quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Marés e desaventuras

Finalmente, os resultados das eleições intercalares americanas estão a ser contados e a maré parece estar a mudar. Penso que o James Talarico vai vencer e o Texas vai ter um senador democrata. Pelo jeito da coisa, eu apostaria que ele será o candidato democrata à Presidência daqui a dois anos: vai fazer exactamente o que o Obama fez: usar a eleição para o Senado para se projectar nacionalmente. E, sendo ele do Texas, facilmente ganharia uma eleição presidencial. A Georgia elegeu a primeira mulher negra para o cargo de governador--um marco histórico! E o Tennessee também vai ter uma mulher governadora, mas espero que a Marsha Blackburn perca. Para mim, o mais importante das eleições intercalares é que há bastantes candidatos democratas que parecem ser pessoas decentes--note-se que eu disse bastantes, não disse todos, já os republicanos têm os malucos do costume.

Por falar em decência e pessoas decentes, gostaria de dar a minha opinião acerca do que se passa em Portugal. O Luís Montenegro é completamente idiota e incapaz. Não se percebe como é que as forças policiais se estão comportar desta forma e ainda não houve demissões ou ordens a bloquear a violência policial. Também não entendo o papel do Presidente da República, que foi eleito exactamente para defender a Constituição e evitar que uma situação deste tipo acontecesse. Um André Ventura na presidência com uma porção significativa de polícias que gosta do Chega não seria seguro para o país. Afinal, as pessoas votaram Seguro e agora acontece esta desventura. Não me contive...

Quanto ao teor em si das manifestações, não acho que tenha grande mérito. Os portugueses são irrealistas, não dá para toda a gente viver em Lisboa e Porto. Há casas em conta nas zonas mais rurais e nas cidades mais pequenas. Nas cidades maiores, antigamente, era normal haver pelo menos três gerações a morar juntas ou as pessoas alugarem quartos; hoje em dia, tudo quer casa própria. O Fernado Pessoa arrendava um quarto em Lisboa, não tinha casa própria.

No entanto, os manifestantes têm razão que as políticas governativas pioram a situação, em vez de a melhorar. Não faz sentido Portugal ser o país da Websummit e não ter uma política que promove o trabalho à distância, que tenha criação de infraestrutura para as pessoas quererem viver em cidades mais pequenas, ou até aldeias. Em muitos países, é normal as pessoas reformarem-se e irem viver para sítios mais baratos. Em Portugal quer tudo ficar no mesmo sítio.