sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Os amanhãs que cantam

Durante muito tempo, os intelectuais marxistas, por cegueira ideológica, não viram (ou não quiseram ver) e não perceberam as terríveis consequências do comunismo. Pior: as barbaridades sem nome dos países comunistas pareciam-lhes justificáveis em nome de um futuro radioso. O sofrimento dos povos era o caminho para a redenção e a salvação da humanidade – como é sabido, o marxismo abarca muita da escatologia cristã tradicional, mas adiante. Tratava-se, pois, aos olhos dos marxistas, de uma “destruição criativa”, dos escombros do capitalismo nasceria uma sociedade mais justa e humana, expurgada da maligna propriedade privada, considerada a origem do mal. E carradas de políticos e intelectuais (alguns extremamente inteligentes e brilhantes) acreditaram piamente nestas profecias, que, contra toda a evidência, tomavam como “científicas”. Em suma, fossem quais fossem os custos no presente valia a pena impô-los aos outros pelos maravilhosos benefícios do longo prazo.
Por mais estranho que pareça, há semelhanças inquietantes entre o fanatismo marxista e os seus “amanhãs que cantam” e o discurso do primeiro-ministro, perdão, do nosso amigo "Pedro". Escreveu ontem no Facebook o "Pedro":
“A eles, e a todos vós, no fim deste ano tão difícil em que tanto já nos foi pedido, peço apenas que procurem a força para, quando olharem os vossos filhos e netos, o façam não com pesar mas com orgulho de quem sabe que os sacrifícios que fazemos hoje, as difíceis decisões que estamos a tomar, fazemo-lo para que os nossos filhos tenham no futuro um Natal melhor.”
Os “sacrifícios” de hoje, as “difíceis decisões” do presente são, pois, o preço a pagar por um futuro melhor. O que é isto senão um acto de fé?

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