quinta-feira, 21 de março de 2013

Fantasias

Com certeza por preconceito meu, nunca li os best sellers do momento. Nunca abri um livro do José Rodrigues dos Santos, nunca li uma página dos aclamados romances do Miguel Sousa Tavares, nunca li o “Código da Vinci” do Dan não sei das quantas, acho que nunca peguei num livro do Paulo Coelho. Eu sei, eu sei, a falha é minha. No outro dia, ao folhear a revista Sábado, deparei-me com um artigo intitulado, salvo erro, “As fantasias sexuais das mulheres”. Mulheres dos 30 aos 50 anos, casadas, mães, divorciadas, solteiras falavam com grande entusiasmo do best seller do momento, refiro-me, claro, às “Cinquenta Sombras de Grey” da escritora britânica E. L. James. Fiquei curioso. O livro parecia funcionar como uma espécie de revelação. Por exemplo, uma dessas senhoras, de 38 anos, casada, um filho, gestora de sucesso, resignada à regularidade do “sábado à noite”, encheu-se de repente de desejos após a leitura do livro. Estava em Milão aquando da revelação e, confessa, desejava ardentemente muitos dos homens com quem se cruzava na rua. Pois bem, pus-me a ler o dito cujo a ver se percebia (e aprendia) alguma coisa.
Anastasia Steele, uma jovem de 21 anos, morena, virgem (pormenor importante), prestes a acabar o curso, desajeitada, insegura mas, claro, gira, conhece o misterioso e intrigante Christian Grey, um jovem empresário bilionário de Seattle, “super bonito”, cabelos pretos, alto, ombros largos, ancas estreitas, pernas compridas e musculadas, abdominais proeminentes (este é, como sabemos, o ideal de beleza masculino do momento, ou melhor, o ideal de beleza masculino de todos os tempos, sim, a magreza masculina foi uma moda fugaz, condenada a durar pouco tempo porque contrariava os “fundamentais da natureza”). E a pobre Anastasia, conduzida pelo atormentado e dominador Grey, descobre prazeres que nunca imaginou sequer serem possíveis, nas mais variadas posições, com os mais variados objectos e nos mais variados lugares, enfim, 547 páginas com muitas instruções e muitos orgasmos pelo meio. Vou a meio do livro e já começo a ficar cansado, acho que não vou conseguir chegar ao fim - ah, é verdade, e este é o primeiro de uma trilogia, é dose…

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