segunda-feira, 17 de junho de 2019

Futuro próximo

O futuro próximo vai ser largamente determinado pelo que acontece nos EUA. Se seguem o mercado accionista americano, devem ter percebido que o chamado bull market foi interrompido. Desde que o Presidente Trump começou a dicutir tarifas de comércio internacional que o mercado desce, depois sobe, depois desce, mas não consegue ultrapassar os máximos que atingiu.

Os indicadores económicos da economia americana perderam o fôlego do corte nos impostos e desde o shutdown de 2018/19 que não dá para perceber se as coisas estão tão bem como indicam nuns meses ou tão mal como indicam em outros. Para além disso, quando a taxa e desemprego está a mínimos de décadas é difícil imaginar de onde virá a mão-de-obra necessária para alimentar a expansão, pois se quem está fora do mercado ainda não entrou, é porque deve ter alguma limitação.

A dinâmica do comércio internacional também contribui para a confusão: como as empresas e os consumidores não sabiam quando estariam sujeitos a tarifas, assim que se aperceberam das intenções da administração americana alguns anteciparam compras para tentar evitar ter de pagar tarifas, ou seja, apesar da imposição de tarifas ser uma política desaceleradora da actividade económica, a curto prazo pode ter o efeito contrário e acelerar.

Depois há as eleições presidenciais daqui a menos de 18 meses, que irão criar uma confusão enorme na comunicação social, pois é esse o modus operandi de Donald Trump. Só que desta vez o efeito surpresa não estará do lado dele e se em 2016 ele era o underdog, agora é a pessoa que está no poder e como passou os últimos anos a insultar e a passar políticas que prejudicam os eleitores que votaram nele, é natural que tenha dificuldade em convencê-los.

Nem tudo é negativo, pois a Reserva Federal tem alguma margem para actuar, só que como o Presidente acha que as taxas e juro deveriam ser cortadas para estimular a economia, há alguns problemas que se levantam. O primeiro é que um corte iria levar a que se questionasse a independência do Banco Central. E depois se a economia está com baixo desemprego e a taxa de crescimento anda em torno da média, a única verdadeira razão para actuar seria para tentar criar mais inflação, coisa que a Reserva Federal costuma engonhar.

Se a economia americana ainda está a expandir, então em Julho esta será a expansão mais longa da história dos EUA. Se pelo contrário a recessão já começou, então poderá levar vários meses, talvez mais do que um ano, até que o NBER faça o anúncio, mas se entretanto as taxas de juro forem cortadas, então teremos clara indicação de que estamos em recessão.

Quem acompanha as notícias internacionais, já deve ter reparado que há duas coisas das quais se fala muito: uma é o efeito das alterações climáticas e a outra é a quantidade de resíduos plásticos no oceano. Para além de políticos da ala conservadora americana terem deixado de questionar as alterações climáticas, as companhias petrolíferas mundiais também já tornaram público o seu apoio a políticas para gestão das emissões de carbono.

No lado dos plásticos, formou-se há menos de um ano um consórcio global de empresas que têm o objectivo de melhorar a tecnologia de reciclagem de plásticos e a sua infraestrutura. Claro que tal esforço coincidiu com a China ter deixado de comprar residuos plásticos para reciclar. Para além disso, começam a haver start ups que têm o objectivo de reiventar a cadeia de produção/distribuição de forma a reduzir ou eliminar o consumo de plásticos, como por exemplo a Loop, que está a estudar o uso de embalágens de aço reutilizáveis para embalar shampoo, gelados, cereais de pequeno almoço, etc.

O mundo está a mudar rapidamente e apesar da Administração Trump tentar relaxar a legislação ambiental, são as próprias empresas que resistem e tentam estar um passo à frente dos consumidores. É que na era digital, as empresas que se portam mal correm o risco de serem ostracizadas a nível global. Para além disso, já deu para perceber que é só uma questão de tempo até haver um esforço mundial para lidar com as grandes questões ambientais.

Não sei se Portugal está preparado para as mudanças que por aí vêm, até porque não se ouve ninguém dicutir temas sérios da actualidade. Até é duvidoso que os políticos portugueses saibam o que se passa no resto do mundo.

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