quinta-feira, 30 de março de 2017

Era só um milagrito!

Hoje matei um esquilo pela primeira vez, enquanto conduzia. Fiquei capaz de morrer. É verdade que, de vez em quando, estas criaturas me chateiam porque escavacam as minhas plantas no pátio. Não percebo porque implicam com o meu pátio, pois eu até lhes deixo nozes de vez em quando, num buraco de uma árvore. E aquela vez que, em Memphis, tive de pagar mais de $1.000 a alguém porque os esquilos tinham conseguido entrar na estrutura da minha casa? Fiquei chateada com o custo das reparações, mas o serviço também incluía apanhar os esquilos malandrecos e mudá-los de sítio, para longe de onde eu vivia. Ninguém os matou.

Dizia eu que, hoje de manhã, ia eu devagar, quando um esquilo aparece a sair de uma valeta, a correr para a estrada. Não tive tempo para fazer nada, pois se travasse era capaz de o passar a ferro -- foi a única coisa que me ocorreu. Talvez devesse ter acelerado, mas era difícil para mim avaliar em que sítio do meu carro o bicho estava. Olhei para o retrovisor e ele estava deitado na estrada, os pelinhos da cauda esvoaçavam com a brisa. Virei o carro para voltar atrás, estacionei, fui buscar um pano que trago na mala, e fui auxiliar o esquilo. Se estivesse vivo, levá-lo-ia ao hospital dos animais.

Não passei por cima dele; julgo que bateu contra uma das minhas rodas e, com o impacto, teve uma hemorragia interna, pois tinha a boca com sangue. Peguei no bichinho, abanei-o a ver se ainda se mexia, mas nada... Levei-o para uma zona mais recatada, debaixo de uma árvore, e deitei-o no chão. Fiz-lhe festinhas, falei com ele, e pensei que seria bom se ele só tivesse desmaiado, mas estava morto. Resignei-me e regressei ao carro.

Este era um macho, mas fez-me recordar daquela vez em que vi um esquilo fêmea morto na estrada. Notava-se que estava a amamentar e os filhotes devem ter morrido. Hoje podia ter sido pior, podia ter matado uma mãe-esquilo. E depois pensei no valor da vida dos esquilos, se matar um macho era preferível a matar uma fêmea. É uma pergunta parva, mas ocorreu-me.

Quando fui almoçar olhei para o sítio onde o deixei, pensei que talvez tivesse havido um milagrito, mas ainda estava lá. Não vale a pena gastar milagres em esquilos.

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