terça-feira, 18 de maio de 2021

Azul

Estou ao pé do mar, mais perto de vocês, no Gulf State Park, no Alabama, onde há uma pousada mesmo à beira mar. É um dos edifícios mais interessantes do mundo não só pela sua história, mas também pela construção. A Lodge at Gulf State Park original foi destruída pelo furacão Ivan, de categoria 5, que atingiu os EUA em 2004. Depois em 2010, esta zona foi outra vez atingida por uma catástrofe com o derrame de petroleo do Deepwater Horizon. O estado do Alabama pegou no dinheiro da indemnização do derrame de petróleo e reconstruiu a pousada, que abriu há cerca de dois anos e meio. 

O edifício é uma fortaleza, construído de forma a resistir à maior parte dos furacões. O furacão Laura, que atingiu a zona em Setembro do ano passado, fez poucos estragos, apenas danificou uma porta e a electricidade ficou cortada durante uma semana. Dois dos edifícios do Gulf State Park, incluindo a pousada, foram distinguidos com vários prémios de conservação do ambiente. Ou seja, é um dos edifícios mais verdes do mundo, o que é engraçado dado que quando se pensa em protecção do ambiente, o Alabama não vem mesmo à ideia.




segunda-feira, 17 de maio de 2021

Vivi pela arte

Na reunião de moradores da nossa vizinhança, que se realizou hoje, tivemos um curto recital da Opera Memphis, a companhia de ópera local, patrocinado por mim. Estava um dia glorioso. Eu que sou meio tosca, estive a trabalhar até quase à hora da reunião. Aliás, até troquei as horas, o que é normal para mim: pensava que era às três e era mesmo às duas. Por sorte, terminei de organizar o trabalho uns minutos antes (tive de trabalhar um bocado para ter tudo alinhavado antes de ir de férias) e fui ver o último boletim da vizinhança e lá estava: era às duas e faltavam 5 minutos. Troquei de camisola à pressa, apanhei o saco e saí porta fora. Só que o Julian tinha percebido que era para sair e ficou super-entusiasmado com a ideia. Antes de poder sair, tive de andar a correr de porta para porta a ver se lhe escapava, porque não dava mesmo para levá-lo, senão não conseguia prestar atenção a nada.

Fui a casa da minha vizinha, bati à porta e entrei esbaforida, dado o meu atraso. Temos de ir, temos de ir, dizia eu... A mãe dela, que estava a recusar-se a ir, concordou em sair até de sapatos de quarto--ia no carro, não fazia mal, disse-lhe. Apanhei-a mesmo desprevenida, o que foi sorte, porque estávamos com medo que não quisesse mesmo ir. Desde que se instalou a pandemia que, com os cuidados extra de a manter segura, quase que não sai de casa, o que acelerou a sua demência. Mas, pronto, dá-se um jeitinho e lá vamos conseguindo que ela faça algumas coisas mais audaciosas.

Penso que estariam perto de 50 pessoas no parque do gazebo. A reunião atrasou-se um pouco e a ópera só começou depois das três da tarde, mas todos ficaram e participaram. tinha pedido que cantassem Puccini, mas o especialista em Puccini estava doente e fomos brindados com Verdi, Bizet, Rossini, musicais da Broadway... Foi magnífico, na mesma e houve duas coisa que me fizeram felizes: a primeira é que os dois cantores da Opera Memphis ficaram muito contentes com a recepção que tiveram; a segunda é que, no final, uma das minhas vizinhas veio agradecer aos cantores e disse que as suas interpretações lhes tinham aberto todo um mundo. 

Quanto a mim, tantas vezes me agradeceram durante o espectáculo, que agora toda a gente sabe quem sou. E eu que sou uma pessoa tão privada, mas não havia volta a dar-lhe: se eu não visse um espectáculo de ópera este ano, dava-me qualquer coisa má.  No final, conversei com os cantores e eles informaram-me dos programas que estão agendados. O calendário está a normalizar -- estamos a aprender a conviver com o vírus. 

A Ópera Memphis tem das pessoas mais simpáticas que já conheci. Sempre que lhes faço uma doação, mesmo qualquer coisa pequena, enviam sempre uma nota muito amorosa a agradecer. Nota-se mesmo que gostam do que fazem e esforçam-se por servir a comunidade. É muito gratificante apoiá-los.



domingo, 16 de maio de 2021

Culpa das rosas

Passei grande parte do dia a trabalhar no jardim. Aquilo nunca mais acaba e nem consigo decidir se gosto ou não do trabalho até aqui realizado. Em princípio, à medida que o jardim amadurece, as coisas irão ficar com outro aspecto e a escala das plantas irá ser diferente. Não sei o porquê de pensar nisto, dado que pior do que o que estava não ficou (antes tinha relva plástica, ideia da dona anterior). Para além de que, a passarada parece estar a apreciar todo o meu esforço. 

Hoje apareceu um colibri que ficou suspenso quase à minha frente, com as asinhas a bater a 1000 à hora, como se estivesse a perguntar se lhe tinha preparado a refeição. Fiz tudo direitinho: bem sei que o jardim ainda não tem muitas flores, mas meti comedouros de colibri e plantei duas dedaleiras que comprei já em flor e tenho mais plantadas, mas que ainda não floriram. Ele lá foi a uma dedaleira e desamparou a loja.

Enquanto tratava da porção do jardim da parte da frente de casa, passou uma vizinha, que vejo amiúde, a passear o seu cão, mas com quem nunca tinha conversado. Não é que eu seja antipática ou difícil (às vezes sou, mas só quando dá jeito), mas a senhora está sempre com pressa e raramente sorri, logo presumi que nem valia a pena meter conversa--também quase que não houve oportunidade. 

A propósito das minhas roseiras que estão a abarrotar de flores, hoje ela iniciou conversa -- as roseiras dela não têm muitas flores e estão infestadas com uns bicharocos. Disse-lhe que tinha aplicado fertilizante nas minhas, o que ela achou revolucionário, como se nunca tivesse ouvido falar. No entanto, a vizinha disse que aplicava muito pesticida nas dela por causa dos besouros. O único pesticida que meti nas minhas foi uma solução de sabão, mas já deve ter desaparecido com a chuva. Fiquei de lhe dar o nome do fertilizante das roseiras e, ao fim da tarde dei um pulo à loja de ferragens, pois precisava de comprar sementes para os pássaros, e comprei um saco para lhe oferecer.

Quando nos despedimos, perguntou-me o nome e depois disse-me que se chamava Ming, que penso ser chinês. Da próxima vez que conversar com ela, talvez lhe pergunte de onde ela é.

Julian vai às compras à loja de ferragem

 

 

sábado, 15 de maio de 2021

Mascarar ou não

A Administração Biden decidiu esta semana publicitar a decisão dos CDC de informar as pessoas que estão vacinadas que podiam andar sem máscara tanto dentro como fora de edifícios. O Anthony Faucci tem estado praticamente ausente da comunicação social; em vez disso, são os políticos que dão a cara. É uma autêntica estupidez. A politização dos CDC foi uma das maiores críticas que foi feita ao Trump e até agora o Biden tem continuado a politizar a mensagem. 

Na companhia onde trabalho, reina a precaução e recebemos indicações que continua a ser obrigatório usar máscara em todos os edifícios onde trabalhamos e a regra aplica-se a empregados e terceiros que nos visitem. Pela minha parte não me afecta, pois continuo a trabalhar de casa, como tenho feito desde Março do ano passado.

Vou continuar a agir como se os CDC não tivessem efectuado a recomendação. Apesar de estar vacinada, acho que o custo de usar máscara nas poucas vezes que interajo com pessoas que não conheço é bastante menor do que ficar doente. Bem sei que o risco de ficar doente é menor com a vacina, mas se eu tenho a oportunidade de reduzir o risco ainda mais e o custo é baixo, não faz sentido para mim correr riscos desnecessários. Mas cada um tem a sua função de preferência de risco, logo os outros façam o que acharem melhor para eles. 

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Os coitados

Instalou-se em certo círculos dos EUA esta ideia de que é preciso proteger os coitadinhos do papão que aí vem. Na Califórnia, fala-se em desistir de oferecer aulas de preparação avançada para a faculdade para não prejudicar as crianças que são incapazes de frequentar essas aulas. Para certos segmentos da população, é completamente irrelevante ser o estado ou o sector privado a oferecer estas aulas, dado que estas famílias não estão sujeitas a restrições orçamentais. Quem irá sair prejudicado irão ser as crianças mais capazes cujos pais têm menos recursos. O que vale é que os americanos medem os resultados de tudo e julgo que não levará muitos anos para a Califórnia descobrir que, se implementar esta medida estará a prejudicar os mais vulneráveis, em vez de os proteger.   

Esta semana também se falou na criação de um novo sistema de projectos de interesse público à semelhança do que Roosevelt fez durante a Grande Depressão. Só que não há assim tanta gente à procura de emprego, bem pelo contrário. Neste momento, os EUA sofrem de falta de trabalhadores pois em bastantes partes do país, as pessoas preferem andar a viver de biscates ou do seguro de desemprego, do que de obter um emprego a sério, mesmo daqueles que oferecem benefícios a sério com conta poupança-reforma e seguro de saúde.

P.S. Esqueci-me de publicar. Tinha tanto sono...

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Da vergonha

Cá em casa há dois cestos enormes cheios de peluches de maior escala, depois há um ajuntamento de peluches mais pequenos. O que há é tralha e tinha pensado há uns meses que iria dar a volta aos peluches e dar a maior parte deles à filha de uma das minhas empregadas, que ainda é pequena. Pensei nisso hoje, enquanto a casa estava a ser limpa e fui a um dos cestos buscar peluches. Só consegui dar um e senti uma vergonha enorme ao olhar para a cesta e não conseguir dar mais. 

Aqueles peluches não são nada e são tudo. A maior parte foram oferecidos pelo meu ex-marido, há o Eeyore gigante que pede abraços, o Elmo que tem cócegas, o sapo Cocas que apanha moscas e canta, um sapo como o que eu tinha colocado na lista de casamento, mas que ninguém comprou, mas que depois comprámos. 

O sapo original foi confiscado pelo meu cão Alfred que pegava nele e fazia passeios, sestas, etc. Por vezes, o Alf deixava o sapo num quarto que acabava com a porta fechada e ele sentava-se à porta à espera que a abrissem. De tanto amor que teve, o sapo perdeu os olhos e ficou imundo. Tivemos de andar à procura de um sapo igual para o substituir. Encontrei um numa loja no aeroporto de Orlando e sempre que por lá passava, comprava um sapo para o Alf. Ainda tenho um que o Alf nunca recebeu porque morreu em 2016. 

Há também uns peluches que comprei especificamente porque me agradavam, mas tudo aquilo um dia ia ser os brinquedos dos meus filhos, aqueles filhos que nunca tive. Foi por isso que não consegui dar à menina os meus peluches. E senti tanta vergonha de a minha acção a ter privado da alegria de os receber. Talvez um dia destes consiga, não deve ser mais difícil do que perder o Alf.

 

terça-feira, 11 de maio de 2021

O corpo às avessas

No Sábado, resolvi arriscar e marcar uma massagem, que eu já não tinha uma há mais de um ano. Era necessária porque os meus músculos das costas estavam tão tensos que eu sentia o esqueleto a ser comprimido. De vez em quando, passo o tempo a procurar por massagistas na Internet. São criaturas raras os bons massagistas, mas há uns tempos tinha encontrado um spa aqui perto que fazia várias coisas que me interessavam, entre elas uma técnica que aqui se chama myofascial release.

Telefonei para fazer a marcação e ninguém atendeu logo tive de deixar mensagem. Passados uns minutos, telefonam-me e consigo fazer contacto. Perguntei para quando havia vaga e perguntaram-me se queria homem ou mulher. Era indiferente, respondi. Nesse caso, podia aparecer às 16 horas e eu marquei hora e meia. Também me deram indicação do preço: $145 pagamento a dinheiro ou $160 pagamento com cartão de crédito. 

Depois da marcação, enviaram-me um SMS a fazer as três perguntas do Covid-19 (se tinha sintomas de tosse, falta de ar, ou garganta inflamada, se tinha tido febre nas últimas 48 horas, e se tinha estado em contacto com alguém sintomático). As instruções de como chegar à marcação e entrar também estavam incluídas: estacionar o carro à porta e enviar um SMS a dizer que tinha chegado, ficar no carro até fornecerem a papelada que era preciso preencher, e quando entrasse, tinha de estar sempre com máscara, exceptuando quando estava de barriga para baixo, em que a podia retirar se quisesse.

Apareci 15 minutos antes da hora marcada e segui o protocolo. O meu massagista era o mesmo rapaz que me tinha telefonado. É muito raro ter massagistas homens, não porque não escolha, mas porque nos sítios onde vou muitas vezes só trabalham mulheres. Acasos...

Quando entrei na salinha perguntei até onde me devia despir. Isto porque apesar de eu costumar despir-me toda, há alguns tratamentos, como a integração estrutural, em que também se trabalha as fáscia, em que o trabalho é feito com roupa, dado que o massagista olha para a forma como andamos e nos movimentamos, para vir que 'reas do nosso corpo estão desalinhadas. Podes despir-te toda, disse ele.

Saiu da sala e fechei a porta e tranquei-a. Deitei-me na marquesa nua, mas debaixo de um lençol, e esqueci-me de destrancar a porta. Lá veio o rapaz que bem dava à maçaneta, mas a porta não abria. Levantei-me para destrancar, mas estava nua. Olha, começa bem, o moço ainda diz que o estás a tentar assediar, pensei eu. Ah e era um moço afro-americano e eu branquela europeia. Isto há uns anos era ilegal.

Pronto, lá me deu a massagem e muito teve para trabalhar porque eu tenho pouco mais de metro e meio, mas sou muito concentrada, tipo polpa de tomate. Gostei bastante do trabalho dele porque até incluiu as nádegas na massagem e muito raramente se encontra pessoas que façam. Até agora, só tinha tido uma pessoa que fizesse as nádegas e que foi a minha massagista no Noroeste do Arkansas. Ela até à barriga dava massagens. Era mesmo espectacular.

A certa altura da massagem, já as dores eram tantas que eu ria-me e ria-me. E ele ria-se de eu me rir de dores. E mandava-me respirar fundo para ir mais oxigénio para a zona que ele estava a massajar e eu ria-me, gemia, e espirava fundo... Que eu não me surpreendesse que fosse doloroso sentar-me ao outro dia. Não que fosse doloroso sentar-me, mas doeu-me o corpo todo o resto do fim-de-semana. Fiquei mesmo K.O. Aliás, sentia-me tipo o Rocky Balboa se devia sentir depois de uma luta com o Mr. T, daquelas que o Rocky perde.

Desde a massagem que viro o pescoço para trás, para ver se tenho mais flexibilidade e confere, logo valeu a pena aquela sessão de tortura. Quanto ao resto, o rapaz ainda não telefonou a dizer que eu o tinha assediado, mas quem sabe daqui a 20 anos.

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Síndrome do refresco Tang

O síndrome do refresco Tang é um fenómeno frequentemente observado em Portugal. Manifesta-se quando os portugueses fazem as coisas mal-amanhadas, na esperança de alguém meter água e as coisas acontecerem de forma a viverem felizes para sempre -- como o refresco Tang, claro.

Por exemplo, acordei hoje e tinha uma notificação do Twitter acerca de uma moça que tinha sido vítima de assédio e piropos por parte de um motorista. Ora, o assédio pelo que leio hoje em dia parece que não é ilegal; mas o piropo já está ilegal, por mérito da Geringonça.

Então se há uma lei, por que carga de água ainda há pessoas a mandar piropos? E quantas já foram multadas ou acabaram no xilindró devido a piropos? Como é que se implementou a lei do piropo, aquela lei que ia ser transformadora para a sociedade portuguesa, alguém sabe? É que isto das leis é um bocado mais complicado do que fazer refresco Tang. 

Finalmente, a polícia vai investigar estes crimes de piropos que têm sido relatados recentemente nas redes sociais?

domingo, 9 de maio de 2021

À conversa

Terminaram o telhado do vizinho, mas antes meti-me à conversa com um dos rapazes no meu espanhol trapalhão. Basta dizer olá em espanhol e eles ficam curiosos. Ora, este rapaz era muito interessante. Fazia muitas perguntas e comunicava muito à vontade, de igual para igual. Logo de início perguntou-me a idade e quando eu lhe perguntei a dele mandou-me adivinhar. Eu adivinhei 25 porque ele tinha dito que trabalhava neste negócio dos telhados há 6 anos, logo presumi que veio para cá pouco antes. Perguntei-lhe de onde era e disse-me que tinha vindo do México.

O tipo de perguntas que as pessoas da América Latina fazem é bastante curioso. Por exemplo, este moço, a quem não perguntei o nome, perguntou-me se eu trabalhava todos os dias e o que é que eu fazia nos tempos livres. Jardinava, respondi-lhe, dado que me tinha dito que o meu jardim era muito agradável. O que eu acho curioso é que os brasileiros nunca me fazem perguntas deste tipo, mas as pessoas dos países que foram colonizados por Espanha parece que não sabem que os fins-de-semana são reservados para o lazer em muitos países ocidentais.

sábado, 8 de maio de 2021

Telhados e lixados

O trabalho da substituição do telhado dos meus vizinhos começou hoje. Não demorou muito tempo até retirarem tudo e fizeram o favor de cobrir parte do jardim. A meio da manhã fui ver o progresso e ia-me dando uma coisinha má quando vi que uma das hortênsias estava cheia de lixo. Retirei tudo cuidadosamente. Não há crise, pensei. Desde que não estraguem as raízes, sobrevive, acho, porque na verdade nunca tive hortências, não sei quase nada acerca do assunto. Do lixo que retirei, notei que o telhado era super-levezinho, devia ser de muito má qualidade e duração e por isso decidiram substituir. 

sexta-feira, 7 de maio de 2021

A sorte

Depois de passarmos meses a fio enfiados em casa, tentando proteger-nos de uma coisa microscópica, o nosso planeta vai ser este fim-de-semana atingido por um bocado de um foguete chinês, do tamanho de um edifício de 10 andares. Não percebo nada destas coisas, mas parece-me ser uma coisa gigante e pesada e nem sabemos onde ou em quem vai cair. 

Por falar em coisas que caem, os meu vizinhos vão substituir o telhado, o que vai demorar três dias. Os telhados americanos são muito diferentes dos portugueses. São basicamente umas folhas que se pregam à estrutura de madeira. Super-rápido de colocar, mas como hoje tivemos uma tempestade ao final da tarde, devem ter adiado para outro dia. 

Nos últimos seis meses tenho andado a renovar o jardim, que fica colado à parede norte do meu vizinho. Estou a imaginar como é que vão substituir o telhado sem haver uns largos pedaços de telhado a cair nas minhas plantas. Para me animar, tento pensar que não faz mal se as folhas ficarem partidas, desde que a raiz esteja saudável, mas não me estava a apetecer ver o jardim escavacado.

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Hábito

Depois de um ano a escrever ao fim do dia, é difícil não pensar no que escrever... ao fim do dia. 

Hoje falei ao telefone com uma das minhas amigas que vive em Memphis e que eu já não vejo há mais de um ano. Apanhou Covid em Novembro, no jantar do Dia de Acção de Graças, mas só me disse agora. Não fiquei surpreendida, aliás, a razão de eu a não ver há mais de um ano é mesmo essa: eu achava muito provável que apanhasse porque ela encontrava-se com muitas pessoas. 

À medida que contacto com um círculo mais largo de pessoas, encontro muitas que já foram infectadas. Ninguém do meu círculo íntimo de pessoas ficou infectado até agora. Mesmo o meu vizinho que gere uma loja e tem contacto com dezenas de pessoas diariamente ainda não apanhou. Claro que não ter apanhado pode ser tão assustador como apanhar porque parece que vivemos com uma faca ao pescoço e estamos apenas à espera de ficar infectados. 

Vou proceder como tenho feito, avaliando os riscos dada a altura do ano. Até Setembro não acho muito perigoso, desde que tomemos as precauções que agora se tornaram habituais. Depois de Setembro, o plano é ser bastante cuidadosa e evitar contactos próximos desnecessários. Quanto ao trabalho, ainda não nos disseram quando é para começar a trabalhar no escritório, mas suponho que depois do 4 de Julho devem anunciar. O plano da Administração Biden é ter 70% da população vacinada até essa data.  

quarta-feira, 5 de maio de 2021

May the 4th be with you

Ontem foi o aniversário do "One Year Maybe"--hurra! Consegui terminar um ano de posts quase diários: houve um que me esqueci, outro que adiei para o dia seguinte, uns que me esqueci de publicar antes do final do dia... Em termos de assiduidade, estive dentro dos parâmetros de falhanço a que me sujeito.  Normalmente, contento-me com fazer as coisas 95% bem, dado que os últimos 5% necessários para atingir a perfeição podem sair bastante caros, logo não tem muita lógica estar a perseguir a perfeição.

A numeração tem um significado: o 2 refere-se ao facto de eu ter tentado fazer um projecto destes antes e não consegui terminar. Julgo que esse ano em que falhei foi o ano em que fiquei doente, pois comecei a ter reacções adversas a várias comidas. Os últimos três dígitos referem-se aos dias. E são versões porque representam a minha evolução ao longo do ano, o que eu estava a pensar na altura. Claro que a nossa evolução é contínua, em vez de discreta, mas sabe-se lá se a continuidade é realidade ou percepção. 

Também há outra particularidade engraçada, pois muitos destas missivas são escritas depois de eu me deitar e, às vezes já estou com bastante sono. Agrada-me bastante a ideia de escrever naquela altura em que se está menos alerta, entre o consciente e o inconsciente. O único problema é que houve alturas em que adormecia a escrever e até houve uma vez pelo menos em que adormeci antes de publicar.

É muito simpático receber os vossos comentários e tenho alguns para responder ainda, mas para isso tenho de mudar de computador. Normalmente escrevo do MacBook, que não me deixa comentar. É prático porque o computador liga-se bastante rapidamente.

Um ano depois e ainda estamos na pandemia. Estou bastante preocupada com os portugueses. A vacinação está bastante atrasada. O objectivo devia ser o de vacinar toda a gente até ao final de Outubro, o mais tardar Novembro. Parece-me ser o mais prudente, mas não vai acontecer. Eu sei que o problema é o mesmo noutros países da UE, mas ninguém obriga Portugal a ser lento e a gerir mal as coisas. Passaram meses a fio a fazer pirraça por causa do Trump estar a gerir mal a pandemia nos EUA, mas a Europa não teve um Trump e acabou por gerir pior. Que desculpa têm?

  

terça-feira, 4 de maio de 2021

Version 3.364

Estou muito chateada com o Bill e a Melinda porque anunciaram hoje o seu divórcio. Se é para me fazerm isto, o mínimo que podia ter acontecido era a Melinda ter tido um affair com um tipo jeitoso, mais novo, todo charme, sorriso que deixa uma mulher K.O.: alguém como o MorenoPorcu no Instagram, que dança ali todo dengoso, requebro para ali, lascívia para acolá. Seria melhor para a Melinda e para as mulheres em geral. Só espero que o Bill não ande a cortejar uma jovem de cabeça oca porque, se eu um dia o conhecer, ainda lhe digo umas verdades. 

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Version 3.363

Antes de mais chuva chegar, passeei o Morceguinho, mas não sei o que lhe deu, que parecia o Energizer Frenchie, não querendo vir para casa. Fizemos umas duas voltas à vizinhança e finalmente usei o meu poder de veto para bloquear uma terceira. Depois fui ao Fresh Market comprar alguns ingredientes para fazer outro bolo de chocolate e posso assegurar que continuo a ser um desastre na decoração.

Tivemos uma festa de aniversário muito engraçada, ao final da tarde, pois às 18 horas daqui já é 3 de Maio em Portugal, com um grupo pequeno de vizinhos. Claro que bebemos vinho português -- do Alentejo -- e champagne porque se não fosse o Napoleão, eu não estaria aqui. Eu vesti Red + White + Blue e Verde + Vermelho, obviamente. A pouco e pouco regressamos à normalidade e a contacto mais pessoal. O meus vizinhos fizeram-me poemas que declamaram, o que me emocionou bastante, apesar do cariz cómico dos textos; mas penso que captaram bem a versão actual da Rita. 

Viver nos EUA é muito especial. Desde que vim para aqui, a minha vida parece um filme. Há muitos dias em que o que me acontece não parece real e, no entanto, é. Não digo que todos os momentos sejam perfeitos ou bons, nem nos filmes o são, mas o que há frequentemente são momentos especiais, daqueles que queremos guardar.