quarta-feira, 4 de agosto de 2021

A cura da água salgada

Tive hoje a consulta de três semanas pós-operação. Tudo parece bem fisicamente, mas desde há a ultima Quarta-feira, que tenho tido bastantes dores. Penso que o problema foi eu ter comido algumas coisas geladas. No início, coloquei uma toalha húmida quente, mas como não passou a dor toda, tive a brilhante ideia de mudar para gelo, o que causou que doesse ainda mais. As indicações do pós-cirurgia diziam para mudar de gelo para quente a partir do terceiro dia, mas pensei que depois de passar o inchaço dava para meter gelo. Pensei mal...

Na Sexta-feira passada enviei um SMS para o médico, que me disse que meter gelo só piorava. Tinha de meter algo quente e também podia bochechar com água morna com sal, para além de tomar analgésicos. Ora tenho cá em casa sal português (Vatel, claro) e foi o que usei. Ajudou imenso. Por cima da minha cama, tenho um poster com uma citação da Isak Dinesen (Karen Blixen): "The cure for anything is salt water: sweat, tears or the sea." Confere...

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Experiências em economia

O Chuck Schumer, líder da maioria democrata no Senado, diz que chegaram a um acordo relativamente ao pacote de infraestrutura que supostamente irá estimular a economia. Não tenho qualquer dúvida que os EUA precisam de gastar dinheiro em infraestrutura porque muita está velha e, no mínimo precisa de obras de manutenção. Os americanos nesse aspecto são um bocado forretas e muita vezes deixam as coisas chegar até às últimas. 

No entanto, não sei se vai ajudar a economia ou criar mais problemas. Depois do estímulo fiscal que foi feito tanto pela Administração Trump, como pela Administração Biden, a pobreza diminuiu para 9.2%; em 2018, quando houve uma taxa de desemprego bastante baixa, tinha sido estimada em 11,2%. Actualmente, em vez de haver falta de empregos, há falta de empregados. 

A construção civil está cara e o inventário de casas bastante baixo porque não houve grande investimento depois da crise subprime. Desde o início da pandemia que há dificuldade em encontrar materiais de construção porque a procura aumentou com toda a gente a fazer renovações em casa e também porque muitos países estão com problemas com o vírus e instituem períodos de confinamento. 

Junte-se a isso o fenómeno da Airbnb e do Vrbo e depois o êxodo urbano por causa da pandemia, em que muitas famílias de posses compraram segunda casa. Também há mais investidores a comprar casas para arrendar, mas a preços mais altos. Gastar dinheiro agora em infraestrutura vai acabar por competir com o sector privado em tudo: trabalhadores, matérias primas, e obviamente financiamento. 

Ainda por cima, terminou a moratória no pagamento das rendas de casa este fim-se-semana, logo os mais pobres enfrentam o risco de serem postos na rua numa altura em que não há casas suficientes para arrendar a preços acessíveis. 

Entre gerar crescimento pelo sector privado ou público, é melhor por via do sector privado. Toda a teoria Keynesiana tem como premissa que o estado cria procura e emprego quando o sector privado não consegue dar conta do recado. Ou seja, não sei se este pacote de medidas não irá criar mais problemas, em vez de os resolver. Mas digamos que, do ponto de vista da disciplina de Economia, vai ser uma bela experiência.

domingo, 1 de agosto de 2021

Pobre falhada

Este fim-de-semana, não se pagam impostos em algumas compras por causa do regresso às aulas. É para ajudar os pais com as despesas com os filhos. Apesar de não ligar muito, acabei por sair e ir às compras porque precisava de comprar umas sandálias. Fui ao centro comercial aqui perto de casa e havia bastante gente; diria que apenas 20% das pessoas estava com máscara, mas os empregados estavam quase todos. 

Pode ser birra minha, mas acho uma grande inconsciência ir ao local de trabalho destas pessoas e não usar máscara. E ainda por cima, os empregados usam máscara durante horas a fio para poderem ganhar a vida, logo que desculpa temos nós de não usarmos durante os pouco minutos que lá vamos estar? Obviamente, também nos estamos a proteger a nós próprios, logo faz mais sentido ainda usar.

Acabei por comprar bastante mais do que planeava: três pares de sandálias, dois pares de calças de ganga, um conjunto calça-blusa de andar por casa, uma túnica, uns óculos de sol, e um conjunto saleiro-pimenteiro feito em Portugal em forma de repolho (acho que é da Bordallo Pinheiro, mas sob a marca da revista Southern Living). 

De manhã, fui ao cabeleireiro pintar o cabelo e, depois das compras, passei pela Barnes & Noble e comprei um livro de culinária chamado Ruffage. Durante as minhas compras, deixei o Julian no hotel para brincar com os outros cães e aproveitei para comprar um cartão de 10 sessões.

No total, gastei mais de $1500, o que até nem é mau de todo, pois temos de ajudar a economia. Para além disso, dizia eu a um colega meu de trabalho que nunca tive tanto dinheiro nas poupanças como agora. É no que dá passar 15 meses a trabalhar de casa e a sair pouquíssimas vezes. Bem sei que é muito dinheiro para Portugal, mas não vivo em Portugal não é verdade? E se tivesse talento para ser pobre, não tinha saído. Digamos que sou uma pobre falhada...

 

sábado, 31 de julho de 2021

Vacinar ou arriscar

Tirando as minhas idas ao médico e à farmácia, tenho estado quase sempre em casa desde que regressei de Oklahoma há umas quatro semanas. O certo é que o mundo deu uma reviravolta num curto espaço de tempo por causa dos dados que saíram acerca da variante delta. Nos EUA, está muita gente preocupada, mas em Memphis não tínhamos todos abandonado o hábito de usar máscara. E também temos a sorte de ter muitos parques naturais e trilhos no interior da cidade, logo, apesar do calor sufocante, dá para ir passear em zonas com bastante sombra.

Em Las Vegas, um senhor de 39 anos morreu num curto espaço de tempo, deixando para trás a noiva e cinco filhos. Antes de morrer, enviou um SMS à noiva a dizer "I should've gotten the damn vaccine". É daquelas coisas que aparecem em filmes, mas que não pensamos poder ser real. O curioso é que a rede local da Fox em Las Vegas passou a história, mas talvez não seja assim tão curioso, dado que a Fox tem boas notícias; a secção de opinião da Fox News é que é avariada.

Nas redes sociais, vejo que mais dos meus amigos falam em vacinas. Estamos a chegar ao ponto em que pelo menos 75% das pessoas em cada comunidade deviam estar vacinadas. Essa era a melhor protecção para todos nós. Comparar números nacionais e estaduais induz em erro porque há locais com vacinação mais avançada do que outros, logo ainda há pessoas desprotegidas, o que é ainda mais perigoso com a nova variante. Mas note-se que quem se vacina agora, com uma vacina de duas doses, vai ter de esperar umas cinco semanas até ter os benefícios máximos da vacina e isso coloca-nos em Setembro, que é quando as constipações, gripes, etc. começam a apertar.

   

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Não se aprendeu nada

Depois de ano e meio de pandemia, parece que não aprendemos nada. Os CDC aconselham agora que, mesmo quem está vacinado deve usar máscara quando em recintos fechados. Julgo que o uso de máscara nunca devia ter sido desaconselhado: por alguma coisa o pessoal médico usa máscara, mesmo quando não há pandemia. Mesmo assim, a maior parte das pessoas deviam perceber o conceito do mais vale prevenir do que remediar e já estávamos habituados à máscara, logo não custava muito continuar a ser cauteloso.  

Há que ter em conta que, se todos formos cautelosos, protegemos não só a saúde, mas também a economia e quer as pessoas queiram, quer não, precisamos de uma economia forte para recuperar das perdas da pandemia. Afinal, o dinheiro não cai do céu e alguém terá de assumir todas estas perdas. Para além disso, temos de assistir os que ficaram desempregados, doentes, etc., logo gerar receitas de impostos e aumentar os postos de trabalho é importante. 

Daqui a dias, vai acabar a moratória que permite aos arrendatários que se atrasaram no paramento da renda não serem colocados na rua. O mercado imobiliário está super-optimista e eu não sei como é vamos aterrar desta.


quarta-feira, 28 de julho de 2021

Hã?

Estava a ver as notícias acerca das vacinas do emigrantes em Portugal e nem acredito na maluqueira. Parece que só quatro vacinas é que são reconhecidas e quem não está vacinado pode entrar, mas tem de fazer quarentena, a não ser que apresente um teste negativo. Para sair de Lisboa, pode apresentar vacina, teste negativo, ou certificado de recuperação. E ainda tem de se usar máscara na rua.

Não tenho paciência para tanto paternalismo.

terça-feira, 27 de julho de 2021

Viagens na minha terra

Agora que estou vacinada e que as coisas estavam a normalizar, eu já tinha um rol de viagens para fazer. Comecei em Maio, com uma semana na costa do Alabama e, no início deste mês, fui passar outra semana a Oklahoma. Em Agosto, o plano é ir visitar Houston. Em Novembro, estava a pensar que podia ir a Itália visitar uns amigos e dar um pulito a Portugal. Finalmente, em Dezembro, era para ir a Nova Orleães ter com umas amigas. Também podia ir a Washington, DC,  lá para o Natal ou pouco depois para renovar o meu passaporte português e o cartão de cidadão, mas isso dependeria do consulado estar aberto e de haver vaga de atendimento.

Só que agora com estes números de casos actuais, não sei se será muito seguro ir a tanto sítio porque se os casos estão a aumentar no Verão, no Outono/Inverno a minha suspeita é que pode ficar bastante mau dado que a variante delta é pior, as pessoas estão fartas de ter a vida em suspenso e já nem máscara querem usar, e ainda há muita gente por vacinar, logo há margem mais do que suficiente para os números piorarem bastante. E depois, há muitas incógnitas se estamos fora de casa, pois sabe-se lá que restrições os governos locais poderão impôr. Tenho de estudar melhor os meus planos de viagem, mas até pode ser que as coisas se resolvam nas próximas semanas. Os picos de casos não duram muito tempo.


segunda-feira, 26 de julho de 2021

Insularidade

A Indonésia é neste momento o país em que a pandemia está a avançar mais rapidamente apesar de ser um país composto por milhares de ilhas. Mas é também um país populoso, com cidades que têm vários milhões de pessoas. Depois também têm costumes que não são muito apropriados para uma pandemia. Quando eu andava a fazer o doutoramento, tive uma colega de mestrado que era da Indonésia, que nunca tinha ido a um médico em toda a sua vida. Um dia começou a doer-lhe a barriga e, em vez de ir ao médico, reunia-se com os seus amigos para rezar a ver se melhorava. Não melhorou e teve de ser levada às urgências. O médico pensava que ela estava grávida, mas não, o problema é que tinha um tumor benigno do tamanho de um melão. Ela era uma pessoa com um nível alto de educação, logo presumo que ainda é pior com o resto da população.

O mais preocupante é que as notícias indicam que há bastantes crianças a falecer de Covid-19 na Indonésia por causa da variante Delta e a Indonésia já teve várias vagas de casos. Penso que é muito propável que o resto do mundo venha a ter uma evolução semelhante na população não-vacinada. Convinha acelerar o processo de vacinação para atingir pelo menos 75% a nível local. Receio que não se chegue lá, infleizmente...

domingo, 25 de julho de 2021

A bela vida no Tennessee

De Quinta-feira a Sábado, no parque de estacionamento da igreja Baptista ao pé da vizinhança, há um vendedor ambulante de hortaliças e frutas. A mercadoria vem de uns agricultores menonitas aqui do Tennessee, mas não me recordo exactamente de onde, e quem me informou da origem dos produtos foi o rapaz que me veio entregar uns vasos enormes que eu comprei no ano passado. Esse rapaz trabalhava na loja de jardinagem e o filho dos donos da loja de jardinagem é que é o vendedor ambulante de fruta. O rapaz disse-me que também ajudava nessa operação. Os americanos contam a vida toda.

Paguei-lhe $50 pela entrega: os três vasos tinham custado mais de $500 e foi porque estavam com 50% de desconto. Quando o senhor que me corta a relva viu o preço marcado de um ($299) olhou para mim com grande incredulidade; afinal ele só me cobra $30 para cortar a relva, mas costumo ser bastante generosa nos serviços que ele me presta. Correndo o risco de parecer intrometida e crítica das escolhas dos outros, já reparei que ele tende a não trabalhar quando acumula um bocadinho de poupanças.

Os menonitas são um grupo de pessoas parecido com os Amish, só que enquanto que os Amish não usam tecnologia moderna, ou seja, ainda vivem como viviam no século XIX, os menonitas usam algumas modernices, como telemóveis, automóveis, equipamento agrícola... Isto é mesmo uma definição bastante rudimentar porque a origem dos dois grupos é mais complicada. No entanto, foi assim que me explicaram há uns largos anos, quando eu estava num evento agrícola e vi um senhor menonita ao telefone, mas cujas roupas, corte de cabelo, etc. me pareciam estranhos, tipo amish.

Apesar de não haver muita variedade de produtos à venda, tudo o que oferecem ao público é muito saboroso e vistoso. Os tomates, pêssegos, beringelas, melancias, pimentos, etc., parecem tirados de um anúncio de fruta cara. A única coisa que não vendem é verduras. Ontem à tarde passei por lá e levei a irmã da minha vizinha que está de visita por causa da saúde da mãe. Ficou encantada com a aparência dos tomates porque na Califórnia, onde vive, não há tomates assim. A Califórnia especializa-se em tomates para ser enlatados. Estes que nós comprámos pareciam ser os Red Beefsteak e alguns "heirloom"(especies antigas), que são tomates para se consumir frescos, para além de poderem ser cozinhados.

Quando regressámos ao carro, começa a dizer "Now that I am here..." e eu pensei que ela ia elogiar a óptima qualidade de vida que se tem em Memphis, em que até se compra hortaliças perto de casa muito em conta, há muitas árvores, é tudo muito verdejante, não há filas de trânsito, etc. "... you could teach how to cook", termina ela.

sexta-feira, 23 de julho de 2021

Os bicharocos

Por indicação do veterinário, o Julian tem de ir ao quarto de banho mais vezes por causa da medicação que tomou para a laringite, logo visitamos com mais frequência o nosso jardim em progresso, o que até dá jeito para descansar os olhos do écran do computador. Enquanto estávamos nestas vidas, dei uma vista de olhos à bicharada que frequenta o éden caseiro. Há bastantes pássaros e tenho mantido uma lista das espécies que já consegui identificar, mas terei de a deixar para vos contar noutra altura. No entanto, posso-vos dizer que é mais fácil observar os pássaros no inverno e investigar o que são, pois não há folhas nas árvores; o único senão é que o espaço não é tão bonito.

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Eu bem dizia...

Em Junho, saiu um paper do NBER em que se discute um novo índice de actividade nos EUA e que é baseado nas estatísticas da formação de novas empresas. O número de candidaturas à criação de novas empresas atingiu valores máximos durante a pandemia e, decerto, irá afectar o desemprego. Se o pessoal anda entretido a criar empresas, então quer dizer que provavelmente não andará à procura de emprego, logo irá criar condições de maior escassez no mercado de trabalho. Quando os EUA começarem a dar vistos de trabalho, é quase certo que a imigração aumente. A única incógnita é se as grandes empresas irão conseguir convencer a Administração Biden a aumentar significativamente o número de vistos.

Mais empresas também significa maior inovação nos EUA (o contrário de Portugal, parece). A única coisa que me faz curiosa é saber se um grande número destas empresas tem a ver com a quantidade de influencers que se encontra hoje em dia. É impressionante ver as coisas a que se dedicam estas pessoas. De vez em quando penso, se é bom para a economia haver tanto influencer, mas depois concluo que devia haver a mesma reticência quando começaram a aparecer revistas e jornalismo de lazer. Parece-me que estamos mesmo a jeito para ter uns loucos anos 20 outra vez.

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Já nem é cómico

De há uns anos para cá, tenho receio de ir a Portugal, até antes da pandemia. Estando o país a empobrecer -- esqueçam a ideia de estagnação porque, se houvesse estagnação, não haveria crescimento da dívida -- a ideia de cativações era-me bastante assustadora por duas razões: a primeira porque foram feitas às cegas e a segunda porque toda a gente foi na onda e não havia oposição, nem escrutínio político. Então, imaginava eu que ia aí, tinha um acidente e ia parar a um hospital e não havia equipamento, ou pessoal para cuidar da minha pessoa. É que nos EUA hospital há sempre, até há helicópteros para lá chegar mais depressa. Pode custar uma fortuna, mas entre estar vivo com conta enorme a pagar ou morto sem conta, acho que prefiro a primeira hipótese. 

A notícia do Primeiro Ministro hoje, a dizer que está a contar com "a libertação total da sociedade" no fim do verão só alimenta mais os meus receios. É que ele não faz ideia nenhuma de às quantas anda, não é verdade? Depois de quase ano e meio de pandemia ainda andar a "prender a sociedade" só me diz que vêm aí cativações ao quadrado, sim porque a bazuca não é suficiente para pagar tudo. Quanto mais se adiar o funcionamento normal da sociedade e da economia, maior a conta. Note-se que uso a palavra normal de propósito porque temos um novo normal, logo já tivemos bem mais de um ano para aprender a viver com isto. 

Finalmente, um governo que todos os anos se contorce para celebrar a liberdade do 25 de Abril de 1974 admite que a sociedade que governa não é livre e ninguém sai para a rua. Não é cómico, é apenas prova de que os portugueses não sabem português.

terça-feira, 20 de julho de 2021

Dois meses

 O NBER anunciou hoje que a recessão da pandemia apenas durou dois meses nos EUA. Decerto que tal resultado se deve ao estímulo enorme que foi dado à economia americana tanto em política fiscal, como em política monetária e do qual não há precedente. Estando decidido que a economia começou a recuperar há mais de um ano, as perspectivas para mais estímulos ficam um bocado em banho Maria. No entanto, a administração Biden lá anda a tentar passar o tal plano de infraestrutura. Não sei se haverá mão-de-obra livre para a implementação do plano, se este passar a lei.

Será interessante ver como é que a economia irá normalizar. 

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Os medíocres

O Arkansas aqui ao lado é um dos estados em que a variante Delta de Covid-19 está a fazer mais estragos; também é um dos estados que tem uma taxa de vacinação mais baixa, na ordem dos 44%, o que é 1% a mais do que o Tennessee, onde eu vivo. Aliás, o TN apareceu esta semana nas notícias porque o estado decidiu terminar a campanha de vacinação de menores. O Jimmy Fallon até tem um slogan novo para o turismo do meu actual estado: "Tennessee: Come for the music, stay for the polio." Os americanos são muito bons a publicitar os seus próprios podres e a deixar passar a pior imagem do país.

A média semanal de casos no Arkansas é de 990, enquanto que no Tennessee é de 551. Um factor muito importante é o tamanho da população e o Arkansas tem 2,9 milhões de pessoas, enquanto que o Tennessee tem 6,3 milhões. Estes números são mais baixos do que os que se observam em Portugal nesta altura: média semanal de casos de 3110 pessoas para uma população de 10,2 milhões e 45% da população totalmente vacinada. 

Segundo me contam os meus amigos portugueses emigrantes ou que têm dupla nacionalidade como eu, quem leva a vacina no estrangeiro e entra em Portugal conta para as estatísticas portuguesas de vacinação, logo convém os emigrantes irem a Portugal este verão. Os portugueses são craques em aldrabar estatísticas para demonstrar que estão melhor do que o que realmente estão, mas como em tudo, algum dia iremos saber a verdade. Só que nem todos, porque decerto alguns morrerão pelo caminho. 

domingo, 18 de julho de 2021

Sem título

Como fiquei de molho esta semana, levei o Julian a passar três dias no hotel de cães, de onde o fui buscar hoje. Tem tosse, o que nunca aconteceu com nenhum dos meus cães. Ele tomou as vacinas em Setembro, mas não levou o reforço da Bordetella a meio do ano, logo talvez seja isso. Amanhã vou ver se o vet o vê. Claro que estas coisas só acontecem em véspera de fim-de-semana...

Depois de ontem ver o filme, hoje vi um documentário sobre a produção de O Amante do Jean Jacques Annaud, baseado no livro da Marguerite Duras. Quando fui a Oklahoma fiz o download do audiolivro em francês e ouvi parte no regresso, mas não cheguei a terminar. Até gostei do filme, apesar de ter sido muito criticado pela crítica. Suponho que, hoje em dia, no auge do politicamente correcto, nem o livro seria publicado, nem o filme seria feito. 

P.S. O post de ontem: não sabia que título dar a isto e adormeci a pensar nele.