sábado, 8 de maio de 2021

Telhados e lixados

O trabalho da substituição do telhado dos meus vizinhos começou hoje. Não demorou muito tempo até retirarem tudo e fizeram o favor de cobrir parte do jardim. A meio da manhã fui ver o progresso e ia-me dando uma coisinha má quando vi que uma das hortênsias estava cheia de lixo. Retirei tudo cuidadosamente. Não há crise, pensei. Desde que não estraguem as raízes, sobrevive, acho, porque na verdade nunca tive hortências, não sei quase nada acerca do assunto. Do lixo que retirei, notei que o telhado era super-levezinho, devia ser de muito má qualidade e duração e por isso decidiram substituir. 

sexta-feira, 7 de maio de 2021

A sorte

Depois de passarmos meses a fio enfiados em casa, tentando proteger-nos de uma coisa microscópica, o nosso planeta vai ser este fim-de-semana atingido por um bocado de um foguete chinês, do tamanho de um edifício de 10 andares. Não percebo nada destas coisas, mas parece-me ser uma coisa gigante e pesada e nem sabemos onde ou em quem vai cair. 

Por falar em coisas que caem, os meu vizinhos vão substituir o telhado, o que vai demorar três dias. Os telhados americanos são muito diferentes dos portugueses. São basicamente umas folhas que se pregam à estrutura de madeira. Super-rápido de colocar, mas como hoje tivemos uma tempestade ao final da tarde, devem ter adiado para outro dia. 

Nos últimos seis meses tenho andado a renovar o jardim, que fica colado à parede norte do meu vizinho. Estou a imaginar como é que vão substituir o telhado sem haver uns largos pedaços de telhado a cair nas minhas plantas. Para me animar, tento pensar que não faz mal se as folhas ficarem partidas, desde que a raiz esteja saudável, mas não me estava a apetecer ver o jardim escavacado.

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Hábito

Depois de um ano a escrever ao fim do dia, é difícil não pensar no que escrever... ao fim do dia. 

Hoje falei ao telefone com uma das minhas amigas que vive em Memphis e que eu já não vejo há mais de um ano. Apanhou Covid em Novembro, no jantar do Dia de Acção de Graças, mas só me disse agora. Não fiquei surpreendida, aliás, a razão de eu a não ver há mais de um ano é mesmo essa: eu achava muito provável que apanhasse porque ela encontrava-se com muitas pessoas. 

À medida que contacto com um círculo mais largo de pessoas, encontro muitas que já foram infectadas. Ninguém do meu círculo íntimo de pessoas ficou infectado até agora. Mesmo o meu vizinho que gere uma loja e tem contacto com dezenas de pessoas diariamente ainda não apanhou. Claro que não ter apanhado pode ser tão assustador como apanhar porque parece que vivemos com uma faca ao pescoço e estamos apenas à espera de ficar infectados. 

Vou proceder como tenho feito, avaliando os riscos dada a altura do ano. Até Setembro não acho muito perigoso, desde que tomemos as precauções que agora se tornaram habituais. Depois de Setembro, o plano é ser bastante cuidadosa e evitar contactos próximos desnecessários. Quanto ao trabalho, ainda não nos disseram quando é para começar a trabalhar no escritório, mas suponho que depois do 4 de Julho devem anunciar. O plano da Administração Biden é ter 70% da população vacinada até essa data.  

quarta-feira, 5 de maio de 2021

May the 4th be with you

Ontem foi o aniversário do "One Year Maybe"--hurra! Consegui terminar um ano de posts quase diários: houve um que me esqueci, outro que adiei para o dia seguinte, uns que me esqueci de publicar antes do final do dia... Em termos de assiduidade, estive dentro dos parâmetros de falhanço a que me sujeito.  Normalmente, contento-me com fazer as coisas 95% bem, dado que os últimos 5% necessários para atingir a perfeição podem sair bastante caros, logo não tem muita lógica estar a perseguir a perfeição.

A numeração tem um significado: o 2 refere-se ao facto de eu ter tentado fazer um projecto destes antes e não consegui terminar. Julgo que esse ano em que falhei foi o ano em que fiquei doente, pois comecei a ter reacções adversas a várias comidas. Os últimos três dígitos referem-se aos dias. E são versões porque representam a minha evolução ao longo do ano, o que eu estava a pensar na altura. Claro que a nossa evolução é contínua, em vez de discreta, mas sabe-se lá se a continuidade é realidade ou percepção. 

Também há outra particularidade engraçada, pois muitos destas missivas são escritas depois de eu me deitar e, às vezes já estou com bastante sono. Agrada-me bastante a ideia de escrever naquela altura em que se está menos alerta, entre o consciente e o inconsciente. O único problema é que houve alturas em que adormecia a escrever e até houve uma vez pelo menos em que adormeci antes de publicar.

É muito simpático receber os vossos comentários e tenho alguns para responder ainda, mas para isso tenho de mudar de computador. Normalmente escrevo do MacBook, que não me deixa comentar. É prático porque o computador liga-se bastante rapidamente.

Um ano depois e ainda estamos na pandemia. Estou bastante preocupada com os portugueses. A vacinação está bastante atrasada. O objectivo devia ser o de vacinar toda a gente até ao final de Outubro, o mais tardar Novembro. Parece-me ser o mais prudente, mas não vai acontecer. Eu sei que o problema é o mesmo noutros países da UE, mas ninguém obriga Portugal a ser lento e a gerir mal as coisas. Passaram meses a fio a fazer pirraça por causa do Trump estar a gerir mal a pandemia nos EUA, mas a Europa não teve um Trump e acabou por gerir pior. Que desculpa têm?

  

terça-feira, 4 de maio de 2021

Version 3.364

Estou muito chateada com o Bill e a Melinda porque anunciaram hoje o seu divórcio. Se é para me fazerm isto, o mínimo que podia ter acontecido era a Melinda ter tido um affair com um tipo jeitoso, mais novo, todo charme, sorriso que deixa uma mulher K.O.: alguém como o MorenoPorcu no Instagram, que dança ali todo dengoso, requebro para ali, lascívia para acolá. Seria melhor para a Melinda e para as mulheres em geral. Só espero que o Bill não ande a cortejar uma jovem de cabeça oca porque, se eu um dia o conhecer, ainda lhe digo umas verdades. 

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Version 3.363

Antes de mais chuva chegar, passeei o Morceguinho, mas não sei o que lhe deu, que parecia o Energizer Frenchie, não querendo vir para casa. Fizemos umas duas voltas à vizinhança e finalmente usei o meu poder de veto para bloquear uma terceira. Depois fui ao Fresh Market comprar alguns ingredientes para fazer outro bolo de chocolate e posso assegurar que continuo a ser um desastre na decoração.

Tivemos uma festa de aniversário muito engraçada, ao final da tarde, pois às 18 horas daqui já é 3 de Maio em Portugal, com um grupo pequeno de vizinhos. Claro que bebemos vinho português -- do Alentejo -- e champagne porque se não fosse o Napoleão, eu não estaria aqui. Eu vesti Red + White + Blue e Verde + Vermelho, obviamente. A pouco e pouco regressamos à normalidade e a contacto mais pessoal. O meus vizinhos fizeram-me poemas que declamaram, o que me emocionou bastante, apesar do cariz cómico dos textos; mas penso que captaram bem a versão actual da Rita. 

Viver nos EUA é muito especial. Desde que vim para aqui, a minha vida parece um filme. Há muitos dias em que o que me acontece não parece real e, no entanto, é. Não digo que todos os momentos sejam perfeitos ou bons, nem nos filmes o são, mas o que há frequentemente são momentos especiais, daqueles que queremos guardar. 



 







domingo, 2 de maio de 2021

Version 3.362

Tenho andado a pensar na situação de assédio que a Vera, a minha colega de blogue, descreveu e que foi publicada na revista Sábado. Estou curiosa para saber se a instituição em causa irá iniciar uma investigação, ver se é caso isolado, ou se é parte de um comportamento recorrente, e tomar medidas correctivas. Aliás, este exercício devia ser feito por todas as instituições regularmente e devia haver consequências visíveis.

Na Quarta-feira, celebrámos o dia de inclusão na companhia onde trabalho. É uma celebração anual em que há várias horas de workshops com o intuito de sensibilizar os empregados de que se deve valorizar a diferença e dar voz às pessoas que estão menos representadas. Também somos encorajados para não ficarmos calados quando há situações de abuso. Para além do dia de inclusão, todos os anos fazemos uma sessão de treino de ética em que discutimos situações semelhantes à que aconteceu à Vera. Na empresa onde eu trabalho, não é permitido haver relações amorosas entre pessoas que estão hierarquicamente próximas, em que uma é superior, logo tentativas de sedução e obviamente assédio não são permitidas. Acho que esta prática é o procedimento correcto.

O agressor tinha responsabilidades na organização superiores às da Vera, o que a colocava à mercê das decisões dele. A partir do momento que isso acontece, toda a responsabilidade é da pessoa que se encontra num nível superior porque presume-se que foi colocada numa posição superior porque já adquiriu experiência e profissionalismo que o justifiquem. Posto isto, tem de se comportar à altura das suas responsabilidades e tem o dever de zelar pela boa reputação da instituição onde trabalha e pela segurança dos colegas. Quem não segue estes princípios devia ser sujeito a treino de ética; se mesmo com essa sensibilização não muda de comportamento, devia ser despedido. 

Há muitas coisas que são bastante simples; não é preciso inventar a roda porque isto é prática em outros países. Até aposto que há sítios em Portugal onde também se pratica; que não se pratique em universidades, que são sítios onde se molda o carácter dos alunos e se lhes incute certos valores que são desejáveis para a sociedade é revelador de uma certa imoralidade que está institucionalizada. Mas que existia já sabíamos nós.    

sábado, 1 de maio de 2021

Version 2.361

A meio da tarde hoje, tocaram a campainha cá de casa e eis que aparece uma jovem, que estava a tomar conta dos cães dos meus vizinhos, enquanto estes tinham ido à cerimónia de final de curso da filha na parte leste do estado -- nunca visitei a parte leste do Tennessee, mas disseram-me que era deslumbrante, eu acredito, até porque a Amy Butler, designer de tecidos, tem uma cabana no lago Watauga que é um sítio de sonho. O motivo da visita da Annie, a moça que tocou à porta, foi ter trancado a casa com as chaves e o telemóvel lá dentro. Telefonei à minha vizinha, mas ninguém atendeu, logo deixei mensagem de voz e enviei SMS. 

Fui à minha vida, mas a vizinha não me contactou. Passados uns minutos bate a Annie na porta outra vez porque queria saber se eu tinha tido notícias ou se podia telefonar ao namorado dela. Perguntei-lhe se ela sabia o número e disse que sim. Que extraordinário que soubesse o número do namorado de cor. Eu já não invisto nenhuma da minha memória na memorização de números de telefone.

Desta vez, fiquei a fazer companhia à moça: tentámos ver se havia maneira de entrar, ofereci-lhe um copo de água, e conversei com ela. Contou-me que estava a estudar literatura, pois adorava o período romântico inglês. Olha que giro e eu estou a ler Henry James, The Portrait of a Lady, respondi-lhe. Ainda não leu, mas gosta muito de Jane Austen. São os seus livros preferidos. E depois disse que gostava muito de poesia. 

A conversa foi mesmo como uma taça de cerejas, ia a eito e falámos de livros, carreira, cães, jardinagem... Terminou quando chegou o namorado, que vinha ansioso para a ajudar. Parecia um rapaz simpático e carinhoso, o que me agradou. Fazem um casal engraçado. 

Alguns minutos depois de eu regressar a casa, recebi uma mensagem da minha vizinha: já tinham conseguido abrir a porta e estava tudo bem. Um final feliz--como deve ser na América.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Version 2.360

Ainda não marquei as férias, mas hoje adiantei um pouco a vida, pois fui à Opera Memphis entregar um cheque para pagar a vinda de um cantor para nos fazer uma serenata no dia 16 de Maio, que é quando iremos ter a nossa reunião anual da vizinhança, estilo reunião de condomínio. (Imaginem que país atrasado que ainda usa cheques; como é que o PIB americano cresce tanto é um mistério.) Decidi pagar por vários motivos: é uma coisa simpática para se fazer aos vizinhos, apetece-me ouvir ópera ao vivo, e em Maio completo mais uma rotação em torno do sol. 

Telefonei antes e a directora financeira da ópera comprometeu-se em estar no gabinete à hora marcada e a ter a porta aberta para eu entrar--na porta havia um aviso a mandar toda a gente usar máscara dentro do edifício. Eram $275, mas eu achei por bem dar mais e paguei $350. Ela ficou toda contente, o que é triste porque até nem é muito dinheiro no grande esquema das coisas. (Este programa que eles têm, o Sing2Me, é muito engraçado, pois podemos contratar um cantor de ópera para vir a um sítio fazer uma actuação ao vivo e ao ar livre.)

Já sei que me vão dizer que isto é vida de rica e que é muito dinheiro, mas não vos dá um prazer enorme saber que alguém português é um cidadão exemplar na América? A mim dá-me muita satisfação. Pronto, pronto esqueci-me de renovar a carta de condução, logo sou quase-exemplar.  Acima de tudo, sou uma pessoa muito egoísta, que maximiza a sua utilidade. Que o bem-estar da sociedade também saia favorecido é completamente por acaso.

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Version 3.359

Help me, I think I'm falling! O Harry Styles vai tocar em Nashville, a 1 de Outubro, o que vale é que eu só gosto de algumas canções, mas imaginem se me aparece a Tori Amos, os Fleetwood Mac, ou  os Moon Taxi e eu fico completamente gagá... Então o nosso Presidente Bidé, perdão, Biden, deu um discurso hoje no Congresso onde anunciou que a "América is on the move again." Mas havia alguma dúvida que a América iria regressar em grande? Por falar nisso, tenho de marcar férias para ir à praia. Preciso de vitamina azul.

Hoje estávamos numa reunião e um colega meu francês estava a brincar com o nosso colega americano porque estava na minoria: era eu portuguesa, ele fracês, um colega mexicano, outro inglês, e restava o americano. Quase que dava para fazer uma piada, só que eu não sou muito engraçada, mas tive de intervir porque o universo teve um soluço quando eu nasci e foi por isso que eu apareci em Portugal. Dizia eu, "Speak for yourself, I am American!" E depois fez-se silêncio, como no Mulholland Drive...



Club Silencio ~ Mulholland Dr. (2001) from Schmeichler on Vimeo.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Version 3.358

Os CDC anunciaram hoje que as pessoas vacinadas podem circular mais à vontade sem máscara, e até conviver com os não-vacinados quando na rua. Apenas é preciso continuar a usar máscara em sítios com mais pessoas, como estádios. Vou fazer como fiz no Outono passado, quando o meu antigo chefe me perguntou se eu queria voltar a trabalhar no escritório, e eu respondi que não me sentia à vontade e preferia esperar alguns meses para ver como as coisas progrediam. Claro que o escritório acabou por fechar e ainda está fechado. Nós mudámos de escritório no ano passado e ainda não tenho cartão para entrar, nem autorização para estacionar no edifício porque nunca lá fui. <--!more-->

No Domingo, 25 de Abril, recebi os meus livros que tinha comprado em Portugal e que foram transportados pela DHL. O pacote ia demorar quatro dias a chegar a minha casa e a data inicial de entrega era para ser 20 de Abril, mas acabou por se atrasar mais de uma semana em Portugal. É verdade, demorou sete dias para sair de Portugal para ir para Bruxelas, onde demorou um dia para sair para Cincinnati, no Ohio, e aí esteve um dia e saiu para Memphis. Não vejo razão para o meu pacotinho ter ficado tantos dias no Porto, a não ser que as pessoas sejam incompetentes ou que não houvesse mais pacotes para encherem o avião.

Gostaria de entender porque é que os portugueses são tão lentos, dado que esta lentidão custa dinheiro, mas não dá retorno. E depois será que não aborrece as pessoas fazer tudo a passo de caracol? Eu sou lenta, mas acho que morreria de tédio se tivesse de trabalhar a esta velocidade...


 


terça-feira, 27 de abril de 2021

Version 3.357

Já está em acção uma campanha para atrair turistas americanos vacinados para ir visitar a Europa, o que eu acho muito hipócrita. Tenho medo de ir e só vou confiar lá para 2022, se os dados forem bons e se a Europa chegar a vacinar o pessoal. Receio que não vacinem, dada a actual lentidão do processo. Mesmo com vacina, não dá para confiar. De acordo com as notícias, o número de pessoas vacinadas que apanha Covid-19 está a aumentar e até há mortes, logo todo o cuidado continua a ser pouco.

As pessoas estão a relaxar um bocado e há sítios em que dá para relaxar mais. Ontem fomos passear para os trilhos ao longo do Wolf River e não vi ninguém a usar máscara, apenas vi uma jovem mãe com a máscara puxada abaixo do queixo. Ao ar livre, se as pessoas mantiverem a distância, não há nenhum problema que as pessoas relaxem. O pior é quando o pessoal retorna para espaços fechados.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Version 3.356

Os meus cravos encarnados não abriram, o que é mais do que adequado, dada a vergonha que é a actual democracia portuguesa. O MRS bem pode fazer discursos cheios de vacuidades, mas eu ainda não posso votar porque Portugal está interessado no dinheiro dos emigrantes, mas não está interessado no seu voto.

Há apenas uma coisa que me consola nisto tudo: a história não será simpática para com estes pseudo-democratas e até Salazar teve o bom senso de não ter filhos. Se um dia o caldo entornar -- e a probabilidade de isto ir para o torto é 100% porque tantas vezes o cântaro vai à fonte que um dia lá fica a asa, como bem sabe quem estuda história de Portugal, -- quem paga é a prole. 




domingo, 25 de abril de 2021

Version 3.355

A minha amiga portuguesa regressou ao Texas hoje de manhã e faz a viagem até Houston muito mais rápido que eu. Ou talves não, mas parece. Nunca fiz a viagem durante a pandemia, mas aposto que há muito menos trânsito e talvez haja algum trecho de autoestrada que tenha sido melhorado. Antes de ela partir de Houston, perguntou-me que latas de sardinhas é que eu queria. Não era sardinhas, era atum enlatado Sta. Catarina, dos Açores. Dei-lhe instruções de ir ao HEB, mandei-lhe a foto do atum, e pedi para me comprar 10 latas de cada. Daí a nada recebo uma foto de um carrinho de supermercado cheia de latas de atum: comprou todas as que havia na prateleira. 

Não sei o que o resto dos portugueses tinha na sua despensa quando a pandemia começou, mas eu tinha mais de 30 latas de atum dos Açores porque em Outubro de 2019 fui ter com algumas amigas americanas do Texas a Bentonville, AR, e pedi a uma para me comprar atum. A modos que, depois destes meses todos, o meu stock já estava um pouquinho em baixo e só tinha três, que andava a guardar religiosamente. Tenho os melhores amigos do mundo, que aturam todas as minhas obsessões.

Passámos o dia em casa porque choveu e esteve uma enorme ventania, mas aproveitei para começar a ler um livro português e consegui terminá-lo antes do final do dia. Por falar em livros, ainda não recebi o meu pacote de livros de Portugal, que vem por DHL, porque demorou sete dias para sair do Porto para ir para Bruxelas, e um dia para sair de Bruxelas e chegar a Cincinatti, no Ohio, onde está agora. Quando chegar, vou mostrar o percurso do pacote e comparar com outro pacote que encomendei de Inglaterra e que também veio por DHL. Não dá para perceber como é que os portugueses são tão lentos. O pacote estava de saída, logo que raio de burocracia impediu que saísse mais depressa? Ou é mesmo incompetência? Eu aposto que os pacotes saíam de Portugal mais depressa no século XIX.




sábado, 24 de abril de 2021

Version 3.354

A febre sucumbiu e passei um dia bastante agradável, que nada se pareceu com o de ontem. Notei que fiquei com uma nódoa negra no sítio da vacina, o que não tinha acontecido na primeira dose. De manhã fiz o bolo de chocolate e morangos para a festinha de anos que demos à enfermeira que visita a minha vizinha que tem 86 anos. Ficou bom, o que me agradou. Fiquei um bocadinho frustrada com a minha falta de habilidade para a decoração de bolos, mas senti algum alívio por não ter de ganhar a vida assim e como tenho algum jeito para improvisar, lá me desenrasquei. 

Foi um grupo íntimo e muito engraçado, em que a conversa deu para rir e descontrair. Também teve a singularidade de eu poder levar uma amiga minha portuguesa que estava de visita. Às vezes, sinto alguma pena de a minha vida estar tão espalhada por tantos sítios e não poder ter as minhas pessoas todas juntas, mas não me posso queixar porque acabo por ter imensas oportunidades de desfrutar da companhia dos meus amigos. 

Perdemos a convidada de honra a meio da festa, pois recebeu uma chamada de emergência acerca de um paciente de 102 anos. Mas antes de ela ir, preparámos um prato com uma fatia de bolo para levar e dei-lhe uma manta de algodão feita em Portugal. (Eu digo que, se todos os portugueses fossem como eu, Portugal seria o país mais rico do mundo.) Restámos cinco e a conversa continuou animada. 

Fiquei sentada ao lado da minha vizinha que tem 86 anos e a filha estava do outro lado da sala. Já não me recordo a que propósito, mas ela segredou-me ao ouvido "Take care of [my daughter], when I go," o que me fez chorar.  Muitas vezes penso que a única razão para ela estar ainda viva é ter medo da reacção da filha, o que demonstra o amor profundo que por ela tem. Por enquanto sobrevive, graças à aniversariante e aos cuidados extremos da filha.

 P.S. Obrigada ao Tiro ao Alvo...


sexta-feira, 23 de abril de 2021

Version 3.353

Dada a variedade de reacções, tinha alguma curiosidade acerca de como reagiria à vacina do Covid e se os sintomas seriam parecidos com alguma outra coisa que eu já tivesse. Nunca tive nenhuma reacção de cansaço a outra vacina, desde que tenho consciência de mim mesma. 

Tomei ontem a segunda dose da vacina Pfizer quase às 15 horas. Hoje acordei muito cedo, antes das 7 da manhã, já não me lembro bem da hora. Achei-me febril e senti que o quarto estava muito quente, foi isso que me acordou. Melhorei alguma coisa por volta do meio-dia, quando me deitei por uma hora, mas depois comecei outra vez a piorar. Sinto o corpo todo dorido e estou muito letárgica. Fiz outra sesta por volta das 17 horas.

Não tomei medicamentos para aliviar a reacção e quando medi a minha temperatura estava a 38.9 C, logo penso que é isso a fonte do meu desconforto. Uma coisa que tenho feito é comer muito para o meu corpo ter calorias suficientes para recuperar. Também bebo muita água e durmo como se o final do mundo estivesse à porta. Note-se que não sou grande fã de dormir mais do que as minhas 7-8 horas do regime normal, mas tem de ser.   

Vou dormir outra vez. Espero sentir-me melhor amanhã, pois tenho de fazer um bolo de chocolate para uma festa de anos que vamos ter na vizinhança.

quinta-feira, 22 de abril de 2021

Version 3.352

Exactamente 21 dias depois da primeira dose, tomei a segunda dose da vacina Pfizer anti-Covid. Para me preparar, comi um almoço que era o triplo do que normalmente como e até agora correu lindamente. Até acho que me doeu mais a primeira dose e me fez mais desconfortável. Veremos como me sairei amanhã.

A caminho da vacina tive um pequeno percalço porque o iPhone não me deu a direcção correcta, apesar de ter inserido exactamente a morada que me deram. No meio de pequenos insultos mentais à Siri, lá encontrei o caminho para a igreja onde era a vacinação. No parque de estacionamento construíram um percurso para os carros e umas tendas de acolhimento. 

Numa tenda verificavam a marcação e o cartão com o comprovativo da primeira dose. Depois conduzíamos até outra tenda para receber o formulário que tínhamos de preencher. De seguida, era a tenda da vacinação e finalmente conduzíamos para uma secção do parque de estacionamento em que esperávamos 15 minutos para ver se tínhamos reacção alérgica à vacina. Perto, havia uma equipa de primeiros socorros para nos auxiliar. 

Espalhado pelo parque de estacionamento, havia sinais a informar para buzinar ou acenar caso nos sentíssemos mal. Felizmente, não foi necessário para mim.


quarta-feira, 21 de abril de 2021

Version 3.351

Derek Chauvin, o fulano que matou o George Floyd, foi dado como culpado hoje. O Presidente Biden fez um comunicado especial, e até os Obama publicaram um comunicado. Acho que fizeram mal em comentar a decisão, porque dá a ilusão de que a justiça não é independente.

No fim-de-semana, quando conversei com as minhas amigas, uma delas disse que estava muito satisfeita com o Biden. A política do Biden tem diferido muito pouco da política do Trump; a maior diferença está no uso do Twitter e outra diferença é o papel da Rússia, que continua a ser vista como inimiga, isto depois de Trump ter visto a Rússia com mais afinidades.

Para mim, o Trump é um enorme paradoxo. Decerto que sem ele não teríamos tanto progresso social tão rápido; mas pagámos bem o preço de tudo o que conquistámos.

   

terça-feira, 20 de abril de 2021

Version 3.350

Recebi uma mensagem SMS do estado do Tennessee a recordar-me que estava na altura de tomar a segunda dose da vacina e, como tal, tinha de fazer uma marcação ou, se já a tivesse, não faltar à mesma. Sempre que acontecem coisas destas, recordo-me sempre da condescendência com que alguns portugueses me tratam, como se eu vivesse num sítio selvagem onde vigora o deus-nos-acuda. 

Pela minha parte, sinto-me muito segura nos Estados Unidos e, sendo americana, sinto-me também bastante segura de que, se me acontecer alguma coisa fora dos EUA, o governo americano intercederá em meu favor. Pode ser lento, mas intercederá. Não conto com tal tratamento do governo português. 

Mesmo a nível do povo, os americanos podem ser tudo, mas não são indiferentes. Este fim-de-semana, uma amiga minha portuguesa em Portugal caiu e magoou a cara. Ficou cheia de sangue e teve de ir às urgências sozinha. Não houve uma única pessoa que a ajudasse. Em vez disso, olhavam para ela de esguelha. Como é que se fica assim? Não percebo. 





segunda-feira, 19 de abril de 2021

Version 3.349

Passei quase o dia inteiro no jardim, mas terminei cedo para conversar com o meu grupo de amigas de Houston. Todas já foram vacinadas e eu, que sou a mais nova, vou ser a última a completar a segunda dose. Nos EUA, cerca de 25% da população já está vacinada, o que é um ritmo adequado para vacinar toda a gente antes do ano terminar. Quando converso com amigos, mesmo com pessoas que não conheço bem, muita gente fala sobre a vacina. Claro que há uns cromos por aqui que são um bocadinho teimosos, mas não nos podemos queixar.

Sempre achei que a União Europeia ia falhar nas vacinas, mas nunca pensei que falhasse tanto. Se o início pode ser complicado para todos, nesta altura, as coisas já deviam ir a velocidade de cruzeiro. O pior é que estão a falhar em tudo: para além das vacinas, a economia está de rastos, os apoios da UE  quando os há, estão a ser usados para manter a economia pré-pandemia, corrupção incluída, quando se devia estar a promover inovação e a criar a economia do futuro... Uma receita para o desastre.

domingo, 18 de abril de 2021

Version 3.348

Não é comum ligar o despertador para Sábado, mas como tinha marcado uma mudança de óleo para o meu carro às 8 da manhã, lá liguei com medo de adormecer. Mesmo assim, não tive tempo de levar o Julian a passear, logo decidi passar pelo hotel de cães do PetSmart para o deixar lá durante o dia. Ainda estava fechado às 7:30, logo levei o Julian para o mecânico comigo e passeámos pelo parque de estacionamento durante quase uma hora. Depois o Julian entrou em greve contra o frio e começou a arranhar a porta para entrar.  Lá fomos para dentro, onde toda a gente andava de máscara, e esperámos mais uma hora até o carro estar terminado e não é que ele se portou lindamente, sentado ao meu colo? Nem se agitou quando vieram fazer-lhe festas.   

Depois de sairmos, fomos ao Starbucks e comprei um chá para mim e um "pau" de queijo para ele. Quando o moço do Starbucks viu que tinha um cão no carro, perguntou-me se queria um copinho dos cães e respondi que sim. Deu-me um copo de espresso cheio de chantilly, que o Jules adorou. Fui levá-lo ao hotel de cães e telefonei à Galeria e Jardins Dixon para ver se ainda dava para ir à venda anual de plantas, mas tinham esgotado as reservas porque o programa foi tão popular. Paciência, fui fazer compras ao T.J. Maxx e depois vim para casa. O dia inteiro estive um bocadito murcha, como o tempo. Espero que a noite de hoje me permita recuperar as energias. 

Version 3.347

O relato do meu 16 de Abril está atrasado quase 24 horas porque aconteceram muitas coisas engraçadas e cheguei ao fim do dia e ainda as não tinha processado mentalmente e estava bastante cansada para tentar. As manhãs das minhas Sextas-feiras são bastante preenchidas com reuniões e ontem não foi excepção. Como planeei tirar a tarde de folga, adiantei algumas coisas e fiz uma lista de tarefas pendentes para a próximas semana, que estou a planear também ser abreviada. Agendei tomar a segunda dose de vacina Pfizer na Quarta-feira de tarde e gostaria de tirar o resto de semana de férias, caso tenha uma reacção mais forte à vacina. Também quero descansar para permitir que o meu corpo se adapte sem o stress do trabalho.  

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Version 3.346

Hoje recebi um SMS da DHL a avisar que os meus livros, que comprei num alfarrabista no Porto há dois dias, tinham sido recebidos e, em princípio, serão entregues até Terça-feira em minha casa. É menos uma coisa com que me preocupar. 

Amanhã vou jantar fora e vou tirar a tarde de folga para relaxar um bocado. Até ao final de Maio, tenho 17 dias úteis de folga para tirar, mas acho que vou transferir cinco para o próximo ano fiscal, o que me dará um total de 37. Os restantes 12 tenho de tentar gastar até lá. 

Este fim-de-semana, vou tentar marcar a segunda dose da vacina para Quarta-feira e até nem seria má ideia tirar o resto da semana de folga, caso haja efeitos secundários. O meu Sábado já está bastante preenchido, pois de manhã  vou levar o carro à mudança de óleo e na tarde estava a pensar ir ao Museu Brooks porque há uma instalação nova no jardim e vai haver um recital de ópera nessa instalação. 

Parece-me que as coisas estão a normalizar bastante. Quando estamos em recintos fechados, todos usamos máscara, mas já estamos tão habituados que não sentimos aquele pânico de antes. Ainda bem...

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Version 3.345

Morreu o Bernie Madoff aos 82 anos, na prisão. Espero que esteja a ser bem tostado no inferno dos trafulhas, este canalha cujo filho se suicidou após descobrir o que o pai tinha feito. O único mérito de Madoff é o de ter tido filhos com consciência. 

O conceito de consciência é completamente alheio aos portugueses, só assim se explica a forma como se branqueia e normaliza coisas mirabolantes, como o caso de José Sócrates. Como é que José Sócrates foi convidado para uma entrevista na TVI, como se se tratasse de um grande senhor, dado o que o Juiz Ivo Rosa concluiu na Sexta-feira? E não é só a TVI, porque a Almedina vai publicar um livro de José Sócrates, depois de tudo o que sabemos das práticas de autoria do homem.

Finalmente, para adoçar a pílula, a mãe do actual Primeiro Ministro achou por bem escrever uma peça, no Público, a questionar o porquê do ódio a José Sócrates. Então ela não estava presente quando o país foi à falência e os portugueses passaram dificuldades? Não se compreende que venha para a Praça Pública defender Sócrates, a não ser que este saiba alguma coisa que comprometa os filhos. É que, depois disto, os manos Costa são, com toda a certeza, filhos da mãe.

 

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Version 3.344

Comprei hoje uns livritos portugueses usados na minha alfarrabista, que tem uma loja no Porto e o serviço de atendimento ao cliente é impecável. Como estou farta dos atrasos do correio, pedi que me fosse enviado por DHL ou FedEx--vai ser DHL a um custo de 88 euros. Menos mal, dado que são sete livros e custavam 155 euros. O DHL requer que o pacote tenha uma factura a acompanhar e para haver factura, tenho de dar um NIF à loja. Fiquei um bocado confusa, pois pensei que o NIF necessário fosse o meu número americano, mas é mesmo o português. 

Depois fiquei a pensar, como é que fazem para vender coisas aos estrangeiros que não têm NIF português? Recordei-me de uma vez que tentei comprar um livro numa loja online brasileira e não consegui porque não tenho um NIF brasileiro. Mas o mais intrigante é que, para pequenas transacções comerciais, haja tantas regras e fiscalização, mas depois para o dinheiro "conseguido" pelo José Sócrates e os milhões que desapareceram no BES é tudo facilidades, prescrições, etc.

Aguardo ansiosamente o dia em que o cântaro vá à fonte e lá fique a asa. 

terça-feira, 13 de abril de 2021

Version 3.343

Acordei refrescada ainda antes das seis da manhã, mas demorei a levantar-me só porque soube bem apreciar a chegada da claridade. Ontem, a esta hora, estava completamente exausta e não sei até que ponto tal se deveu a todas as minhas actividades ou talvez se devesse a não estar habituada a ter um dia tão preenchido do ponto de vista social. O meu telefone diz que andei quase 10 mil passos, o que é muito pouco. Recordo-me de dias passados em Londres e Nova Iorque, em que andei à volta de 30 mil passos cada e não fiquei tão cansada. Claro que tive tantas ou mais actividades do que ontem. 

Passar Abril em Memphis é absolutamente mágico. Há zonas da cidade em que parece que nos movimentamos num conto de fadas. O verde das folhas que rebentam é vibrante, mas a canópia tem uma aparência diáfana que permite que as cores tenham mais impacto. Até as sombras das folhas projectadas no chão parecem renda. É mesmo qualquer coisa de outro mundo.

Por isso aprecio tanto questões de planeamento urbano e a atenção que se presta a toda a flora que partilha as cidades connosco. Não percebo muito bem como é que, hoje em dia, ainda há tantos governos locais que continuam a não considerar esses aspectos na qualidade de vida dos residentes, especialmente nos bairros mais pobres, onde decerto teriam um enorme impacto para melhor. 

Algumas fotos de ontem do Jardim Botânico de Memphis:


segunda-feira, 12 de abril de 2021

Version 3.342

Pouco passa das 21h e estou quase a adormecer. Tive um dia agradável, mas muito cansativo, dado que um amigo meu estava de visita e eu fiz de guia turístico. De manhã fomos à livraria Novel, da qual gosto muito, e ao Jardim Botânico, que estava muito bonito, cheio de flores e folhas novas. Depois passámos pela zona de Cooper-Young, onde fica a Burke's Books, uma das mais antigas dos EUA e aproveitámos para almoçar no Celtic Crossing, um pub irlandês com um óptimo pátio.

 Como o Julian tinha ficado no hotel de cães durante o dia, tivemos de o ir buscar por volta das 4:30 para nos reunirnos um pouco mais tarde com os meus vizinhos para celebrar um aniversário. Estava tudo operacional e de tarde notava-se muito trânsito. Nos restaurantes, temos de usar máscara para entrarmos e nos sentarmos, mas funciona quase tudo.

domingo, 11 de abril de 2021

Version 3.341

 Passei quase todo o dia a jardinar e a pensar no imbróglio português. A governação de Portugal é imoral dada a forma como lidam com a corrupção. Quem rouba é protegido e quem trabalha e contribui para o bem-estar comum é perseguido e insultado. Isto não é uma receita para um país saudável que possa crescer e garantir os direitos dos seus cidadão. Não pensem que as coisas vão ser mais fáceis depois da pandemia terminar. Irá ser bem mais difícil, dado que a Europa teve outro tombo e está cada vez mais pobre--note-se que já estava. 

Antes de 2008, a UE tinha quase 25% do PIB mundial; antes da pandemia, só representava uns 16%. Dado que teve uma quebra maior, ainda está a lidar com confinamentos, e está atrasada nas vacinas, Portugal não poderá contar com receitas de exportação durante mais tempo. E as bazucas não são bazucas, logo isto só vai ser pior.

sábado, 10 de abril de 2021

Version 3.340

Que Sexta-feira tão emocionante! Nunca vi tanta gente tão fodida e tão frustrada. Foi a falta de orgasmo, mas olhem que o Sócrates já começou a dar à língua, logo está para breve. 

Não sei como é que se pode sequer fingir que Portugal é um estado de direito. Como é que, depois de tanto dinheiro gasto em investigação, dinheiro que podia ter tido outros usos, se chega aqui e se diz que prescreveram um monte de coisas? O prazo de prescrição está inscrito na lei, logo não há razão nenhuma para se deixar prescrever potenciais crimes quando a suspeita ocorre com amplo tempo para os investigar e levar os processos a término. 

E se é assim tão difícil fazer julgamentos de mega-processos, então tornem o prazo de prescrição mais largo para que as coisas possam ser completadas com um julgamento a sério. Ou façam como os americanos: vão atrás do crime mais fácil de julgar. A pessoa até pode ser ilibada, mas ao menos houve "due process".

É impossível que o país aguente esta sucessão de falhanços indefinidamente. Isto dura até à próxima crise e ninguém garante que seja pacífica. 


sexta-feira, 9 de abril de 2021

Version 3.339

Sinto que os americanos se estão a distanciar do Presidente Trump. Mesmo os que votaram nele, já não o defendem tão veemente. Também foi assim com Bush II, só que nesse caso foi muito mais rápido dado o crash das hipotecas subprime. Ou seja, a pouco e pouco, o GOP vai-se livrando do fantasma do Trump, só que não é muito claro o que é que vai ocupar o vácuo. Entretanto, a administração Biden continua muitas das políticas da administração anterior, mas sem tweets e insultos. Tudo muito politicamente correcto e nem se nota o que fazem.

Hoje recebi notícias tristes, pois a mãe de uma das senhoras que cá vem limpar a casa faleceu; estava nas Honduras. Tinha uma deficiência nas válvulas do coração e estava à espera que lhe fizessem uma operação quando foi diagnosticada com Covid-19. Estava viva há menos de duas semanas e, de repente, foi-se. As Honduras é um daquele país ao qual ninguém liga, mas onde as pessoas sofrem horrores. Há cerca de 10 anos, um dos meus ex-alunos americanos foi fazer o Peace Corps lá e teve de ser evacuado porque a violência era tanta, que não era seguro. Fico bastante triste quando penso nestas pessoas que vivem em países tão duros. Bem sei que não é o único.  

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Version 3.338

Estamos no primeiro dia de tempestades que irão durar até Sábado. Penso que este ano temos tido muito mais actividade meteorológica do que o normal, mas é difícil lembrar-me do que é normal quando quase ou nada tenho saído de casa. As vacinas continuam aceleradamente em todo o lado. Falei com um colega de Minneapolis que me disse que ele e a esposa vão finalmente ser vacinados brevemente.   

À semelhança do Whole Foods, o Trader Joe's também já vende pasteis de nata. Quem gozou com o Álvaro por causa da sua sugestão devia engolir umas caixas de cartão para ver se aprende a estar calados. Era bom, era...

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Version 3.337

Comprei uma camisola de linho e algodão, muito à moda do que se veste pelos lados de Nova Inglaterra. As camisolas são como os chapéus--ele há muitos. Tem âncoras, barcos à vela, conchinhas, e custou $128, quer dizer, depois dos portes e dos impostos ficou em quase $150. E é fabricada na China. Não pica e é muito confortável, ao contrário da camisola poveira de Portugal. Até me serve lindamente. Agora tenho de arranjar maneira de ir passar uns dias a uma praia onde faça frio para a poder usar. 

Esteve um dia de verão, praticamente. Não dá para perceber como aqueceu tão depressa, mas cá estamos nós. No trabalho, vamos ter uma semana muito interessante e cheia de emoções fortes, pois há muita informação que sai esta semana.  Felizmente, o Ministério Público em Portugal não tem empregados que sofram destas maleitas, dado que pode-se sempre arquivar o processo e começar do nada. 


terça-feira, 6 de abril de 2021

Version 3.336

Os EUA estão a vacinar mais de 3 milhões de pessoas por dia e um terço da população já recebeu pelos menos uma dose de vacinas, com 62,4 milhões completamente vacinadas. Hoje recebi uma mensagem da minha farmácia a dizer que já têm vacinas disponíveis e a custo zero para quem está autorizado a levá-las. É incrível a velocidade com que as coisas estão a evoluir, pelo menos nesta zona do país. Há alguns sítios mais populosos em que há mais dificuldade em encontrar uma vacina.

Memphis sempre tentou ser bastante cuidadosa com a gestão da pandemia, dada a existência do Hospital St. Jude, que trata crianças com cancro. Apesar de termos tido bastantes casos, a situação nunca esteve completamente descontrolada. No entanto, nas pequenas cidades em redor, as pessoas não são tão cuidadosas e nem sequer usam máscaras quando vão às compras. Mas há a vantagem de estes serem sítios relativamente pequenos, com baixa densidade populacional, em que as pessoas interagem muito pouco umas com as outras e, quando o fazem, é com bastante espaço entre si. Mesmo assim, todo o cuidado é pouco.

No trabalho, como temos uma equipa internacional, evitamos falar de vacinas em reuniões, dado que há colegas que vivem em países onde não há acesso e também quem tenha tido familiares que faleceram. Mas nota-se que há uma dinâmica mais optimista. O facto é que quanto mais depressa os EUA terminarem as vacinas, mais depressa haverá vacinas para os outros países. Claro que em no final do Outono devem começar a vacinar outra vez os americanos, ou seja, o resto do mundo tem meros meses para meter a casa em ordem.

É uma falha enorme que Portugal esteja tão desnorteado. Apesar das notícias em contrário, Portugal devia estar muito mais avançado no processo de vacinas por várias razões. Há um serviço central de saúde que é usado por quase toda a gente, logo devia ser bastante fácil planear e coordenar o processo. A população está bastante envelhecida, logo não é tão móvel como uma população activa. O país é relativamente pequeno e há um governo central que tem boa mão em tudo. E depois é necessário ter o país todo vacinado o mais depressa possível, dado que o turismo é uma actividade muito importante, logo é necessário dar credibilidade à gestão da pandemia e inspirar segurança nos futuros turistas. Daqui a nada os americanos estarão prontos para ir gastar as poupanças no estrangeiro: os países que tiverem maiores taxas de vacinação irão ser os que beneficiam mais cedo.

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Version 3.335

Passámos um óptimo dia de Páscoa. Esqueci-me de fazer compras ontem e acabei por encomendar a mercearia hoje de manhã. Bem sei que é feriado e que as pessoas merecem descansar, mas a Páscoa nos EUA é um feriado engraçado para as crianças. Há adultos que festejam, mas não é muito importante. Para além disso, não forço ninguém a trabalhar; apenas lhes dou a opção. Dei uma gorjeta de $30 ao senhor que me fez as compras e mas veio entregar. Se calhar devia ter pagado mais, mas a minha encomenda era só de $100, logo foi 30%.

A urgência em fazer as compras hoje era que precisava de óleo de coco para fazer um bolo para o almoço. Fiz o bolo de amêndoa e laranja da Mafalda Pinto Leite, que não tem cereais, nem lacticínios, nem açúcar, logo dá para eu comer. Ficou excelente, um bolo húmido, nutritivo, e que sabe a comida a sério. O almoço foi em casa dos meus vizinhos que, super-simpáticos, prepararam um menu que a Rita podia comer. É um bocado estranho não poder comer tantas coisas, mas sinto-me bastante melhor fisicamente. E não preciso de tomar nenhuns medicamentos, o que é uma raridade na minha idade, segundo disse o meu alergista.

Falando do bolo, toda a gente adorou e até repetiram. A receita é do livro "As Receitas da Mafalda", que encomendei online há coisa de dois meses. Aproveitei e também comprei dois pacotes de esfoliante de café para o banho da Mafalda Pinto LEite, um para mim e outro para a minha vizinha. No total a encomenda foram 53 euros e paguei uns 54 euros de portes de correio. Bem sei que é muito caro, mas não se preocupem comigo que eu ganho bem. Após um ano de pandemia, era importante que os correios funcionassem impecavelmente. Aliás, 54 euros e o pacote demora 5 semanas a chegar é excessivo. No entanto, não quero ser demasiado pessimista, dado que até chegou. Os produtos eram bons. A minha vizinha gostou muito do esfoliante e ficou muito admirada que a pele ficasse tão elástica. 

Para os anos dela, encomendei umas ferramentas de jardinagem de Inglaterra, a uma companhia inglesa que vende ferramentas japonesas, a Niwaki. Como gastei $111, os portes são grátis (a partir de $100 não se paga portes) e a encomenda vem de DHL. Deve chegar em menos de uma semana. Ainda não ouvi notícias do governo japonês processar a Niwaki por vender produtos japoneses, dado que a companhia é inglesa -- em Portugal isso seria roubo.  


domingo, 4 de abril de 2021

Version 3.334

Hoje fez 39 anos que a minha avó materna faleceu. Parece que foi há tão pouco tempo e, no entanto, 39 anos é uma vida. Lembro-me bem desse tempo, apesar de só ter 9 anos. A minha avó foi viver para casa do meu tio 8 meses antes de morrer. Quando saiu da nossa casa, ainda andava bem, mas notava-se que a memória estava a falhar. Uma vez, eu e ela fomos numa excursão para a qual ela preparou merenda. Quando chegou a altura de montar a salada de alface, em vez de sal, a minha avó tinha levado açúcar. Foi cómico, mas era também sinal que o fim se aproximava. Nos últimos meses a minha avó deixou de poder andar e ficou de cama. Fui a casa do meu tio vê-la algumas vezes e queria levá-la para nossa casa outra vez, mas tive medo de pedir ao meu pai para a trazer connosco. 

Quando se tem 9 anos, os adultos não nos explicam muitas coisas, mas eu ouvia os meus pais falarem da minha avó não estar bem. À noite antes de dormir, rezava para que a minha avó melhorasse e regressasse. Só que como não sabia o Pai nosso, nem a Avé Maria completa, só podia rezar a parte da Avé Maria que conhecia: Santa Maria mãe de Deus... E contava pelos dedos quantas vezes rezava, dez e vinte vezes, sempre até adormecer. Havia dias em que a minha avó melhorava e eu pensava que era da minha devoção e rezava com mais fervor na noite seguinte. Mas não funcionou. Nunca funciona, morremos todos, mais cedo ou mais tarde. Não há rezas que nos valham.

Depois da minha avó morrer, os meus pais mandaram-me e à minha irmã para casa de uma prima da minha mãe. Era uma família grande e não dava para ficar triste ou pensar muito na perda da minha avó porque havia sempre pessoas em nosso redor. Mas a noite é dos solitários e podemos sentir tudo o que empacotámos dentro de nós ao longo do dia. À noite eu chorava a perda da minha avó, muito silenciosamente para ninguém ouvir. Deve ter sido nessa altura que aprendi a chorar sem fazer barulho. É assim que ainda choro.


sábado, 3 de abril de 2021

Version 3.333

Fui jantar ao Coastal Fish Company, em Shelby Farms. O dia estava muito luminoso e surpreendeu-me não haver muito trânsito, mas talvez fosse porque muita gente estava a trabalhar. O restaurante tinha bastante movimento e quando saímos estava completamente cheio. A maior parte das mesas são no pátio exterior que funciona o ano todo. Quando está mais fresco, como foi o caso de hoje, acendem uns aquecedores a gás que estão espalhados entre as mesas, logo o restaurante tem funcionado desde que saímos do primeiro e único confinamento. Após o jantar, caminhámos por uma meia hora em redor do lago. O pôr-do sol não foi espectacular, mas há sempre algo de mágico durante o crespusculo, em que noite e dia se confundem. 

A serenidade do dia contrasta com uma nova tragédia em Washington, DC, em que um rapaz conduziu um carro contra o edifício do Capitólio, matando um polícia e ferindo outro. Vão ter de repensar a segurança na área, mas é uma pena que se tenha chegado a este ponto. Toda a parte do Capitólio é bastante aberta ao público e, em tempos normais, enchia-se de turistas e de visitas guiadas a estudantes pelas áreas não restritas. Um dos meus colegas de trabalho conta que uma vez estava no edifício e viu a Nancy Pelosi a passar rodeada de pessoas e a andar muito depressa. Ele ficou com a ideia que ela trabalhava muito, apesar de na altura já ser uma septuagenária avançada. É muito simbólico que haja este acesso a quem tem o poder, pois quem tem poder recebe esse poder do povo e, como tal, deve ser fiscalizado pelo povo.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Version 3.332

Depois de mais de 24 horas com a primeira vacina da Pfizer no sistema, sinto-me bem, mas o meu braço ainda dói. Tomei um banho bastante quente e ajudou um bocado a dor passar. Estou curiosa acerca da segunda vacina, dado que algumas pessoas têm reacções bastante severas. 

Amanhã vou jantar fora e a reserva foi feita para o pátio do restaurante, pois é onde me sinto mais confortável. Hoje recebi um convite para ir a uma festa de anos no dia 11, também num restaurante. A pouco e pouco, a vida volta a ter as actividades de antes. Não muitas, mas mais do que nenhumas.

Sinto estranheza que nós aqui comecemos a normalizar e a Europa ainda continue a ter surtos. Penso que, inevitavelmente, irá haver instabilidade social. As pessoas irão revoltar-se de não conseguirem avançar com a sua vida e o sofrimento humano também pesa na consciência colectiva. 

Estive a fazer os meus cálculos mentais de risco e só deve dar para viajar para a Europa daqui a uns dois anos. Não sei se o meu pai sobrevive tanto tempo, mas sempre que o vejo presumo que pode ser a última vez. Estar longe ajuda-nos a ter mais consciência de que nada, nem ninguém, dura para sempre. 

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Version 3.331

O grande acontecimento de hoje foi que levei a primeira dose da vacina contra Covid-19 da Pfizer. Para a levar fui a um sítio que normalmente é usado para inspecções de veículos, mas o Tennessee deixou de ter inspecções anuais de carros há vários anos; no entanto deve haver alguns que ainda têm de ter porque ainda está operacional, mas neste momento está dedicada às vacinas. Também já fizeram testes. 

Este local de vacinação é gerido pela cidade de Memphis e pareceu-me ser bem organizado. Fiz uma reserva na Internet para lá ir levar a vacina e, no dia antes da data, enviaram um lembrete para o email para não me esquecer de aparecer à hora combinada de hoje, que era às 15h. A página da cidade de Memphis com as instruções para as vacinas pode ser visualizada em várias línguas, inclusive português, espanhol, italiano, alemão, e russo. Para fazer a reserva mesmo, vamos para uma página no signupgenius.com.

Não é preciso sair do carro para levar a vacina. Chegamos à entrada e param-nos para ver se temos marcação; se sim, dão-nos um formulário para preencher e outra papelada e seguimos em frente para uma fila de carros. Enquanto esperamos que a fila ande, preenchemos a primeira página, que tem informação pessoal e algumas perguntas acerca da nossa saúde, se temos reações estranhas a vacinas ou outra coisa. se tivemos Covid, se fizemos certas terapias de Covid...

À frente desta fila estava uma pessoa que nos dizia para que porta devíamos seguir, havendo 6 portas possíveis. Eu fui para a porta 3. Depois vem outra pessoa recolher o formulário, que é a primeira folha do pacote que nos deram, e também voltar a fazer perguntas acerca da reação a vacinas. O resto dos papéis têm informação acerca do que devemos sentir após tomarmos a vacina e, inclusive, potenciais efeitos secundários mais graves.

Se tudo está bem, de acordo com as respostas que damos às perguntas, seguimos em frente. No local de levar a vacina, atendem dois carros por porta simultaneamente. Antes de levarmos a vacina, perguntam-nos em que braço queremos levar, dizem-nos a vacina que vamos levar, dão-nos um cartão que comprova que levámos a primeira dose, e pedem-nos para marcar a segunda dose após 21 dias.  

Quando nos dão a vacina, temos de esperar 5 minutos até nos deixarem sair, caso tenhamos uma reacção. Não houve reacção, logo mandaram seguir em frente e esperámos mais uns 10 minutos até nos deixarem sair de vez ainda para ver se temos reacção. Como já disse, pareceu-me tudo muito bem organizado e as pessoas foram simpáticas. Uma das raparigas que recolhia formulários tinha uma sweatshirt preta com letras brancas que dizia "Everybody vs. Covid-19". É o espírito da coisa resumido.

Estacionada perto estava uma ambulância caso alguém se sentisse mal. A observar toda a operação estavam pelo menos dois carros de polícia: um à entrada e outro à saída. 

Depois da vacina, senti algum enjoo e parecia-me que a cabeça ia começar a doer. Como tinha tomado um almoço muito ligeiro, decidi comer mais qualquer coisa e senti-me bastante melhor. Agora, sete horas após ter tomado a vacina, apenas sinto algumas dores no braço onde levei, mas nada diferente do que sinto quando levo a vacina da gripe. 



À esquerda os que esperavam para sair; 
à direita, a caminho da vacina
 
As instalações onde decorre a vacinação:
seis portas e cada porta atende dois carros simultaneamente

Foto parcial do formulário que temos de preencher


À espera de entrar na porta 3

As instalações da vacina vistas enquanto se espera 
na fila de saída

A fila de saída, onde se espera uns 10 minutos para ver se há reacção. 
À direita da árvore, vê-se uma ambulância estacionada para situações de emergência.
À frente da ambulância está um carro de polícia 



  

quarta-feira, 31 de março de 2021

Version 3.330

Estamos sob um aviso de perigo de inundações repentinas, mau tempo, portanto. Há 10 anos, quando me mudei para Memphis, houve grandes inundações e, no trabalho, os clientes que nos telefonavam tinham o cuidado de perguntar se estávamos bem. Acho que foi mais exagero da comunicação social do que outra coisa.

Amanhã de tarde vou tomar a vacina e, como o tempo vai estar melhor, espero que não cancelem novamente. O NYT noticiou que as autoridades americanas estão muito preocupadas com a pandemia porque o número de casos está a aumentar novamente, apesar da vacinação estar a progredir a bom ritmo. Aconselham a continuarmos a gerir o nosso risco e a minimizar os contactos sociais. 

Penso que se chega a uma certa altura em que os que restam para ser infectados são os mais cuidadosos, que por isso ainda não foram. Seria engraçado fazer um estudo das características das pessoas que ainda não foram infectadas: quem são (idade, sexo, tipo de sangue, pré-condições médicas, etc.) e que comportamentos têm (profissão, onde trabalham, com quantas pessoas vivem, etc.).  

Foi um enorme erro as autoridades não investirem mais em análise de dados de forma mais organizada e planeada. Houve tempo de pensar em como proceder e com essa informação podia-se ter gerido melhor o movimento das pessoas de forma a minimizar o impacto na economia. Que os EUA tenham falhado nesse aspecto é explicado pela falta de apetite da administração anterior por estudar assuntos, mas era essa a vantagem que a UE podia ter tido. Em vez disso, andam todos à turras.

terça-feira, 30 de março de 2021

Version 3.329

Das minhas relações pessoais nos EUA, parece-me que eu devo ser das últimas pessoas a levar a vacina. Não conheço ninguém que se recuse a tomar a vacina, mesmo nos libertários. Obviamente, que as minhas amizades não são representativas da população americana, logo nada se conclui e apenas se registra este facto engraçado. 

No fim-de-semana, perguntei às minhas amigas de Houston, TX, na nossa reunião pessoal, como é que era o processo de apanhar a vacina lá, dado que estava curiosa acerca do processo de identificação. Todas as que levaram a vacina disseram que tiveram de mostrar identificação umas quatro vezes até serem vacinadas, mas também disseram que aquele serviço não era da cidade, ou seja, é talvez do governo federal ou do estado, logo as regras podem ser diferentes.

Isto é relevante por causa dos imigrantes ilegais. Há certas cidades e condados nos EUA que se recusam a fiscalizar a imigração ilegal porque dizem que tal tarefa é da jurisdição do governo federal na fronteira. Logo a lógica é que se a pessoa está dentro do país, então tem direito de estar no país, pois se não tivesse, o governo federal tê-los-ia apanhado à entrada. É um tipo de argumentação que é muito usado pelos americanos.

Talvez seja por isso que o sítio onde eu vou levar a vacina não esteja muito preocupado com pedir a identificação de quem a recebe. Negar vacinas a quem já está dentro do país não serve os interesses de ninguém.

segunda-feira, 29 de março de 2021

C/O Tory Burch

It appears that the City of Póvoa do Varzim, Portugal, where the sweaters come from, is proud that said sweaters are used by and inspire designers. In fact, a Portuguese designer in 2006 even copied some of the decorations for his own brand.

"A destreza neste tipo de trabalhos levou à diversificação de peças, daí surgindo os gorros, as luvas, as meias, os cachecóis, as carteiras… Bordados ou com pontos, estes artigos, para além da sua utilidade, entraram facilmente na moda pela sua beleza. Atualmente, a versatilidade deste produto tem atraído criadores do mundo da moda, inspirados por tendências revivalistas e por temáticas de raiz mais popular. Em 2006, o estilista Nuno Gama, na sua coleção de camisolas de lã, utilizou motivos usados na nossa camisola, aplicados por bordadeiras poveiras, segundo as técnicas tradicionais."

Source, 3/28/2021

Version 3.328

Apesar do mau tempo de ontem, hoje esteve um dia bonito, se bem que para o fresco. O ar ontem estava mesmo pesado e quente, sinal que devia haver uma corrente de ar quente que não tinha como subir porque tinha ar frio por cima, uma das causas dos tornados. Quando acordei, tinha várias mensagens de pessoas que queriam saber se tudo estava bem. Até um antigo colega meu na Turquia escreveu para se certificar da minha segurança.

Vi no Facebook, que a Tory Burch tinha emitido um pedido de desculpas ao povo português e que um monte de portugueses entendeu tal como carta branca para os insultar. Portugal continuará a ser pobre e mal-educado. O mundo é grande; não é expectável que a Tory Burch conheça todas as indumentárias tradicionais de Portugal. Nem os portugueses conhecem. Eu nunca tinha visto a tal camisola e já viajei bastante em Portugal.

O mais engraçado é que eu vivi em Stillwater, OK, que tem um restaurante cujas t-shirts são muito famosas. O Eskimo Joe's é um restaurante famoso pelos hambúrgueres e pelas batatas fritas com queijo derretido. É tradição ir-se a esse restaurante e comprar-se uma t-shirt. Quando viajo, frequentemente encontro pessoas com as t-shirts do restaurante e até as já vi em Portugal. Stillwater, OK, é uma cidade muito pequena, que está no mapa por causa da universidade e, mesmo assim, o restaurante consegue ter uma visibilidade mundial. Se há coisa da qual os americanos percebem é marketing.

Durante a manhã, enquanto bebia mimosas com a minha vizinha, mostrei-lhe a fotografia da tal camisola que o LA-C tinha posto no Facebook. Suponho que é a foto de várias pessoas locais da Póvoa do Varzim, uma foto que não inspira ninguém a comprar a dita camisola, mas a minha vizinha achou a foto portuguesa da camisola muito engraçada. E depois mostrei o que a Tory Burch tinha na página de Internet para vender a dita camisola,:uma modelo negra vistosa, na qual a camisola caia bem e parecia confortável.  Até havia um vídeo da rapariga a andar com muito estilo. 

Se a memória não me falha, foi na FEUC que vi uma vez a Ana Salazar, a estilista portuguesa, comentar que não achava a roupa do Ralph Lauren nada interessante, pois o estilo dele dava para se comprar na feira. Efectivamente, pelas feiras e mercados de Portugal, o mais frequente é ver roupa a imitar a roupa americana, com logotipos da Nike, Adidas, Ralph Lauren, etc. Os portugueses já andam há anos a roubar as marcas americanas e essas são mesmo marcas patenteadas e com copyright. Mas o governo americano nunca, nem uma vez sequer, ameaçou uma empresa portuguesa.

Duvido muito que a Tory Burch volte a encomendar coisas em Portugal e não me admiraria que outras marcas pensassem duas vezes antes de fazer negócio aí. O que há mais são empresas têxteis pelo mundo inteiro e até as há no México, onde podem encomendar uma baja mexicana a sério. 

Mas será interessante os portugueses chegarem ao tribunal para processar a Tory Burch, quando não processaram o Nuno Gama em 2006, quando usou motivos da dita camisola poveira sob a sua própria marca.


domingo, 28 de março de 2021

Version 3.327

Estamos sob uma tempestade de trovoada imensa e até avisos de tornado. A parte do Tennessee não costuma ter muitos estragos, mas o Arkansas é mais aberto e os tornados gostam de lá passar. Desta vez, as sirenes do condado não soaram todas ao mesmo tempo como acontecia há 10 anos quando me mudei para cá. Finalmente, começaram a dar avisos de tornado e a accionar as sirenes apenas nas localidades onde o tornado está. Na televisão também mostram o caminho do tornado e a que horas é esperado em cada localidade. É como se fazia em Oklahoma há 25 anos. O progresso tarda mas não falha.

Devido às tempestades, hoje de manhã recebi um email a cancelar a minha vacinação contra Covid, pois estavam preocupados com a segurança das pessoas durante a tarde, dado que era esperado o mau tempo. Marquei nova vacina para Quarta-feira, mas desta vez vou tomar mesmo aqui na minha zona, em vez de ter de ir a Midtown. Um dos meus colegas disse-me que este sítio é muito bom, pois demora uns 10 minutos para chegar e tomar a vacina. Para além de ser rápido, não tem burocracia porque querem vacinar o maior número de pessoas. Enviei a informação para uma amiga minha que é imigrante ilegal e disse-lhe para ela se vacinar, que não era preciso mostrar papéis nem nada. É só fazer a marcação e aparecer. Espero que ela vá e leve a filha. 

Nos primeiros 100 dias da administração Biden, o objectivo era ter 100 milhões de pessoas vacinadas, mas esse número foi aumentado para 200 milhões há uns dias. Parece que está tudo a correr bem e as pessoas estão muito entusiasmadas com a vacina. Não sei se os malucos anti-vacinas já aprenderam a lição, mas se tivessem maior capacidade intelectual não seriam anti-vacinas, essa é que é...



sábado, 27 de março de 2021

Version 3.326

Então a Tory Burch tem uma camisola portuguesa e o governo português decidiu processá-la. Logo agora, a meio da pandemia, o governo está preocupado com uma camisola, em vez de andar a tratar das vacinas. É uma questão de prioridades. Tem piada que o Ministro Álvaro tenha mandado monetizar as coisas portuguesas, como o pastel de nata e toda a gente gozou com ele. Depois de Antonio Costa tomar posse, a preocupação foi afastar-se das ideias do governo anterior. Portugal ia crescer com reposição de salário para funcionários públicos e redução da carga horária. Não só não saiu da cepa torta, como continua à espera das transferências da UE. Pode ser que se tenha poupado uns trocos nas vacinas para pagar ao advogado. 


sexta-feira, 26 de março de 2021

Version 3.325

Ontem falhei e não publiquei. Penso que foi a única vez até agora. Mas não falhei o teste de condução ontem de manhã. Levantei-me perto das 6 das manhã, que é mais ou menos a minha hora, e saí de casa às 7:08. Não deu para passear muito o Julian e ele de vez em quando é chatinho e anda devagar ou recusa-se a andar porque quer cheirar tudo. Normalmente, quando estou mais nervosa, ele age assim, ou talvez seja que, nessas alturas, eu note mais.

Estava neblina de manhã, quando saí de casa, e pensei que fosse levar mais do que os 28 minutos de viagem. Desde Dezembro que quase não tinha conduzido, aliás, ontem foi a terceira vez e tive de ir para o DMV ilegal, pois não tinha carta, não me tinham dado licença de aprendizagem porque o computador não deixava -- estes computadores sabem muito --, e não dava para ninguém ir comigo àquela hora. Então fui sozinha. 

Às Quartas-feiras, de 15 em 15 dias, deixam prestar exame de condução sem marcação prévia. É só preciso estar nos 12 primeiros da fila. Por isso saí tão cedo, pois o gabinete abria às 8:30. Quando cheguei, perto das 7:35, já havia seis pessoas à minha frente, não sei bem se eram todos para exame. Depois de abrir, apontaram o meu nome e mandaram-me esperar no carro. 

Fiz o exame pouco depois das 10 da manhã e a examinadora chamava-se Ginger, uma senhora muito simples e super-bem-disposta. Recordo-me dela do dia em que fiz o exame escrito, pois foi ela também que me recebeu à entrada. Quando perguntou o que ia lá fazer, respondi que era o exame escrito, mas estava com receio de não passar. Disse logo, de forma muito confiante, que claro que passava, como se nem sequer se pudesse duvidar. Não sei que gene é esse, que faz as pessoas ser tão bem-dispostas e gentis, mas de certeza que o meu ou é muito avariado ou nem sequer está ligado.

O exame foi super-simples. Pediu-me para colocar o pé no travão e ligar os piscas antes de entrar no carro. Assim que entrou, disse-me que gostava muito das minhas calças, eram muito engraçadas e lembravam-na da praia (eram umas Lilly Pulitzer bordadas com estrelas do mar). Perguntou-me se contava ir de férias em breve e contou-me das últimas férias que teve com os filhos e marido. Como estava um pouco nervosa, quase que não prestei atenção ao que ela disse sobre as tais férias. Logo eu, que converso com toda a gente... 

Demos uma voltinha ao  quarteirão e ela aconselhou-me que, como havia buracos na rua, podia perfeitamente desviar-me para os contornar. Fiz o que recomendou e até usei piscas, o que aqui é tão pouco comum de ver, mas nunca perdi o hábito de Portugal. E, pronto, estou legal outra vez. Quando me deu a fotocópia da carta, eu disse que devia ter esticado o pescoço um bocado mais para a foto, mas respondeu-me que não interessava, o que interessava era que estava legal; as fotos giras deviam ser reservadas para o Facebook, para o meu mural. 

Após chegar a casa, fui ver se havia vaga para ir apanhar a vacina do coronavírus. Esta semana, estava tudo cheio na minha zona, mas havia bastantes vagas em Midtown, logo marquei para Sábado. Só havia a vacina da Pfizer e noticiaram que a da Johnson & Johnson estão a reservar para as populações mais carentes, como quem está de cama em casa e recebe a vacina no domicílio, os sem-abrigo, e as pessoas de mais idade. Será a Pfizer, então. Vou aproveitar para levar o Julian ao hotel dos animais para brincar com os outros cães, enquanto passo pelos jardins do Dixon e depois vou à vacina. Este cão tem vida de rico.

  

quarta-feira, 24 de março de 2021

Version 3.323

Foi um dia cinzento, de chuva pela manhã, mas algumas das minhas tulipas estão a florir. Até costumo gostar de dias assim, mas estou um bocado saturada deste tempo mais triste. A minha vizinha que tem 86 anos foi ao dentista, mas a filha não pode entrar; era só pacientes. Como ela tem demência, quando lhe perguntaram porque tinha ido, respondeu que não se lembrava. Tiveram de chamar a filha. Talvez não seja mau de todo esquecer tudo e todos e ficar reduzido a um espectro de nós. Sempre presumi que fosse uma coisa horrível e que a morte fosse preferível, mas talvez não. Talvez não saber nada não seja assim tão mau.

terça-feira, 23 de março de 2021

Version 3.322

Ao anoitecer, veio notícia de mais um tiroteio, desta vez em Boulder, Colorado, cidade onde até já estive. É um sítio muito progressivo socialmente, com muitas escolas privadas, cada uma à medida do freguês. Na semana passada tivemos o tiroteio em Atlanta, que deixou oito vítimas mortais de ascendência asiática. É de lamentar que os tiroteios estejam de regresso, mas talvez isso seja um ímpeto para passar legislação mais apertada para o porte e venda de armas.

Em Miami Beach, as autoridades tiveram de bloquear ruas e até se chegou a atingir a multidão com balas de pimenta porque os turistas do Spring Break estavam loucos a dançar na rua, em cima de carros, uns em cima dos outros sem sequer usarem máscara. Bem sei que usar máscara na rua não é essencial, mas isso presume que há algum distanciamento entre as pessoas, não é todos à molhada e aos pulos a respirarem uns para cima dos outros.

O que vale é que a maior parte das universidades requer que os alunos tenham teste negativo para poderem entrar no campus, mas o pior são as comunidades para onde esta malta irá regressar. E vamos lá ver como se sai a Florida, que até agora se tem safado mais ou menos de ter um número elevado de casos. Ao ver aquelas pessoas todas aos gritos, tenho um apreço renovado pelo meu recato doméstico. 

segunda-feira, 22 de março de 2021

Version 3.321

Assisti na Quinta-feira a um webinário patrocinado pelo meu local de trabalho, que tinha como tópico as mulheres e a reforma. Desde já, saiba-se que sou uma pessoa muito obcecada com a minha reforma. Já ando a planear a coisa há uns 35 anos ou mais. Aliás, quando era miúda, uma das minhas actividades preferidas era contar dinheiro no mealheiro, o que não era muito sábio de manter, dado o nível de inflação que havia em Portugal.

Não aprendi grande coisa no seminário e até faço tudo o que a palestrante recomenda: maximizo as contribuições para o 401k, o que inclui dinheiro suficiente para assegurar a contribuição da empresa, tenho também um Roth IRA para diversificar a incidência de impostos; quando recebo bónus, opto por adiar a recepção de metade (máximo possível), maximizo a contribuição para a conta de poupança-saúde, e as minhas poupanças anuais andam à volta de 25% do meu rendimento. Até acedo à minha conta da Segurança Social americana, logo sei quais os benefícios que vou ter e os descontos que fiz. Claro que daqui até eu me reformar, aquilo entra em falência.

Dizia a senhora que nos deu o webinário, que a Segurança Social nos EUA foi criada de forma a apenas substituir 30% do nosso salário. Eu tenho a sorte, ou melhor, esforcei-me bastante para maximizar o meu salário, logo devo receber a reforma máxima dada. Se me reformar aos 70 anos será o equivalente a $3957/mês. Mas se for aos 67, já só recebo $3106. Mas posso sempre reformar-me antes, viver das minhas poupanças e só pedir a Segurança Social aos 70. Como não sei quantos anos vou viver, não tenho como decidir agora. Talvez quando chegar à idade de reforma dê para ter uma ideia melhor, dado o meu estado de saúde na altura. É um bocado doentio andar a pensar nestas coisas durante décadas, mas como é que vocês acham que eu vou manter a minha vida de rica? A minha expectativa é que não vai haver muito dinheiro na Segurança Social para a minha geração, logo não estou a contar com isso.

Passei parte do dia de hoje a ouvir o 45 Graus, em que foi entrevistada a minha colega de blogue, a Mafalda Pratas. Foi uma conversa muito interessante e deu para se perceber a complexidade dos EUA. Penso que não ficou muito clara uma coisa, que tem a ver com o papel do estado. Na Europa, há a presunção de que o estado é uma figura de bem; nos EUA, a sociedade é uma figura de bem, mas o estado pode muito bem acabar por ser uma figura de mal, pois os peregrinos fugiram a um estado que os perseguia e a fundação dos EUA é uma revolta contra um estado que explora a colónia. 

Está enraizada na cultura americana a ideia de que nem sempre o estado defende os nossos interesses. Todo esse medo foi explorado por Donald Trump ao distanciar-se do pântano que é o estado americano e ao apresentar-se como alguém de fora, alguém do povo que defenderia os interesses do povo. A exploração do medo para chegar ao poder é uma das formas mais antigas de se chegar ao poder e funciona tão bem nos EUA como funciona em outros países. Os americanos acham-se excepcionais, mas nem sempre o são.

Mas é engraçada a ideia que os americanos têm de si próprios, de que são uns coitados e de que há sempre alguém que se pode aproveitar deles. Toda a difusão de poder nos EUA serve para guardar contra esse risco. Alguém mal-intencionado pode sempre chegar ao poder, mas dificilmente terá poder por muito tempo ou conseguirá fazer tudo o que quer. Os EUA podem ter começado como uma colónia e um país pobre e agrário, mas precaveram-se contra déspotas. 

O primeiro processo de impugnação de Donald Trump foi mesmo sobre isso: o Presidente não tem poder absoluto, não está acima da lei, e tem de prestar contas. Pode ser absolvido politicamente, mas nada o protege para sempre das leis que governam a sociedade, do tal governo do povo e para o povo.


domingo, 21 de março de 2021

Version 3.320

Após umas semanas de interregno, eis que continuam os pedidos de informações para emigrar para os EUA. Os últimos têm sido um bocado fraquinhos, de gente nova com poucas qualificações, tipo curso de dois anos em marketing digital. Eu aposto que há jovens americanos no secundário que devem perceber da coisa, logo não há necessidade de importar trabalhadores. Aliás, eles inventaram o marketing digital.

Mas no meio da conversa, ouvem-se coisas interessantes. Por exemplo, alguém em Portugal observava que estava a pensar vir para os EUA, mas o problema era que as férias não eram suficientes para ir a Portugal. O período de férias não é regulado pelo governo federal nos EUA; em vez disso há um acordo entre empregador e empregado e as empresas competem entre si nos benefícios que oferecem. Obviamente que se os benefícios são maus, não vão conseguir atrair "talento", quer dizer, empregados de boa qualidade. 

O normal é começar-se com 10 dias úteis de férias e alguns dias de baixa médica, mas há companhias que combinam férias com baixa médica e os empregados têm direito a um certo número de dias. A empresa onde eu trabalho agora combina baixa médica e férias e quem começa a trabalhar tem direito a 15 dias úteis que pode gastar como quer. Também já trabalhei em sítios que davam 10 dias de férias mais 5 dias de baixa médica. 

Depois, em alguns sítios, cada ano que a pessoa fica com a empresa, ganha um dia de férias, até ao máximo de 30 dias, no caso da minha empresa. Em alguns departamentos, também há direito a dois feriados flutuantes, logo um total de 32 dias úteis. A isto soma-se os feriados e os americanos gostam muito de feriados à Segunda-feira para terem fim-de-semana prolongado, mas nem todos os feriados são observados. Por exemplo, a observação do dia de Martin Luther King, em que as pessoas não trabalham, é bastante recente e nem todos os sítios observam, apesar de já ser celebrado há mais.

Expliquei brevemente à pessoa que mencionou a falta de férias que eu tinha 30+2 dias úteis de "paid time off" agora, mas antes já tive menos, e ela disse que era isso que não havia em Portugal: a progressão na carreira. Ora, é impossível haver progressão na carreira se as pessoas querem ter os benefícios máximos logo no início.

O mesmo se passa com as questões de salários. Sim, é verdade que os americanos no início de carreira e especialmente os jovens não ganham muito, mas o normal é progredir-se no salário, à medida que a pessoa ganha mais experiência e consegue melhores empregos. 

Comentaram no outro dia num post meu que eu tinha vida de rica, o que é uma parvoíce. Nesta altura da minha vida já tenho uma vida muito confortável, mas foi porque fiz sacrifícios no início. Aliás, eu só comecei a trabalhar na minha profissão a tempo inteiro em 2004. Entre 1997 e 2004, era estudante e vivia com uma bolsa. Não era rica, mas também não passava fome. 

Tudo o que eu tenho é fruto do meu trabalho e, na verdade, gosto muito do que faço e não me importo de sacrificar outros aspectos da minha vida para me dedicar mais ao trabalho. E é por isso que hoje em dia vivo confortavelmente, mas nada é garantido porque tudo depende do meu esforço. Ricos são aqueles que podem viver confortavelmente sem trabalhar. É o caso do meu cão, esse é rico. 



sábado, 20 de março de 2021

Version 3.319

 Saiu o relatório que ordena os países por nível de felicidade. Os portugueses ocupam o lugar 58, os americanos o 19. Não percebo o ranking dos portugueses, dado que passam a vida a dizer que vivem no melhor país do mundo. Ou será isso a causa da infelicidade, o viverem no melhor país do mundo, o que leva a que se sintam infelizes por quem vive em países piores?

Por falar em coisas infelizes, os americanos estão muito perturbados pelo tiroteio de Segunda-feira que atingiu a comunidade asiática. Fala-se de ser uma questão de racismom mas eu não acho. Dado o número de tiroteios que existe nos EUA, é expectável que toda a gente seja atingida, inclusive asiáticos. É uma coisa bastante triste, estes tiroteios, mas tornou-se bastante corrente. 

sexta-feira, 19 de março de 2021

Version 3.318

Paris entrou em confinamento hoje, o que é bastante negativo: indica que a Europa está muito atrasada no controle da pandemia. As pessoas ainda não se adaptaram a viver com o vírus de forma a mitigar contágios e a evitar confinamentos. Os governos não investiram o suficiente na agilizacao do plano de vacinação. Mesmo do ponto de vista de estímulo da economia, tem sido muito fraco e prevê-se que o maior impacto na economia só se sentirá em 2022. 

Não me parece que as coisas vão correr bem e dada a força da retoma nos EUA e na China, o peso dos europeus no PIB mundial irá continuar a descer, como tem vindo a acontecer desde a crise da dívida soberana. Por outro lado, se a dívida pública era astronómica antes, agora ainda é mais. Em situações de crise, não vale a pena pensar em poupar e até é errado e também imoral, mas incomoda que o dinheiro do aumento da dívida não seja utilizado de forma a gerar mais crescimento; em vez disso, parece que se divide um bolo cada vez menor. 

Os EUA anunciaram que vão emprestar vacinas ao Canadá e ao México, ou seja, não estão grandemente preocupados com a Europa, logo não devem estar a planear normalizar a circulação de pessoas entre os dois continentes brevemente. 

quinta-feira, 18 de março de 2021

Version 3.317

O nosso segundo dia de S. Patrício desde o primeiro confinamento. A minha vizinha preparou carne de vaca com couve e batatas; eu preparei sopa de carne de vaca com cevada, pão de soda irlandês, e Irish coffee. O jantar ficou muito bom, apesar de a versão que eu comi não ter tido cevada, nem pão, e passámos a noite em amena cavaqueira com vários vizinhos. Fiquei a saber que uns outro vizinhos apanharam Covid e ficaram um bocadito mal, mas já recuperaram. Bem me parecia, no outro dia, que o marido estava um bocado magro.

A manhã inteira trovejou e choveu e houve uma altura em que o céu escureceu. Durante a tarde, estivemos sob vigilância de tornado e várias partes dos Estados Unidos estiveram sob alerta máximo de tempestades. A parte mais perigosa do dia para estas tempestades é o crepúsculo, logo espero que o pessoal esteja bem e tenha tomado precauções. 

Há umas semanas, comprei umas coisitas em Portugal, mas o meu pacote ainda não chegou. Espero que chegue um dia destes, mas foi enviado pelos CTT, logo deve ser tipo lotaria. Os tapetes portugueses que comprei no outro dia chegaram bastante depressa, mas foram enviados por DHL. E também comprei outra coisita que veio da Grécia e chegou rápido porque foi enviada por FedEx. Veremos se o meu pacote encontra o caminho...

   


quarta-feira, 17 de março de 2021

Version 3.316

A UE corre o risco de sair bastante danificada da pandemia. Não só negociou as vacinas mal e com atraso, focando-se em poupar dinheiro, em vez de vidas, mas agora tenta colmatar a falha suspendendo a autorização da vacina da AstraZeneca, quando o próprio regulador europeu discorda da decisão. 

Hoje noticiavam que em Portugal já tinha vacinado mais de metade das pessoas com mais de 80 anos, o que é absolutamente ridículo. Começaram a vacinar no final do ano passado e, quase três meses depois, ainda não conseguiram vacinar todas as pessoas com mais de 80 anos? Não deve haver grande dificuldade, dado que até é um segmento da população bastante sedentário e que usa os serviços de saúde com frequência. 

A Reuters diz que Portugal, neste momento, consegue vacinar 10% da população cada 100 dias, ou seja, vai levar vários anos para fazer a primeira ronda. Tanta peneirice no início das vacinas e agora é o que se vê.


terça-feira, 16 de março de 2021

Version 3.315

O dia de hoje pertenceu ao Sebastião Bugalho, pois enviaram-me as peças da revista Sábado acerca da alegada acusação de violência doméstica. Como já não vivo em Portugal há muitos anos, pensei que o rapaz vivesse com alguém e que tivesse agredido a pessoa; afinal, parece que foi atrás de alguém com quem namorava. 

Ui, tenho de confessar que, se isso é considerado violência doméstica, eu já fui. Isso de irmos atrás de alguém de quem gostamos, quando as coisas correm mal é tipo pão nosso de cada dia e tanto eu já fui atrás de namorados, como namorados já vieram atrás de mim. Coitado do meu primeiro namorado, com quem acabei e que me veio perguntar porquê e não largava o osso. Enfim, espero que seja muito feliz. E aquele primeiro beijo que ele me roubou quando tocou para a aula? Ainda sinto o meu coraçãozinho de 15 anos a palpitar. Hoje seria assédio, se acontecesse a outra miúda.

Mas de regresso ao Bugalho, a sério que o regime se sente ameaçado por um moço de 24 anos? Então as coisas estão muito mais bem encaminhadas do que eu pensava. Sebatião, sê perseverante, que isto vai passar. Pode ser que descubram uma amante ao Primeiro Ministro Costa a quem ele tenha dado emprego, dado que ele só dá emprego a pessoas de confiança, e se mude de novela, sei lá...

segunda-feira, 15 de março de 2021

Version 3.314

Dia de pi e da mudança da hora. Pensava eu que até estava a vir cedo para a cama e eis que já são 22:30. Bem, ao menos o Watermelon Sugar ganhou um Grammy. O plano de estímulo do Biden passou no Congresso há três dias e o filho da minha vizinha já recebeu o dinheiro, juntamente com o da esposa. Foi depositado na conta à ordem Receberam uns $2649, apesar do estímulo ser $1400 para cada um. O governo deve ter ficado com 5% para os impostos. Apesar de não precisarem do dinheiro, são pessoas jovens, logo sempre ajuda a pagar o curso.

O mais engraçado nisto tudo é que com tanto dinheiro de estímulo, tem havido dificuldade em encontrar trabalhadores para lojas. O mercado de trabalho também se tornou mais flexível e deu mais poder aos empregados: há muita gente que se meteu no Instacart a fazer compras para entregar em casa, dado que a gorjeta costuma ser boa. Eu pago normalmente $25-$30 de gorjeta e decerto que a loja também dá um extra. Para ganhar isso numa loja que tenha salário mínimo federal, seriam precisas mais de quatro horas de trabalho. No outro dia, precisei de um Uber ou Lyft à hora de jantar e não havia ninguém, mas nunca há falta no UberEats, logo as pessoas que conduzem devem preferir fazer coisas onde se ganhe mais dinheiro.

Vai ser interessante ver o que irá mudar na economia e como nos iremos ajustar à normalização pós-pandemia.