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domingo, 14 de novembro de 2021

Segunda lição

Na Quinta-feira, foi a segunda lição do Julian, leia-se minha. A professora chegou e eu disse logo que ainda não tinha tido oportunidade de aplicar muitos dos conselhos, mas tínhamos andado a praticar o nosso sit-stay-come. Ele estava mais calmo, mas ainda com necessidades afectivas: de vez em quando, o Julian olha para as nossas mãos e acha que deviam estar a dar-lhe uma massagem, então enfia a cabeça mesmo a jeito. Não é muito humilde, o rapaz. Acha que o mundo se deve subjugar à sua vontade. Mostrei o nosso sit-stay-come e estava mais ou menos. Também pratiquei meter-lhe a coleira de sair e a trela e sentarmo-nos no sofá para ele calibrar o seu nível de entusiasmo associado à coleira e trela.

Para o final, praticámos eu passeá-lo com a professora atrás de mim. Normalmente, o Julian fica muito agitado quando alguém nos acompanha, mas desta vez estava relativamente mais calmo, apesar das muitas distrações como a presença da professora, o jardineiro do vizinho a fazer barulho com o aparador de relva, carros a passar, etc. Achei engraçado que, durante a aula, sempre que o Julian se porta bem, a professora olha para ele com bastante admiração e afecto. Acho que nuna tinha visto ninguém olhar para os meus animais assim, mas nota-se que ela gosta mesmo do meu pirralho.

Um dos nossos trabalhos de casa tem sido o praticar as minhas saídas e, por sorte, as portas que dão para o jardim são de vidro, logo ele pode ver-me afastar-me da casa. Peço para ele se sentar e ficar, saio pela porta, escondo-me por uns segundos, e depois apareço, abro a porta, e dou-lhe um biscoito. Ele fica sempre à minha espera muito atento, quase que com a respiração em suspenso e não tem ficado ansioso, o que é mesmo o objectivo. Mas, de vez em quando, faz uma coisa engraçada porque sai de casa para ir ver se a porta da garagem da minha vizinha está aberta. Ele adora ir a casa da vizinha. É mesmo um pateta...

domingo, 7 de novembro de 2021

Vida de cão

Na Quinta-feira, o meu cão deu uma bela exibição do que não se deve fazer. A treinadora chegou com alguns minutos de atraso e sugeri que passeássemos todos porque o Julian não gosta de andar acompanhado por terceiros. Desatou aos pulos e quase que partia uma perna ou a cabeça, tal era a forma violenta com que aterrava. Depois apareceu um outro cão a passear e ele continuou a portar-se mal, puxava a trela, tentava roer, etc. A coitada da treinadora ficou muito assustada e já falava em eu ir com ele ao vet para o meter a calmantes. Cheguei a pensar que ela me dissesse que não tinha conserto.

Quando regressámos a casa e nos sentámos no jardim, ficou super-calmo, como se fosse um cão completamente diferente: veio para o meu colo e ficou sossegado enquanto eu conversava com a senhora. De vez em quando, ela olhavs para ele, meio-incrédula e sorria porque ele é bastante engraçado. Já lhe tinha explicado que o cão foi achado na rua e não sabemos a sua proveniência, mas não estava muito bem cuidado. Como ela tem experiência com cães abandonados, sugeriu que talvez este cão pertencesse a alguma rapariga que arranjou namorado e o cão não se deu bem com o namorado, logo ela abandonou o cão. E não é que é completamente plausível? Sempre que vem cá a casa um homem que parece estar interessado em mim, o Julian chega à perna dele e começa a montá-lo. Podia dizer que fico um bocado envergonhada, mas acho extremamente engraçado, só que não me posso rir à frente dos cavalheiros.

Perante a versão soft do Imperador Julian, a treinadora ficou mais animada e acha que vamos conseguir melhorar o seu comportamento. O meu trabalho de casa é treiná-lo a andar bem de trela dentro de casa, tem de andar ao pé dos meus pés, aprender a sentar-se em comando (ele já sabe sentar-se, mas não é muito consistente). Vou também comprar um spray de foromonas e vestir-lhe mais a camisola de trovoada. Para o ajudar a ficar sozinho sem ter acidentes (ele fica muito ansioso quando não está comigo), tenho de controlar o seu acesso a comida e água, que só deixo disponível por períodos de duas horas durante a manhã, o almoço, e o jantar. Esta é uma coisa que nunca tive problemas com os meu cães carlinos (pugs), pois esses comiam assim que a comida aterrava na taça, eu só tinha de a medir e dar a horas. O Julian gosta de comer quando lhe apetece, mas vai ter de mudar. Tudo isto vai ser conseguido à custa de muitas guloseimas. Que vida de cão, esta...