sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Politicamente incorrecto?

Pelo que vejo no Facebook, não tanto nos blogues, parece que agora não se pode chamar racistas, machistas, porcos e trogloditas a quem votou Trump. 
Fico admirado, estava convencido de que quem exultava com a vitória do Trump  era contra o Politicamente Correcto.

25 comentários:

  1. Acho que "politicamente correto" significa "não se poder insultar quem, historicamente, podia ser insultado" - não havendo uma tradição histórica de "racista" ou "machista" ser um insulto, ser contra esses insultos não se considera como "politicamente correto" (contrastar com "preto" ou "vaca", expressões em que existem direitos adquiridos a usar, e em que portanto quem é contra essas expressões já é "politicamente correto").

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    1. Boa, Miguel. A mim parece-me mais simples. A ditadura do Politicamente Correcto é quando NÓS não podemos insultar quem nos apetece.

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    2. Gosto das vossas teorias mas acho que não chegam. A didatura do Politicamente Correcto é também quando nós podemos insultar quem nos apetece. Vide o Schäuble: é perfeitamente admissível fazer piadas de mau gosto sobre a sua cadeira de rodas (que seriam inadmissíveis em relação a qualquer outra pessoa) porque ele é MAU e "toda a gente" sabe disso.

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    3. Isso do Scäuble é mentira. Não é prefeitamente admissível fazer essas piadas e já muita gente adepta do Politicamente Correcto se manifestou contra isso. Daniel Oliveira, por exemplo, tem um artigo a dizer que isso não é aceitável.

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    4. OK, talvez eu esteja a exagerar. Vi suficientes piadolas para as manifestações contra me passarem despercebidas.

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    5. E claro, há situações de fronteira em que é mesmo uma questão de gosto. Por exemplo, é impossível fazer uma caricatura de corpo inteiro do homem sem o ter numa cadeira de rodas.
      Depois o uso que se faz da cadeira de rodas na caricatura é uma questão delicada. Por exemplo, seria legítimo pôr a cadeira de rodas a atropelar os apelos à reestruturação da dívida de Mário Centeno? Eu diria que sim, mas tenho dúvidas e acho que dependerá sempre de uma avaliação casuística.

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    6. Claro.
      Eu raramente (não me atrevo a dizer nunca) insulto pessoas da boca para fora (e da boca para dentro) com base em características específicas que não tenham nada a ver com a razão do meu insulto. Ou seja, posso chamar cretinos, calhaus com olhos, etc. a pessoas que fazem ou dizem coisas que eu considero idiotas, mas não associo isso a género, etnia, características físicas, etc (com a possível excepção de um insulto racista a que acho graça e que às vezes PENSO). Para mim essa é a linha vermelha. Também acho que usar as rodas do Schäuble para atropelar qualquer coisa talvez seja admissível. (Já o Mário Crespo a elaborar sobre a subserviência do Vítor Gaspar a curvar-se para o Schäuble num Ecofin ultrapassa as minhas marcas, e disse-lho por email, porque é uma distorção da realidade inadmissível num jornalista).

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    7. mas olhe que houve um deputado, penso que comunista, indignado por Sachauble não se ter levantado. Ou seja, havia muita ignorância sobre o homem. Não sei se seria o caso de Crespo, mas até podia ser.

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    8. Eu tenho imensa dificuldade em acreditar que, pelo menos em relação ao Crespo, se tratasse de ignorância. Mesmo quanto ao deputado, é difícil imaginar que nunca tivesse visto fotografias dele (ainda se fosse o FDR...) O homem anda em cadeira de rodas há mais de 20 anos e é ministro há quase 10. Não sei o que me chocaria mais no caso do Crespo, se a má-fé se a ignorância...

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  2. Durante Bush II, houve um estado quase de censura. Quem criticasse o governo ou questionasse a acção dos EUA no Iraque era acusado de anti-patriotismo; os intelectuais eram vistos como inimigos, que não defendiam o interesse de Main St. O mesmo irá acontecer com Trump: quem criticar os Republicanos será acusado de elitismo, ser contra o homem comum, etc.

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    1. Sim, até o nome de "Patriot Act" foi escolhido nesse sentido.

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  3. É. Quem votou em Trump é racista, machista, porco e troglodita. Quem acha que José Sócrates foi um bom Primeiro Ministro é estúpido. Quem escreve comentários neste blogue sem bater palmas aos posts do autor é ridicularizado. Assim vai a academia.

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    1. "Quem acha que José Sócrates foi um bom Primeiro Ministro é estúpido."

      Sobre quem defende Sócrates acho, de facto, que ou é estúpido ou desonesto. Mas não disse isso sobre a sua actuação enquanto primeiro-ministro. Acho que foi muito mau, pelo menos a partir do 2º ou 3º ano, mas aceito que alguém que não seja estúpido nem desonesto ache que ele foi um bom 1º ministro.
      A reform da administração pública ou a reforma da Segurança Social, entre outras coisas, são suficientemente importantes (no bom sentido) para considerar que é normal alguém razoável e de boa fé o considerar um bom primeiro-ministro.

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    2. Ah, entendi. É estúpido ou desonesto quem defende a presunção de inocência e se escandaliza com perseguições mediático-judiciais movidas a comércio e política partidária, devassa da vida privada, divulgação de escutas, humilhação pública, prisões sem justa causa, processos sem prazo,... Vá lá! Quem aceita como bom o político que procura executar as propostas que levou ao voto popular é melhor tratado. Estou mais descansado.

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    3. Está quase lá. Folgo por ter ficado descansado.

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  4. E o Luís Aguiar-Conraria o que acha de quem votou Trump? Eu, das pessoas que conheço que votaram Trump, acho que pelo menos há sempre um desses adjectivos lhes serve. Mas normalmente é mais que um... entre outros pejorativos que não escreveu.

    Cumprimentos,
    Mário Horta

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  5. Quer-me parecer que se anda a pretender misturar o conceito de correcção política com os conceitos de polimento de trato, discurso educado e urbanidade. São muito diferentes e nem sequer têm qualquer ligação.

    Podem expressar-se posições que não são politicamente correctas sem para isso usar um discurso rude. Ser-se contra a imigração descontrolada, por exemplo, é uma posição politicamente incorrecta nos tempos que correm mas não há porque falar sobre o assunto em termos de carroceiro. Não alinhar no discurso da igualdade entre sexos (ou igualdade em geral de todos os seres humanos) coloca aqueles que o fazem na categoria de cavernícolas para as elites auto-intituladas de bem pensantes mas não há qualquer motivo para defender esta posição sem urbanidade e correcção. Ser contra o casamento homosexual idem. Repudiar a ditadura anti-fumadores, ibidem. Já chamar "racistas, machistas, porcos e trogloditas" aos apoiantes de Trump (ou seja a que grupo em geral for) não é mais do que uma generalização inconsequente. Não tem, sequer, nada a ver com correcção política ou o seu inverso. Como a maioria das generalizações enferma do pecado do exagero. Mas, ao ser inconsequente, não é importante, também.

    A correcção política é algo que tem a ver com as posições que cada um adopta perante terceiros e perante a sociedade em geral. Nada tem a ver com a forma como cada um exprime as suas posições, sejam estas politicamente correctas ou não. Acho que já nenhum de nós está naquela fase da adolescência em que, por desejo de afirmação pessoal e tentando ser original ou rebelde o que acaba a conseguir-se é, tão somente, ser mal-educado.

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  6. Podem chamar isso tudo aos apoiantes do Drumpf.

    O problema é que continuar a chamar-lhes isso só os vai motivar novamente a sair de casa e votar nele daqui a 2 e 4 anos, como aliás os motivou desta vez.

    Se lhe querem cortar as pernas (em 2 anos), e tirá-lo de lá (em 4), talvez seja mais inteligente mudar de estratégia.

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    1. Muito sinceramente, não me parece que os murais de facebook dos portugueses tenham qualquer influência nas eleições norte-americanas. Por aí, não há problema.
      É provável que ele lá fique 8 anos, mas por outros motivos.

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    2. Claro que, individualmente, não.

      O activismo da Rita aqui no blogue transmitiu duas ideias contra-producentes, IMO. Que de alguma forma eram favas contadas, o que desmotiva potenciais votantes Clinton. Que os apoiantes de Trump eram efectivamente deploráveis, o que só os motiva.

      Isto feito de uma forma generalizada levou ao resultado que se viu: a Clinton tem bastantes menos votos que o Obama em 2012, muito, muito menos que em 2008. O Trump ganha com poucos mais votos que o perdedor de 2012.

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    3. Não discordando, acho no entanto injusta a comparação com Obama. Obama foi um político com uma capacidade de mobilização extraordinária. Se comparar Clinton com os outros candidatos democratas no passado, verá que ela fica bem na comparação.

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    4. Não discordando, acho no entanto injusta a comparação com Obama. Obama foi um político com uma capacidade de mobilização extraordinária. Se comparar Clinton com os outros candidatos democratas no passado, verá que ela fica bem na comparação.

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  7. Acho que o grande problema não está no insulto, mas na utilização do mesmo para mascarar a frustração da não-vitória liberal que estava mais do que anunciada. Aliás, custa muito compreender quem de facto são as pessoas que votaram em Trump e o que significa a ruptura com a forma de fazer politica actual?

    Reduzir Trump a um "grab by the pussy" ou ignorar as principais directrizes do seu programa económico (que não é assim tão desfasado da realidade como apregoam...) é tratar com leviandade quem conduziu a sua liberdade de voto.

    Da mesma forma que o Sr. LAC argumentou diversas vezes no Observador que não houve legislatura roubada, mostrando que o voto do povo é legitimo, acho que não deviamos reduzir os apoiantes de Trump a meros xenofobos, racistas, trogloditas.. E pior que isso é cair no ridiculo de achar que a nossa democracia é melhor do que a deles, só pela existência de um Colégio Eleitoral - sendo bastante engraçado ver que os mesmos que poem em causa o Colégio, são os mesmos que não o fizeram quando Obama foi eleito duas vezes... Mais uma vez a democracia dá jeito conforme a cor partidária.

    Fazer isso é mostrar que se tem um conceito democratico muito próprio e só recorremos ao insulto para camuflar a frustração de um resultado eleitoral fabricado pelos mainstream media.

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    1. Está a argumentar com quem?
      Comigo não deve ser. Eu não só sou a favor do colégio eleitoral como nem me passa pela cabeça achar que todos os votantes de Trump são uns trogloditas.
      Qt ao problema que a esquerda tem, é um facto. Mas é um facto ainda maior que a direita tem o mesmo problema. Afinal ele também ganhou as primárias à direita.
      A esquerda tb lá tinha um maluqinho, mas esse perdeu.

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    2. Não estou a argumentar contra si, mas para si :)
      Dei como exemplo a linha directriz de temas que escreveu no Observador, que serviram de base para construir o meu texto.

      E reforço a minha posição. Quem neste momento se limita a insultar apoiantes de Trump com as "cartas" do costume (xenófobo, racista, trogolodita) é alguém que não compreend o processo democrático em que eles vivem.

      De qualquer forma, é caricato ver que quem mais apelava ao "Ódio & Violência" são agora os mais odisoso e violentos. A não ser que estejamos a ver a Fox News, que mostra imagens de cocktails molotov a serem atirados e caracteriza como "liberdade de expressão"...

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