segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Redação de redenção

Em Outubro de 2024, o mês antes de Trump ser re-eleito, sete estudantes da Universidade de Cornell supostamente violaram uma estudante, enquanto esta estava inconsciente. O caso é bastante perturbador: a estudante visitou um amigo na fraternidade Chi Phi, estando na altura supostamente embriagada (em inglês é intoxicated, que normalmente é embriaguês, mas não posso garantir). Deparando-se com a moça naquele estado, alguns membros da fraternidade convenceram-na a inalar quetaminas e a estudante ficou inconsciente.

Entretanto os membros da fraternidade partilharam num grupo de Snapchat que havia sexo grátis lá em casa, se havia alguém que quisesse ser servido. Mediante esta oportunidade "única", foram sete idiotas aproveitá-la -- todos brancos, mas alguns latinos. Os seus nomes: Matthew Ingalls, Jonathan Newell, Winston Lee, Gillio Lopes, Diego Sarabia, Scott Norris and Scott Kretzschmar. É verdade, há um Lopes.

A universidade, para além de demorar uma eternidade com o caso, decidiu que não conseguia provar crime (apesar de haver a conversa de Snapchat), logo nenhum dos estudantes foi levado a tribunal, e só dois foram expulsos. Para que se redimissem os que não foram expulsos, a universidade pediu-lhes que escrevessem uma redação. Uma redação de redenção é tão bom, quem imaginaria!

E a história ainda fica melhor porque desde o incidente, os casos de contacto sexual sem consentimento aumentaram de 11% nos inquéritos de 2021 e 2023 para 15% em 2025, de acordo com um estudo da universidade, que é mencionado num editorial do jornal da universidade (é comum as universidades americanas terem um jornal, que é publicado pelos estudantes de jornalismo da escola; as universidades americanas também costumam ter força policial própria) acerca deste caso.

O estudo tem várias métricas que pioraram de 2023 para 2025, e valeria a pena investigar se tal não se deveria a este caso em particular porque decerto que os rapazes se andaram a gabar dos seus feitos. Aliás, é chocante que o grupo de Snapchat tivesse dezenas de moços e nenhum se opôs ao que se desenrolou. O editorial condena a universidade pela forma como tratou o caso e também a responsabiliza por não só não ter salvaguardado a segurança dos estudantes, como possivelmente ter contribuído para a sua deterioração.

Há três dias a suposta vítima decidiu processar a universidade e os alunos envolvidos no caso e andamos todos em estado de choque com os detalhes que têm saído. Só vos digo que não é de admirar que as mulheres optem por ter menos filhos -- eu não tenho. Aliás perguntaram a 8 mulheres no TikToK se, num bosque, elas se sentiam mais seguras se encontrassem um urso ou um homem estranho, e 7 escolheu o urso.

E nem é preciso estar num bosque para algo correr mal: há menos de um mês tive um pequeno dissabor com um homem, que me atacou verbalmente. A modos que, nas últimas vezes que usei Uber e Lyft, deram-me a opção de escolher uma condutora mulher e eu aceitei. Mas talvez se o Uber e o Lyft pedissem aos condutores homens para escrever uma redação, as coisas melhorassem.

domingo, 20 de setembro de 2026

Rezar o terço

Estamos todos na expectativa do que vai acontecer ao Kennedy Center em Washington, DC, porque Trump quer demolir o edifício. Diz que as pessoas não têm noção de que o terreno é muito valioso, logo demolir faz sentido. Pelo sim, pelo não, juntou-se uma multidão em redor do edifício para o proteger--a tal Democracia em acção,-- mesmo depois de um juiz ter proibido a Administração de demolir o edifício--claro que todos sabem que a opinião de um juiz não impede Trump de mandar derrubar o monumento.

Entretanto, as guerras continuam, a inflação persiste, o ICE continua a perseguir pessoas e a detê-las sem justa causa, mulheres grávidas que sofrem abortos espontâneos são acusadas de homicídio, etc. Cerca de um terço dos eleitores que respondem a inquéritos continuam a apoiar Trump. É sempre um terço que apoia líderes malucos, o que me leva a especular que, quando se diz rezar o terço, o objectivo é pedir aos deuses que nos livrem deste terço de dementes.