão tapados. Como cria que arfa a primeira vez a luz do dia, como trigo que se ceifa na juventude, como massa que leveda sem saber.

As mãos vêem o que os olhos não trazem. E quando as ergo aos céus como antenas, não há energias que capte, nem ondas que me salvem.

São umas simples mãos raquíticas elevadas em cume de um braço magro, ossudo. 

Se ondas houvesse a captar seriam minhas e descodificadas trariam mensagens.


hoje stop não stop possível stop trabalho stop adeus stop


stop à imensidão de tempos duros, stop ao buraco que me oprime, stop a ti que te ris, stop a ti que choras dia após dia. stop, stop e stop. 

parado. paradinho. imóvel, quedo e não ledo, que te li na madrugada mal amada coberta pelo calor da lareira onde queimámos tanta conversa, tantas letras.


- São apenas quatro estas que agora te dou; em código: s-t-o-p.

Risco, filhos!

Às vezes, eu digo a amigos portugueses que não se faz avaliação de risco nos bancos portugueses. Toda a gente me diz que estou enganada: faz-se, faz-se, e é bem feita. Eu é que não conheço Portugal...

Então mostrem-me a avaliação de risco que foi feita para autorizar que alguém na Caixa Geral de Depósitos empreste €120.000 para José Sócrates ir tirar um mestrado a Paris, numa escola que nem é nada de extraordinário. Quem foi o fiador do empréstimo?

Se faz favor, mostrem-me também as estatísticas de empréstimos comparáveis para demonstrar que isto é um empréstimo de rotina e há muito mais gente no mesmo barco. Porque, senão, isto é um banco do estado a fazer um favor a um ex-Primeiro Ministro desempregado.

P.S. Notem que o total dos empréstimos da CGD até é €170.000, que é mais do que o meu mestrado, doutoramento, e especialização juntos...

Cristina, não vais levar a mal...

Margarita Stolbizer: "La familia Kirchner no tiene posibilidad ni real ni jurídica de justificar el patrimonio que tiene"

Fonte: La Nacion, Argentina

Passaram anos a dar subsídios aos consumidores para mantê-los felizes, impuseram impostos de mais de 30% aos exportadores, até deram o calote aos investidores estrangeiros. O país chegou ao cúmulo de, em Janeiro de 2015, as mulheres se queixarem via Twitter e Facebook da falta de tampões nas lojas -- até pediam às amigas que lhes levassem tampões quando fossem à Argentina. Ao fim de 20 dias, já o governo tinha assegurado que haveria tampões nas lojas. (Mulheres frustradas com o período são fogo! Lembrem-se do vosso poder, minhas caras companheiras de género; e tenham noção do perigo, caros homens.)

A Argentina tem um governo novo há uma semana e já veio a notícia do costume: quem governou ficou rico sem forma de o justificar. No Brasil, é a mesma coisa. Em Portugal, idem. Mas é sempre muito chato acontecerem coisas destas. Tenhamos pena de Lula, Sócrates, Cristina, etc. Ela que não me leve a mal, mas só me dá vontade de ouvir os Roquivários...

Curiosidades

Encontrei uma notícia a dizer que o Presidente do Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários ganha €12.000/mês; o sindicato factura €50 milhões por ano. Acho excessivo, mas não tenho grandes referências. Os bancários querem que os seus dirigentes sindicais ganhem menos. Parece-me bem.

Tentei encontrar informação acerca de sindicatos bancários nos EUA, mas não encontrei--nem sei se existem. Havia era uma coisa a analisar os salários dos empregados dos reguladores bancários federais, cujo o salário médio era $15.833/mês em 2012. Em 2014, a Janet Yellen ganhava $16.808/mês e o Inspector Geral $26.000/mês.

Depois lembrei-me de consultar salários de um sindicato que conheço, a United Automobile Workers Association, que factura $214 milhões por ano; o seu presidente ganha o equivalente a €13.545.59/mês. As contas do sindicato são públicas. Continuo a achar que o salário do Presidente do Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários é excessivo.