terça-feira, 28 de junho de 2022

SCOTUS ataca de novo

A decisão de hoje do SCOTUS tem a ver com o caso de um treinador de futebol americano numa escola secundária que queria rezar no campo depois dos jogos da sua equipa. Este SCOTUS acha que sim, ele tem direito, o que contradiz decisões anteriores, condiciona o ensino do papel da religião nos EUA, e até a ideia da separação de religião e estado. Bem sei que pouco ou nenhuma separação existe quando no próprio dinheiro americano está inscrito "In God we trust", mas façamos de conta. 

Os americanos não seriam americanos sem uma enorme dose de espírito cómico pelo meio. O Samuel L. Jackson, no Twitter, perguntou se o Tio Clarence (o Juiz Clarence Thomas do SCOTUS) tinha intenção de repelir Loving vs. Virginia, a decisão que legalizou o casamento inter-racial. É que a esposa do Clarence Thomas é branca e ele é negro. O suspense...

Um dos meus amigos mais antigos aqui nos EUA é professor de estudos religiosos numa universidade estatal e lamentava-se no Facebook que, com a decisão de hoje, o currículo teria de ser alterado e as instruções do Departamento de Educação às escolas teriam de ser actualizadas. Um outro meu amigo respondeu-lhe que isto dura até aparecer alguém muçulmano que queira efectuar uma cerimónia religiosa ou um seguidor de Satanás que queira rezar ao diabo em público usando esta nova proteção do SCOTUS.

Efectivamente, há um movimento religioso nos EUA que se chama The Satanic Temple, fundado por Lucien Greaves, e que serve mesmo para usar comédia e sátira para promover igualdade, justiça social, e separação de estado e religião--é uma organização de lóbi. Em relação a Roe v. Wade, o Satanic Temple diz que, de acordo com a sua "religião", o aborto é um ritual religioso que tem o fim de promover a auto-determinação e a autonomia do próprio corpo, logo a sua proibição é uma violação da liberdade religiosa. Esta organização está a processar o estado do Texas por causa da proibição do aborto e a FDA para permitir o acesso a medicamentos que induzam o aborto. Siga para bingo.


5 comentários:

  1. Vexa escreve que: «Estou enojada com ambos os meus países.»
    Vá lá que não saiu «ambos os meus dois»... Sempre as minhas dúvidas cartesianas.
    Longe vá o agoiro, mas nem penso que vez alguma escreveria «ambos os meus países estão enojados de mim.»
    Coisa que ainda não entendi [reprimindo psicopatias, suas e minhas]: por que razão é que abandonou um paiseco no cu da europa trocando-o por outro no cu do planeta?

    Também ignora que "Rita" é um nome amaldiçoado. Não há "Rita" alguma com uma vida de Paz, de felicidade.

    Com estima,
    ao

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    1. Se, como parece, este comentário está fora do sítio a que, bem ou nal se destinaria, isso foi um lapso de gravação ou perdeu-se como nas amnésias em que é esquecido o próprio nome? (a) Isidro Dias

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    2. Mais abaixo, eliminei as repetições a este - o blogger estava tão lento que pensei que não tinha sido gravado.

      PS: Grande artigo, o que está mais acima.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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