quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Carisma ou caramba

No duelo entre Pedro Santana Lopes e Rui Rio para a liderança do PSD somos confrontados com uma falta de argumentos credíveis na defesa dos candidatos. Os que defendem Rui Rio acham que é boa pessoa e competente, mas contrapõem com o ele ter o hábito de dizer o que lhe vem à cabeça. Quem gosta de Pedro Santana Lopes acha-o muito carismático, uniria o partido, e ganharia facilmente a Rui Rio em debates, para além de que Rui Rio nem sempre alinha com o que algumas pessoas do PSD acham ser melhor para o PSD.

O grande ponto fraco de Pedro Santana Lopes é o facto de já ter sido líder do PSD e Primeiro-Ministro e durante essa prestação ao partido e ao país não exibiu capacidade de liderança que unificasse o partido ou o país; muito pelo contrário: abriu caminho para José Sócrates se tornar Primeiro-Ministro. Conclui-se que ideia de que defender Pedro Santana Lopes é defender o que é melhor para o partido e o país não é suportada por factos; é apenas mais uma manifestação do sebastianismo. Seria importante que o próximo líder do PSD conseguisse, pelo menos unir o partido, mas pela estratégia seguida -- especialmente nas redes sociais --, é duvidoso que tal aconteça.

Os adeptos de Pedro Santana Lopes comportam-se como se Rui Rio pertencesse ao PS, mas não pertence e não é comportável sequer pensar que podem continuar a dizer mal de Rui Rio se este ganhar a liderança, ou seja, ignoram que correm o risco de ter de comer do prato onde cuspiram, se querem que o PSD ganhe eleições. Isto não deveria ser novidade no PSD, porque a forma como Pedro Passos Coelho subiu ao poder foi semelhante. Por ser um underdog mesmo dentro do seu partido, a única maneira que o PSD chegou ao governo foi com a destruição das finanças do país. É um lugar comum dizer que a história se repete, mas normalmente não se repete tão rapidamente.

Tentar vender o carisma de Pedro Santana Lopes também não faz sentido, pois o líder político mais carismático que Portugal teve nos últimos tempos foi José Sócrates. Nesta altura, os portugueses deviam estar reticentes de líderes carismáticos, mas tradicionalmente o eleitorado do PSD não alinha muito com carisma: basta ver o trajecto de Marcelo Rebelo de Sousa ou de Pedro Santana Lopes. Apesar de carismáticos, ambos conseguiram melhores resultados depois de se afastarem do PSD. Já Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho conseguiram navegar tanto o partido, como a vida política do país, apesar de serem pouco carismáticos.




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