segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O juramento

Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido e ─ depois de recolher e processar cuidadosamente toda a informação disponível, caso conclua que os custos de não o fazer sejam maiores do que os custos de o fazer ─ defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República.
Aníbal Cavaco Silva, 9 de Março de 2011

MAIS UMA GALGA…

por Cristóvão de Aguiar


Fico néscio, irritado, azedo e o mais que se quiser pôr na carta com a obscena em­bustice, muito bem concebida e regada com penicos de retórica e de circunspecta astú­cia que, há pouco, nos atirou à cara, na pre­sença da Ministra das Finanças, sua irrevogá­vel recém-ini­miga figadal e agora colaça, o cristão velho, con­victo, de missa e comu­nhão regular, Paulo Portas, o paladino das feiras e das freiras, o mos­queteiro dos reforma­dos, idosos e pensionistas, o santo padroeiro dos humildes, dos sem-abrigo, o provedor dos pobre­zinhos, das viúvas e das donzelas de­sencaminhadas – sobre o fim da auste­ri­dade por ele decretada, em conferência de imprensa, sem que ne­nhum jornalista lhe tivesse ati­rado um sapato iraquiano como há anos fizeram a Bush filho… Um fino cultor do malabarismo da pala­vra, cristãmente enve­nenada, para se tornar mais corro­siva, que só o se­nhor Artur Lima, irritante figura quiasmática, na Ilha Terceira, do grupo da cristandade centrista, que não das ma­neiras delicadas e delico-doces do seu presidente de partido, como se viu nas últimas autárquicas sempre que se referia ao adversário Álamo Menezes, eleito Pre­sidente da Câmara de Angra, poderá deslindar em linguagem mais chã a razão ou as ra­zões por que o seu chefe mente tanto…  

Vou-me per­guntando, em passo estugado, se haverá cristianismo ou outra filosofia humana capaz de consertar ou concertar os caboucos esborra­lhados que o tempo e as gentes foram dei­xando ruir, esquecendo-se de os reerguer com pedras, argamassa e alguns dos princí­pios essenciais como o de lavar as partes pu­dendas e fazer a higiene oral antes da deita…

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Comentário no Diário Economico

"As crises, ao colocarem em causa os equilíbrios estabelecidos, constituem pontos de bifurcação de trajectórias anteriores. Apesar dos riscos e da perda de bem-estar para a generalidade da população, as crises abrem a possibilidade de regeneração estrutural às organizações, nomeadamente quando estas são entidades burocratizadas cuja evolução se deve mais à inércia do que à racionalidade. 

No contexto atual, a reforma da administração pública tem uma oportunidade única para se efetuar. Num contexto de redução salarial generalizada, a aceitação de um regime remuneratório dos funcionários públicos com uma maior proporção das remunerações variáveis, em função do seu desempenho, seria muito maior do que noutro contexto. Infelizmente, a opção é cada vez mais por cortes de despesa sem critério, a não ser o meramente contabilístico de curto prazo, desperdiçando-se, assim, o potencial que a aplicação de um sistema efetivo de avaliação de desempenho da administração pública poderia ter para a renovação da mesma."

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Cortes na função pública: uma jogada constitucionalmente arriscada, mas não condenada ao fracasso

Com o que ia lendo nas notícias, estava a pensar que as propostas do governo de cortes para a função pública não teriam qualquer hipótese de passar no Tribunal Constitucional. Até pensei que tinham mesmo como objectivo a declaração de inconstitucionalidade. Neste momento, penso que percebo o que tentam fazer. É uma jogada de risco, mas não é estúpida. Explico-me.

Até agora, em cada orçamento, o governo propunha o corte do tempo de Sócrates (que ia de 3,5 a 10%, a começar em 1500€) e mais algum corte adicional. Em 2012, foram dois subsídios e em 2013 foi um. Assim, se o TC declarasse o corte adicional inconstitucional, sobrevivia o outro corte, do tempo de Sócrates e Teixeira dos Santos, pelo que o rombo no orçamento era meramente parcial.

No orçamento para 2014, os cortes de Sócrates desaparecem. Em vez disso são propostos uns cortes alternativos que são bastante semelhantes ao de Sócrates. Até a fórmula matemática é igual.* A única diferença? São cortes bastante maiores, principalmente para quem ganha menos de 2500€/mês. Mas, tirando esta diferença de grau, os cortes são semelhantes aos de Sócrates, que têm passado sempre no TC.

Ao proporem um corte semelhante àquele que já passou por três vezes, aumentam a probabilidade de proporem algo que também passará este ano. A jogada é de alto risco, porque caso o TC declare os cortes inconstitucionais, o rombo no orçamento de 2013 é total e não parcial. Aguardemos.

* Vejam o comentário do Miguel Madeira, e as respostas ao mesmo, para uma correcção a esta afrmação.

O CATÓLICO PAULO PORTAS E A GUERRA COLONIAL (conclusão)

Por Cristóvão de Aguiar 

Sou um dos milhares de cidadãos portugueses que perten­cem à chamada geração da Guerra Colonial. Ainda estive tentado a es­crever o verbo no pretérito, mas, como tantos outros camaradas meus, ainda sofro, e sofrerei, as seque­las psicológicas que, durante os quase dois anos da minha estada no inferno da então chamada pro­víncia da Guiné portuguesa, para sempre me machucaram a mente e o íntimo. Assim, a geração da Guerra Colonial só termi­nará quando o último combatente fechar os olhos… Depois, talvez ela fique registada em nota de rodapé, num capítulo da Histó­ria do século XX português…

Existem, porém, milhares de outros que tiveram menos sorte e continuam a padecer ainda mais. Aqueles a quem se deu o nome de deficientes das Forças Armadas: muti­lados, cegos, que viram as suas vidas familiares desman­chadas, além de outras mazelas que os tornaram em seres viventes cuja vida pouco sentido tem. Para já não falar naqueles que tombaram na mata ao serviço de uma pátria apodrecida por um regime que mais não foi do que uma nódoa histórica pregada no peito do país durante cerca de cinquenta anos. 

De ambos os lados da bar­ricada, a guerra colonial foi intensamente cruel e ainda está a sê-lo para muitas cente­nas, ou milhares, que por lá andaram a esmigalhar os melhores anos da juventude. Isto de se falar em terro­rismo apenas do lado dos guerrilheiros tem muito que se lhe diga. As nossas tropas também o praticavam em grande escala. Sobre tudo isso, porém, era expressamente proi­bido falar. Havia ouvidos atentos a escutar, e existia medo, ignorância, e a cen­sura a compor o resto do rama­lhete, torcendo a verdade para construir a mentira oficial. Nem sequer havia guerra, afirmavam os donos do regime e os cabecilhas. Andávamos tão-só em missão de vigilân­cia nas pro­víncias ultramarinas, flageladas pelos “turras”, e que, como se devem lem­brar, constituíam o prolonga­mento natural da pátria, que ia do Minho a Timor, refrão patrioteiro, que então se entoava e que alguns ainda gosta­riam de conti­nuar a solfejar.

Havia, pois, uma mantilha de silêncio caída sobre o que ocorria nas três frentes de batalha. Pouco ou nada se sabia. As razões são múl­tiplas e não serão despiciendas as que já apontei: censura, medo, vigilância da PIDE, desin­teresse do povo em geral, que só lhe im­portava se tinha familiares que por lá combatiam — adeus, até ao meu regresso — e, quanto à maioria dos soldados, não sabiam, nem queriam saber, das razões que os haviam levado a ir matar e esfolar negros para um Continente que, segundo lhes martelaram desde a cate­quese da escola primária, constituía um património tão português como as suas aldeias da metrópole — “Angola é nossa”— tocavam as ban­das regimentais, nas cerimó­nias militares, por vezes acompanhadas por um coro de vozes vibrantes de patri­otismo…

Claro que havia quem estivesse a par das causas da situa­ção bélica em África. Principalmente muitos dos oficiais mili­cianos, saídos das Uni­versidades directamente para as fileiras, alguns por castigo, por terem intervindo activa­mente nas crises académicas de 62 e 69; os que haviam desertado antes que fosse demasiado tarde e seguis­sem para as cadeias políticas do regime então em vigor; havia ou­tros ainda que, mesmo na clandestinidade, ou em plena guerra co­lonial, pro­curavam passar informações de todas as maneiras e fei­tios que constituíam depois matéria-prima para a rádio Voz da Li­berdade, aos microfones da qual Manuel Alegre desempenhou um papel rele­vante de informação e formação.

Porém, o silêncio, prolongou-se em demasia. Ninguém, por mais ousado politicamente, se atrevia, em público, a falar da guerra co­lonial. A primeira vez que ouvi gritar “abaixo a guerra colonial” foi numa Assembleia Magna da Academia de Coimbra, cuja ordem do dia era a greve académica de 1969 que, logo a seguir se realizou com tal êxito, que havia de aba­lar o regime. Mas, o estudante que deu aquele grito de alma, sincero e lanci­nante, foi depois admoes­tado pelos próprios companheiros, por ter dado razões aos elemen­tos da DGS, infiltrados entre a multidão estudantil, como toda a gente estava farta de saber, e que nos acompanhavam na gritaria de vivas e morras, para que ninguém desconfiasse da sua presença, o que não era difícil... Até onde chegava a censura interior! A ju­ventude de hoje não poderá compreender essa atitude de uma pru­dência tal, que poderia facilmente confundir-se com cobar­dia…

E há ainda quem diga que perdemos a guerra por cobardia. Na mi­nha freguesia havia um ricaço da União Nacional que, sempre que falava com meu Pai, lhe tecia loas por ter um filho (eu) a combater pela Pátria. Um belo dia, depois de eu ter voltado há muito da guerra, meu Pai confrontou-o com o facto de o filho ter já catorze anos e podia ser chamado, que a guerra não tinha fim à vista… Fi­cou aterrado e respondeu-lhe, oh mestre, sou capaz de o mandar estudar para os Estados Unidos, para se livrar do flagelo… Não foi preciso. Uma, porque o rapaz era estúpido como um calhau rolado; outra, porque o 25 de Abril viera entretanto pôr fim ao conflito. Nem assim o ricaço se convenceu de que o regime de que era sócio e bufo não tinha futuro. Continuou a defender Salazar e o seu re­gime e, por vingança ignóbil, enviava todo o seu dinheiro para a América, comprando todos os dólares que as pessoas recebiam de suas famílias emigradas… Bem gostaria eu que Paulo Portas e o filho do ricaço da União Nacional se tivessem integrado nas filei­ras que a pátria deles alinhavam nos cais de embarque só para os outros…

The difficult case of Tózé Seguro's popularity

Aplicando para cada líder político o método descrito na entrada anterior, dificuldades inesperadas surgiram no caso de António José Seguro. Olhando para os dados, percebe-se a fonte dos problemas.

Como se pode ver no gráfico, com dados até meados de Setembro, a correlação do índice de popularidade da Eurosondagem com o índice das outras casas é negativa. Se admitirmos que existe uma variável latente que explique estes dados, chamemos-lhe Avaliação de Seguro, então, perante uma melhoria da Avaliação de Seguro, o modelo vai prever efeitos opostos na Eurosondagem e nas restantes casas.


Por outras palavras, suponham que, contas feitas, a Avaliação de Seguro tem correlação positiva com o índice de popularidade da Eurosondagem e negativa com as restantes casas. Assim, quando o Seguro subisse nos inquéritos da Marktest, da Católica ou da Aximage, o nosso modelo iria automaticamente considerar que a Avaliação de Seguro desceu. Convenhamos que não seria muito razoável.

Para resolver este dilema considerámos a hipótese de construir dois índices distintos. Um com base na Eurosondagem e outro com base nas restantes casas. Basicamente, sempre que um índice subisse o outro desceria e o leitor que escolhesse em qual acreditar. Acabámos por rejeitar esta solução e optámos por estimar o Filtro de Kalman impondo a restrição de os coeficientes associados à variável latente serem positivos. Assim, evita-se o paradoxo de ter uns índices sistematicamente a descer e a ter a nossa Avaliação de Seguro sistematicamente a subir. Não é a solução ideal, longe disso. Por esse motivo, os nossos índices sobre a Avaliação de Seguro devem ser lidos com toda a precaução e admitindo que podem estar totalmente errados.

No futuro, com novos dados, tentaremos rever as nossas contas e encontrar uma solução mais satisfatória.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Como o Popstar avalia os líderes políticos

Estimar a avaliação dos líderes políticos com base em sondagens é uma tarefa difícil e a principal dificuldade tem a ver com o facto de que casas de sondagens diferentes avaliam coisas diferentes. Há casas que pedem aos inquiridos que avaliem cada político numa escala de 0 a 20, Católica e Aximage, enquanto outras simplesmente perguntam se faz uma avaliação positiva ou negativa da performance de um político, Marktest e Eurosondagem, sendo que no caso da última, se inclui uma resposta neutra como opção. Assim, ao contrário das sondagens sobre intenções de voto, cada casa está a medir algo diferente.*

A nossa análise baseia-se no pressuposto de que há uma variável não observada, a que podemos chamar avaliação dos líderes políticos, que influencia os resultados de cada uma das casas. E, para manter o exercício simples, admitimos que essa relação é linear. Assim, o índice de popularidade construído pela casa de sondagens i, no momento t, terá a seguinte relação com a avaliação, que não observamos:

               Popularidadei,t = αi + βi Avaliaçãot + εi,t.                      (1)

Infelizmente, a variável em que estamos interessados é aquela que não se observa, a Avaliação. Para a estimar, temos de admitir alguns pressupostos sobre o seu comportamento e depois conjugar com a equação (1) — repare que temos várias equações: uma por cada casa de sondagens. No nosso modelo econométrico, pressupomos que 

               Avaliaçãot = Avaliação t-1 + ut.                                      (2)

Com todas estas equações, podemos usar o filtro de Kalman** para estimar uma série temporal com os valores da variável subjacente, a tal Avaliação dos Líderes Políticos. Finalmente, convertemos este índice de popularidade obtido numa numa escala de 0 a 20.

O gráfico com a Avaliação dos Líderes Políticos que podem encontrar no Popstar, é assim obtido.

* No caso da Católica e da Aximage, usamos a escala que propõem, no caso das outras duas usamos o saldo de respostas positivas e negativas.

** Os princípios base não diferem muito dos que já foram explicados aqui. A principal diferença é que não podemos tratar as casas de sondagem uniformemente.

O CATÓLICO PAULO PORTAS E A GUERRA COLONIAL (1)

Por Cristóvão de Aguiar

No primeiro Domingo de Maio de 2004, dia consagrado a todas as Mães, Paulo Portas foi de abalada, num avião da Força Aérea Portuguesa, à Ilha do Corvo. A televisão, como é uso nestes momentos assinalados, e avisada de antemão para dar a ideia de espontaneidade, lá estava, com câmaras e holofotes, para captar uma cena romanticamente fúnebre e difundi-la, na hora nobre do noticiário  para o país inteiro. Era então Primeiro-Ministro o Doutor Durão Barroso, também em vésperas de dar o seu gritinho de Ipi­ranga para a União Europeia, onde ainda se mantém já sem pedra e sem cal. Paulo Portas ocupava o Ministério da Defesa, com a tutela das Forças Armadas. Só se não entende a razão por que, em vez de um avião, não utilizou um dos seus famosos submarinos, ainda com alguns problemazitos para serem resolvidos pela Justiça. As gentes da Ilha do Corvo ficariam deslumbradas, como se fosse o dia de São Vapor! Como católico fervoroso e de missa quase diá­ria, Paulo Portas tencionava resolver o grave problema dos ex-combatentes da Guerra Colonial, maltra­tados por uma pátria que nunca os reconheceu, abandonando-os à sua sorte macaca. Vai daí, o Ministro da Defesa do Reino de Por­tugal dirigiu-se ao cemitério de Vila Nova do Corvo acompanhado de uma viúva, mãe de um filho que, ingloriamente, tombara numas das três frentes de batalha acesas em outros tantos territórios ditos ultramarinos. A televisão focou em grande plano o político ufano e a pobre viúva junto à campa do soldado morto em combate. Pe­rante tão sagaz como ar­dilosa encena­ção, a mulherzinha chorava convulsiva­mente, como se o filho ti­vesse acabado de ser devolvido à terra de onde proveio. Mas, Paulo Portas, o católico inde­fectível, tinha na manga o seu colossal truque, semelhante aos impostos da Gasparina figura das Finanças, e puxou-o no ápice da farsa trágico-cómica: “A partir de agora, a senhora, e todos os outros ex-combatentes vivos, irão re­ceber uma pen­são vitalícia por ter o seu filho dado denodadamente a vida pela nossa tão amada pátria que tais ditosos filhos teve… Este Governo quer ressarcir todos quantos deram o melhor da sua juventude à pátria que os deu à luz (eu prefiro pariu…)” Choro re­do­brado daquela Mãe crédula nas palavras tão políticas de um se­nhor ainda mais bem bem-falante e tão exteriormente condo­ído. No dia da Mãe de 2004. Que grande velhacaria… Afinal, a pensão vitalícia redundou nuns míseros 150 (cento e cinquenta) euros por ano, fora os descontos e o tempo de permanência em combate… A minha ficou-se pelos 137 euros. O vitalício transmudou-se em um só ano (um só), como é hábito de Paulo Portas; o irrevogável trans­forma-se, num abrir e fechar de olhos, em revogável, como a pen­são vitalícia para os ex-combatentes. De regresso, o Ministro da Defesa deu boleia a um carteiro deputado ou deputado carteiro do seu inefável partido, que, em Angra, realizava o seu congresso ou comício, tanto faz. E o dia da Mãe acabou em missa a grande ins­trumental: uma reunião místico / partidária, nimbada de fé e grande entusiasmo. A conta da despesa da viagem foi enviada aos contri­buintes… Mário Soares tem carradas de razão quando hoje disse numa entrevista: a maior parte deste Governo é formada por delin­quen­tes, e a estes, digo agora eu, só se lhes pode apresentar um caminho possível… Não o nomeio, mas para bom entende­dor… Fiquei espantado por ter o Correio dos Açores, na coluna de altos e baixos, colocado Passos Coelho em primeiro lugar dos al­tos… A que mais havemos de assistir!
Antes de concluir, não posso deixar de transcrever um poema de José Orlando Bretão, já falecido, amigo e companheiro de Coim­bra, que foi meu contemporâneo na Guiné: 

Esperávamos em silên­cio
mastigando a memória das coi­sas
e a Morte claramente aperce­bida
aguar­dava o seu quinhão

Pen­sávamos: 
— “Cada coice de Mauser no ombro
é uma carícia da Pátria agrade­cida”………………….
Puta de Pátria que agra­dece aos coi­ces.

domingo, 13 de outubro de 2013

Morte às pensões de sobrevivência? Recuo ou tempestade num copo de água?

Neste momento, no Facebook, debate-se a conferência de imprensa de Paulo Portas. A grande dúvida é saber se o governo recuou por causa da escandaleira que foi feita na última semana, ou se, pelo contrário, a escandaleira toda não passou de uma tempestade num copo de água.

É impossível ter certezas. Mas se o Estado conseguir gastar menos 100 milhões de euros em pensões de sobrevivência é razoável concluir que que se fez uma tempestade por muito pouco. Já se o valor das poupanças for bastante inferior aos 100M, então concluir-se-á que fizeram marcha à ré. Até ver o orçamento, não teremos resposta cabal a esta pergunta.

De qualquer forma, Paulo Portas disse que esta medida se aplicaria a apenas 25.000 pessoas. Se for verdade, para poupar 100M, terá de poupar em média 4.000€ por pessoa, a que corresponde uma redução mensal na pensão de sobrevivência de 286€. Este valor parece-me plausível, pelo que é provável que se andasse mesmo a fazer muita demagogia com base em muito pouca informação.

Falta ver o resto do orçamento. Não faz muito sentido comentá-lo sem o conhecer primeiro.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Niall Ferguson a atirou-se às goelas de Krugman.

Ler a blogosfera americana é uma fascinação:
  1. Krugtron the Invincible, Part 1 
  2. Krugtron the Invincible, Part 2 
  3. Krugtron the Invincible, Part 3
Acho que vou desafiar os dois para um round de combates aqui no Minho. Isto não se pode perder e os meus alunos iriam adorar.

Relatório maioritário

A Comissão Nacional de Eleições do Azerbaijão anunciou o resultado das eleições no dia anterior à sua realização. Em Portugal esse papel está atribuído ao Expresso. A diferença é que os precogs azeris acertam sempre.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

David e Golias

Malcolm Gladwell é um escritor genial. Quem leia os livros dele percebe que nos seus relatos científicos às vezes se confunde correlação com causalidade. Mas, honra lhe seja feita, a maioria das vezes esses erros estão a montante: são os próprios cientistas, autores dos estudos citados, que cometem essa confusão. Mas isso em nada altera genialidade da interpretação que Gladwell faz da realidade social. Interpretação que abriu brechas em algumas certezas que tinha. É a destreza das dúvidas no seu esplendor.
A forma como Gladwell usa vários estudos de cientistas sociais para explicar o que observa tem óbvios paralelos em vários livros de economistas, aquilo a que podemos chamar “economia pop”. Os best sellers Freakonomics, Armchair Economist, Superfreakonomics, The Undercover Economist, The Logic of Life e The Economic Naturalist são apenas alguns exemplos, muito deles com edição em português. Mas, na verdade, nenhum chega aos calcanhares dos livros de Gladwell ─ talvez Tim Harford seja uma excepção, ocasionalmente mordiscando as canelas de Gladwell.
Foi graças ao Fernando e ao Zé Carlos Alexandre, que mo recomendaram num Verão na Praia de Quiaios, que comecei a ler os seus livros. Penso que os li todos. O melhor livro dele talvez seja o Blink, seguido de perto pelo Outliers. Mas aquele de que mais gostei foi o What the Dog Saw. Nesse, o meu capítulo preferido foi o dedicado a Nassim Nicholas Taleb e à forma como foi capaz de arriscar o seu pescoço apostando tudo na sua teoria sobre cisnes negros (acontecimentos extremos) e mercados financeiros. Vale a pena referir que esse texto foi escrito bastantes anos antes de Taleb se tornar a celebridade que é hoje.
Foi com alegria e curiosidade que soube que saiu um novo livro de Malcolm Gladwell, David and Goliath. Descobrir que Tyler Cowen o descreve como sendo, provavelmente, o melhor livro de Gladwell, apenas aguça o apetite.