domingo, 28 de fevereiro de 2021

Version 2.299

A raça humana é muito violenta, não interessa a cor da pele. Hoje li o relato de um homem na Etiópia que teve de enterrar corpos de crianças e adultos, mortos por militares durante um festival religioso que acabou por se tornar num masacre. Deve ser assim há séculos, deve ter sido sempre assim. 

Também sigo a conta no Instagram de uma rapariga de Mianmar, que costuma colocar posts privados sobre o golpe militar que ocorreu recentemente, com a polícia a atacar os cidadãos. A comunicação social do país está ao serviço dos militares, que também controlam a Internet. O Embaixador de Mianmar nas Nações Unidas foi afastado, depois de ter feito um discurso em nome do povo de Mianmar a pedir ajuda à comunidade internacional. Mesmo o governo anterior, apesar de democrático, não era perfeito e também atacou os muçulmanos rohingya.

Tudo isto acontece com um português à frente das Nações Unidas. O Guterres quer ser reeleito e os portugueses acham que vai ser a esperança da humanidade, mas o mundo não ficou melhor nos últimos quatro anos. Que mais catástrofes irão acontecer? 

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Version 2.298

Hoje li dois artigos interessantes. Um acerca de um livro publicado esta semana que fala da possibilidade da espécie humana entrar em vias de extinção por volta de 2045, dada a quebra de fertilidade, mais especìficamente a contagem de esperma tender para zero.  Claro que isto de fazer estimativas fora da amostra às vezes não resulta bem, mas não deixa de ser um resultado que denota a necessidades de sermos cautelosos. Quer dizer, pela minha parte, fui bastante desleixada, dado que não procriei. 

O segundo artigo era acerca de arejar as casas e passar mais tempo ao ar livre para combater as infecções que se transmitem por via aérea, ou seja, uma reabilitação da teoria do miasma e das ideias da Florence Nightingale. Era o que se fazia antigamente com os doentes de tuberculose nos sanatórios. Mas hoje em dia, manter espaços verdes agradáveis nos hospitais e até nas cidades é considerado um luxo em Portugal.

A grande notícia do dia é que o governo português vai anunciar o plano de desconfinamento a 11 de Março. A única incógnita é: será que, até lá, os jovens adeptos do PS que escrevem estas coisas irão aprender a usar vírgulas e outra pontuação?

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Version 2.297

No ranking de países que melhor lidam com a pandemia, a Bloomberg coloca Portugal acima do Irão e abaixo da Colômbia, no lugar 44 entre 53. A Grécia está na vigésima posição, só para terem a noção. Ao fim de quase um ano, os portugueses têm exactamente a mesma atitude que tiveram quando, no início, decidiram que a melhor forma de planear o combate à pandemia era discutir a inconstitucionalidade do confinamento. Agora para se decidir se se abrem ou não as escolas, por exemplo, usam focus groups, petições, etc. Imaginem que em vez de uma pandemia, estávamos em guerra, era mesmo com focus groups e petições que se ía chegar à vitória? 

Portugal é um país desorganizado, que tem em postos de liderança pessoas que, para além de incompetentes, são ignorantes e arrogantes. É a receita ideal para o desastre e é isso que o país vive. Para além do desastre humano e económico, iremos ter mais um desastre financeiro. Não há plano de obras públicas que valha ao país, assim como os anteriores não valeram. O entusiasmo pelas bazucas pós-tragédias apenas demonstra uma predileção pela imoralidade. 

Com mais de 800 mil casos identificados, podemos com segurança dizer que o verdadeiro número de pessoas infectadas é bastante mais alto. Nesta altura do campeonato, não há nada a ganhar em proibir as pessoas de trabalhar ou as crianças de ir para a escola, desde que sigam as recomendações de comportamento social. 

Há meses que devia haver um plano detalhado que decidisse que actividades abrir e fechar com base na situação de cada localidade, isso devia ser um processo fluído e os portugueses já deviam estar treinados a adaptar-se facilmente a mudanças de circunstâncias. Se tivesse sido seguido desde o início, não estaríamos na cauda da lista. O topo da lista tem países que controlaram o movimento das pessoas. Por exemplo, a Austrália e a Nova Zelândia foram cuidadosos em aproveitar o primeiro confinamento para identificar casos e fazer identificação de potenciais infectados; a Noruega alargou os horários de funcionamento do comércio. 

Afinal, não estavam grandemente preocupados com os direitos garantidos pela Constituição. Se estivessem, não acabaríamos nesta palhaçada em que a primeira vítima é a dignidade humana, aquela que o artigo primeiro da CRP diz ser a base da República Portuguesa. Que o Presidente da República seja um professor de Direito Constitucional que é incapaz de ver um boi à frente do nariz, mas que mesmo assim foi reeleito diz muito acerca do que está mal na República.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Version 2.296

Li hoje uma notícia que nos EUA morreu uma senhora que tinha recebido um pulmão de uma dadora que tinha sofrido um acidente de automóvel. Quando fizeram o teste à dadora, depois do acidente, deu negativo, mas o certo é que tanto a senhora que recebeu o pulmão, como um cirurgião que o manuseou ficaram infectados com Covid-19. Por falar em salvar pessoas e ficar infectado, parece que em Portugal aconselham a não ressuscitar pessoas, se isso implicar correr o risco de ficar infectado, logo não se pode socorrer alguém que se afoga. Aposto que o PR não vai gostar destas regras. De que maneira irá Marcelito aparecer na TV durante as suas férias de verão? Está mal...

Será que, para ter estes cargos que inventam estas regras, é preciso passar algum teste de estupidez, ou arranjam as pessoas sem grande esforço de selecção? Se quem está infectado não merecesse ser salvo por quem não tem a doença, não quereria isso dizer que os hospitais deviam deixar de acolher doentes para não se infectar médicos, enfermeiros e profissionais auxiliares? É um enorme mistério de onde vem tanta imaginação para a parvoíce, mas como dizia o RAP, no seu infinito bom senso, isto era o melhor que se podia arranjar.



   

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Version 2.295

 Esta noite irão estar 9ºC de temperatura mínima, exactamente uma semana após termos -17C. Dizer que o tempo é muito instável é quase optimismo a mais. Levantei as coberturas com que tinha coberto as hortênsias no jardim e, não sei como, deparei-me com algumas folhas verdes que já deviam ter uns três centímetros. A natureza é realmente deslumbrante. É difícil não ficarmos confusos com o aspecto de tudo, sabendo que daqui a um mês ou pouco mais irá estar tudo diferente. 

Os meu pássaros não visitam tão frequentemente, apesar de eu ter colocado comida fresca nos comedouros. Mesmo assim, deslumbro-me ao vê-los, com as suas penas de cores exóticas e os seus tamanhos tão variados. Hoje, um deles debicava os materiais do ninho que um casal de cardinais construiu no ano passado. Talvez este ano tenhamos mais bebés, mas com a abundância de comida e o número de visitas, não penso que algum casa arrisque a construir família num sítio tão agitado.

De resto, começámos a manhã entusiasmados com o Merrick Garland a ser ouvido no Senado, mas de tarde toda a atenção mudou para o acidente do Tiger Woods. Não me parece que as pessoas estejam particularmente interessados em ouvir o Garland: por um lado já sabem o que ele diria; por outro, pessoas assim servem para o GOP se ver ao espelho, logo não são particularmente interessantes para metade da população.

Espero que o Tiger esteja bem, mas o exame de toxicologia deve acusar qualquer coisa, dado o nível de esforço ao qual ele submete o corpo. Aposto que deve ter tomado algum analgésico.  



terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Version 2.294

Hoje, lá fui eu fazer o terceiro exame escrito da minha vida para a carta de condução. Não acho que seja o último a este ritmo. Passei, mas aquilo causa muito stress porque os americanos são muito obsessivos nestas coisas e o manual é super-detalhado. Não estudei aprofundadamente, mas fiz umas sessões de leitura intensiva para memorizar alguns conceitos, regras, e me familiarizar com o vocabulário. Por exemplo, decorar quantos segundos demora para se parar o carro quando se vai a 20, 30, 40, 50, 60, e 70 milhas por hora; a quantidade de álcool no sangue, o efeito no corpo, as multas, o tempo de prisão, etc. 

O mais engraçado do que estudei é que se alguém é apanhado a conduzir sob a influência de álcool, tem de ir apanhar lixo e usar um colete a dizer que é bêbado. E se a pessoa for do Tennessee, o lixo tem de ser apanhado no condado onde reside. Os americanos gostam muito de humilhar publicamente como forma de correcção. Não me recordo de uma regra semelhante quando tirei a carta em Oklahoma, mas isso já foi em 1998.

Fui a outro gabinete de veículos motorizados e as senhoras que nos atendiam pareciam estar mais bem dispostas. Elas riam, faziam piadas para o pessoal sorrir quando tiravam a foto para a carta, e, no todo, foram muito atenciosas e simpáticas. A rapariga que me atendeu queria muito que eu fosse fazer o exame prático nesta Quarta-feira porque era o que os americanos chamam de walk-in: chega-se lá às 8 da manhã e eles atendem. Mas eu tenho uma reunião do trabalho a essa hora, todas as semanas, logo não me dá muito jeito.

Talvez por causa de toda esta excitação estou exausta. A neve já está quase toda derretida e o correio finalmente chegou, só demorou uma semana.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Version 2.293

Mais jovens portugueses a contactarem portugueses nos EUA para saber como emigrar. Se for malta que aprecie trabalho e esforço, acho louvável, mas a jovem que me calhou hoje tinha uma atitude que me deixou um amargo na boca. Queria que alguém lhe desse um emprego, apesar de não ter experiência de trabalho nenhuma, nem sequer estar muito interessada em exercer a sua área de estudo numa licenciatura que terminou no ano passado. E depois brincou a dizer que precisava de alguém que a adoptasse. Cá para mim, ainda se mete em apuros e entra numa rede de tráfico humano se anda à procura de facilidades na Internet a todo o custo. Depois vem a história no Correio da Manhã.

Contrasto isto com a situação de outra jovem, mas americana, que nem 20 anos tem. Na Sexta-feira, tivemos o convívio digital no pós-Fórum de Agricultura e um dos participantes tem uma filha que está agora na faculdade em Washington, DC. O pai dizia que estava muito orgulhoso dela porque apesar da pandemia, tinha-se mudado para DC, frequentava a universidade, tirou nota máxima a tudo, trabalhava bastantes horas por semana, e vivia num apartamento partilhado com outros jovens.

Note-se que este pai tem um cargo importante numa empresa e deve ganhar perto de meio milhão de dólares por ano, mas a filha tem a vida que teria alguém que ganhasse muito menos. A única coisa que o pai faz por ela profissionalmente é arranjar-lhe contactos para ela ir conversar com profissionais e aprender como funciona o mundo, como ele disse. Não pede emprego para a filha, nem sequer ele próprio lhe dá emprego na empresa onde trabalha. 

Tirando famílias como os Trump, a experiência deste pai é bastante normal nos EUA. Em Portugal é uma aberração porque é cunhas para tudo e a preparação dos jovens que terminam cursos universitários é fraca. Não sabem trabalhar em equipa, não sabem fazer perguntas para se orientarem, e muitos dizem e escrevem disparates a torto e a direito. 

Eu devia ter dito à moça para ir falar com o PM António Costa para ver se ele a fazia Ministra da Saúde. Pior do que a Marta Temido não devia ser e ainda prestaria um serviço lúdico ao país e não se meteria em apuros na América. Ganharíamos todos.


domingo, 21 de fevereiro de 2021

Version 2.292

Em inglês, diz-se que o caminho para o inferno está pavimentado de boas intenções e foi exactamente a isso que dediquei o meu Sábado. Até comecei bem, com uma lista de coisas para fazer antes de atacar o material para o teste escrito da carta de condução que se aproxima, mas fiquei-me pela cozinha. Decidi fazer a tal sopa do campo que a minha vizinha gosta e fiz mais uma dúzia de muffins salgados, desta vez de queijos parmesão e romano com orégãos. Cheirava bastante bem, mas eu não podia provar para ver se estava minimamente decente. Para mim, assei salmão e bacalhau no forno, e também aproveitei para estufar carne de vaca na Instant Pot. 

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Versão 2.291

Num universo paralelo, nesta altura estou eu em Washington, D.C., depois de ter assistido ao Agricultural Outlook Forum. Mesmo sem pandemia, as tempestades teriam impossibilitado a viagem, dado que grande parte do país fechou, inclusive o aeroporto de Memphis. Podia ser bem pior...

Ao conversar com várias pessoas esta semana, uma coisa ficou certa: não regressaremos ao estilo de vida que tínhamos anteriormente. Depois da pandemia passar, o mais provável será adoptarmos uma rotina de trabalho em que trabalhar à distância e presencialmente irão coexistir. 

Sendo assim, tudo é possível, pois não faz sentido ficar 100% num lugar e poderemos escolher ir viver para algum sítio por alguns meses em modo experimental, sem que isso afecte a nossa capacidade de produzir e contribuir para a sociedade. 

Mas correremos o risco de criar divisões na sociedade ainda mais profundas entre as pessoas cujo emprego requer presença física e os outros que têm maior flexibilidade. Ainda por cima, os empregos mais flexíveis podem bem ser os que são melhor pagos. Teremos de arranjar maneira de corrigir estas assimetrias, não só por uma questão de justiça social, mas também para fomentar a paz social.

Haver mudança é muito positivo, mas viver em conflito permanente tem um preço e não é sustentável a longo prazo. Nem todas as sociedades estarão dispostas a empobrecer dessa forma.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Version 2.290

As coisas estão a melhorar e muitas pessoas no Texas já têm electricidade; ms ainda tenho amigos a passar dificuldades. Em Memphis, nunca perdi electricidade, nem água, mas esta noite fomos aconselhados a ferver toda a água que consumimos. Ontem, enchi alguns receptáculos a contar com essa possibilidade. Na rua ainda está tudo cheio de neve aqui e esta noite a temperatura irá baixar até aos -10º C. 

A grande notícia de hoje foi o snafu do Ted Cruz que, em vez de ficar no Texas e se sujeitar às condições adversas da tempestade, deu à sola com a família e foi passar férias ao México. Digamos que o pessoal do Texas não achou piada e foi todo manifestar-se para a frente da casa dele. Há quem peça a demissão do Cruz, mas ele tem cara de pau suficiente para continuar na mesma como a lesma.


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Version 2.289

A tarde inteira nevou e parece que ainda há mais alguma coisa para vir entre neve e gelo. Como a manhã foi relativamente tranquila, esperei que as previsões fossem demasiado pessimistas, mas parece-me que ainda há a possibilidade de terem sido optimistas. Depois da neve parar, ainda temos de aguentar mais uma descida de temperatura até aos -10º C e só depois começará a aquecer.

Falei com amigos em Houston e a maior parte está sem água e electricidade. A rede energética do Texas tem sido um dos tópicos mais quentes na comunicação social, pois é uma rede independente das outras duas redes dos EUA, pois o Texas para fugir à supervisão e regulação federal não vende, nem compra electricidade de outros estados. O Governador diz que a culpa do que se está a passar é das energias alternativas, com a falta de sol, mais algumas turbinas eólicas terem ficado congeladas, mas o Texas também usa muito gás natural e as baixas temperaturas também congelaram as condutas de gás.

Esta independência energética permitiu ao Texas investir em energias alternativas mais depressa do que outros estados, mas o enfoque em preços acessíveis sacrificou a construção de redundância no sistema e não se investiu tanto em armazenagem de energia, nem criação de rotas alternativas. Por outro lado, não é normal gastar-se recursos em isolamento contra baixas temperaturas, dado que são tão raras. Também não é líquido que, caso tivessem feito esse investimento as coisas teriam corrido sem quebras, mas é expectável que houvesse menos falhas ou afectasse uma menor porção da população.

É um bocado desconcertante para mim, que estou aqui no conforto da minha casa, sem ter perdido electricidade, nem água, conversar com as minhas amigas, algumas nonagenárias, e sentir a sua frustração e dificuldades. A mais velha, que tem 96 anos e com quem falei ao telefone, quase que não conseguia pensar e perdia o fio à conversa, pois estava sem electricidade e a casa estava fria há mais de 24 horas. Por sorte, tem fogão a gás e conseguia aquecer água e comida. O vizinho tem um gerador de electricidade e convidou-a e à filha para se abrigarem lá em casa, mas ela acha que está demasiado velha para ir para casa dele; para além disso, tem medo da pandemia.

O WashPost diz que, desde Domingo, morreram 16 pessoas com o frio, mas decerto que agora já são mais.  Algumas das fatalidades deveram-se a monóxido de carbono, depois de as pessoas se abrigarem dentro dos carros ligados para se aquecer. Mesmo assim, não é muito para um país do tamanho dos EUA. Se uma coisa destas acontecesse em Portugal, decerto que morreria mais do que uma pessoa e uma pessoa num país do tamanho de Portugal representa quase 32 pessoas nos EUA. 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Version 2.288

Vários dos meus amigos estão sem electricidade em vários estados e ainda temos uma tempestade a caminho, que chegará esta noite. Ontem anunciaram que no Texas tinha sido declarado o estado de emergência -- que tenha sido uma coisa tão rápida e sem sobressaltos é estranho. O normal é o as autoridades locais pedirem ajuda ao estado e, se o estado não se acha capaz, pede ajuda ao governo federal; mas quando Trump era presidente, qualquer coisa deste tipo dava azo a confusão e tuítes mal-intencionados.

Desta vez, o único tuíte que fez história foi um antigo do Ted Cruz a criticar a Califórnia por ter instituído cortes cíclicos de electricidade aquando de uma onda de calor, pois o Texas teve de fazer o mesmo por causa desta onda de frio. O Karma é bastante lixado. 


Em 10 anos especulo que a produção de electricidade irá ser bastante diferente. Quando o Obama era Presidente, falava-se na descentralização da produção de energia; por exemplo, se alguém tem painéis solares que produzem excesso que energia, podiam vender esse extra à rede. Isto vai requerer alguma inovação do ponto de vista de produção, transporte, e armazenagem de energia, mas estamos na altura ideal para desenvolver algumas tecnologias revolucionárias. 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Version 2.287

Neste momento estão -13°C na rua, mas parecem mais -19°C com o "windchill". Daqui a algumas horas, a temperatura deverá descer para -17°C. Só saí à rua para levar o meu cão a fazer as suas necessidades -- ele não ficou fã -- e para colocar a taça da comida dos pássaros -- esses tornaram-se meus fãs incondicionais. 

Não dá para sentir muito o frio, se formos rápidos, e mal entramos em casa ficamos logo confortáveis. A temperatura da minha casa está normalmente nos 21°C durante o Inverno e tenho tido sorte porque ainda não faltou a electricidade. Tenho vários amigos que estão em regiões em que estão a fazer cortes cíclicos porque não há electricidade suficiente a ser produzida para fazer face às necessidades. 

Memphis está efectivamente parada porque não há infraestrutura para lidar com um nevão destes, dado que são coisas muito raras. As autoridades aconselham a não sair de casa porque as ruas não estão transitáveis, dada a quantidade de neve.

Foi em 1963 que Memphis teve a temperatura mais baixa registrada, que bateu os -25°C (mas só começaram a registrar em 1941). Parece que o record ficará intacto; mesmo assim não é normal. Depois desta tempestade, vamos ter mais outra que chega na Quarta-feira e continuará na Quinta. Nos últimos três dias recebemos 13,5 cm de neve e estamos à espera de mais uns 12 cm, que irão estar misturados com chuva de gelo. Por sorte, não será tão fria.

Infelizmente, já houve uma vítima fatal. Uma menina de seis anos caiu num lago gelado e o irmão de 10 anos tentou salvá-la e morreu. A menina está no hospital em estado grave ligada a um ventilador.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Bolos e bolinhos

Estava a tentar responder a um comentário num post anterior, mas não consigo porque o Chrome e o Safari não funcionam muito bem com o blogger, quando se está num MacBook. No entanto, gostaria de deixar aqui a informação pedida. Talvez já tenham reparado pelo que escrevo que o meu sistema digestivo avariou há quase dois anos e deixei de poder comer certos ingredientes. 

Não é de todo uma questão de moda ou até de mania da minha parte porque quando como as coisas que comia, fico bastante doente fisicamente, desde manchas na pele, a borbulhas na cara, retenção de fluídos, acumulação de magnésio, dores nas articulações, etc. Mesmo mentalmente fico cansada e não estou tão alerta.

Há uns meses descobri um livro de bolos e bolachas que tem sido bastante bom para mim, o Sweet Laurel. É o livro de receitas de uma loja de bolos na Califórnia, que foi fundada por uma rapariga que tem a doença de Hashimoto, uma doença que afecta o sistema imunitário. Não julgo que seja esse o meu problema, mas a mudança da dieta que resulta para ela também resulta para mim. A parte boa deste livro e destas receitas é que sabem a comida normal e não usam gomas, nem coisas muito esotéricas na maior parte dos casos (eu não cozinho com matcha, colagéneo, adoçantes marados, etc.).

Ultimamente, para o pequeno-almoço tenho feito estes popovers, que irão sair no novo livro de salgados, o Sweet Laurel Savory. Também já fiz este bolo de citrinos e saiu muito bem, só é preciso ter em atenção o tempo de cozedura porque não é o mesmo para todos os fornos. Note-se que os bolos sem glúten tendem a colar-se a formas, logo convém forrar com papel vegetal. 

P.S. Isto não é um post patrocinado.

   

Versão 2.286

Segundo o que leio por aí o novo plano de desenvolvimento económico para Portugal é o perdão da dívida soberana, que suponho irá fortalecer a política normal de cativações do governo, que foi o segredo do crescimento dos últimos cinco anos. A continuar assim, um dia destes vão convidar o António Costa para fazer parte do elenco da sequela do Dumb and Dumber, que talvez se chame Dumb, Dumber, and Dumbest, traduzido para português como Três Idiotas em Apuros.

Dívidas soberanas são normalmente consideradas instrumentos de poupança de alta qualidade. A portuguesa não é lá muito boa, mas se se fala em perdão, então fala-se essencialmente que é lixo. Está bem que algum do lixo português é detido pelo BCE, mas se se dá perdão a Portugal então outros países vão querer o mesmo tratamento. 

E depois vão fazer o quê, exactamente? Continuar com a vidinha de sempre de pedinchar à UE ou emitir dívida para financiar despesa corrente, ao mesmo tempo que insultam quem financia Portugal e elogiam o milagre económico do empobrecimento contínuo de há duas décadas. Funciona à primeira, mas estas coisas tendem a não funcionar muitas vezes. 

A UE nunca recuperou da crise da dívida soberana e está bastante atrasada na recuperação económica da pandemia, logo a boa vida acabou e não há grande margem para cometer os erros do passado. Portugal tem três opções: acelera o processo de empobrecimento, mudança forçada, ou mudança voluntária. A terceira opção não é exequível porque não há liderança para tal, logo resta-nos as duas primeiras. 

Nas redes sociais, vê-se muita gente a pedir informação de como emigrar para outros países, assim que a pandemia aliviar. Quanto mais pessoas saírem, menos pressão haverá para haver mudança, logo resta-nos a primeira hipótese: aceleração do processo de empobrecimento.