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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Acção assustadora à distância

Na semana passada foi publicado um estudo que contradiz a asserção de Einstein de que não era possível que duas partículas em dois sítios diferentes no universo e sem qualquer ligação pudessem ter comportamentos relacionados, i.e., o comportamento de uma partícula era influenciado pela outra, apesar de estarem separadas e de não comunicarem. Dizia Einstein que, se tal acontecesse, seria um caso de "acção assustadora à distância" ("spooky action at a distance"). Einstein duvidava que tal efeito existisse porque achava que "Deus não joga aos dados com o universo".

The New York Times descreve assim a experiência:

The new experiment, conducted by a group led by Ronald Hanson, a physicist at the Dutch university’s Kavli Institute of Nanoscience, and joined by scientists from Spain and England, is the strongest evidence yet to support the most fundamental claims of the theory of quantum mechanics about the existence of an odd world formed by a fabric of subatomic particles, where matter does not take form until it is observed and time runs backward as well as forward.

O estudo saiu na revista Nature, na Quarta-feira passada, no mesmo dia que o Presidente da República indigitou Pedro Passos Coelho Primeiro-Ministro, em Portugal. Eu já suspeitava que existia um mundo estranho em que coligações políticas não existiam até se provar que elas não existiam mesmo, que é mais ou menos a altura em que passavam a existir porque algures no futuro existiriam. É como se a sequência temporal da coisa não tivesse nenhuma orientação pré-definida.

O conceito de "acção assustadora à distância" parece que se aplica a muito mais coisas do que partículas sub-atómicas. Eu, que estou a 7.690 Km de Lisboa, assusto-me sempre que António Costa faz qualquer coisa. E mais assustada fiquei quando soube que António José Seguro teve de ser operado de urgência na sexta-feira. O coitado até estava nas Caldas da Rainha, nem era em Lisboa, mas lá teve de ir parar. Lisboa não é um bom sítio para Seguro: foi lá que foi humilhado e agora foi operado. Aposto que nem sequer um Segurista o irá visitar. Se houvesse floristas nos hospitais portugueses, como há nos EUA, eu mandar-lhe-ia um ramo de flores para ver se o animava e criava uma "acção simpática à distância".

Há, no entanto, uma nuvem nisto tudo: para fazer a experiência, foi usado um sistema electrónico para introduzir a componente aleatória das medidas. E sempre que humanos geram coisas aleatórias, elas podem não ser mesmo aleatórias, mas, sim, pré-determinadas. É um bocado como nós, portugueses, descrevemos o "nosso fado".

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Cientistas a sério

Estou a ler um post no ExtremeTech acerca de energia negra (dark energy). Segundo o autor, que não tem formação em física, apenas é formado em biologia molecular, nenhum cientista sabe exactamente o que é energia negra, nem como funciona, e a certeza da sua existência é talvez de 99,996%. A certa altura do artigo, diz-se isto:

You’ll notice that there is a lot of speculation in this field, and a lot of wishful thinking. How do we know that dark energy isn’t another of Einstein’s cosmological constants, a fictional concept invented to shore up a failing theory? Why couldn’t dark energy be just another foolhardy attempt to explain away inconvenient observations?

Imediatamente pensei no que dizem acerca dos economistas e da economia não ser uma ciência a sério porque as ciências duras é que têm todas as ferramentas bem identificadas e o progresso no conhecimento é feito com confiança. Agora alguns de vocês irão dizer que o problema é que quem escreveu o post não é físico (muitas pessoas que escrevem sobre economia não são economistas).

Eu gosto muito do Brian Greene, que é especialista em Teoria dos Cordéis (String Theory). Às vezes tenho pena dele pois até me parece que ele anda com o cordel ao pescoço por causa dos resultados do acelerador de partículas. Ouvindo-se o Brian Greene, nesta entrevista de 2011, também se fica com a mesma impressão do post...

Não posso deixar de pensar que esta malta de física até parece a malta de economia: não sabe nada. E parece que até o Einstein se enganou!