terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Demitam-se o PM e o PR!

Agora o Mário Centeno é que é o mau da fita, quando tanto o Primeiro Ministro, como o Presidente da República, quando confrontados com o que Mário Centeno planeava fazer olharam para o lado. O Mário Centeno pode ser muita coisa, mas virgem sacrificial não é uma delas. Se António Costa deixar cair Mário Centeno, então dissolva a Geringonça.

E já agora, caro Presidente da República, diga adeus também. Se não serve para evitar crises deste tipo, então o que é que anda a fazer exactamente?

O Teu Perfume Patchouly


Dedicado ao nosso comentador NG.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Se não é crime, devia ser

“O que deveríamos estar a discutir neste momento – e gostaria de ver juristas a ser entrevistados com perguntas concretas – era saber se o que já é público configura o crime de corrupção ou não. Eu não conheço a lei suficientemente bem para saber se isto que já se sabe – que é fazer uma lei à medida de uma pessoa e em que essa pessoa encarrega os seus advogados de fazerem essa lei – por si só não configura o crime de corrupção”.
“Agora o que posso dizer é que se, por acaso, os juristas vierem a terreiro explicar que o que se passou, de facto, não é corrupção – e não foi cometido qualquer crime – então eu, como cidadão, posso opinar e dizer: as leis devem ser mudadas para que passe a ser crime."

10 anos depois

Há 10 anos, no referendo sobre o aborto, houve argumentos a favor e contra a despenalização. Havia previsões apocalípticas e houve quem considerasse que trazer os abortos para dentro da legalidade permitiria atenuar uma série de problemas.

Podemos hoje concordar que o lado que ganhou o referendo tinha toda a razão nos seus principais argumentos e nas suas previsões, não podemos?

Just say "No!"

Desde que a Geringonça tomou posse que me pergunto o que terá levado Mário Centeno a aceitar ser Ministro das Finanças. Em Portugal, dá sempre bronca, logo por que razão é que ele se sujeitaria a tal risco de ficar mal-visto? Julgo que a resposta é que Mário Centeno não sabe dizer "Não!", senão teria dito "não" a António Costa ou a António Domingues. Mas não pensem que dizer "não" é uma coisa muito fácil porque pode ser das coisas mais difíceis que fazemos.

Lembro-me do dia em que dizer "não" se tornou mais fácil para mim. Foi uma vez quando a minha sogra andava em arrumações lá em casa e me perguntou se eu queria uma camisola de Natal, como usam as avózinhas. E era uma camisola tão feia, tão feia, que, por muito que me custasse dizer "não" à minha sogra, tive de o fazer. É que era tão feia, tão feia, aquela camisola, que eu nem a queria levar para casa e dar a alguém e também me custava meter no lixo uma coisa que a minha sogra me tinha dado. Esse "não" soube-me pela vida e pensei: "Rita, tens de dizer 'não' mais vezes -- muitas mais!"

Como já não vou a tempo de oferecer a Mário Centeno uma camisola de Natal muito feia para ele aprender a dizer "não", decidi encontrar uma canção para ele treinar. Assim, pode ser que ele deixe de passar por estas situações que decerto o envergonham. Se não o envergonham a ele, envergonham-me a mim e eu já não aguento vê-lo sujeito a esta tortura.

Aqui está a letra:


"Just Say No" ~ No For An Answer

Why should I join a breed
That brings one another down?
Group behavior, group as the savior
A circus filled with clowns
Who are these men? Why are they here?
What do they want?
Ruling class, ruling by fear,
Something I am not!
All my life I've felt the push
It's caused me pain
Dilute my system, just to be with them
Why numb my brain?
A pint of fear, a quart of heart,
Is all they've got
Ruling class, ruling by fear,
Something I am not!
JUST SAY NO!!!
NO !
JUST SAY NO!!!




sábado, 11 de fevereiro de 2017

Demitir-se para quê?

Não acho que Mário Centeno se deva demitir. Não adianta nada e apenas abre uma vaga para o PS arranjar alguém com credibilidade para o lugar, dando a impressão de que as coisas mudaram para melhor. Sabemos que não mudaram: estão exactamente na mesma como sempre estiveram, mas com uma pessoa nova o que não sabemos é quando é que a pessoa sucumbe ao sistema; até lá temos de presumir que essa pessoa não irá fazer nada, que é inocente -- é esse o nosso ponto fraco que os partidos exploram.

Já sabemos que Mário Centeno é corruptível, logo ele que fique e nós assim temos razão e autoridade moral para o vigiar e questionar à vontade. Não precisamos de lhe dar o benefício da dúvida. E tem outra vantagem: enquanto Mário Centeno é Ministro protegemos a reputação de outra pessoa.

E já agora, o Presidente da República e o Primeiro Ministro também não merecem a nossa confiança -- temos de os manter debaixo de olho.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Vã glória...

Como um nosso leitor me acusou de não publicar comentários, lá fui eu ver os comentários. Já não ia lá há meses. Encontrei um muito engraçado, que acabou no SPAM, a gozar comigo por causa das minhas contas poupança-reforma. Diz assim: "Para a pequena burguesia desta pessoa que acha que vangloriar-se das suas contas fidelity de classe média baixa e' muito impressionante." A pessoa que escreveu isto não deixou o nome, mas acho que o que disse é pertinente.

Para eu vos dar uma boa ideia do que é estar nos EUA, tenho de falar nas contas poupança-reforma porque faz parte do que é viver nos EUA e é uma parte muito importante. É lógico que eu podia falar de tudo isto do ponto de vista teórico, mas julgo que falando do ponto de vista pessoal posso dar-vos a ideia do que é ser emigrante, das coisas que eu aprecio no país que me acolheu, e do que me atraiu aos EUA, pois quando eu vim para aqui da primeira vez, e até da segunda, não foi com intenção de ficar.

Sempre gostei bastante da forma como os americanos falam do planeamento da reforma e foi logo uma das primeiras coisas que notei. Ainda no outro dia pensei que tenho de vos falar nos livros e nos programas de rádio sobre este tema. Aqui, falar deste tópico é sinal de responsabilidade, não é sinal de arrogância. Para além disso, ter opções de investimento combina muito comigo porque, não sei se já repararam, mas tenho uma certa fobia de gerir mal o dinheiro e de acabar na pobreza. Não acho que seja suficientemente grave para eu ir ao psi, mas é uma pequena loucura minha que está perfeitamente controlada, por enquanto. [Não acham que tenho imenso medo de doenças psiquiátricas? Há quem tenha medo de cancro; eu tenho medo de ficar maluca -- é perfeitamente razoável.]

Por falar em maluquices, em Portugal, há uma certa esquizofrenia relativamente ao dinheiro: as pessoas julgam os outros pelas roupas, carros, férias, etc.; fugir a impostos é bem-visto; enganar quando se pode é quase um desporto nacional; mas falar da forma como nós fazemos o planeamento das nossas poupanças é vangloriarmo-nos e um sinal de sermos de "classe média baixa". Porque é que devemos ter vergonha do que planeamos fazer com o produto do nosso trabalho? Notem que um dos grandes problemas da macroeconomia portuguesa é mesmo o país ter poupanças tão fracas, que precisa de se endividar junto ao exterior -- mas essa lição é do FAlex e do LA-C.

Suponho que, para o nosso leitor, quem tem dinheiro não precisa de planear nada porque já o tem; quem planeia é quem não tem. Tente-se explicar isso ao Warren Buffett de forma a ele não nos achar uns idiotas completos -- acho impossível!

Não percebo a necessidade de classificar alguém numa classe, a não ser que se esteja a dizer que há classes de pessoas que deviam estar caladas ou ter vergonha de não pertencerem a outra classe. Mas quem acha isso não tem grande classe.


Às escondidas

Gary Cohn, ex-No. 2 da Goldman-Sachs e conselheiro de Donald Trump, está a delinear a reforma fiscal da nova Administração. Daqui a umas semanas teremos detalhes deste plano "fenomenal", mas a reforma fiscal não vai constar da proposta de Orçamento de Estado da Administração Trump. Percebe-se perfeitamente: vai funcionar tão bem que tem de ser escondida do orçamento por enquanto.

Unnamed congressional leaders have been consulted on the blueprint, the official said. It’s separate from Trump’s proposed budget, the official said, requesting anonymity because the plan is still under development.

Fonte: Bloomberg

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Mr. Trump 0 - The People 1

A federal appeals court ruled that the U.S. will remain open to refugees and visa holders from seven Muslim-majority countries, rejecting a bid by the Trump administration to reinstate a travel ban in the name of national security.

The San Francisco-based appeals court on Thursday spurned the government’s request to close the doors after days of public debate over President Donald Trump’s attacks on the judicial system and a rush of fearful immigrants. The ruling increases the likelihood that the administration will ask the Supreme Court to step into a case that’s the biggest test of Trump’s executive power yet.



Fonte: Bloomberg



See you in court, Mr. Trump!


Uma pouca vergonha

António Domingues é uma vergonha; o escritório de advogados que fez o trabalho é uma vergonha e ter ministros e secretários de estado a prometer mudar leis à medida é uma vergonha.
Que o ministro e secretário de estado (a confirmarem-se estas notícias) não sejam sumariamente corridos é um sintoma do pântano que são as elites deste país. Pouca vergonha.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Eu alinho no desalinho

A minha contribuição para a conversa do Zé Carlos e do Luís Gaspar acerca de sermos desalinhados é o filme School of Rock: you have to stick it to the man!

Ah, e tal, não é intelectualmente estimulante, dizem vocês. Nem o Trump, mas é ver o número de pessoas que votou nele. E o número de pessoas em Portugal que acham que é um bom líder?

Dewey Finn: [on sticking it to "The Man"] Yes! But, you can't just say it, man. You've gotta feel it in your blood and guts! If you wanna rock, you gotta break the rules. You gotta get mad at the man! And right now, I'm the man. That's right, I'm the man, and who's got the guts to tell me off? Huh? Who's gonna tell me off?
Freddy: Shut the hell up, Schneebly!
Dewey Finn: That's it Freddy, that's it! Who can top him?
Alicia: Get outta here, stupidass.
Dewey Finn: Yes, Alicia!
Summer Hathaway: You're a joke, you're the worst teacher I've ever had!
Dewey Finn: Summer, that is great! I like the delivery because I felt your anger!
Summer Hathaway: Thank you.
Lawrence: You're a fat loser and you have body odor.
Dewey Finn: ...All right, all right! Now, is everybody nice and pissed off?

Moralmente repreensível

Depois da crise financeira de 2008, os jornais encheram-se de editoriais a falar da crise de ética nas escolas que formavam o upper management das companhias envolvidas no colapso financeiro. Harvard foi uma das universidades mais criticadas (ver aqui e aqui). No entanto, a universidade desde então investiu bastante em formar pessoas eticamente responsáveis e que não ajudem a corromper o sistema mais do que ele já está.

Quando vi a sucessão dos resultados das previsões de crescimento dos modelos de Mário Centeno, sabendo que ele tinha passado por Harvard, questionei-me se era uma pessoa séria e de princípios ou se também era facilmente corruptível -- para mim, aqueles resultados não eram defensáveis. Hoje tenho a certeza de que é um indivíduo moralmente corrupto; diz qualquer coisa para segurar o PS e enganar os cidadãos: manipula informação, mente, responsabiliza outros pelas suas decisões porque não tem como as defender.

Assistimos agora à novela de António Domingues na CGD, na qual veio à luz um acordo explícito que o governo fez com António Domingues; mas quando Centeno se tornou Ministro das Finanças, a novela era a do Banif, que envolvia questões como a de quem tinha sido a decisão de intervir no banco em 2015.

Mário Centeno formou-se em Harvard antes da crise financeira, na altura em que a escola não ligava muito a questões de ética porque pensava que as pessoas que chegavam a uma universidade daquele calibre tinham o mínimo de fibra moral. Infelizmente, não têm todas, como se vê pela actuação de Mário Centeno.

Do alinhamento

O José Carlos Alexandre fala aqui do primeiro episódio da terceira temporada do Black Mirror. É para mim um tratado emocionante sobre a conformidade. Mostra os mecanismos invisíveis que levam as pessoas a prescindir da liberdade e a alinhar. Aquilo que leva tanta gente à nossa volta a pensar muito bem antes de falar, a alinhar com quem tem poder, ou a não desalinhar, a dar graxa, a formatar a opinião não com base no que é dito, mas em quem diz. O meu rating pode ser baixo, ninguém me dá nada, mas retenho a liberdade do FUCK YOU espontâneo. Do FUCK YOU a quem quer que seja. Que, vendo bem, é a única genuína liberdade. E isso basta-me. 

Na mesma semana que vi o episódio do Black Mirror, vi também o Trainspotting 2 - e é também maravilhoso.

Há obras que nos ajudam a não ter de inventar as nossas próprias palavras. O trainspotting foi o filme que deu à minha geração a metáfora ideal para a dificuldade da entrada na vida adulta. Escolhe a vida. Choose life. Escolhe a televisão gigante, a máquina de lavar, o carro, a vida tal como ela é vivida pelos adultos que tu conheces. Escolhe o rating elevado. Ou então encontra uma boa alienação, que não te destrua. Boa sorte, dirão os cínicos.

Passados 20 anos do Trainspotting, a vida escolheu a maioria de nós. Fazemos por ela, não é verdade? Mas há sempre momentos em que nos lembramos que também há vida para além da vida que vivemos, mas que simplesmente não temos tempo para ela. A boa arte não é aquela que nos deixa experienciar, por um bocadinho, em modo compacto e arrumadinho, essa vida para além da vida (era só o que faltava que fosse tão simples); a boa arte mostra-nos que as compensações que vamos arranjando podem ser muita coisa, mas não são realmente compensações.

Uma sequela do Trainspotting tinha tudo para correr tão mal – teria tudo para se tornar uma espécie de caricatura de si mesma, onde as personagens mostravam o que acontece quando viciados em heroína acabam por escolher a vida. Felizmente, o Danny Boyle não mostra nada disso. Em referências sucessivas e subtis ao primeiro filme, faz-me uma visita guiada, mas não condescendente, a um mundo projetado a partir dos sonhos da nossa adolescência. Mostra-nos que mudamos pouco. Que, se procurávamos alienação, e se a alienação não nos matou pelo caminho, o mais provável é que tenhamos encontrado entretanto outra alienação para a substituir. Mostra-nos com humor os limites dessa alienação - mas também nos mostra os limites do mundo real. E é algures entre os limites dos dois que temos a possibilidade de sermos felizes.