domingo, 22 de janeiro de 2023

Aleatório

Não sei se é bom ou mau, mas passo muito tempo a pensar de onde vem a aleatoriedade das coisas. Recentemente, quase que me convenci que nada é verdadeiramente aleatório, tudo acontece como devia acontecer e se voltássemos ao início, a história seria a mesma. A ilusão de haver coisas aleatórias vem de nós não consegirmos medir tudo ou sequer saber tudo. A nossa ignorância ou incapacidade é a fonte da incerteza.

Estou quase a terminar o Braço Tatuado, do Cristóvão de Aguiar, que é sobre a experiência pessoal do autor com a Guerra Colonial, e é difícil de ler sem pensar na razão de ser de tudo o que acontece. Ainda por cima, ontem comecei também a ver uma série francesa sobre a Primeira Grande Geurra Mundial na Netflix. E claro que estamos em guerra.

As últimas páginas do Braço Tatuado são as mais difíceis de ler para mim: os efeitos de uma guerra que para muitos não aconteceu, para outros aconteceu e acabou, mas para muitos continuou indefinidamente. Se as guerras fossem aleatórias haveria algum conforto porque saberíamos que aconteciam, mas sem haver razão. Só que não são aleatórias, há razões que as justificam, não moralmente, mas existencialmente. Que raio de espécie se sujeita a viver assim, pergunto-me.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Talvez inveja

Não é que eu seja invejosa porque devo ser teimosa demais para achar que quero ser como os outros, mas, de vez em quando, penso nos espanhois e sinto qualquer coisa que só pode ser inveja. Não vou falar no Goya, Dalí, Cervantes, Velasquez, Picasso, etc., mas tenho de falar no José Andrés, o chefe espanhol que, tal como eu emigrou, para os EUA. Para além dos restaurantes, fundou a World Central Kitchen, que tem sido uma instituição de fins não-lucrativos fundamental nos últimos tempos--até quando há desgraças nos EUA, eles vão acudir--agora tem um programa de TV sobre a gastronomia espanhola. Trata-se de uma ideia super-gira: ele pegou nas três filhas, que são americanas, e levou-as a Espanha para fazer um percurso gastronómico e conhecer os pratos tradicionais. Desde que li o "Em Portugal Não se Come Mal", do Miguel Esteves Cardoso, que acho que alguém devia fazer um périplo culinário por Portugal. Depois há também o podcast "Longer Tables", onde ele entrevista amigos e outras figuras interessantes. Por falar em amigos, ele é amigo do Obama e do Zelensky, aliás vai frequentemente à Ucrânia ver como decorrem os esforços da World Central Kitchen. Desde Novembro que o José Andrés tem o seu retrato na National Portrait Gallery, em Washington, D.C. Porque tenho eu inveja? Porque Portugal não tem um José Andrés, nem ninguém que se pareça. Tem um Berardo que é o que é e, mesmo assim, não nos podemos queixar muito do Berardo porque ao menos gastou o dinheiro em arte. Imagine-se se lhe tivesse dado na telha de ter comprado sapatos. Que benefício teria a humanidade dos ditos sapatos?

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Nem correio, nem cheque

No dia de S. Valentim, o meu passaporte americano ia caducar. Tinha intenções de o renovar uns seis meses antes do final do prazo de validade, mas acabei por ter umas mudanças profissionais e acabei por adiar. Hoje foi o dia em que tratei da papelada. Fui à página de Internet do Departamento do Estado e preenchi o formulário que depois imprimi. Na página perguntou que serviços queria para calcular quanto ia custar. O passaporte normal é $130, mas pedi que fosse feito com urgência e que me fosse enviado por correio expresso e o total foi $208,32. Para pagar, enviei um cheque bancário. Nós aqui ainda usamos cheques porque "if it ain't broke, don't fix it", lá diz o povo.

Apesar de ser feriado, em que comemoramos o nascimento do Reverendo Martin Luther King, Jr., fui aos correios e usei a máquina que está no átrio para tratar dos portes. Agora já não escrevemos as moradas à mão, é tudo inserido na máquina, que depois imprime toda a informação numa etiqueta juntamente com os códigos digitais, depois é só colar a etiqueta no envelope. Juntamente com o formulário e o cheque, também tive de enviar o passaporte antigo. Não gosto de estar sem passaporte, há uma ligeira sensação de que me falta algo. O passaporte português, coitado, já caducou há bastante, mas não me deixam renovar por correio, nem pagar por cheque.

domingo, 15 de janeiro de 2023

Desarrumação

Quarta- e Quinta-feiras foram dias desagradáveis. A temperatura baixou dos 19º C para os 5º C em menos de 12 horas e começou a chover torrencialmente ao fim da manhã. Mesmo assim o canalizador veio e arranjou o cano da água que tinha sido partido pela raiz de um arbusto, mas não foi a lagerstroemia, foi o arbusto da frente, que, à primeira vista, até nem parecia ser muito antigo. Quando começaram a cavar, encontraram raízes com 5 cm de diâmetro e até mais grossas e foi necessário uma mini-escavadora para chegar até ao cano. O arbusto não se salvou e o custo da festa foi de $1690, mas ficou pronto muito mais depressa do que imaginei.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Aborrecida, a vida não é

Na Quinta-feira, recebi uma carta da MLGW, a entidade que fornece electricidade, gás, e água, a informar-me que havia uma fuga de água na propriedade e que podia ir consultar os dados do contador inteligente na Internet. Fui ver do que se tratava e a fuga tinha começado por volta do dia 27 de Dezembro, logo a seguir às temperaturas baixas que tivemos. No Sábado, consegui perceber onde era o problema e é o cano que fornece água à casa. Armada em boa Samaritana, não telefonei a nenhum canalizador de emergência, em vez disso esperei por Segunda-feira, só que o primeiro a que liguei só tinha vaga para Quinta-feira. Entretanto, a perda de água tinha começado a acelerar e eu fechei a válvula principal (eu não sei os nomes técnicos destas coisas em português) com um alicate bomba d'água. 

O segundo canalizador a que telefonei também não tinha vaga imediata, mas disponibilizaram-se a passar por minha casa logo na Segunda-feira para ver o que se passava. O veredicto é que tinha de chamar alguém de uma outra companhia que se especializa em detecção de fugas de água e que até já usei antes. Telefonei e só havia vaga para a próxima semana, na Quinta-feira, lá agendei e pedi para me contactarem se abrisse algo mais cedo, o que aconteceu esta tarde, logo já está identificada a zona do problema. Paguei $375 pelo diagnóstico porque ainda estão a fazer o desconto da pandemia; antes era $450. Parece que o problema pode ter sido o cano estar localizado ao pé de um arbusto que costuma ter umas raízes muito chatas, que partem canos ou então foi a tempestade, mas só saberemos quando forem arranjar o cano.  O arbusto é uma lagerstroemia.

Entretanto, sai o relatório do WASDE na Quinta-feira (isto de tanta coisa estar ligada a Quinta-feira é uma coincidência do caraças) e uma pessoa passa uns dias cheios de ansiedade antes da coisa. O WASDE é o World Agricultural Supply and Demand Estimates, ou seja, as estimativas por país das tabelas de oferta e procura de uma catrefada de produtos agrícolas: quanto se produz e onde, quanto se consome e onde, e quanto se importa/exporta e onde. Só não informa da matriz de comércio mundial, que é a tabela que diz em que países importadores vão parar as exportações dos países produtores, mas isso eu faço sozinha, com base nos dados de alfândega de cada país. É um processo um bocado artístico porque os dados não são todos consistentes e há países que nem sequer os divulgam, logo têm de ser imputados.

Esta semana também assistimos a alguns brasileiros a invadir o Congresso e uma "amiga" minha americana dos tempos de faculdade enviou-me uma mensagem muito interessada no que se passava no Brasil, ela "precisava de entender", mas não entendia português. Nem lhe respondi pela simples razão de ela ser Trumpeta e crente nas teorias do QAnon, etc. Mas fiquei a saber que os tarados do QAnon ainda andam por aí muito interessados em revoluções. 

No Congresso americano, o Kevin McCarthy lá passou o pacote de mudanças de regras da Câmara dos Representantes. O LA-C perguntava porque é que os Democratas não viabilizavam o McCarthy para neutralizarem a ala mais radical. Os Democratas queriam que o Hakeem Jeffries fosse Speaker. Ele até tinha mais votos do que o McCarthy, só que não tinha a maioria de votos necessária para ser eleito porque alguns dos republicanos votavam contra o McCarthy.  Os representantes podem votar a favor ou contra, mas também podem votar presente e os que votam presente não contam para os cálculos da maioria. Ou seja, os republicanos também podiam ter viabilizado o Hakeem Jeffries, o que daria mais garantias de estabilidade do que o McCarthy. Ao não o fazerem demonstram que estabilidade não é algo que os preocupe, e muitos deles até devem estar interessados em que a "casa pegue fogo". Para os Democratas também calha melhor assim porque as próximas eleições são as Presidenciais e uma Câmara disfuncional dá-lhes argumentos para tentar convencer os eleitores que o GOP está um caos. 



segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Medo do desconhecido

Ao fim de 15 votações, o Kevin McCArthy foi eleito Porta-Voz da Câmara dos Representantes. A votação deu-se na madrugada de Sábado e, para o conseguir, teve de dar bastantes concessões aos discordantes, ou seja, enfraqueceu o cargo que agora ocupa. Talvez ele achasse que o mais difícil era a eleição e o resto arranja-se, mas esta parte foi decerto a mais fácil. Alguém tinha de ocupar o cargo para o GOP, logo desse ponto de vista é indiferente que seja ele. 

Para os últimos dois Porta-Vozes do GOP, nem tudo foram rosas. Tanto John Boehner como Paul Ryan tiveram forte apoio inicial e as coisas deram para o torto.  Ambos saíram do Congresso e da política depois das suas más experiências. McCarthy parte de uma posição mais frágil que os outros dois, logo o é quase certo que também acabe mal. 

Na Quinta-feira, escrevi um e-mail à minha vizinha de Houston, a tal que tem 97 anos, prestes a fazer 98, a perguntar o que ela achava da saga do McCarthy. "Our country is in disarray," respondeu e disse que gostaria de ter estudado mais Cidadania (Civics) porque havia muitas coisas que se passavam e que ela não entendia. Ela é uma consumidora voraz de notícias e até lê a revista The New Yorker todas as semanas, para além de ter vivido momentos tão dramáticos da história americana, logo estranho que ela se ache tão perdida, mas não é a única.

Contei a minha surpresa no Zoom semanal com as amigas de Houston porque, na minha ideia, a minha vizinha viveu a Segunda-Grande Guerra, o assassinato do Kennedy, o Movimento dos Direitos Civis... Comparado com isso, nós somos uns privilegiados, mas elas disseram-me que hoje há muito mais notícias e as pessoas sabem tudo o que se passa no mundo. Para além disso, a comunicação social era mais decente e os malucos de antigamente andavam de cones de alumínio na cabeça, não andavam a tentar derrubar o governo, explica-me uma das amigas que entrou agora para a década de 60. 

Desisti de defender o meu ponto de vista, de que vale falar no Ku Klux Klan, ou na indecência que foi o óbito do poeta Robert O'Hara no NYT. Este enviesamento é normal; temos tendência para romantizar o passado e, porque sabemos o que aconteceu no passado, achamos que era muito mais certo do que o nosso presente que ainda tem um futuro indefinido, ou melhor, desconhecido. 

    

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Não chegam as mãos

Mais um dia de derrotas para Kevin McCarthy, que já perdeu o voto 11 vezes para Porta-Voz da Câmara dos Representantes. É verdade, já não dá para contar com os dedos das mãos; temos de recorrer aos dos pés. Desde 1859 que não havia uma eleição para Porta-Voz tão longa. O Twitter está cheio de piadas fabulosas e é difícil não chorar a rir. Vamos ver se o espectáculo continua amanhã, para o Kevin não ser alcunhado de Kevin-eleven.

Hoje li um artigo muito interessante do Henry Kissinger acerca da Rússia, que foi publicado há duas semanas no The Spectator. O argumento dele é que a Rússia como estado tem de sobreviver, senão corre-se o risco de se tornar num região instável, com várias facções a lutar entre si, a invadir outros países, e possivelmente a usar armas nucleares. O risco é demasiado grande, acha ele, e podia empurrar o mundo para uma terceira grande guerra mundial. O artigo pode ser lido aqui.  

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Um dia educativo

Não recomendo acordar e ver logo uma notificação a dizer que Trump endorsou Kevin McCarthy, mas o dia progrediu melhor do que pensei. McCarthy foi a votação duas vezes hoje e não conseguiu ter maioria, logo ainda não temos Porta-Voz da Câmara dos Representantes, apesar do apelo de Trump. Ficámos então com mais uma prova que o GOP se tornou num rebanho de gatos e Trump tem tudo menos erva gateira para os orientar -- nem os que foram eleitos com o apoio dele agora lhe obedecem. O meu receio era que McCarthy fosse eleito, o que iria fortalecer Trump. Em vez disso, continuamos em suspenso, mas com a forte suspeita que Trump já não é a ameaça que era. Menos mal.

Durante o dia, os americanos fizeram o que melhor sabem fazer: foram refrescar o seu conhecimento de história dos EUA para ver a última vez que a Câmara do Representantes esteve em situação semelhante. Foi há 100 anos, logo após a Primeira Grande Guerra Mundial. Desse episódio tentam retirar ilações, como se o passado servisse de consolo, mas também de fio condutor para o futuro. Lá diz o ditado que quem desconhece a história está condenado a repeti-la, logo era uma lição que já estava esquecida.

Enquanto não temos porta-voz, a linha de sucessão para a Presidência e Vice-Presidência dos EUA está ocupada por duas mulheres, ou seja, se Biden fica incapacitado para exercer funções, Kamala Harris toma o lugar dele e Patty Harris, a President pro tempore do Senado, fica Vice-Presidente, dado que não há um Porta-Voz da Câmara dos Representantes para ocupar a Vice-Presidência. Menos mal, também.

Para a história ficou este episódio caricato, graças a Kat Cammack, representante republicana da Florida:
“At one point, Kat Cammack rhetorically asked Republicans, “Are we the party of Reagan?” A chorus of Democrats called back, “No.””

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Um ano espectacular

Este novo ano que se enceta promete ser espectacular. Hoje, o republicano Kevin McCarthy foi a votos na Câmara dos Representantes para ser o novo porta-voz (Speaker of the House). Apesar de três votações, não conseguiu passar porque a ala Trumpeta não lhe deu os votos. Ele acha que tem direito ao posto, os outros acham que não. Antevê-se que os próximos dois anos irão ser cheios de peripécias republicanas. 

Ainda por cima, os Republicanos estão chateados porque os impostos do Presidente Trump foram finalmente tornados públicos e agora acham-se no direito de divulgar os impostos de cidadãos privados. Talvez sobre para os juízes do SCOTUS. Aposto que os impostos do Clarence Thomas são bastante interessantes.

E, como não há duas sem três, George Santos, um novo membro republicano da Câmara dos Representantes está a ser investigado nos EUA e no Brasil. Para além de ter mentido para ganhar as eleições, tem um rol de actos que podem ser ilegais. Muita gente apela para que se demita, mas ele não se quer demitir, claro.

Desse lado do Atlântico, uma nova iteração do governo Costinha, desta vez com a promoção de João Galamba a ministro e um governo maior. Estou indecisa se deva interpretar o novo cargo de Galamba como um sinal de desespero, dado que o círculo de pessoas de confiança do PM está a ficar limitado, ou uma apólice de seguro, caso a polícia alguma vez ande à caça de Costinha e este necessite de alguém para o avisar. 

O certo é que, com tanta gente nova no governo, o ano promete em termos de pés na poça e abusos, logo também será divertido. Até podíamos começar a fazer apostas para a próxima remodelação. E para ajudar na festa, provavelmente MRS irá ter de engolir um monte de sapos. Não temos pena...

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Assuma-se o que se escolhe

Na questão de a Roménia ter piores indicadores do que Portugal em questões de saúde, qualidade de vida, infraestrutura,  etc., há que ter em atenção que não é Portugal que tem o crédito dos indicadores que tem, dado que a CEE e a União Europeia é que financiaram grande parte da modernização da infra-estrutura e muito do resto foi financiado a dívida. 

A Roménia não só está muito menos endividada do que Portugal, como só acedeu à UE em 2007, ou seja, 21 anos depois de Portugal. Se compararmos o rácio de dívida/PIB dos dois países, desde 1989, o mínimo rácio para Portugal foi de 54,2% em 2000 e, no final de 2021, encontrava-se em 127,4%. Já o rácio da Roménia estava em 11,9% em 2007 e no final de 2021 era de 48,8%, mas antes da pandemia encontrava-se em 35,3%. De qualquer dos modos ainda está suficientemente baixo para que o país consiga fazer a manutenção da dívida sem grande dificuldade. Os níveis altos de dívida de Portugal significam que parte do rendimento que gera tem de ser usado para pagar a manutenção de dívida que é essencialmente gastos e bem-estar que ocorreram no passado. 

Um aspecto importante é que a população romena é mais jovem e tem uma literacia mais alta do que a portuguesa, logo contribui para um crescimento mais rápido. Portugal tem dos piores indicadores de literacia da Europa ocidental.  O envelhecimento da população portuguesa significa que parte da riqueza que tem é gasta na manutenção da qualidade de vida dos idosos, o que é uma tarefa que, em Portugal, no máximo redistribui, mas não gera riqueza, dado que a maior parte dos reformados portugueses depende do estado para manter o seu estilo de vida. Sem o estado, muito poucos têm as poupanças necessárias ou rendimentos de investimentos para fazer face às suas despesas. E com o estado endividado, haverá cada vez menos recursos para cuidar dos idosos, logo mesmo os bons indicadores que tem, têm os dias contados.

O modelo português resulta das escolhas que os portugueses têm feito, logo é surpreendente que haja pessoas que, ao fim de quase meio-século de democracia, achem que a condição do país resulta de algo alheio à vontade dos portugueses.



domingo, 1 de janeiro de 2023

Missão cumprida

Ontem consegui ir ao oftalmologista e gastar os meus $300. Ficou tudo por $332 e incluiu a consulta com os exames normais, mais uma fotografia especial dos meus olhos, e uns óculos novos, logo só tive de pagar mais $32, dado que o resto saiu da conta de poupança da saúde. Não recebi uma factura detalhada, vou ter de pedir quando for buscar os óculos, mas parece-me muito barato. 

Não faço ideia como é que os seguros fazem dinheiro nesta questão dos olhos. É um seguro opcional, logo padece de enviesamento por selecção adversa, que custa menos de $9 por mês e nós temos direito a um exame de olhos e um par de óculos comparticipados cada dois anos. A fotografia dos olhos custou $49 e não tinha comparticipação pelo seguro e a armação dos óculos foi $200, logo acho que os pacientes ou clientes ficam a ganhar. Claro que o preço da armação para os oculistas deve ser muito mais barato do que o preço para o cliente.

Pedi à senhora se dava para trocar as lentes a uns óculos mais velhos que eu tinha e ela disse, claro, mas não era comparticipado e, se partissem a armação não se responsabilizavam. Lá fez as contas e ia ser $400 só pela instalação das lentes -- nem eram umas lentes complicadas, era só +1,25 com protecção de luz azul e anti-reflexo. Fiquei um bocado boquiaberta a tentar fazer contas de cabeça para ver como é que ela chegou a um preço tão alto. Rapidamente, aconselhou-me a esperar e pensar no caso, que depois posso encomendar. 

Cá para mim, ela não quis que eu trocasse as lentes da armação antiga porque eles não devem ganhar dinheiro nenhum no serviço e daqui a dois anos compro mais uns óculos. É mesmo uma parvoíce porque eu posso perfeitamente ir à Internet e comprar uns óculos com armação e lentes por muito menos de $100. E também pensei que podia trocar as lentes da próxima vez que fosse a Portugal, só que aí as coisas demoram tanto que se calhar não vai dar. 

Bem, mas fica para se pensar para o ano. Bom Ano Novo!