sábado, 9 de fevereiro de 2019

Dia 40

Estava aqui a pensar que não há grande diferença entre a Venezuela e Portugal: na Venezuela, usam as receitas do petróleo para alimentar a corrupção; em Portugal usam os fundos comunitários, a dívida pública, e as poupanças dos portugueses arrecadadas em bancos. O que me surpreendeu foi a velocidade com que a saúde pública dos venezuelanos regrediu e penso que, em Portugal, se fizessem o mesmo estudo era possível encontrar o começo da deterioração porque as cativações têm efeitos, basta procurá-los.

A greve dos enfermeiros de cirurgia é incompreensível, não pela greve em si, mas pela necessidade de a ter. Este governo chegou ao poder argumentando que tinha uma política de crescimento sustentável para o país, que permitiria manter o nível de vida dos portugueses e controlar a dívida pública. Afinal, o país não cresce por aí além e para controlar a dívida tem de conter as despesas correntes às escondidas, com o Ministro das Finanças a dizer que as despesas previstas no orçamento não eram verdadeiras porque não havia dinheiro para as pagar.

Quer se queira, quer não, a economia mundial até agora tem oferecido uma conjuntura bastante favorável, logo porque é que Portugal, que tem bastante margem para crescer, não cresceu mais rapidamente? O governo fez reformas, disseram-nos. Ou será que o objectivo do governo não era implementar políticas que promovessem o bem-estar dos portugueses, mas sim continuar a aproveitar os recursos comuns para proteger as elites corruptas? Só assim se explica que o relatório da CGD não tenha visto a luz do dia através do funcionamento normal das instituições.








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